4 Hovedtrekk i norsk kulturminneforvaltning
4.4 Universitetsmuseenes utfordringer og mandat i
Diferentemente de reconhecer e alinhar nosso posicionamento às outras vozes, temos a opção de desafiá-las e rejeitá-las de acordo com nossos interesses. Quando o produtor textual manifesta um senso contraditório perante algum posicionamento externo, ele está atualizando
um mecanismo que contrai dialogicamente seu discurso. Nesse sentido, a palavra do “outro”
passa a ter lugar no escopo textual, mas somente como uma premissa passível de questionamento ou refutação. Sobre isso, os autores afirmam que:
These are meanings which, even while they construe a dialogistic backdrop for the text of other voices and other value positions, are directed towards excluding certain dialogic alternatives from any subsequent communicative interaction or at least towards constraining the scope of these alternatives in the colloquy as it henceforth unfolds. (MARTIN; WHITE, 2005, p. 117).4
Nesse contexto, o recurso da Contração Dialógica é subcategorizado em níveis de responsabilização discursiva que abrangem os mecanismos de Refutação e Ratificação. A
4“Eles são significados que, mesmo construídos em um cenário dialógico para o texto de outras vozes e posições
de valor, são direcionados para a exclusão de determinadas alternativas dialógicas de qualquer interação comunicativa subsequente ou, pelo menos, restringem o âmbito de aplicação destas alternativas no diálogo, uma vez desenrolada.” (Tradução nossa).
Refutação compreende os casos em que o autor/falante mantém uma posição estritamente contrária à voz externa, possibilitando-lhe a alternativa de fazê-lo mediante uma Negação total ou uma Contra-Expectativa. O conceito de Refutação é usado para casos em que o falante se engaja explicitamente naquilo que diz, atuando como limitadores do campo das alternativas dialógicas nos atos de fala. (MARTIN; WHITE, 2005, p. 121). Assim como nos casos de
Refutação, existem subdivisões que melhor definem cada tipo de manifestação, a saber:
Expectativa Confirmada, Endosso e Pronunciamento. A figura 6 esquematiza o estrato da
Contração Dialógica:
Figura 7 – Estrutura da Contração Dialógica do subsistema de Engajamento.
Fonte: Parte do esquema proposto por Martin e White (2005, p. 134).
Quando se nega o posicionamento alheio, faz-se de forma explícita e direta. Os adjuntos adverbiais de negação são as principais partículas que dão suporte para esse tipo de proposição. Entretanto, quando se lança um desafio entre vozes estabelecendo contra-expectativas, é necessária a aparição de duas premissas: uma que lança uma afirmação comum e outra que suplanta o sentido da anterior, gerando no leitor/ouvinte um estranhamento seguido de surpresa pela quebra da expectativa textual. Dessa forma, realiza-se uma construção argumentativa em
que a ação de enveredar pelo campo do “outro” torna-se o passo inicial, para lançar mão de
recursos que depreciem a voz de confronto e, consequentemente, enalteçam o posicionamento do próprio emissor.
Em uma avaliação, para garantir a responsabilidade sobre aquilo que afirmamos e persuadir nosso ouvinte/leitor, utilizamos, constantemente, recursos de Ratificação. Trata-se de um conjunto de artifícios linguísticos que o falante/autor utiliza para defender seu ponto de vista, minimizando o poder das vozes que contrariam seu modo de pensar. Através de uma
Expectativa Confirmada, Pronunciamento ou Endosso, incrementamos nosso discurso com
“ingredientes” que impulsionam o poder dos atos de fala e concretizam as bases dos nossos
A Expectativa Confirmada diz respeito a uma concordância que o enunciador acredita ser comum a todos os participantes do contexto discursivo. Pela ideia de naturalidade compartilhada por uma determinada comunidade, supõe-se uma aceitação mais pacífica na relação emissor-recptor. Partículas como “naturalmente”, “obviamente” e “certamente” fazem parte desses constantes mecanismos avaliativos. O Endosso é uma forma expressiva bastante usual para aqueles que precisam defender pontos de vista sem que pareçam estar solitários em seus posicionamentos. O produtor se utiliza de vozes externas para validar suas proposições, fomentando reflexões que degradam os posicionamentos contrários aos seus. Assim, estruturas
verbais que desempenham papel factivo, como “mostra”, “afirma”, “demonstra” etc., auxiliam
o endossamento do enunciador e lhe dão mais garantia argumentativa. Por último, o recurso do
Pronunciamento funciona como um elemento de relevo, buscando uma relação de solidariedade com o leitor/ouvinte. São estabelecidos pontos de ênfase que envolvem cláusulas iniciadas com
“A verdade é que...”, “Você deve concordar que...”, “Podemos concluir que...” etc. (Vian Jr.,
2011 p. 38 e 39). Nos exemplos (15), (16), (17) e (18), Ninin e Bárbara (2013) apresentam sentenças que demonstram a aplicabilidade dos recursos discursivos de contração dialógica:
(15) Esse modo de aproximação requer que não se tome (Negação) cada enunciado em separado, mas (Contra-Expectativa) se trabalhe na tessitura do movimento interlocutivo.
(16) É claro que (Expectativa Confirmada ) há distinções bastante claras quanto aos dois gêneros, mas (...) um trabalho publicado numa revista científica não tem, obviamente, a mesma classificação (...).
(17) Acreditamos (Endosso) que muitas piadas de Joãozinho podem confirmar a tese proposta por Freud, Bergson e Propp – a piada pode servir a propósitos hostis, é criada para humilhar.
(18) (...) se tomarmos essa imagem como elemento para construção de um discurso, não há dúvida (Pronunciamento) de que são signos dotados de motivação (...).
O exemplo (15) apresenta dois mecanismos dialógicos utilizados em uma única sentença para gerar força sobre o posicionamento defendido. O recurso de contra-expectativa realizado
pela conjunção “mas” vai de encontro com a voz que foi negada anteriormente.
Estrategicamente, o autor explicitou um ponto de vista exatamente com o objetivo de sobrepô- lo por meio de argumentos que lhe parecem mais convincentes. A negação seguida de contra- expectativa é uma maneira que o autor/falante encontra para refutar uma proposição já atualizada por uma voz alheia de discordância. Já no exemplo (16), a expressão “É claro que” evidencia um comportamento de expectativa confirmada, tendo em vista a percepção do autor de que seu interlocutor compartilha da ideia proferida. Ora, buscando a naturalidade dos fatos, o autor alicia seu público, a fim de torná-lo um aliado discursivo. Em concordância com a
posição tomada pelo autor, fica mais fácil manter um elo de proximidade com o leitor, trazendo- lhe para o lado que se defende.
O exemplo (17) emite uma informação endossada pelo posicionamento de uma voz externa. Com a finalidade de concretizar as bases daquilo que se diz, o autor dialoga com as vozes de Bergson e Propp para construir seu posicionamento discursivo. Diferentemente do recurso atributivo realizado no processo de expansão dialógica, aqui, além da voz do outro ser reconhecida, ela se entrelaça com a voz autoral tomada para si como uma causa a ser defendida. Por último, observamos no exemplo (18) a demonstração de um pronunciamento que acaba por
desencorajar uma possível relação contrária que o leitor construiria. Pelo recurso modal “não há dúvida”, fica clara a tentativa do autor de pôr relevo sobre a proposição ao manter seu
posicionamento como fato a ser levado em consideração pelo interlocutor.
Contrair dialogicamente o discurso significa dar espaço para a palavra alheia, a fim de questioná-la ou confrontá-la. O produtor manifesta desacordo com ideia de alguém e incrementa sua fala com articulações argumentativas que derrubem ou minimizem o posicionamento contrário ao seu. Como podemos ver, quanto maior o nível de negação construída no discurso, maior será o envolvimento comprometedor sobre o dito textualmente.