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5 Rammebetingelser i forvaltningsmuseene og NIKU

5.6 Bemanning og kompetanse

A atitude de conceituar elementos, mensurar níveis de letramento e pensar estratégias que ampliem o olhar das comunidades em relação ao conhecimento científico tem seus argumentos e suas justificativas. Autores como Millar (2003) e Miller (2002) se dedicaram por demonstrar os motivos pelos quais fomentar análises que alinhem os registros encontrados às decisões das políticas públicas é essencial para o desenvolvimento de uma população.

Millar (2003, p. 76) argumenta que os estudos científicos se preocupam com o comportamento do mundo natural. Eles devem usar mecanismos próprios de investigação, bem como terminologias adequadas que otimizem a compreensão entre os interessados na área. Para obter o domínio sobre esse tipo de conhecimento, os sujeitos não permanecem no estrato oferecido pelo senso comum, mas devem ir além, refletindo a natureza por um pensar

diferenciado que é tipicamente característico daqueles que “dominam ciência”. Millar (2003)

assegura que

pode ser mais significante no que diz respeito aos chamados processos da ciência: argumentei [...] que “habilidades processuais” tais como observar, classificar, predizer e outras são adquiridas informalmente -sem dúvida são

usadas por crianças bastante novas - e que o objetivo do ensino de ciências não é desenvolvê-las, mas encorajar os estudantes a usar capacidades que eles já possuem na exploração de questões científicas. (MILLAR, 2003, p. 76, traduzido por WYKROTA e ANDRADE).

Os seres humanos já possuem um senso de curiosidade com o comportamento natural das coisas, algo que o método de investigação científica pode satisfazer, sendo, também, responsabilidade do ensino de ciências instigar a reflexão dos alunos. O autor ainda demonstra a importância valorativa desses conhecimentos na vida dos indivíduos, não só pelo poder intelectual que lhes é conferido, mas pela capacidade adquirida de tomada de decisões e participação engajada nas questões que envolvem a ciência como fonte primordial. Dessa forma, o autor apresenta cinco argumentos que justificam por que a população deve ser letrada cientificamente e os motivos pelos quais os estudos sobre essa área são relevantes para todas as comunidades. Esses argumentos se constroem com base na perspectiva econômica, utilitária, democrática, cultural e social.

Quando Millar (2003) se refere ao argumento econômico, ele quer dizer que o desenvolvimento da economia de um país se associa diretamente ao nível de compreensão científica de sua população. O reconhecimento de um padrão internacional não se faz somente pelos cientistas que trabalham arduamente para descobrir e interpretar novos dados, mas também pela comunidade que recebe conhecimento e altera seu comportamento perante os reflexos desse campo maior. Miller (2002, p. 3) assegura esses fatos ao mostrar que a população do século XXI precisará estar mais preparada para receber o novo tipo de informação que o mundo globalizado demanda. Segundo o autor, os consumidores dessa era deverão manter minimamente um nível de letramento científico, para a realização de atividades simples, mas que requererão perspicácia em suas articulações diárias. Um povo possuidor dessa habilidade influenciará o crescimento econômico de sua nação.

Ciência é produzida para gerar um retorno de utilidade prática para a sociedade. Sabendo disso, o argumento utilitário evidencia que esse conhecimento deva ajudar as pessoas a viverem munidas de domínios críticos para o manuseio dessas informações em suas vidas diárias. Indivíduos com maior poder de discernimento crítico estarão mais preparados para realizar

atividades, como “tomar decisões sobre dieta, segurança e outras coisas, avaliar a propaganda dos fabricantes e fazer escolhas mais sensatas enquanto consumidores.” (MILLAR, 2003, p.

76, traduzido por WYKROTA e ANDRADE).

O argumento democrático é de suma importância para os atuais estudos sobre

letramento científico. Autores como Miller (2002) se dedicaram a estreitar, mais ainda, o escopo dos estudos sobre letramento científico para exercer reflexões sobre um novo interesse

categorizado como letramento científico cívico. Esse tipo de letramento seria “conceituado como um nível de compreensão científica e tecnológica necessária ao exercício da cidadania

em uma moderna sociedade industrial.” (MILLER, 2002, p. 4). Demonstra o envolvimento de

qualquer pessoa em discussões associadas à ciência que impliquem ajustes em sua função cidadã. Assim, haveria uma responsabilidade pública quanto aos caminhos percorridos e às tomadas de decisões científicas, pois, como vimos, existe um retorno de utilidade prática que deve sempre ser levado em consideração com a finalidade de democratizar a participação na aplicabilidade do conhecimento produzido. A sociedade não pode ser vista como um estrato passivo das informações, mas como elementos diretamente envolvidos no início, no meio e na conclusão da investigação científica.

Millar (2003) nos mostra que o atual modo de aperfeiçoamento e avanço da ciência e da tecnologia distancia a realidade entre indivíduo e conhecimento, gerando uma fragmentação incipiente. Esse fenômeno, na maior parte das pessoas, se dá pelo fato de a cultura científica ser colocada em plano superior ao entendimento do público. Dessa forma, o letramento científico exerce a função primordial de articular a simpatia necessária entre sociedade e ciência (argumento social), produzindo uma aproximação agradável entre ambas e superando as possíveis barreiras ideológicas cristalizadas. Como resultado, o autor apresenta o argumento

cultural de uma sociedade que acabaria por celebrar o conhecimento científico como um bem cultural que deve ser preservado por todos.

Esses cinco argumentos evidenciam os múltiplos estratos que recebem os reflexos do estado de letramento de um povo. Essa atitude justifica os motivos pelos quais o estudioso Miller realiza durante anos mensurações que buscam verificar constantemente o estado de

letramento científico da população americana, orientando as decisões das políticas públicas do país quanto ao ensino de ciências em suas escolas e universidades.