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Caso “Longra//Daciano da Costa”: Entrevista a especialista em História do Design Português. Nome:

Local: Contacto:

Duração prevista:

Sinopse: Caso constituído pelo actividade desenvolvida por Daciano da Costa na Metalúrgica da

Longra desde 1962 a 1974.

Introdução: Estou a fazer um doutoramento em Design de Comunicação sobre o percurso de institu-

cionalização do design em Portugal, de 1959 a 1974.

- De que forma a actividade da Metalúrgica da Longra foi determinante no processo de institucional- ização do design em Portugal?

- Gostava que me falasse dessa actividade…

A - O ambiente/enquadramento social e económico do país nas décadas de cinquenta e de ses- senta

Procurar saber de que forma a Metalúrgica da Longra (Longra) integrava as estratégias de de- senvolvimento preconizadas pelo Estado Novo.

- Qual o panorama da industrialização do pais à entrada da década de 1960?

- O que proporcionou o convite de Fernando Seixas (Laboratório Sanitas) a Daciano da Costa para colaborar na Longra? Qual o papel de Frederico George nesse contacto?

- Quais eram os objectivos comerciais da MIT/Longra?

- Como se adapta a Longra ao condicionamento e ao proteccionismo industriais impostos pelo Estado Novo?

- Podemos afirmar que a Longra era uma empresa privilegiada pelo Estado Novo?

B - O design funcionalista de Daciano da Costa

A influência de Frederico George conduziu Daciano da Costa por uma estética “elementarista geomé- trica” na tradição das vanguardas históricas (Martins, 2001). Além disso o seu trabalho é caracteriza- do por uma enorme “capacidade em encontrar soluções práticas e engenhosas, de resolver problemas concretos com os recursos disponíveis” (Barata, 2001) ao serviço de um objectivo preciso: o “ design em contexto” (Martins, 2001; Spencer, 2001).

- Podemos afirmar que com Daciano da Costa se cumpre um estádio sui generis do modernismo português?

- Como definia essa capacidade de Daciano da Costa integrar todos os elementos formais naquilo que se pode designar por “obra total”? Neste aspecto haverá alguma similitude com outros mo- dernistas?

C - A Institucionalização do design em Portugal

A cultura de projecto aliada à pedagogia levou Daciano da Costa, em 1962, a criar no seu atelier em Belém um curso de Desenho de Estátua para preparação de candidatos às Belas-Artes. Este curso, que teve a colaboração de Frederico George, de Roberto Araújo e de Lagoa Henriques (e também de Fer- nando Seixas que forneceu a logística necessária), foi determinante no percurso de formação de base de alguns dos designers mais destacados do panorama português (Souto, 2001).

- Em que medida a dimensão pedagógica da actividade de Daciano da Costa, aliada ao projecto, contribuiu para a institucionalização do design português?

A institucionalização do design em Portugal foi um processo sistémico com múltiplas dimensões e com variados actores. Apesar do papel do Núcleo de Design do INII ser reconhecido por todos como funda- mental nesse processo, ocorrem noutras dimensões a actividade profissional dos designers e a dinâmica que daí subjaz e, também, a actividade de ensino do design iniciada, de uma forma sistemática, em 1969. Em Portugal demorou a haver uma formação académica na área do design - a primeira foi no ensino particular - IADE. (Seria porque o auto-didactismo e a formação em arquitectura e artes plás- ticas bastavam para resolver os problemas que se colocavam?)

Procurar saber porque a Longra e o administrador Fernando Seixas despertaram para o de- sign.

Supõe-se que Fernando Seixas começa a ter contacto com essa nova disciplina a que chamavam “design” através das viagens ao estrangeiro, das conversas que terá tido com Daciano da Costa, Frederico Geor- ge, e outros “designers” e, também, pela necessidade de melhorar a produção, não só dos produtos, como dos meios e dos modos de produção na Longra. No início essa era a vocação do designer industrial, ou seja, uma actividade “sisuda” como dizia Daciano da Costa.

- Quando Daciano da Costa chega à Longra (depois das novas instalações terem sido construídas) como desenha o novo sistema de organizar o trabalho dentro da fábrica? Havia algum modelo prévio? Houve participação dos técnicos do INII - Instituto Nacional de Investigação Industrial? - Temos ouvido falar da oficina-piloto como uma unidade fundamental nessa metodologia orga- nizativa. Como se desenvolviam aí as tarefas? Qual o papel de Daciano da Costa?

- O facto da Longra estar no Concelho de Felgueiras e a actividade de Daciano da Costa estar em Lisboa criou algum constrangimento? Que tipo de relacionamento mantinha Daciano da Costa com o pessoal da Longra?

Procurar saber qual a relação do INII com a Longra.

No início da década de 1960, a Longra contacta o INII (ou vice-versa), nomeadamente o seu sector de produtividade para que este apoiasse o desenvolvimento da “empresa design” como gostava de dizer Fernando Seixas. Há registo de que a Longra tinha neste período, quando comparada sectorialmente, uma elevada taxa de produtividade (tese de mestrado de Maria Otília Lage) fruto de algumas altera- ções introduzidas nos processos de fabricação.

- Como vê o relacionamento de uma instituição vocacionada para a modernização da indústria portuguesa e uma empresa com vontade de se adaptar o melhor possível às circunstâncias? A seu ver qual deveria ser o papel do INII?

- O INII contribuiu para que algumas empresas e alguns industriais passassem a interessar-se pelo design industrial? Os empresários estavam preparados para essa necessidade? De que forma? - O facto da Longra se desenvolver com base num sector de mercado emergente — o equipa-

ANEXOS 7

mento de serviços, de hotéis, de aeroportos, etc. — não terá sido usado pelo INII como modelo de desenvolvimento industrial?

- E quando o filão se esgotou o que ficou? Por que se diz que não existe uma verdadeira industria- lização em Portugal? Lage fala de fabrilização.

D - A actividade de Daciano da Costa na Longra

As estratégias de Fernando Seixas para a Longra integravam a colaboração com o designer Daciano da Costa. À semelhança do que acontecia com José Espinho na Olaio, Cruz de Carvalho na Altamira e na Interforma, para citar os nomes mais importantes ligados ao mobiliário, Daciano da Costa procurou conciliar os aspectos mais relevantes existentes na metalurgia da Longra com a introdução de outras tecnologias, como a madeira e os tecidos, que conferiam ao objecto uma melhor relação com a sua funcionalidade. Para isso dispôs de estruturas fabris pioneiras em Portugal, como um laboratório de materiais e de ensaio de protótipos (oficina-piloto) e, sobretudo, de estruturas de gestão e de marketing preparadas para colocar os produtos no mercado.

- Como era possível em Portugal, no início da década de 1960, estar apetrechado com estes meios?

- Daciano da Costa falava em “pequeno artesanato” quando se referia ao processo de design indus- trial em que estava envolvido na altura. Porquê?

O panorama industrial nacional em matéria de produção de produtos para comercialização, salvo raras excepções, era de cópia de modelos estrangeiros e de compra de direitos de produção de peças es- trangeiras. Mesmo a Longra com o sucesso da linha “Cortez” continua a comprar licenças de produção no estrangeiro.

- O que significava ter um designer a colaborar para uma empresa como a Longra?

- O que leva a Longra, em meados da década de 1960, a não apostar totalmente no projecto por- tuguês, ou seja, a alterná-lo com outras linhas “copiadas” (e depois legalizadas) do estrangeiro? - Na sua perspectiva por que se dá o declínio e encerramento da Longra, em 1995? No que diz respeito ao design industrial o que terá corrido mal? Era possível antecipar esse mal-estar na dé- cada de 1960, quando a empresa estava no auge?

Finalização: - Há algo mais que queira referir? A sua opinião sobre a entrevista?

Indagar da disponibilidade da entrevistada saber de outras pessoas cuja opinião seja relevante para este estudo.

- Dados biográficos: idade, profissão, habilitações, naturalidade, percurso artístico…

ANEXOS 9

Anexo 5.2.2