Caso “INII”: Entrevista a elementos com ligações institucionais (dirigente) António Amaro de Matos (foi Presidente do Fundo de Fomento e Exportação) Local: Na residência do entrevistado.
Duração: 1:04H.
Momento: 12-11-2007, às 15H.
Nota: Esteve presente na entrevista o Dr. Nélson Sérgio da Rocha Trigo, também Presidente do FFE/ICEP (a seguir ao mandato de Amaro de Matos) e Secretário de Estado do Abastecimento e Preços de um dos primeiros Governos Provisórios.
Victor Almeida - O que me leva a entrevistá-lo é tentar perceber qual o papel que o Fundo de Fo- mento de Exportação teve na institucionalização do design em Portugal. Como o meu estudo se concentra exclusivamente entre 1959 e 1974, isto também porque em 59 se dá a adesão à EFTA e em 74 se altera e se interrompe o paradigma de mudança (bem sei que ele poderá ter acabado um pouco antes, em 72, com o refluxo que o regime faz depois da tentativa falhada de Marcelo Caetano tomar as rédeas do país. Ou seja quando se dão conta de que afinal a guerra em África era para continu- ar). Em 72 todos ficaram desiludidos, ou quase todos. Sobretudo a ala liberal e os “arquitectos” da mudança como é o caso do Eng. Rogério Martins que acaba por sair do governo e com ele muitos outros tecnocratas. Apesar de em 72 se ter negociado a admissão à CEE. Agora sobre o caso que me leva a falar consigo, o FFE, deparei-me com um texto seu (“Design e Exportação”) que fala das vantagens claras da indústria em olhar para a problemática do design e para as questões da concep- tualização. Não estarmos só focados no aspecto da organização das empresas, da sua melhoria da condição industrial, da melhoria da tecnologia, mas preocuparem-se muito com a comercialização, com o desenho dos objectos e abrirem-se a novos mercados, sobretudo exteriores. Portanto é esta a perspectiva do assunto desta entrevista. Para começar gostava que me transmitisse a sua ideia do que era o país nesse período.
António Amaro de Matos - O país era um país atrasado. O Fundo de Fomento de Exportação teve algum papel, e significativo, no país nessa altura e era mais o apoio à indústria nos aspectos interiores da indústria do que propriamente na exportação. Na exportação fizemos algumas coisas, com certe- za: nas relações comerciais, na abertura de delegações, na institucionalização do apoio através dos exportadores portugueses, mas fizemos bastantes mais coisas, por que pensávamos que era aí que se concentravam as dificuldades do país na exportação, no próprio interior das empresas. e entra aqui o apoio que o Fundo tentou dar aos aspectos ligados à conceptualização dos produtos, ao fim e ao cabo é disso que se trata. Devo dizer-lhe que estas coisas que às vezes têm alguma importância acabam por ter a sua origem em pormenores ridículos. Devo dizer-lhe que o papel ridículo que orientou o ICEP para o pormenor do design foi o facto de os papéis de Natal em Portugal serem importados da
Suíça. Nós achámos isso completamente ridículo, Portugal era ainda por cima exportador de papel, mas o que faltava em termos de papéis, de embalagem de Natal era eles serem apropriados, portanto, serem conceptualizados para esse fim. Para as vendas e para as embalagens de produtos de Natal. Conversas com o Sena da Silva, conversas com o Daciano da Costa, levara a aprofundar um pouco o problema e a perceber que não eram apenas nos aspectos tão ridículos como este que estava o im- portante da coisa. Estava, por exemplo, na nossa indústria de calçado que produzia segundo modelos italianos ou ingleses; que a indústria de mobiliário não tinha design próprio e, bom, fizemos algumas experiências sempre aconselhados pelo Daciano, que era uma pessoa que, naturalmente, nesse domí- nio nos poderia orientar (até por amizade), embora ele colaborasse com o Fundo noutras áreas, nas organizações das exposições que o Fundo fazia (como o Sena da Silva, também) e resolvemos fazer um concurso de design. Penso que foi a primeira coisa que o Fundo fez relativamente a isso. Esse concurso de design versava alguns tipos de objectos que eu não sei dizer agora quais eram. Lembro- me de uma cadeira premiada nesse concurso e não sei quem foi o seu projectista. e depois criámos um Centro para a indústria do calçado em S. João da Madeira.
VA - Estávamos em que ano?
AAM - Isto tudo se passou em 72/73. Isto foi num espaço de tempo muito curto.
VA - Já resultado do III Plano de Fomento Nacional?
AAM - Não tem nada a ver, digamos, que nos era indiferente o III Plano de Fomento. O FFE era um organismo cujas receitas provinham de uma taxa sobre a importação de automóveis — Taxa do Fundo de Fomento — que acrescia ao preço de importação dos automóveis e, como a importação de automóveis crescia galopantemente no país nós éramos um organismo rico, autónomos financeira- mente e fomo-lo até 74. Portanto o Fundo estava cheio de dinheiro e não dependia do Orçamento de Estado, nem de ninguém. Tínhamos dinheiro demais para as ideias que existiam. Qualquer ideia que aparecesse nós escolhíamos patrociná-la. Patrocinámos coisas esquisitas como sejam a criação de tradings no país,… mas voltando ao design. Mandámos missões a Milão por causa do calçado para saber como é que se fazia, como se projectava e a muitos outros e variados sítios. Lembro-me que fizemos cursos de design e houve um, que não me lembro onde foi, leccionados pelo Daciano. Bom, fazíamos tudo aquilo que nos ocorria fazer ou alguém sugeria e que nós achávamos que era razoável fazermos.
VA - O Fundo foi criado em 1949. e a actividade dos anos 50 até aos 60…
AAM - Não me recordo.
VA - Estou a perguntar isto por uma razão paradoxal. O país tendo como linha orientadora o condi- cionamento industrial, com grande dificuldade em produzir livremente determinados produtos, falar de exportação podia ser uma coisa ambígua.
AAM - Era fundamentalmente exportador de produtos primários e gradualmente foi passando a pro- dutos mais elaborados.
VA - Isso numa fase posterior.
AAM - Estamos a falar a partir da entrada na EFTA. Fez-se algum esforço no sentido de abrir a nossa economia. Portanto, havia tentativas, sempre se fizeram tentativas nesse sentido. A grande mudança, realmente, foi dada quando pessoas mais jovens, como o Alexandre Vaz Pinto… (toca à campainha)
ANEXOS 6
Isto começou com a entrada de pessoas mais jovens e mais dinâmicas para o Ministério da Econo- mia. O Dr. Xavier Pintado tinha como Secretário de Estado da Economia o Vaz Pinto. O Vaz Pinto é que se preocupou em encontrar uma pessoa que estivesse no sector privado para ir para o Fundo de Fomento de Exportação e foi lá que eu tive em comissão de serviço durante um período em que ele esteve também como Secretário de Estado da Indústria. (Toca a campainha, novamente. Entra o Dr.
Nelson Trigo e senta-se junto a nós a acompanhar a entrevista.)
VA - A necessidade do Fundo era uma realidade, era sentida.
AAM - Não era sentida. Foi introduzida. As coisas passavam-se noutro plano. A indústria não tinha, como hoje tem, hoje há imensas empresas com uma ligação fácil com o exterior. Até pela necessi- dade. Nessa altura não havia essa sensibilidade e a indústria do calçado que hoje é desenvolvida na altura não era. Era uma indústria para a mão-de-obra em S. João da Madeira. Como muitas outras.
VA - Privilegiava-se que sector industrial? O automóvel, o mobiliário,…
AAM - (Percebeu mal) O móvel nunca teve uma grande importância nessa altura embora fosse uma indústria para a qual temos boas condições. O calçado, era o vestuário, nunca chegámos à indústria dos têxteis de cama e mesa (só mais recentemente). As tentativa no sector do mobiliário não resul- taram.
VA - Participávamos com frequência em Feiras Internacionais e, inclusivamente, algumas onde o FFE estava representado.
AAM - Em todas.
VA - e o SNI também.
AAM - O SNI era turismo. As feiras com intenções de exportação eram sempre do FFE. Havia pou- cas, era em Paris o Salão, era em Kofa, era em Hannover.
VA - Como conciliavam os interesses do SNI com os do Fundo? O SNI estava preocupado com de- terminada imagem do país e o Fundo com a exportação.
AAM - Como lhe disse o FFE tinha muito dinheiro e o SNI alcandorava-se nas coisas do FFE por razões óbvias porque não tinha as mesmas disponibilidades. O SNI era dependente do Orçamento de Estado. Eu separei completamente por essa razão e por outras porque não nos interessava nada a ligação ao SNI. Separei completamente as delegações do Fundo na parte de exportação das do SNI. O SNI tinha as Casas de Portugal em Paris, em Nova Iorque, em Londres e nós criámos delegações em muitos sítios. Por uma razão muito simples o SNI ocupava-se do turismo (é uma relação, se quiser, egoísta da nossa parte) e se a gente tem delegado ser do FFE que tem a seu cargo também o turismo, este é muito mais apelativo. É até muito mais interessante e traduz-se em vantagens para o próprio, nas suas férias, etc. A exportação não tem nada disso. É uma coisa chata que tem de lidar com chefes de compras nas empresas, não vão lidar com presidências das empresas. Tem que ter um nível de vida semelhante ao deles, quer dizer, não tem um nível de vida de um embaixador nem de um funcionário diplomático. Com quem eles se dão é com sujeitos que fazem compras nas empresas. Não são propriamente o top da sociedade nos sítios onde estão.
VA - O Fundo não tinha também uns diplomatas como os franceses tinham no charrier d’affaire?
AAM - Sim aí há métodos em vários países. Os ingleses também têm.
AAM - Os ingleses fazem depender o fomento das exportações de uma representação para efeitos comerciais do Ministério dos Negócios Estrangeiros deles. O Brasil também. O Brasil é impecável e faz isso muito bem feito. Mas em Portugal estava completamente separado. O Ministério do Negó- cios Estrangeiros era um, o Ministério da Economia era outro e as delegações do Fundo eram do ME e não do outro. e penso que bem. Penso que agora voltaram novamente à diplomacia económica. A diplomacia económica é muito interessante porque o embaixador fala com facilidade com presiden- tes de empresas. Não serve para nada em matéria de compras. Isso é o mesmo que você querer vender um produto a uma grande empresa através do dono. Não vende. Tem que vender através dos sujeitos que estão na linha hierárquica que faz compras. e por isso é que nós separámos uma coisa da outra.
VA - Para esse objectivo o que é que o Fundo dispunha?
AAM - Tinha delegações em vários sítios. Delegações, delegados e técnicos onde havia interesse em ter delegações. Não era por razões políticas.
Nelson Trigo - O António teve o cuidado de meter técnicos nas delegações. Esses técnicos eram especializados por produtos.
AAM - Pois, e voltando às delegações, conforme os países e o interesse em dirigir as exportações para esses países nós tínhamos funcionários que tratavam de determinadas áreas de produtos.
VA - Quais eram os países prioritários?
AAM - Os países eram os países normais de exportação portuguesa. Temos a França, os Estados Unidos,…
VA - Os da EFTA?
AAM - Nem todos. Tínhamos em Estocolmo mas não servia para nada. Na Noruega não tínhamos. Tínhamos um bom delegado na Dinamarca. Tínhamos na Alemanha. Em Inglaterra, Na Espanha mas mal localizado. Estava em Madrid e deveria ter estado em Barcelona.
VA - O ICEP depois corrigiu isso.
AAM - Penso que sim.
NT - A certa altura tinha em Barcelona, em Vigo, em Sevilha e voltou novamente para Madrid. AAM - Não sei se se lembra mas houve um Ministro de Negócios Estrangeiros recente que entendeu que o futuro da diplomacia era a diplomacia económica. De modo que quis novamente agarrar nas delegações do ICEP e transformá-las em escritórios das embaixadas. Era uma opção.
VA - Quais eram as prioridades do Fundo nesses países onde estava representado?
AAM - Estávamos no Japão, nos EU tínhamos duas (os EU não são um país, são uma carrada deles). Tínhamos Nova Iorque e Los Angeles. Tínhamos no Brasil, em S. Paulo (o Brasil também era grande demais para uma delegação), na Suíça e, por exemplo, no Canadá tínhamos em Montreal e passámos para Toronto. Mas nem pensámos em Otava, embora seja capital diplomática. Nos EU também não pusemos em Washington, claro. Na Alemanha passámo-la para Dusseldorf. Não interessava ter em Bona.
VA - Assumiam-se como uma entidade com interesses comerciais.
AAM - Sim. Tirámos de Bona e pusemos em Dusseldorf que é uma capital económica.
ANEXOS 67
pauperada.
AAM - Não. Para lhe dar uma ideia da separação entre uma coisa e outra devo dizer-lhe que no último ano em que eu lá estive, em 73, criámos uma delegação na Polónia sem o conhecimento do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Na clandestinidade. O Ministro soube, era o Rui Patrício na altura, e ficou zangadíssimo com o Alexandre Vaz Pinto. (Mudei a opinião que tinha do Rui Patrício no Brasil). Criámos a delegação quando dissemos ao MNE que estávamos a pensar numa delegação num país de leste e eles pediram para serem eles a nomear a pessoa lá que prestaria informações, etc. O que nós fizemos foi o seguinte: mandámos para a Polónia um técnico nosso e pedimos à Câmara de Comércio de Varsóvia os funcionários para assegurar o funcionamento da delegação para termos a certeza de que eles não receavam que nós estivéssemos a usar a delegação com fins políticos ou de espionagem ou o que fosse.
NT - Posso dizer uma coisinha? O António também mudou a delegação de Roma para Milão. Essa mudança era importante porque Milão é o centro de negócios em Itália.
AAM - Ah sim.
VA - Como é que esse dinamismo, que era grande, se conjugava com a apatia dos industriais? Que produtos é que o Fundo aconselhava a exportar? Que apoios é que o Fundo dava à exportação cá, aos industriais?
AAM - Aos industriais dávamos aquilo que podíamos. O que é que chegámos a fazer ao nível de apoios internos? Sei lá.
NT - Havia os Contratos de Fomento à Exportação. e havia os contratos com as empresas prioritárias. Não valia a pena pegar num tipo que nunca exportou nada estar a gastar muito dinheiro com ele. AAM - Atribuíam-se diplomas a várias empresas. Bem, 10% das empresas portuguesas exportam 90% das nossas exportações. Isso é normal. Se quisermos aumentar as nossas exportações em 10% se agarrar nessas empresas é um pequeno esforço que eles têm de fazer. Se agarrar nas outras em- presas todas que representam os outros 10% das exportações portuguesas teríamos de duplicar o que elas exportam. e isso não é praticável. Elas têm de crescer por si até chegarem a um determinado nível. Depois a barreira à produção e transportação é também uma barreira educacional. e isso leva tempo.
VA - Mas havia sectores onde isso era possível fazer.
AAM - Sim.
VA - Por exemplo, o Vinho do Porto já era um “cluster”.
AAM - O Vinho do Porto era um produto onde havia muitos defeitos. Repare, os vintages eram tradicionalmente mandados para Inglaterra porque se acreditava que o clima inglês (sabe como são produzidos os vintages? O vinho é engarrafado e fica em estágio não sei quanto tempo.) Era mandado para Inglaterra porque se acreditava que o nevoeiro inglês é favorável a um melhor envelhecimento do vinho (risos).
VA - Isso é também a história do outro que encheu o barco de barricas de vinho e quando chegou ao Brasil achou que o vinho ia melhor.
AAM - e provavelmente ia. Tivemos um problema com um empresário português que queria enve- lhecer os vinhos, precisamente, mandando-os viajar. O Vinho do Porto. e queria que se atribuísse a
esse vinho a idade correspondente às características que ele depois apresentasse. e não era um em- presário qualquer. Ao Vinho do Porto nada disso, havia publicidade genérica que significava publi- citar em geral o Vinho do Porto. Isso foi mudado para publicidade de marcas. As pessoas compram marcas, não compram Vinho do Porto em geral.
NT - Houve um programa enorme de afirmação das marcas lá fora. Foi um programa a que aderiram a maior parte dos exportadores e eu lembro-me, porque agora até sou amigo dele, que houve um que não queria aderir porque dizia que já estava. Fizemos o mesmo com os vinhos de mesa, com os Ver- des, mas aí a Comissão Reguladora do Vinhos Verdes procurava desviar o assunto para a Comissão Técnica deles.
AAM - Mesmo nisso havia áreas muito atrasadas.
VA - Além dos vinhos que outros sectores estavam preparados para a exportação?
AAM - Havia o vestuário,…
VA - As conservas…
NT - Havia a indústria de moldes que ainda hoje é fortíssima.
AAM - Havia grupos de trabalho nesse sector e também nos químicos. Por exemplo o Eugénio Rosa, um dos melhores técnicos, era funcionário do Fundo. Conhece o Eugénio Rosa? É o economista de referência do Partido Comunista. Havia outros, aliás trabalhavam muitos ligados ao PC. Não era o Vítor Vieira, era outro, o Secretário Geral, era o Baptista Nunes, não era Secretário Geral mas sim Vice-Presidente. Cada vez que entrava um técnico no Fundo nós recebíamos da Pide um formulário com umas anotações a vermelho que era dos sujeitos que eles suspeitavam… e o Baptista a enfiá-los pela gaveta. (risos) Eles também não ligavam na medida que estas coisas todas são terríveis mas são incompetentíssimas e desorganizadas…
VA - São caricatas.
AAM - Incompetentes, incompetentes. Repare os agentes da Polícia Internacional transitavam das fronteiras, onde carimbavam os passaportes e anotavam umas coisas sem importância nenhuma, para as coisas mais tenebrosas que a gente aponta à Pide. Eram uns sujeitos que não eram os SS eram uns sujeitos para todos os serviços.
VA - Quando tinham de estar numa feira internacional a saída de produtos fazia-se sem proble- mas?
AAM - Sim. Havia liberdade de saída e depois tinham que entrar outra vez. Criou-se alguma dificul- dade para a exportação de Vinho do Porto a granel. Ia muito para a Bélgica (o belgas bebem o pior Vinho do Porto)…
NT - Isso não trazia valor acrescentado. Ia também para França, lembra-se? e dá cabo das marcas francesas. Os importadores tinham as suas marcas próprias. Era o Cintra (muito conhecido em Fran- ça) e havia outras marcas que acabavam por estragar o negócios de outras marcas já instaladas no destino.
AAM - O Vinho do Porto mais barato do mundo que se chama Port Wine é o Vinho do Porto produ- zido na Califórnia. Ninguém se lembrou de registar a marca Port nos EU…
ANEXOS 69
VA - As relações comerciais externas nas empresas, e estou a lembrar-me na Marinha Grande da
Fábrica Escola Irmãos Stephens, era feita por intermediários. Não tinha delegados comerciais.
AAM - Poucas empresas tinham dimensão para isso.
VA - Isso era um empecilho ao desenvolvimento. Quem fica com as grandes margens são os inter- mediários.
AAM - Depende da dimensão. Pode rentabilizar-se o papel do intermediário, sei lá, pense em objec- tos valiosos como os cristais. Eles tentaram em Nova Iorque até à pouco tempo, com um escritório na 5ª Avenida e que era a representação de 2 ou 3 marcas portuguesas. Fechou. Não tem dimensão. Nós não temos dimensão para vender. Compram-nos coisas.
NT - Portugal precisava de exportar a partir de um agente que não precisa de sair de cá e contacta como os exportadores e que fazem controle da produção ou então tem lá fora agentes que compram daqui, já têm as suas relações com as fábricas e depois lá fazem esses jogos.
AAM - Compram daqui e de outros.
VA - A qualidade é uma questão fundamental.
AAM - Ah sim podemos dizer isso.
VA - O que fazia o Fundo nesse aspecto?
AAM - Chateávamos os industriais nesse ponto de vista.