KAPITTEL 5: ANALYSE
5.1 Underproblemstilling 1: Hvordan har prosjektets livsløp vært?
espiritual e a preocupação com a formação integral que norteia as práticas pedagógicas dos colégios batistas e está expressa no Projeto Político Pedagógico do SBME, o ensino religioso e, mais propriamente a educação cristã é matéria presente em seu currículo escolar.
O educador José Carlos Libâneo defini educação como:
A educação – ou seja, a prática educativa - é um fenômeno social e universal, sendo uma atividade humana necessária à existência e funcionamento de todas as sociedades. Precisa cuidar da formação dos indivíduos, auxiliando no desenvolvimento de suas características físicas e espirituais [grifo do autor da dissertação] preparando-os para a participação ativa e transformadora nas várias instâncias da vida social.266
É possível que para Libâneo a expressão “espiritual” envolva também, emoções, da subjetividade, a moralidade, mas inclui fundamentalmente a
espiritualidade humana.
A criança vem ao mundo e torna-se parte integrante do ambiente social e cultural de determinado grupo humano. A religião é ordinariamente parte dessa cultura a que essa criança pertence; Em condições normais, pois, a criança assimila os valores espirituais de sua cultura, do mesmo modo que assimila os valores éticos e sociais em geral. A religião da criança é, portanto, parte de sua herança social e cultural que ela eventualmente assimilará. Cremos, portanto, que o comportamento religioso é aprendido e que seu ensino para tornar-se mais eficaz deve começar nos mais tenros anos de idade.267
O Ensino Religioso ou a Educação Cristã é, sob o ponto de vista da denominação batista, a área de saber mais importante do currículo de uma escola batista. Se não fosse possível haver um espaço no currículo para o ensino ou reflexão sobre a fé ou a confissão, é provável que o interesse em abrir escolas seria muito menor.
O trabalho da capelania se completa ou começa em sala de aula. No espaço privilegiado de uma aula semanal em sala de aula é que o professor de Ensino Religioso, também considerado auxiliar de capelania, tem oportunidade de compartilhar a fé , influenciar e ajudar seus alunos a adotarem princípios e valores cristãos, no caso de uma escola evangélica.
Todos os capelães do SBME, inclusive o capelão-geral, também têm atividade docente, como professores de Ensino Religioso. Isso os aproxima mais dos alunos e melhora sua renda, pois, com isto podem ter dois contratos com a instituição: um “administrativo” (salário fixo) de capelão e outro de professor (salário por hora/aula). Mas vários professores de Ensino Religioso não são capelães titulares. Como dito anteriormente, esses são chamados de capelães auxiliares e só recebem pelas aulas dadas e pelas reuniões (15 professores em todo o SBME)268.
A possibilidade do Ensino Religioso é garantida pela lei.
Com a revisão do artigo 33 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (9.475/97) e posteriormente com a publicação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), o Ensino Religioso ganhou visibilidade e passou a ser alvo de novos questionamentos no seio da sociedade brasileira, ao mesmo tempo em que assumiu um papel significativo: o de contribuir, no dizer de Sérgio Junqueira em Ensino Religioso e a sua relação
267 ROSA, Merval, Psicologia da Religião. Rio de Janeiro> JUERP, 1979, p. 74. 268 Apêndice A - Hélio Spyer, pergunta 16
pedagógica. Petrópolis, Vozes, 2002, p.12): ‘para a construção de um novo cidadão e não apenas formar ou confirmar um fiel”.269
O documento “Diretrizes para o Ensino Religioso” do Colégio Apostólico da Igreja Metodista coincide em vários aspectos com os princípios que regem a maneira do SBME conduzir, administrar e ministrar a disciplina Ensino Religioso, que no currículo dos colégios batistas do SBME recebe vários nomes conforme o segmento de ensino: Educação Cristã, Filosofia Cristã e Ética Cristã. Por exemplo:
1. O Ensino Religioso na construção de sua identidade, fundamentação teológica e pedagógica deverá embasar-se nas marcas da confessionalidade e tradição metodista [batista].
2. O currículo de cada unidade escolar deve alicerçar-se nos elementos essenciais da fé cristã, mais especificamente da tradição metodista [batista} com ênfase na valorização da vida, na busca de relações humanas mais justas entre si e com a natureza, levando ao despertar de uma consciência crítica da realidade e comprometida com os valores comunitários.
3. Ao ER é imperativa a clara visão ecumênica das diferentes tradições cristãs de nosso país, abrindo-se para um diálogo fértil e construtivo que leve em consideração as dimensões humanas e a construção de um mundo justo e fraterno, não tendo caráter proselitista.
4. O ER deve explicar a sua ação integrada organicamente ao projeto político-pedagógico da IME [SBME], em seus valores e práticas, priorizados em programas voltados para a comunidade interna e externa.
5. A proposta pedagógica para o ER em seu processo de ação-reflexão- ação deve alicerçar-se em conceitos epistemológicos da ação pedagógica, comunicar-se por eixos norteadores e temas transversais claramente explicitados na horizontalidade e verticalidade dos conteúdos e operacionalizar-se por metodologias coerentes com o Projeto Pedagógico institucional.
6. Os recursos didático-pedagógicos e metodológicos devem possibilitar a reflexão sobre a experiência religiosa dos sujeitos envolvidos no processo educativo.
7. O ER nas IME [SBME] é de responsabilidade das Pastorais [Capelania], de acordo com o Regimento das Pastorais Escolares e Universitárias, aprovado pelo Colégio Episcopal [de acordo com Regulamento da Capelania do SBME (em preparação) aprovado pela Junta de Educação da Convenção Batista Mineira].
8. Os docentes do ER devem expressar um claro compromisso com a tradição cristã e metodista [batista], com formação específica conforme os critérios estabelecidos para as IME (para o SBME) e de acordo com os critérios de formação específica na área (conforme as exigências da LDB).
269 “Diretrizes para o Ensino Religioso”, do Colégio Episcopal da Igreja Metodista, aprovado em 16 de dezembro de 2005.
9. A contratação de docentes não metodistas [não batistas] para o ER somente poderá ser efetivada, em casos excepcionais, após aprovação do/a Bispo/a Assistente da Instituição [da direção-geral do SBME].
10. A formação dos docentes de ER para as IME (SBME) será oferecida pela Igreja Metodista, através de suas Instituições de Ensino Superior [por instituições teológico-educacionais, de nível superior, ligadas direta ou indiretamente à Convenção Batista Brasileira]. 270
Para buscar permanente satisfação, foi elaborado um formulário de pesquisa para sondar junto aos alunos a satisfação deles quanto à disciplina Educação, Filosofia e Ética Cristã. 271 O instrumento será testado no final de 2009.
Quinquenalmente o currículo de Ensino Religioso (Educação Cristã, Filosofia Cristã e Ética Cristã) é reavaliado e atualizado. No anexo L constam os conteúdos programáticos atualmente ministrados nessas disciplinas nos colégios do SBME.
O SBME há muito tem sonhado com a possibilidade de elaborar seu próprio material para ensino religioso ou educação cristã. Vários capelães declaram isso272. A Associação nacional de Escolas Batistas (ANEB), órgão que congrega as escolas Batistas no Brasil em 2004 preparou e imprimiu a “Coleção Saberes”273, destinada a educação cristã nas escolas batistas e outras confessionais. A capelania, no entanto, ainda não se entusiasmou em usar esta coleção. De acordo com o parecer dela a Coleção precisa de atualização e certa adequação à realidade do SBME.
O Ensino Religioso ou de Educação Cristã nas escolas confessionais mereceria uma dissertação a parte. Nela se poderia aprofundar a análise dos conteúdos e fazer comparação entre os currículos de instituições educacionais de outras tradições religiosas. Mas, pelos objetivos deste trabalho, limitou-se apenas a apresentar os currículos e os conteúdos programáticos ministrados no SBME. No apêndice D, o autor desta dissertação transcreve um trabalho seu publicado, onde discorre sobre “As necessidades dos capelães e dos professores de educação cristã
270 “Diretrizes para o Ensino Religioso”, do Colégio Episcopal da Igreja Metodista, adaptado com os textos entre colchetes, em função da prática do SBME.
271 ANEXO L
272 Cordero, Alemar Quirino e Ierson batista de Souza.
273 Coleção Saberes da ANEB. Rio de Janeiro: Editora EBD, 2004. – Cadernos para o Ensino Religioso da 1ª a 8ª Séries do Ensino Fundamental.
das instituições educacionais batistas”274 e no apêndice E, apresenta outro te xto seu intitulado “O que se espera dos capelães e dos professores de educação cristã das instituições educacionais batistas”275
Sória (1996) em sua apostila mostra algumas qualidades desejadas em um professor de ensino religioso ou educação cristã:
ELEMENTOS IMPRESCINDÍVEIS
AO PROFESSOR DE EDUCAÇÃO RELIGIOSA 1) Espírito de equipe.
2) Disponibilidade de tempo para aulas e reunião da equipe. 3) Entendimento da necessidade de supervisão.
4) Tempo suficiente para manter em dia os diários e para a correção e entrega de trabalhos e provas.
5) Planejamento mensal das aulas.
6) Preparação de originais para as aulas, com a devida antecedência. 7) Assiduidade e pontualidade.
8) Troca de experiências no trabalho para o crescimento e desenvolvimento.
9) Bom relacionamento com alunos, pessoas da equipe e demais professores e funcionários.
10) Conhecimento e prática da filosofia de Educação das Escolas Batistas. 11) Conhecimento bíblico adequado.
12) Conhecimento das características da faixa etária com a qual trabalha. 13) Visão de um ministério (serviço) que objetiva atender a escola inteira. 14) Disposição de fazer discípulos.-
15) Espírito conciliador.
16) Encarnar a ação pastoral da Capelania. 276
274 Apêndice D
275 Apêndice E
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao apresentar e analisar a capelania do Sistema Batista Mineiro de Educação (SBME) e suas particularidades, foi possível ao autor, ao mesmo tempo, estudar o funcionamento de um serviço de capelania que se aplica ou se assemelha ao existente em qualquer escola, principalmente de direcionamento confessional.
A começar pelo primeiro capítulo, que trata do relacionamento dos colégios e capelanias batistas com a denominação e que, sob muitos aspectos, se assemelha ao de quase todos os colégios e denominações confessionais. Até mesmo a história do surgimento do Colégio Batista Mineiro guarda semelhança com a maioria dos outros colégios evangélios de missão. Os objetivos dos missionários pioneiros, vindos de outros países, ao implantá-los chegam a ser os mesmos. Os recursos necessários à construção desses colégios geralmente vieram dos países de origem desses missionários e educadores.
Também, o serviço de capelania esteve presente na gênese dos colégios confessionais, mesmo que, no início, de forma não sistematizada. Ainda, o processo de desenvolvimento e aperfeiçoamento do trabalho pastoral nas escolas seguiu passos semelhantes, alguns com maior velocidade do que outros. Até mesmo a estrutura atual do trabalho varia muito pouco entre os colégios de confissão diferente. Isto se observa pelos livros didáticos para a área de ensino religioso e os manuais de instruções para a capelania (pastorais) dessas diferentes escolas confessionais.
As motivações que levam qualquer escola confessional a ter um serviço de capelania são praticamente as mesmas em todas elas: assistência espiritual e ensino e testemunho de seus valores e fé. Por esta razão, quando se discorre no segundo capítulo sobre o sentido, a importância, os objetivos, as funções, as necessidades, os processos e a legalidade da capelania ou pastoral escolar está se tratando de uma maneira geral de toda capelania escolar, naturalmente, distinta de outras formas de capelania (como a militar, carcerária, hospitalar etc.).
Da mesma forma, quando se discorre, ainda no capítulo dois, sobre o capelão (seu perfil ideal, sua formação, suas necessidades, suas funções e responsabilidades e as expectativas que são geradas quanto ao seu trabalho) escolas de diferentes tradições religiosas confessionais evangélicas se assemelham.
Foram apresentados vinte e oito (28) desafios que a capelania escolar enfrenta no seu cotidiano. São demandas oriundas da vida em sociedade, da economia, da política e dos avanços científicos e tecno lógicos, desafios da vida dos jovens com os quais os capelães trabalham e desafios relacionados ao próprio exercício de sua função. Esses desafios e demandas foram colhidos da experiência dos capelães em atividade, da produção literária existente sobre o assunto e da vivência do autor. É possível que haja outros desafios que não tenham sido mencionados, e é certo que novos surgirão a cada época deste mundo dinâmico e complexo, que obrigarão o pesquisador da matéria a uma permanente atualização em busca de novas estratégias para responder a esses novos desafios na ação da capelania escolar. O trabalho também apresentou trinta (30) estratégias possíveis de ação da capelania escolar. São atividades antigas e novas, algumas inéditas, que podem ser usadas pelos capelães para tornar o trabalho ainda mais relevante aos alunos. Essas estratégias estão relacionadas aos desafios. São ações que visam ajudar ao público alvo da capelania escolar (alunos, equipe diretiva, corpo docente e administrativo e seus familiares) a enfrentarem as demandas e desafios apresentados. O autor deu ênfase ao Projeto “Ética e Caráter na Escola” por considerá-lo algo distinto do SBME, pois ele, nos seus objetivos, metodologia e prática, de várias maneiras, abarca uma série de intenções e ações que resumem bem o conjunto do trabalho da pastoral escolar.
O autor está consciente de que o que foi dito e registrado neste texto não abarca toda a complexidade do trabalho de uma capelania escolar. O campo é vasto, há possibilidades múltiplas de ação da capelania. Há aspectos relacionados à capelania escolar que podem não ter sido abordados ou tratados com a profundidade que mereciam, em função do espaço e a da intenção do autor de apenas citá-los. Algumas facetas do trabalho da capelania escolar mereceriam outro estudo dissertativo, como o aconselhamento pastoral, o ensino religioso e a questão da confessionalidade.
Os recentes livros de Damy Ferreira (Capelania Escolar Evangélica) e de Márcio Alexandre Santos (Manual de Instruções do Capelão Escolar) e uma série de textos e palestras proferidas por capelães em atividade foram contemplados neste trabalho, nas partes que interessam e que se aplicavam ao Sistema Batista Mineiro de Educação. Devido à vivência mais íntima deste autor com o serviço de capelania
confessional, ficou claro que o presente trabalho foi além das propostas e reflexões oferecidas pelos autores acima citados. Muitas idéias apresentadas foram construídas ao longo de seu trabalho como gestor de três instituições educacionais confessionais. São observações empíricas que podem carecer da fundamentação que uma pesquisa científica requer. Ele não teve de onde citar ou como criar fontes, sob pena de desonestidade acadêmica. Muito do que escreveu, o fez do coração, apresentando seu sonho de uma capelania escolar ideal, relevante e que exerça sua atividade com todas as suas possibilidades.
Ainda se poderia relacionar uma série de atividades que podem ser desenvolvidas em sala de aula e nas chamadas “assembleias” (cultos semanais dos alunos), como dinâmicas, jogos bíblicos, relação de filmes evangélicos disponíveis e marcantes, material literário que tem sido produzido para “contação” de história com mensagens cristãs, entre outras coisas.
As entrevistas feitas com os capelães traduziram apenas parte do trabalho que realizam, embora tenha sido possível oferecer uma idéia geral do trabalho que é desenvolvido no SBME.
Nos últimos três anos, o assunto capelania nas escolas confessionais ganhou maior notoriedade entre os evangélicos no Brasil. Além da publicação dos dois livros acima citados e de vários artigos, também foram realizados dois congressos (1º e 2º congressos de capelania escolar, promovidos pela Fundação Rádio Transmundial, um em julho de 2008, em Campinas, SP, e outro em julho de 2009, em Guarulhos, SP) e as denominações evangélicas acima mencionadas, mantenedoras dos colégios confessionais, estão requerendo, com mais ênfase, a evidência de um trabalho mais atuante das capelanias em seus colégios e resultados mais palpáveis do trabalho que exercem.
A cobrança ou o impulso a uma maior atuação que se tem feito pelas igrejas mantenedoras das capelanias escolares não está acontecendo somente entre os batistas, mas, também, em outras tradições religiosas evangélicas, segundo testemunho em reunião de representantes das cinco grandes associações de escolas que compõem a ABIEE (Associação Brasileira de Instituições Educacionais Evangélicas), que congrega escolas confessionais batistas, metodistas, presbiterianas, adventistas e luteranas: ANEB (Associação Nacional de Escolas Batistas), CONGEIME (Conselho Geral de Educação da Igreja Metodista), ANEP
(Associação Nacional de Escolas Presbiterianas), Rede Sinodal (Rede de Escolas de Confissão Luterana) e AEA (Associação de Escolas Adventistas).
Essa atenção crescente para o serviço de capelania ou pastoral escolar tem servido de motivação para um despertamento e renovação do trabalho e de conscientização para a importância da atividade. As capelanias estão sendo concitadas a dinamizar sua ação pastoral e mostrar todo o potencial missiológico- cristão que possuem.
Este momento de olhares voltados para a capelania escolar deve ser aproveitado para se mostrar as possibilidades incomensuráveis que ela tem para agir e reagir positiva, prospectiva e proativamente diante dos grandes desafios e demandas que as escolas confessionais enfrentam neste tempo.
Como dito na introdução, segundo Florestan C (2000), a relevância para o estudo da capelania escolar como um fenômeno significativo de práxis religiosa está no fato de que ele não é um aspecto da vida escolar por si só e um fim em si mesmo. É, sim, um fenômeno religioso por estar respaldado por uma teologia e uma tradição de fé. A capelania escolar traz as marcas de uma ação libertadora (não alienadora, mas conscientizadora), de uma ação radical (não somente reformista, mas transformadora), de uma ação criadora (não apenas reiterativa, mas inovadora) e de uma ação reflexiva (não exclusivamente espontânea, mas crítica).
Este autor conclui o seu trabalho com a consciência de que deu uma contribuição para enriquecer ainda mais o tema, e que seu trabalho poderá ajudar as capelanias ou pastorais escolares, não somente dos colégios batistas, mas as de todas as escolas confessionais, a serem mais atuantes, criativas e dinâmicas e a desenvolverem seu trabalho com mais profissionalismo, mas sem perder sua essência: assistência espiritual eficiente e um testemunho eficaz de fé.
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