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Institusjonell teori

KAPITTEL 3: TEORI

3.3 Institusjonell teori

plena de dignidade para as pessoas.101 No que este autor concorda.

3.1.4 O lugar da confessionalidade no SBME

A confissão de fé adotada pelo SBME é a batista. Ainda que vários professores e funcionários, alunos e pais não sejam batistas, se espera que eles compreendam e respeitem esse direcionamento. Segundo o capelão Alemar Quirino da Silva, perguntado sobre os desafios que ele enfrenta como capelão: “algumas resistências de professores e alunos quanto à Confessionalidade da escola que se revela numa certa discordância das posturas adotadas pelo Capelão em virtude de sua função”102. O capelão da unidade de Betim, também responde: “a resistência de algumas pessoas”.103

No texto escrito por este autor, colocado no Apêndice E, é dito que o respeito (pelo menos, não se manifestar publicamente contrário) aos princípios de fé da instituição é esperado da parte dos colaboradores do SBME e de qualquer instituição confessional.104

Mas isto, na prática, no dia-a-dia, não é fácil, segundo o capelão-geral do SBME:

Muito semelhantemente àquilo que os cristãos primitivos enfrentaram em um mundo convulsionado por todo tipo de ideias e de interpretações, às vezes extremamente exóticas e que traziam grande confusão, é o que enfrentamos nos dias de hoje. De quando em quando nos vemos envolvidos em questões de natureza doutrinária que refletem visões de mundo que, nem sempre, correspondem ao padrão batista de compreensão. Nesse caso, se não temos um grau de consciência maior acabamos por rotular as ações da Capelania ou da Direção do Sistema ou de uma Unidade, todos, por questão de princípio, comprometidos com a nossa confessionalidade, como sendo ou ortodoxas excessivamente, o que é objetivado em expressões tais como “a escola diz que não pode fazer assim ou fazer assado...” ou muito liberais, que, por sua vez, se objetiva em expressões como “para o Colégio Batista tudo pode, tudo passa, tudo é permitido [...] 105

101 SAMPAIO, Tânia Maria Vieira “Apontamentos sobre confessionalidade e ecumenicidade” In Revista do CONGEIME, Ano 7, no. 13, 1998, p. 116.

102 Apêndice A - Entrevista com os capelães, pergunta 7, respondida por Alemar QuitinoSilva. 103 Apêndice A – Entrevista com os capelães. Pergunta 7 respondida por José Paulo da Silva

104 VIEIRA, Walmir. O que se espera dos capelães e dos professores das instituições educacionais batistas”. Publicado em O Jornal batista, em 07.10.2007.. Anexo IV

Ainda que uma escola confessional adote os princípios de fé de sua mantenedora, ela pode ainda, em sua prática, ser tida como mais ortodoxa ou mais liberal. Este é o problema que Cordeiro aponta quando, ao usar traços da cultura geral como ponte para a transmissão da mensagem cofnessional, pode ser mal interpretado pelos que acompanham e julgam o exercício da confessionalidade na escola, o publico evangélico (líderes denominacionais, pais e alunos). Afirma ele:

Cremos que o que deve definir o que é ortodoxo ou liberal não é a opinião pessoal de cada um, mas a nossa confessionalidade, o nosso conjunto de princípios. Essa é a base a partir da qual devemos estabelecer o que é possível e o que não é possível. Caso não tenhamos clareza quanto a essa questão nos tornaremos presa fácil de visões muito subjetivas da realidade. Essas visões muito subjetivas da realidade fruto, via de regra, da pouca compreensão e assimilação daquilo que nós somos, como pensamos e, consequentemente, como interpretamos o mundo, pode conduzir a, pelo menos, duas possíveis atitudes. De um lado, se a pessoa que analisa a relação entre fé e cultura própria de uma escola confessional é excessivamente rígida, tudo o que vê é liberal. Em uma visão de mundo que demoniza a realidade ou que vê um diabo em cada canto, todo o folclore, todo o Monteiro Lobato, todo o mundo Disney, dramaturgia brasileira, uma canção de Antonio Carlos Jobim ou Dorival Caymmi ou Chico ou Caetano ou Gil, Machado de Assis, José de Alencar, boa parte do universo poético, a maneira como os judocas se cumprimentam logo que entram no tatame, ou seja, praticamente tudo que é da ordem da cultura teria que ser prescrito por ser carregado de malignidade. De outro lado, é indiscutível que há também na nossa população de pais e mesmo entre os nossos funcionários e professores pessoas que interpretam o mundo a partir de uma perspectiva rigorosamente laica. Nesse caso, costumam avaliar certas preocupações de natureza confessional como sendo puro ortodoxismo ou fundamentalismo e, até mesmo, fanatismo. [...] Na verdade, à semelhança do que acontecia nas primitivas comunidades de fé que precisavam de um padrão de referências mais claro e devidamente assimilado pelos diversos grupos de cristãos cujo número crescia cada vez mais, o que contribuía para uma fragilização na internalização dos princípios da fé; nos dias de hoje, verifica-se fenômeno parecido diante da explosão de seitas evangélicas, de pequenas comunidades de fé que defendem ideias, como aconteceu no primeiro século da era cristã, às vezes bem exóticas. Tudo isso cria uma espécie de demanda fundamentalista muito intensa que pesa diretamente sobre nós.106

Ainda há um outro público (pais e alunos) que avalia a ação da capelania. Quanto as demandas dos pais evangélicos e não evangélicos sobre as posições da capelania, afirma Cordeiro107.

Por outro lado, em um polo diametralmente oposto, há a demanda do mundo laico. Em outras palavras, pessoas que optaram por colocar os seus 105 CORDEIRO, O trabalho da Capelania do SBME,.p. 6.

106 CORDEIRO, p. 6,. 107 Idem, p.6

filhos no Sistema Batista Mineiro de Educação, mas que possuem uma visão mais laicizada do mundo, que pensam a escola muito mais como uma forma de apresentar o mundo da cultura às crianças e aos jovens com base sim em princípios de vida éticos, mas não como uma organização doutrinadora e proselitista. Uma escola confessional e, de modo especial, dentro desse tipo de escola, o serviço de capelania, lida o tempo todo com essa tensão. Tudo isso reforça grandemente a necessidade de uma confessionalidade mais bem definida e conhecida por todo o corpo da escola. É preciso que fique claro que, por uma questão de definição de nossa identidade, da nossa confissão de fé, que não pensamos como os diversos grupos neopentencostais que coexistem dentro do nosso Sistema de Ensino, inclusive entre nossos professores e equipe técnica; assim como, não nos identificamos com um modelo de escola laica, sem um fundamento espiritual, sem princípios.108

Um posicionamento de fé e conduta de uma instituição confessional precisa estar escrito. Este posicionamento precisa estar, ainda que sinteticamente, presente no Regimento Interno, no Estatuto e no Projeto Político-Pedagógico da instituição. Uma vez elaborado, esse documento deve ser objeto de discussão entre todos os segmentos da escola de maneira constante. As reafirmações da confessionalidade precisam acontecer sempre no início de cada ano letivo, nas reuniões de comitê e em palestras com professores e funcionários. Um momento especial para isso poderia acontecer quando da admissão do funcionário de tal modo a que ficasse a par, com toda a clareza, a respeito de onde está colocando os seus pés. Essas ações devem ser conduzidas pelo serviço de capelania.

No Apêndice B, o autor preparou uma síntese das doutrinas, práticas e princípios que são distintivos, peculiares dos batistas, que os diferenciam de outras denominações. Esse documento serve de base para a reafirmação da confessionalidade.109

As escolas confessionais têm na sua confessionalidade algumas vantagens: a) a possibilidade da busca da espiritualidade;

b) o espaço para evidenciar os valores pela fé cristã; c) fazer de sua confessionalidade um diferencial; d) vivenciar a integralidade do ser humano;

e) ter um corpo docente e administrativo comprometido ou, no mínimo, respeitando as convicções de fé da escola (mantenedora); e,

f) ser testemunha da fé, mas vivê-la acima de tudo. Como diz um slogan

108 CORDEIRO., p. 6

permanente do Colégio Batista Mineiro: “O melhor ensino é o exemplo”.

Cabe a capelania a maior responsabilidade pela preservação e reafirmação da confessionalidade na escola. É também o que pensa o Bispo Paulo Paulo Lockmann, da Igreja metodista: “Cabe (...) nesse fator de confessionalidade a maior responsabilidade à Pastoral. As Pastorais têm a maior responsabilidade dessa ação”110

Um fator que interfere na confessionalidade e preocupa escolas ligadas a igrejas está no uso de seu espaço ou na cessão de suas dependências para certas expressões ditas culturais ou religiosas. Neste aspecto, afirma Lockmann: “a escola [confessional] não é um território neutro”. Ele recomenda que a escola confessional deve ser seletiva quanto aos eventos que ela vai permitir ser realizados em suas dependências, sejam políticos religiosos ou culturais, pois a escola confessional não pode se posicionar como neutra.111