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Uncertainty Related to the Selected Unplanned Events and Operations Input Data

9 Discussion and Sensitivity Analysis

9.1 Uncertainty Related to the Selected Unplanned Events and Operations Input Data

O resultado das primeiras aproximações às representações sociais advindo da técnica da associação livre anteriormente mostrada, possibilitou compor, mediante a frequência dos itens e a semelhança semântica dessas palavras, fichas para a elaboração dos procedimentos de classificações múltiplas (PCM), demarcando a segunda etapa da investigação. O PCM, diferentemente das metodologias tradicionais de apreensão do objeto a ser pesquisado,

destacou o caráter qualitativo, não apenas das categorias, mas da construção do sistema de classificação que os licenciandos usavam nas interações que estabeleciam com o objeto. A utilização desse procedimento possibilitou condições para compreendermos seus sistemas conceituais enquanto sujeito individual, como dos próprios grupos aos quais pertencem.

Segundo Roazzi (1995) os estudos que propõem o PCM têm como interesse conhecer a maneira como os sujeitos pensam, sentem e se comportam em relação a importantes fatos e experiências da vida. Esse procedimento pressupõe que o sujeito possui um conhecimento estruturado do mundo no qual ele está inserido. Para o autor, o que caracteriza cada estrutura ou categoria é a relação conceitual entre os elementos pertencentes a esta estrutura. Nas palavras do autor:

Pela investigação de como e quais categorias as pessoas usam quando interagem com os aspectos do mundo no qual vivem, pode-se compreender como as pessoas pensam em relação a estes aspectos e como os conceitualizam (Ibid. , p. 12).

O PCM ocorre em duas etapas: a Classificação Livre (CL) e a Classificação Dirigida (CD). A Classificação Livre: “[...] onde o sujeito é convidado a considerar uma série de itens ou elementos relevantes para o objetivo da investigação e a classificá-los ou categorizá-los de acordo com algum critério que possua um significado para ele” (ROAZZI, 1995, p. 12). Lembrando que os itens dessa etapa referem-se às palavras que emergiram da técnica de associação livre. Esses itens foram trabalhados de acordo com os objetivos e marco teórico do estudo.

A Classificação Dirigida: “[...] é realizada quando o pesquisador deseja verificar uma hipótese sobre um aspecto específico das conceptualizações dos indivíduos” (ROAZZI, 1995, p. 14). Aqui, o critério de classificação foi fornecido pelo entrevistador; o número de elementos em cada grupo, a definição dos grupos, etc. são definidos pelo entrevistado. É extremamente útil para a comprovação de categorias do critério de classificação livre, sustentando ou não sua validade.

A tarefa de classificação múltipla consistiu, na pesquisa, em solicitar aos 60 licenciandos, 30 de cada licenciatura, conforme visto anteriormente, que apresentassem suas ideias e concepções sobre seu campo disciplinar, Física e Química e sobre o Ensinar mediante duas classificações: a Classificação Livre e a Classificação Dirigida concernentes ao PCM. Ou seja, cada PCM é realizado em dois momentos, um destinado à Classificação Livre, o outro, à Classificação Dirigida.

Realizamos, quatro PCM, dois para cada grupo dos 30 licenciandos. Com o grupo de Física, o PCM Física e o PCM Ensinar. Com o grupo de Química, o PCM Química e o PCM Ensinar.

Com relação ao PCM Física, para o grupo de Física, foram oferecidas aos licenciandos 21 fichas e 24 para o PCM “Ensinar”. O grupo 2, dos licenciandos em Química, foram 23 fichas para o PCM “Química” e 25 para o PCM “Ensinar” cada uma ficha contendo a inscrição de um dos itens (palavras) da técnica da associação livre realizada anteriormente com os 20 licenciandos de cada grupo específico. O número de fichas dos itens para cada grupo já contém a ficha da palavra estímulo “Física” e “Ensinar” para o grupo 01 e a ficha da palavra “Química” e “Ensinar” para o grupo 02. As fichas seguiram a ordem de frequência da maior para a menor e foram numeradas em seu verso. Oferecemos para cada licenciando individualmente as fichas contendo os itens selecionados e pedimos que olhassem para todas elas e as organizassem de 02 até 06 grupos da maneira que lhes parecesse mais conveniente. A quantidade proposta para a formulação dos grupos, de 2 a 6, é assim definida com base nas referências de Roazzi (1995). Depois de organizados, sabendo, portanto, que o licenciando estava livre para alocar quantas fichas quisesse em cada grupo, só a partir de então perguntávamos a ele se estava realmente de acordo com a sua proposição. Pedíamos em seguida que explicassem o critério norteador de cada classificação e os comentários relevantes para a compreensão do significado de cada agrupamento. Após o agrupamento, tomávamos nota, em protocolo, da configuração construída pelo licenciando através dos números no verso de cada ficha além de registrar em gravador as justificativas que orientaram tal procedimento.

Dessa forma realizaram-se as classificações livre do PCM “Física” e do PCM “Química”, destinados a cada grupo correspondente.

Os mesmos 30 licenciandos de cada grupo após realizarem as classificações livres dos PCM correspondentes aos seus campos disciplinares, submeteram-se individualmente ao procedimento da classificação dirigida. Colocávamos numa escala em ordem decrescente cinco fichas com as palavras: muitíssimo associado, muito associado, mais ou menos associado, pouco associado e não associado, representando uma hierarquia de associações. Retiradas as palavras estímulo “Física”; “Química”; nos momentos dos PCM específicos, o licenciando era instruído a compor sua classificação pela relação de correspondência entre cada palavra estímulo e as outras palavras das fichas. Depois de agrupadas de acordo com essa correspondência, era solicitada uma verificação por parte do licenciando, a fim de se verificar se concordavam com a classificação construída. Só então pedíamos que explicassem o porquê da forma como organizaram as fichas de acordo com a hierarquia da escala de

associações. É interessante esclarecer que a aplicação de dois PCM para cada licenciando, embora tenha sido demorada pelo tempo demandado para as elaborações das classificações dos agrupamentos, facilitou a fluência do momento de investigação, principalmente durante o segundo PCM, “Ensinar”, que, por ter sido aplicado posteriormente aos PCM correspondente aos campos disciplinares, pela familiarização das consignações previamente descritas por nós para a efetivação do procedimento. Eles acabavam produzindo práticas discursivas articulando sobre seus campos disciplinares e sobre o ensinar, como também insinuavam espaços para interanimações dialógicas13 entre nós e eles, tornando enriquecedores esses momentos de escuta. As justificativas, tanto da classificação livre, quanto da dirigida foram gravados para análises posteriores. Todas as respostas foram registradas em protocolos individuais, além do registro gravado. Dados complementares foram colhidos referentes às variáveis de gênero, idade, curso, período do curso e o tempo de experiência docente.

O critério de adesão foi utilizado para composição da amostragem da pesquisa, contanto que estivessem cursando licenciatura e exercendo a função docente. Os licenciandos eram consultados sobre a disponibilidade e o desejo em participar da aplicação dos PCM. Como estratégia de acesso às pessoas, solicitamos ajuda a professores de estágio supervisionado, aos coordenadores dos referidos cursos, aos professores responsáveis pelo PET14 de Física e pelo PET de Química e à professora coordenadora do PROCEEM15 nesse período. As entrevistas para a aplicação dos PCM eram agendadas previamente pelo fato de durarem em torno de 50 minutos. Em sua maioria foi realizada nas salas de aula do próprio setor 3, onde os licenciandos têm aula, ou nos laboratórios do PET de Física e do PET de Química. Os licenciandos em Física que participaram da pesquisa com os PCM “Física” e “Ensinar” estavam cursando no semestre 2007.2, entre o 4o e o 8o períodos do curso. No mesmo semestre os de Química participantes da pesquisa com os PCM “Química” e “Ensinar” estavam cursando entre o 4 o e o 9o períodos, conforme as Tabelas 18 e 19 demonstradas abaixo.

13 Essa categoria “interanimação dialógica” será explicada mais adiante quando estivermos descrevendo sobre os sentidos atribuídos pelos licenciandos aos objetos simbólicos em estudo – “Física” e “Ensinar”; “Química” e “Ensinar”.

14 PET – Programa de Educação Tutorial

15 PROCEEM – Programa Complementar de Estudos para Alunos do Ensino Médio. Nesse período (2006-2007) a coordenação do programa estava a cargo da Profa. Dra. Erika dos Reis Gusmão Andrade.

TABELA 18: Distribuição amostral de acordo com o período no curso de licenciatura em Física/ 2007.2

Subgrupo Períodos no Curso em 2007.2 Número de Licenciandos Percentagem 01 4o Período 09 30,0 02 5o Período 02 6,7 03 6o Período 06 20,0 04 7o Período 02 6,7 05 8o Período 11 36,7 Total 30 100,0

A UFRN oferece o curso de licenciatura em Física no período noturno. Como consta em sua estrutura curricular divulgada pelo Departamento de Física Teórica e Experimental - DFTE – UFRN16 e compreende nove semestres. No 4o semestre ou 4o período, as disciplinas geralmente oferecidas são Álgebra Linear Básica I; Organização da Educação Brasileira; Física Básica IV; Laboratório Básico de Ondas e Óptica e Astronomia Básica. Como podemos observar, o subgrupo 01 da Tabela indica que 30% de licenciandos do total cursavam esse período, cerca de 9 licenciandos. No 5o período estavam cursando 2 licenciandos, correspondendo a 6,7% da amostra, possivelmente cursavam as disciplinas Didática; Mecânica; Instrumentação do Ensino de Física I; Conceitos de Física Moderna I e o Estágio Supervisionado I. O terceiro subgrupo indica o 6o semestre do curso compreendendo as disciplinas de Eletromagnetismo; Elementos de Geologia; Conceitos de Física Moderna II; Instrumentação para o Ensino de Física II; Estágio Supervisionado II. Neste período estavam 6 licenciandos, 20% do grupo. Apenas 2 licenciandos cursavam o 7o semestre, possivelmente matriculados conforme a estrutura curricular nas seguintes disciplinas: Biologia Celular e Molecular; Termodinâmica e Física Estatística; Laboratório de Física Moderna e o Estágio Supervisionado III. Como tivemos facilidade de acesso aos licenciandos do 8o período pela abertura do professor de Estágio IV desse semestre, os números indicam o maior percentual de participação: foram 36,7% da amostra. Além do Estágio IV, os licenciandos, possivelmente, caso não estivessem desnivelados, cursavam as disciplinas de Física e o Meio Ambiente; História e Filosofia da Ciência; Pesquisa em Ensino de Física I e Tópicos de Física Moderna.

O curso de licenciatura em Química é ofertado pela UFRN nos turnos diurno e noturno. Tendo 8 (oito) semestres letivos para a Licenciatura Diurna e 10 (dez) semestres para a Licenciatura Noturna, com aulas teóricas e práticas, atividades complementares e estágios

16 Dado extraído da estrutura curricular via internet pelo site: www.dfte.ufrn.br/gradcurr.htm. Acesso em

supervisionados. Para integralizá-los são necessários o mínimo de 3 (três) anos e meio e o máximo de 8 (oito) anos. O Licenciado em Química dedica-se à transmissão do conhecimento da Química nos diversos níveis de ensino e ao desenvolvimento de materiais experimentais metodológico-didáticos ou na adaptação dos mesmos, bem como realizam pesquisas no campo do ensino de Química.17 Na Tabela 3, obtemos os dados sobre a distribuição de licenciandos participantes dessa etapa da pesquisa e em que momento se situavam no percurso curricular do curso.

TABELA 19: Distribuição amostral de acordo com o período no curso de licenciatura em Química/ 2007.2

Subgrupo Períodos no Curso em 2007.2 Número de Licenciandos Percentagem 01 4o Período 07 23,3 02 6o Período 08 26,7 03 8o Período 10 33,3 04 9o Período 05 16,7 Total 30 100,0

Com relação aos 23,3% da amostra que cursavam o 4o período, possivelmente, segundo a estrutura curricular acessível na página da internet18 para o curso de licenciatura noturno, as disciplinas Química Analítica Quantitativa; Química Inorgânica II; Química Inorgânica Experimental I e Introdução à Mecânica eram as que estavam sendo cursadas. O segundo subgrupo, de 8 licenciandos do 6o período, correspondia a 26,7% do total. Esses licenciandos provavelmente estavam cursando Análise Instrumental I; Química Orgânica II; Química Orgânica Experimental; Ondas e Ótica. Cursando o 8o nível, participaram 33,3%, correspondendo na Tabela 3 ao subgrupo 03; foram 10 licenciandos. As disciplinas propostas para esse nível segundo a mesma fonte consultada eram: Fundamentos da Psicologia da Educação; Cinética Química; Físico-Química Experimental; Organização da Educação Brasileira: e o Estágio Supervisionado II. Curiosamente, apenas no 7o,ou seja, no quarto ano do curso é que os licenciandos são introduzidos aos estudos do campo pedagógico. As primeiras disciplinas pedagógicas são as de Fundamentos Sócio-Filosóficos da Educação e o Estágio Supervisionado I. Do 9o, participaram do PCM 5 licenciandos, isto é, 16,7% da amostra. Provavelmente estavam cursando Análise Funcional Orgânica; Instrumentação para

17 Esse dado foi encontrado no site WWW.ccet.ufrn.br/hp_quimica. Acesso em 31/07/08. 18 Esse dado foi encontrado no mesmo site citado anteriormente.

o Ensino de Química; Didática; Estágio Supervisionado III e mais uma disciplina complementar. 19

Com relação ao subgrupo de licenciandos em Física, a Tabela 20 descreve a origem dos contextos de prática docente apontando esses contextos de licenciatura por eles vivenciados.

TABELA 20: Distribuição da população amostral de acordo com a origem dos contextos de prática docente – grupo de licenciandos em Física

Subgrupo Contextos de Prática Docente Número de licenciandos por contexto de prática

docente Percentagem 01 Estagiários em Escolas Estaduais 11 36,7 02 Estagiários em Escolas Municipais 02 6,7 03 Alunos do Estágio Supervisionado do curso em licenciatura em Física da UFRN 07 23,3 04 Professores de Escolas da rede Privada de ensino

06 20,0

05 PET de Física 02 6,7

06 PROCEEM 02 6,7

Total 30 100,0

O subgrupo 1, correspondente a esta Tabela, indica o maior percentual de licenciandos que trabalhavam em escolas estaduais, cerca de 36,7% da amostra. 2 licenciandos, ou seja, 6,7%, trabalhavam em escolas municipais como assinalado no sub-grupo 2. Os licenciandos correspondentes ao subgrupo 3 desta Tabela, estavam em estágios supervisionados, correlacionando 23,3% da amostra. Seis licenciandos trabalhavam em escolas privadas. O subgrupo 5 refere-se aos “petianos”, representados por 6,7% do grupo; e os que estavam no PROCEEM eram 2, também correspondendo a 6,7% da amostra. A Tabela 21 descreve, de igual modo, a distribuição do grupo de licenciandos em Química em seus contextos de origem de prática docente.

19 Fizemos questão de relacionar as disciplinas que possivelmente estivessem cursando com o objetivo de dar uma ideia sobre o que os licenciandos estudavam no momento. Sabemos que nem todos estavam em situação regular perante o cumprimento da estrutura curricular, devido a reprovações e trancamentos de matrículas. Porém, a ideia dos conteúdos em estudo nos oferece uma melhor compreensão sobre os encaminhamentos dos estudos na relação com os níveis do curso e suas relações com o Ensinar e o seu Campo de Docência.

TABELA 21: Distribuição da população amostral de acordo com a origem dos contextos de prática docente – grupo de licenciandos em Química

Subgrupo Contextos de Prática Docente Número de licenciandos por contexto de prática

docente Percentagem 01 Estagiários em Escolas Estaduais 08 26,7 02 Alunos do Estágio Supervisionado do curso de licenciatura em Química da UFRN 07 23,3

03 Alunos de Prática de Ensino em Química do curso de licenciatura da UFRN

04 13,3

04 Professores de Escolas da rede Privada de ensino

05 16,7

05 PET de Química 06 20,0

Total 30 100,0

Podemos observar que o percentual de licenciandos estagiários em escolas do Estado é o de maior incidência nesta população amostral. São 8 estagiários indicando os 26,7% do total. O subgrupo 2 desta Tabela mostra 23,3% de licenciandos de estágios supervisionados do próprio currículo do curso, 7 aderiram a essa etapa da pesquisa. Correspondendo a 13,3 %, na mesma Tabela, os licenciandos do subgrupo 3 se autodenominaram participantes de práticas de ensino. Essa nomenclatura surgiu em decorrência de ainda vingar atualmente os dois currículos do curso. O mais antigo que se referia à prática do exercício da licenciatura como práticas de ensino e o currículo mais recente, nominando-a como estágios supervisionados. Em exercício docente nas instituições privadas de ensino foram 5 licenciandos, 16,7% da amostra e os “petianos” participaram correspondendo a 20% do grupo, seis no total.

Por estarem desempenhando essas responsabilidades, os licenciandos buscam independência financeira, segundo Levinson (1990 apud MARCHAD, 2005, p. 25), há uma crescente diferenciação do Eu em relação às figuras familiares, e uma diminuição da dependência quanto ao apoio à autoridade parental. As primeiras ligações com o mundo do adulto se dão devido às explorações de suas potencialidades como também na realização e avaliação de algumas escolhas preliminares de natureza familiar e profissional. Na estação20 do início da vida adulta estão inseridos os licenciandos na faixa dos 22 aos 45 anos de idade.

Nas palavras do autor essa fase caracteriza-se por contradições, tensões, ao mesmo

tempo em que estão no ponto alto, biologicamente falando, do ciclo da vida. Os aspectos psicológicos e sociais são demarcados pela formação e prosseguimento das aspirações da fase de transição antecedente, como também do desenvolvimento de uma família e de uma posição mais madura no mundo adulto. O autor a caracteriza como uma fase de grande satisfação em termos de amor, sexualidade, vida familiar, carreira profissional e realização dos mais importantes objetivos de vida.

Experienciando espaços-tempos de apropriação de novas concepções do meio científico, do pensamento erudito na universidade, tendo essas concepções que serem traduzidas e transpostas à prática pedagógica, os licenciandos trocavam-trocam ideias, criavam-criam teorias, crenças e ideologias, ou seja, representações sociais, decorrentes das transformações dos conceitos originais do universo reificado para o universo consensual.

Segundo Moscovici (2003), há na sociedade dois universos, o reificado, no qual se desenvolve o pensamento científico, lógico e metodologicamente rigoroso, e o universo consensual. É neste que se produzem as RS, as teorias do senso comum. Para Machado (2003), no universo consensual os indivíduos se veem com o mesmo valor, cada um pode ser apenas um observador curioso que dá opiniões e constroi teorias sobre os problemas, criando padrões de comportamento, significados, representações, definindo a identidade dos grupos. Nas transposições entre o saber, o fazer e o tornando a ser, as representações sociais foram produzidas pelos licenciandos como teorizações interpretativas de suas realidades no confronto com o exercício da docência. Veiculadas em seus discursos cotidianos, as representações sociais possibilitam tornar algo não-familiar em algo familiar.

Além da característica do processo formativo de transitarem por esses dois universos, podemos adicionar a característica que com base na perspectiva da Psicologia do Desenvolvimento e, segundo Marchand (2005), considerá-los como adultos, pois são marcados por desempenhar papeis advindos da assunção de diversas tarefas sociais, não só familiares, mas profissionais, sociais, enfim que são altamente comprometidos com a estruturação do desenvolvimento cognitivo e sociocognitivo. Segundo a autora, definir a idade adulta apenas pela cronologia está em desacordo com a perspectiva interacionista do desenvolvimento, apesar de ser um dos critérios mais usados para diferenciar o período da vida adulta dos outros que o precedem e do que o sucedem. Dentre outros critérios, tais como o biológico, o funcional, o social, o critério de natureza psicológico tem sido o mais aceito. Este propõe os indicativos de quando se pensa num adulto, ou no comportamento específico das pessoas adultas, referindo-se a condutas como a capacidade de assumir responsabilidades, de raciocinar e de tomar decisões lógicas, de encarar e superar frustrações, e de aceitar os

papeis atribuídos pela sociedade. No que se refere às variáveis de gênero e idade, as quatro Tabelas sucessivas indicam suas especificações para cada grupo de licenciandos pesquisados:

TABELA 22: Descrição da população amostral de acordo com a variável gênero correspondente ao grupo de licenciandos em Física

Subgrupo Número de Licenciandos Percentual

Mulheres 05 16,7

Homens 25 83,3

Total 30 100,0

É relevante o que demonstra a Tabela 22 sobre a variável gênero. Podemos afirmar que o curso de Física ainda é predominantemente masculino, que somam 83,3% do grupo contra 16,7% da presença feminina. Contrastando-se com o grupo de Química. As 18 mulheres representam 60% da amostra contra 40% dos homens, foram 12 os que participaram dessa etapa da pesquisa. De acordo com a Tabela 23:

TABELA 23: Descrição da população amostral de acordo com a variável gênero correspondente ao grupo de licenciandos em Química

Subgrupo Número de Licenciandos Percentual

Mulheres 18 60,0

Homens 12 40,0

Total 30 100,0

Para escrever sobre quem são os licenciandos participantes da pesquisa é necessário abordá-los numa perspectiva da Psicologia do Desenvolvimento, como vinhamos fazendo. Marchand (2005) contrapondo-se à concepção redutora acerca do desenvolvimento humano, que afirma o término do mesmo antes da vida adulta, ou seja, na infância e adolescência, apresenta algumas perspectivas teóricas sobre o desenvolvimento da identidade e do Eu na vida adulta e na terceira idade. Embora referencie autores que advogam que o desenvolvimento se efetua por estágios, a autora aborda outras conceituações que colocam a ênfase na mudança, proporcionando uma compreensão complexa das caracterizações cognitivas e sociocognitivas. Mesmo que essas estejam referenciadas a determinadas fases do