4. Deltema 2 – Energibruk i bygg og områder
4.4 Ulike typer innovasjoner og resultater
O entendimento sobre cinema novo se faz necessário em virtude da maioria dos filmes selecionados para análise de estudo serem considerados produções do movimento denominado Cinema Novo, fenômeno cultural, político e ideológico sobre o qual Souza comenta que, “dois motivos, diretamente relacionados, foram
indispensáveis para os cinemanovistas na defesa da produção 1) a independência
ideológica 2) e a independência financeira”233. Pautado nesses pilares, o cinema novo
se constitui valorizando “a polaridade entre forças nacionalistas e progressistas versus
forças reacionárias e entreguistas. A primeira considerada símbolo do progresso e a segunda, do atraso brasileiro”234.
A proposta era despertar na classe média o sentimento de indignação e compaixão em função da exploração do sistema capitalista. Nas telas, os cineastas procuravam representar o povo sofrido, pobre, vivendo em condições de miséria e uma
232 Vanoye e Goliot-lélé explicam a diferença entre enunciação e narração. “Enunciação é um termo mais
geral do que a narração, pois se aplica a qualquer tipo de enunciado. Ao contrario, a narração só interessa aos textos narrativos nos quais se confunde com a enunciação”. VANOYE, Francis, GOLIOT- LÉTÉ, Anne. Ensaio sobre a análise fílmica.Campinas, SP: Papirus, 1994. p. 45.
233 SOUZA, Milandre Garcia. Cinema Novo: a cultura popular revisitada. Revistas História: questões &
debates. Curitiba, PR, ano 1, v. 1, p. 1,1980.
elite fútil e insensível que não se preocupava com a situação do povo brasileiro. Então, neste sentido, o fenômeno do cinema novo pode ser considerado como popular porque se preocupou como assunto central, com os problemas do povo brasileiro, dando ênfase aos setores marginalizados da sociedade, os favelados, os pescadores, os feirantes e os nordestinos.
Dessa maneira, o movimento cinema novo surge da disposição dos novos cineastas brasileiros de encontrar uma fisionomia nacional e socialmente engajada para os seus filmes que estivessem preocupados com os temas emergentes da agenda política e social do país.
Procuravam romper aquele universo limitado e cômico das chanchadas e dos filmes de cangaço que predominavam na época e que, muitas vezes, eram considerados como uma diversão medíocre e provinciana ainda que bastante popular. Essa perspectiva espelha-se na produção cinematográfica do cinema Hollywoodiano, enquanto as chanchadas correspondiam aos famosos filmes musicais e criavam vários estereótipos que, quase sempre, colocavam o povo brasileiro, em situação de inferioridade, pois esse modelo idealizava os tipos sociais como sujeitos ignorantes, atrasados e cômicos.
O movimento do cinema novo participava do debate político que se travava no cenário nacional no início da década de 60 privilegiando a posição ideológica de reafirmar a identidade nacional através dos movimentos da cultura popular e, de acordo com Souza, “a cultura popular nas telas foi, de modo geral, caracterizada como
sinônimo de alienação. Essa tendência pode ser percebida nos filmes: Cinco Vezes Favelas, do CPC; Bahia de Todos os Santos, de Trigueirinho Neto; Barravento, de Glauber Rocha; e A Grande Feira, de Roberto Pires. A convicção do povo em suas crenças e costumes o impedia de tomar consciência da realidade em que vivia e, consequentemente, de transformá-la.”235 .
Se as marcas das narrativas cinematográficas do cinema novo pautavam-se na visão da cultura popular como sinônimo da alienação e do atraso considerando as relações ideológicas entre o povo e seus líderes, por outro lado, esses filmes deixaram registrados uma belíssima estética da cultura popular e de como o povo lida com sua a
arte de saber fazer em condições adversas. A fase inicial do cinema novo ficou conhecida pela denominação dada por Glauber Rocha, como a “estética da fome”, refletindo mais uma vez a miséria e a exploração resultante do subdesenvolvimento do país.
Pedro Abib, no seu trabalho, ao analisar o debate em torno da cultura popular e o romantismo na década de 60, focaliza as experiências ocorridas no CPC (Centro Popular de Cultura), entidade vinculada à União Nacional dos Estudantes, em diálogo com Renato Ortiz, ele mostra a perspectiva no qual era tratada a cultura popular e as diretrizes dos intelectuais de vanguarda “que teria a tarefa de organizar e
“conscientizar” o povo com o objetivo de tomar o poder do Estado para criar um
“verdadeiro Estado nacional”, porque “Estado Popular”236, apostando na idéia de formar
um novo homem capaz de enfrentar as injustiças sociais.
Outro trabalho que trata mais especificamente da relação do cinema novo com a cultura popular é o texto de Milandre Garcia de Souza que discute o debate travado entre Carlos Estevam Martins, elaborador do manifesto do CPC, “por uma arte popular revolucionária”, cujo propósito era organizar o pensamento disperso dos intelectuais, artistas e estudantes sobre a noção de “arte do povo”, “arte popular” e “arte-popular- revolucionária”, e as dissidências por parte dos cineastas Carlos Diegues, Ruy Guerra, Leon Hirszman e Glauber Rocha que não concordavam e procuravam acenar com a idéia de realizar uma produção artística sem limites rígidos de criação, muito embora defendessem a posição de um cinema voltado para denunciar a realidade brasileira e a conscientizar a sociedade brasileira.
Conforme Souza:
a implosão do “manifesto do CPC” pelo Cinema novo desempenhou a função de (re)organizar as questões estéticas e ideológicas em torno da nacionalização e popularização das artes brasileiras. É preciso considerar que os cineastas iniciaram um debate em torno da arte e da cultura popular necessário para revisitar o caráter sectário e dogmático acerca das concepções” 237
236 ABIB, Pedro Rodolpho Jungers. Capoeira Angola: cultura popular e o jogo dos saberes na roda.
Campinas, SP:. Ed. UNICAMP; Salvador: Ed. EDUFBA, 2005. p. 61
237 SOUZA, Milandre Garcia. Cinema Novo: a cultura popular revisitada. Revistas História: questões &
Portanto, ao contrário do que pensam, os intelectuais que discutiam as questões sobre arte e cultura popular tinham posições diferentes, mesmo permanecendo, de maneira geral, o mito da autenticidade nas práticas populares e a convicção de que o povo não conseguia entender as relações políticas e ideológicas presentes nos filmes.
O fenômeno do cinema novo, que ficou conhecido internacionalmente por toda sua preocupação em criar uma linguagem cinematográfica descolonizada, comprometida com os problemas enfrentados pela maioria do povo brasileiro, não conseguiu, de fato, atingir as camadas populares.