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Om forskningstemaet CCS

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9. Deltema 7 – CCS: Fangst, transport og lagring av CO 2

9.2 Om forskningstemaet CCS

O filme dirigido por Roberto Pires é uma produção baiana de 1961; sua história do filme enfoca a mudança da antiga feira de Água de Meninos para a área da enseada de São Joaquim, onde está localizada atualmente. O enredo envolve várias personagens: Chico Diabo, um ladrão valentão que aterroriza a área e tenta incendiar o local onde se armazenava a gasolina, mas é preso pela multidão e entregue à polícia; Maria, uma prostituta que também gerencia todos os pequenos roubos da quadrilha de Chico e assume o papel de heroína por ter salvo a feira da destruição; o marinheiro

Sueco interpreta o papel de galã (seduz Maria e a esposa de um importante advogado da alta sociedade); e muitos outros.

(Fotografia do filme na qual aparece a Rampa do Mercado nas mediações do Elevador Lacerda se dirigindo à enseada de Águas de Meninos333))

A trama se configura em inúmeras relações políticas e amorosas entre as personagens, mas o filme expõe os trabalhadores da feira como incapazes de defender seus interesses, pois não conseguiam agir de forma coletiva na tentativa do bem comum que era a manutenção dos feirantes naquele local; o filme mostra a fragilidade dos feirantes pela incapacidade de organizar-se politicamente. Aborda também a luta dos trabalhadores feirantes pelo seu local de trabalho em virtude da pretensa desapropriação do lugar pelos “tubarões”, representados pela empresa petrolífera Shell, cujo capital estrangeiro quer esmagar os feirantes.

333 Crédito da fotografia CARVALHO, Maria do Socorro Silva. A nova onda baiana: cinema da Bahia

(O cordelista chamando atenção do povo para a remoção da Feira de Água de Meninos para a ensaiada de São Joaquim)

Durante o filme, não há imagens que retratem o ritual da roda de capoeira, entretanto o papel de Valentão ostentado por Chico e por Maria, a mulher que exerce poder e prestígio no território pela sua exímia capacidade no manuseio da navalha, fez com que olhássemos esses personagens mais especificamente para sua ação criminal.

Na cena em que Chico Diabo rouba uma joalheira, ele é abordado por um policial que, ao suspeitar do crime, interroga-o . Chico justifica sua presença na área dizendo que fora visitar a sua irmã que estava grávida e convida o policial para ver, mas, no caminho, o policial quer saber o que tem no saco. Então Chico, ao virar-se, já desfere uma navalhada no pescoço do guarda (toma lá seu ...), cortando a sua garganta.

Em relação ao uso da navalha pelos os capoeiristas, Liberac afirma que “Os

capoeiras ainda utilizavam armas variadas como facas, paus, pedras, revólveres e,

sendo a principal arma, a navalha”334. Mais adiante, Liberac, baseados nas informações

contidas nos manuscritos do mestre Noronha, comenta o seguinte: “A navalha era

referida com freqüência no universo dos capoeiras e pudemos encontrar diversos processos por lesões corporais (artigo 303) registrando o uso dessa arma. É uma das

334 PIRES, Antônio Liberac Cardoso Simões. A capoeira na Bahia de Todos os Santos: um estudo

características marcantes nas praticas cotidianas dos capoeiras e elemento indicador da cultura da capoeiragem em todo o Brasil”335

Talvez não fosse o propósito do diretor do filme associar a figura de Chico Diabo à imagem de um capoeirista; no entanto, podemos relacioná-lo às práticas cotidianas dos capoeiras conforme descreve Liberac no seu trabalho, tendo em vista o papel assumido de valentão e “dono do pedaço”. De acordo com a personificação dele, no filme, enquanto suposto capoeirista, podemos considerá-lo de forma implícita como conhecedor das manhas no jogo da navalha, mas no final do filme, essa característica aparece de maneira explícita, quando Chico, ao confrontar-se na luta com Sueco, aplica uma rasteira, mostrando-se pelo menos conhecedor da capoeira.

O papel de desordeiro assumido por Chico Diabo confere a ele o poder na territorialidade do espaço e nos agenciamentos instituídos com os outros membros daquela comunidade, haja vista que Chico era considerado um “herói”, aquele que poderia resolver o problema da feira e não tinha ninguém para o deter, pois ele sempre estava envolvido em conflitos com os policiais, e aqueles que se metessem com ele estavam com os dias contados. Tanto é que Chico, ao saber que foi denunciado para os policiais por Zazar (dono do cabaré) resolve afogá-lo na maré, matando-o. No entanto, no final do filme, Chico Diabo é linchado pelos próprios feirantes, perde o prestígio e fica na condição de derrotado; suas ações são julgadas pelo povo que o entrega à polícia.

335 Idem, p. 46

(Sueco dominando Maria quando ele toma dela a navalha336)

A outra cena em que aparece o uso da navalha é com Maria da Feira. É a desforra que Sueco quer tirar em função da navalhada desferida por Maria, na feira, logo no início do filme. Ricardo, o receptador das mercadorias roubadas por Chico, sabendo que o gringo tinha tomado uma navalhada de Maria, entrega o serviço, dizendo o local onde Maria trabalhava, o cabaré do Zazar.

Ao chegar no cabaré, Sueco chama Maria em tom bem alto para acertar as contas. Maria não se intimida e desafia Sueco para ver se ele é macho mesmo E retira a navalha debaixo do espartilho; Sueco, numa manobra ágil e rápida, tira seu chapéu de marinheiro e consegue dominar Maria tomando a navalha da mão dela.

Em seguida, Sueco diz “você não morre porque é mulher boa”, mas corta o vestido de Maria de cima a baixo, ridicularizando-a na frente de todos. Sueco, ao perceber que o público não parava de rir e debochar de Maria, pega a toalha da mesa, cobre seu corpo e carrega-a para o seu quarto Daí, ocorre a mudança brusca da situação: do conflito da briga para a relação de carinho e amor. É a dupla derrota de Maria; a primeira, a perda do status de mulher valentona, linha de frente da quadrilha de Chico Diabo e a segunda ser seduzida e conquistada por um forasteiro. No entanto,

336 BERNARDET, Jean-Claude. Brasil em tempo de cinema: ensaio sobre o cinema brasileiro. São

mais adiante, Maria personifica a imagem de heroina que deu sua vida para salvar a feira da destruição, pois, com sua coragem, ela pega a bomba colocada por Chico nos tanques, tenta jogá-la no mar, mas acaba, morta pelo estopim da bomba.

Josilvaldo, 2005, ao enveredar no seu trabalho sobre as ‘“Mulheres de pá

virada”: o feminismo no universo dos capoeiras’, mostra a bravura e valentia das

mulheres em disputar os espaços da rua em virtude das suas necessidades de realizar suas atividades de sobrevivência econômica. Josilvaldo comenta que: “Sendo elas

capoeiras ou não, o que as fontes indicam é que essas mulheres disputavam seus espaços sociais a golpes de navalha, cacetadas e pontapés contra quem lhes

representasse uma ameaça.”337.

Portanto, o papel assumido por Maria no filme é muito semelhante às experiências históricas relatadas por Oliveira. O nosso desafio, aqui, foi de relacionar as atitudes representadas por Chico Diabo e Maria com as práticas cotidianas da cultura dos capoeiras na rua. É impressionante as similaridades entre os fatos ocorridos no passado, no contexto cultural dos capoeiristas, e o drama encenado no filme que coloca esses personagens como símbolos representantes do povo pobre que vive na marginalidade em condições precárias.

(O momento em que Chico Diabo é preso pelos próprios feirantes338)

337 OLIVEIRA, Josilvado Pires de. No tempo dos valentes: o capoeiras na Cidade da Bahia. Salvador:

Quarteto, 2005. p. 75

338 Crédito da fotografia CARVALHO, Maria do Socorro Silva. A nova onda baiana: cinema da Bahia

O sentimento revelado no final do filme consiste na máxima de que “o crime não

compensa”, os ‘heróis”são destituídos, Chico acaba preso pela polícia e Maria, morta.

Os problemas da feira continuam os mesmos do início do filme, mas com a utópica esperança do sindicato, prometendo lutar pela permanência dos trabalhadores na feira de Água de Meninos, embora os “tubarões” continuem aterrorizando os trabalhadores. Afinal de conta, o filme quer mostrar a fragilidade do povo em lidar com a exploração exercida pela classe dominante.

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