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O fenômeno de transformação social pela sensível mudança nos meios de comunicação que estamos vivendo, impelida pelo advento da internet e por suas comunidades virtuais e ferramentas colaborativas, cuja denominação mais usual é Web 2.0, trouxe uma nova forma de praticar negócios e gerar riqueza. Com o objetivo de contextualizar a gestão do conhecimento nesse novo ambiente, a seguir serão abordados uns poucos conceitos, das muitas novidades disponíveis, de atuar nesse novo ecossistema.

2.3.8.1 Peering

Como um tipo diferente de força de trabalho, de acordo com Tapscott e Williams (2007, p. 9), o peering é uma maneira de gerar bens e serviços quando indivíduos se unem voluntariamente e sem remuneração para produzir um resultado compartilhado. Depende totalmente de comunidades auto-organizadas e igualitárias onde os integrantes são movidos, na maior parte das vezes, pelo simples desejo de participar de uma área de interesse ou de conquistar alto status perante as comunidades.

Segundo Tapscott e Williams (2007, p. 9), esse tipo de produção utiliza a força da colaboração em massa explorando a capacidade, a engenhosidade e a inteligência humana com mais proveito do que o modelo utilizado nas organizações tradicionais. Os autores destacam como um dos trabalhos pioneiros a Wikipédia. Outros trabalhos famosos são a criação de equipes para a construção de código aberto Apache – para servidores de redes, e Linux – o sistema operacional.

Em algumas organizações formais de vanguarda, os funcionários estão utilizando blogs, wikis e outras ferramentas Web 2.0 para formar comunidades de colaboração que atravessam as fronteiras organizacionais. O conhecimento adquirido nesses ambientes é internalizado e consolidado no aprendizado da organização formal. Tapscott e Williams (2007, p. 9) citam os exemplos de empresas produtoras de software: Geek Squad e Socialtext.

2.3.8.2 Ideágoras

São sítios abertos que operam pregões virtuais de ideias inovadoras em dois tipos – aqueles que oferecem soluções à procura de perguntas e os que tem perguntas em busca de soluções. Alguns exemplos de empresas são: InnoCentive, NineSigma, InnovatioXchange Network, Your-Encore e innovation Relay Centres (TAPSCOTT, WILLIANS, 2007, p. 9).

2.3.8.3 Viral Loop

Esse é o fenômeno que, descrito por Penenberg (2010, p. 8), ocorre com empresas que geram o produto que os clientes realmente querem e o disponibilizam na internet. Cada usuário que o utiliza e gosta, divulga para vários usuários. Pelo simples fato de usarem o produto e se sentirem satisfeitos, eles acabam difundindo-o numa velocidade de progressão estrondosa, que o autor denomina de crescimento viral. O autor explica que “essas empresas são alimentadas por algo denominado ‘loop de expansão viral’ (‘viral expansion loop’) que é alcançado ao se incorporar a ‘viralidade’ à funcionalidade de um produto”. Atualmente existem inúmeras empresas que se encaixam nesse perfil e estão no nosso dia-a-dia de forma quase imperceptível enquanto navegamos na Web 2.0, onde alguns cliques podem disseminar uma mensagem para milhões de pessoas. Algumas organizações mais icônicas são: Hotmail, eBay, PayPal, MySpace, YouTube, Facebook, LinkedIn e Twitter.

Nesses ecossistemas de crescimento assustador e produção de riquezas imensas “da noite para o dia” investindo pouquíssimo, o que tem valor é a ideia certa na hora certa em que o cliente deseja. Mas nem só de negócios vive a rede viral, já é possível arrecadar fundos para a política e para instituições de caridade ou organizações sem fins lucrativos, ou até “organizações coletivas”, onde cliente é o chef – o público decide o que é bom e passa essa informação para outros. Nessa última modalidade, Penenberg (2010, p. 16) cita como exemplo a plataforma de redes sociais Ning. De acordo com Aymone (2011), Ning “é uma plataforma online que permite a criação de uma rede social, ou seja, várias pessoas que partilham interesses podem se inscrever, deixando ali suas ideias, seus sentimentos...” e, uma definição mais abrangente da interface pode ser encontrada no trecho do sítio Conexão Professor (2011):

Criado em 2005, na Califórnia, por Marc Andreessen e Gina Bianchini, o Ning (www.ning.com) permite ao usuário mais do que a simples criação de comunidades, mas sim verdadeiras redes sociais. Ficou estabelecido, então, que o Ning seria uma plataforma de redes sociais. Mas qual é a diferença entre comunidade e rede social? A principal delas é a moderação. Na maioria das comunidades, o dono pode escolher entre moderar (permitir) ou não moderar todo o conteúdo que entra na comunidade. Além disso, geralmente o único que acrescenta fotos e vídeos nas comunidades costuma ser o próprio dono. Redes sociais são mais amplas, não permitem moderação. Isso dá liberdade aos participantes.

Instruções para utilizar a plataforma Ning podem ser livremente encontradas na internet, como nos exemplos postados por Campos Jr (2009). Algumas dessas orientações apresentam conteúdo bastante esclarecedor, como é o caso do Manual de Rede Social na Plataforma Ning publicado por Sotero (2011).

A Escola de Redes é um ótimo exemplo de utilização desse tipo de plataforma Ning: “Rede de pessoas dedicadas à investigação sobre redes sociais e à criação e transferência de tecnologias de netweaving9”, de acordo com Franco (2011) – o netweaver10 publicador da rede. Conforme Franco (2011), a Escola de Redes conta, atualmente, com mais de seis mil pessoas conectadas. É uma comunidade com estatuto e constituição publicados, onde há que se ler e concordar com os termos antes de associar-se. Possui uma vasta biblioteca com temas que despertam o interesse de quem procura uma escola de redes. Proporciona discussões sobre os temas que envolvem redes de comunicação entre pessoas e transferência de tecnologia, organiza e divulga eventos, cursos, fóruns, novidades mundiais e oportunidades sobre o tema.

A Escola de Redes merece menção pelo seu crescimento sustentado e impressionante se comparado a outras comunidades da mesma espécie, considerando que, conforme declara Franco (2011), “não somos um site de relacionamentos, nem uma plataforma genérica de trivialidades, mas uma rede de pessoas dedicadas à investigação das redes sociais (com um foco, portanto, bem definido)”. Franco (2011) explica o crescimento:

Atingimos na manhã de 23 de fevereiro de 2009 a marca de 1 mil conectados. E na noite de 19 de julho de 2009, a marca de 2 mil conectados. E na tarde de 04 de janeiro de 2010, a marca de 3 mil conectados. E na manhã de 04 de março de 2010, a marca de 4 mil conectados. E ao meio dia de 22 de julho de 2010 a marca de 5 mil conectados. E na manhã de 10 de março de 2011 atingiu 6 mil pessoas conectadas.

As imensas possibilidades desses novos ambientes de comunicação, relacionamentos, aprendizado e concretização de negócios que a internet oferece são desnorteadores se a

9 Netweaving - De acordo com Franco (2011b) é a articulação e animação de redes de relacionamentos na internet.

10 Netwaver - De acordo com Franco (2011b) é o executante de articulação e animação de uma rede de

organização não se planejar para utilizá-los. Para a sistematização de uma gestão do conhecimento efetiva que atenda os objetivos da organização, é preciso que se conheça bem o terreno onde será pavimentada essa estrada estruturação do conhecimento. Por isso, muitas organizações já realizam um diagnóstico da situação atual da gestão do conhecimento.