2 Politikkutviklingen i de enkelte land
2.7 Tyskland
O relógio acabava de soar dez badaladas quando o Dr. Mortimer apareceu, acompanhado pelo baronete, um jovem robusto, de olhos escuros e vivos.
- Sei que o senhor está acostumado a decifrar pequenos enigmas, Mr. Sherlock Holmes, e trouxe-lhe um que recebi agora de manhã. – Disse o jovem, colocando um envelope sobre a mesa. O nome e o endereço do destinatário estavam escritos numa caligrafia canhestra: SIR HENRY BASKERVILLE, NORTHUMBERLAND HOTEL. E o carimbo do correio Charing Cross, na noite anterior.
- Quem sabia que o senhor ia se hospedar no Northumberland Hotel?- Holmes perguntou. - Ninguém. O Dr. Mortimer e eu tomamos essa decisão depois que nos encontramos.
Holmes abriu o envelope em silêncio e tirou uma folha de papel, na qual havia uma única frase, formada por palavras impressas, que tinham sido recortadas e coladas:
- Por favor, Watson, pegue o Times de ontem.
Atendi-o prontamente, e, depois de correr os olhos pelo jornal, meu amigo comentou:
- Muito bom este artigo sobre livre comércio. Escutem: “Você pode ser levado a imaginar que uma tarifa protecionista impulsionará seus negócios – seu comércio ou sua indústria. Mas já dá para perceber que essa legislação é nefasta, pois, no longo prazo a riqueza vai ficar longe da Inglaterra, o valor de nossas importações vai cair e o bom nível de vida que temos neste país vai se deteriorar.”
- O que você acha, Watson? – Holmes perguntou.
Sir Henry Baskerville fixou em mim um par de olhos perplexos e disse:
- Não entendo muito de tarifa, mas acho que esse artigo não tem nada a ver com nosso assunto. - Ao contrário. – Holmes replicou. Watson conhece meus métodos melhor que o senhor, mas acho que também não entendeu a importância do que acabei de ler.
- Confesso que não vejo relação alguma. - Falei.
- E no entanto, meu caro Watson, há uma relação tão estreita que uma coisa saiu da outra.”VOCÊ”, “VALOR”, “SUA”, “VIDA”, “FICAR LONDE DA”.Você não percebeu de onde essas palavras foram tiradas?
- Nunca imaginei uma coisa dessa! Como é que o senhor conseguiu estabelecer essa relação? Perguntou o dr. Mortimer.
- Identificar tipos impressos faz parte do bê-á-bá do especialista em desvendar crimes. O Times usa tipos característicos, e essas palavras só podiam ter saído daqui. Como a mensagem foi postada ontem, a probabilidade de encontrar essas palavras na edição de ontem era muito grande.
- Mas eu gostaria de saber por que a palavra “charneca” foi escrita à mão?- Disse sir Henry Baskerville.
- Porque o autor da mensagem não encontrou a palavra impressa. - É uma boa explicação. O que mais o senhor leu na mensagem?
- O nome do destinatário e o endereço estão grafados numa caligrafia canhestra. Mas o Times é um jornal que dificilmente se encontra nas mãos de pessoas de pouca instrução. Portanto, quem sobrescreveu o envelope foi um homem culto que desejava passar por inculto, e seu esforço para disfarçar a própria letra sugere que o senhor a conhece ou pode vir a conhecê-la. Tenho quase certeza de que ele fez isso num hotel. A caneta e a tinta lhe causaram problemas. Há dois borrões numa única palavra, e o tinteiro só podia estar quase vazio já que o autor da mensagem teve de molhar a caneta três vezes. Dificilmente alguém tem em casa uma caneta ou um tinteiro nessas condições, e é muito raro que tenha ambos em tal estado. Mas o senhor sabe como são tinteiro de hotel e caneta de hotel... Holmes esclareceu.
De repente, após observar bem, Holmes exclamou: - Epa, o que é isto?
A atenção de meu amigo se voltou para o papel, e ele tratou de aproximá-lo dos olhos para examiná-lo meticulosamente.
- O que foi?
- Nada.- Holmes respondeu, largando o papel sobre a mesa.
- Não tem nem marca-d´água. E agora, sir Henry, aconteceu mais alguma coisa interessante desde que o senhor chegou a Londres?
Sir Henry sorriu:
- Espero que perder uma bota novinha em folha não seja muito comum por aqui. Ontem à noite deixei botas marrons no corredor, para serem engraxadas, e hoje de manhã encontrei só uma.
- Se eram novinhas em folha, por que engraxá-las?- Perguntou Holmes.
- Porque eu queria que ficassem bem lustras. Se estou para me tornar um grande proprietário rural, preciso me trajar à altura.
- De que adianta roubar uma bota? Holmes murmurou, pensativo, mas logo mudou de assunto e disse para sir Henry:
- Agora temos de decidir se é aconselhável que o senhor vá para a mansão dos Baskerville. - Não há o que decidir. Ninguém no mundo poderá me impedir de ir para a casa de minha família.- O baronete declarou, com a testa franzida e o rosto corado, demonstrando que o temperamento inflamável dos Baskerville permanecia vivo em seu último representante.
- E agora preciso voltar ao hotel. Por que o senhor e o dr. Watson não vão almoçar conosco, às duas horas?
- Vamos, sim. - Holmes respondeu. - Até mais tarde!
Nossos visitantes foram embora, e, assim que ouviu a porta da frente bater, Holmes abandonou a pose de lânguido sonhador e assuniu o papel de homem de ação.
- Ponha o chapéu e as botas, depressa! - Ordenou-me. E correu para o quarto, vestido em seu robe; segundos depois, reapareceu, trajando sobrecasaca. Então descemos a escada rapidamente e ganhamos a rua.
Ainda avistamos o dr. Mortimer e o jovem Baskerville, a alguns metros de distância.
Holmes apressou o passo. Nossos amigos se detiveram diante de uma vitrine. No mesmo instante, um carro de praça parou no outro lado da rua.
- É o nosso homem, Watson! Vamos!
Vi de relance uma cerrada barba negra e um par de olhos penetrantes, fixos em nós. Mas então o passageiro gritou alguma coisa para o cocheiro, e o carro partiu em disparada. Holmes correu atrás dele, pela rua movimentada, mas o perdeu de vista.
- É evidente que Baskerville está sendo vigiado desde que chegou. - Que pena que não anotamos o número da placa!
- Meu caro Watson, o número é 2704. Você viu bem a cara do sujeito? - Só vi bem a barba.
- Eu também. Por isso mesmo acho que deve ser postiça. - Holmes se virou e entrou numa agência de mensageiros. Um garoto de uns catorze anos o atendeu.
- Existem vinte e três hotéis em Charing Cross. Vá a cada um deles, Cartwright, e peça para ver os cestos de papéis recolhidos ontem. Procure um exemplar do Times que está com a página central recortada. Mande-me um telegrama antes do anoitecer, informando os resultados.
O cão dos Baskerville. Sir Arthur Conan Doyle, Cia. das Letrinhas. Adaptado exclusivamente para fins acadêmicos. Glossário
Baronete – título de barão Charneca- pântano Canhestra- desajeitada
Meticulosamente- cuidadosamente Nefasta – que causa desgraça Deteriorar – alterar algo para pior Lânguido – desanimado, debilitado Cerrada – fechada
Interpretando o texto
1) O narrador do conto é:
( ) personagem ( ) observador Copie um trecho do texto que justifique sua escolha. 2) Associe. (0,4)
( 1 ) Sherlock Holmes ( ) jornal da Inglaterra ( 2 ) Watson ( ) agência de Correio ( 3 ) Charling Cross ( ) fiel ajudante de Holmes
( 4 ) Times ( ) detetive
3) Quem iria se hospedar no “Northumberland Hotel”?
4) “Não entendo muito de tarifa, mas acho que esse artigo não tem nada a ver com nosso assunto”. a- Quem disse isso?
b- Para quem disse isso?
5) Por que a palavra “charneca” foi escrita à mão, no bilhete?
6) Como Holmes descobriu que as palavras coladas no bilhete foram retiradas do Times? 7) Para Holmes, a pessoa que escreveu o bilhete era:
( ) um homem culto ( ) um homem inculto
8) O que aconteceu com a bota de sir Baskerville? 9) “Se eram novinhas em folha, por que engraxá-las?”
a) Quem perguntou isso? b) Para quem perguntou isso?
c) Por que a pessoa resolveu engraxar a bota?
10) “Holmes apressou o passo. Nossos amigos se detiveram diante de uma vitrine. No mesmo instante um carro de praça parou no outro lado de rua.”
a) Segundo Holmes, quem estava no carro?
QUADRO 21: Avaliação de Português – 5º ano do Ensino Fundamental (EPSA)
No quinto ano, verifica-se que as provas já seguem uma estrutura semelhante ao PISA, pois apresentam um texto ou trecho de um romance, por exemplo, em que são exploradas diferentes habilidades solicitadas nessa prova, como “identificação e recuperação de
informação” (questões 1, 3, 4a) e “interpretação” (questões 2, 4b, 5, 6, 7, 8, 9 e 10). O objetivo “desenvolver uma interpretação: inferir motivos para o comportamento das personagens” é contemplado pelas questões que indagam sobre o “porquê” de determinadas atitudes dos personagens, como as perguntas 5 e 9, por exemplo. Na prova do 5º ano, ainda não há questões que promovam a reflexão.
A seguir, apresenta-se uma avaliação destinada ao 9º ano.
Avaliação de Português – 9º ano do Ensino Fundamental (EPSA)
Leia o seguinte trecho retirado do livro lido por você, “A morte e a morte de Quincas Berro D’água”, com atenção e responda ao que se pede.
A morte e a morte de Quincas Berro Dágua Capítulo 9
Quando surgiram na porta do quarto, Pé-de-Vento adiantou a mão em cuja palma estendida estava pousada a jia de olhos saltados. Ficaram parados na porta, uns por detrás dos outros, Negro Pastinha avançava a cabeçorra para ver. Pé-de-Vento, envergonhado, guardou o animal no bolso.
A família suspendeu a animada conversa, quatro pares de olhos hostis fitaram o grupo escabroso. Só faltava aquilo, pensou Vanda. Cabo Martim, que em matéria de educação só perdia para o próprio Quincas, retirou da cabeça o surrado chapéu, cumprimentou os presentes:
— Boa tarde, damas e cavalheiros. A gente queria ver ele...
Deu um passo para dentro, os outros o acompanharam. A família afastou-se, eles rodearam o caixão. Curió chegou a pensar num engano, aquele morto não era Quincas Berro Dágua. Só o reconheceu pelo sorriso. Estavam surpreendidos os quatro, nunca poderiam imaginar Quincas tão limpo e elegante, tão bem-vestido. Perderam num instante a segurança, diluiu-se como por encanto a bebedeira. A presença da família – sobretudo das mulheres – deixava-os amedrontados e tímidos, sem saber como agir, onde pousar as mãos, como comportar-se ante o morto.
(...)
Agora estavam ali em silêncio, de um lado a família de Joaquim Soares da Cunha, filha, genro e irmãos, de outro lado os amigos de Quincas Berro Dágua. Pé-de-Vento metia a mão no bolso, tocava na jia amedrontada, como gostaria de mostrá-la a Quincas!
AMADO, Jorge. A morte e a morte de Quincas Berro Dágua. São Paulo: Cia. das Letras, 2008.p.63-4.
1) Em A família suspendeu a animada conversa percebemos uma postura e um sentimento bastante contrários aos dos amigos quanto à morte de Quincas.
a) Esclareça esta oposição a partir da frase destacada.
b) Qual figura de linguagem podemos apreender neste contexto? Justifique. [...]
3) Leia o trecho abaixo com atenção e responda ao que se pede.
Curió chegou a pensar num engano, aquele morto não era Quincas Berro Dágua. Só o reconheceu pelo sorriso. Estavam surpreendidos os quatro, nunca poderiam imaginar Quincas tão limpo e elegante, tão bem-vestido.
Podemos afirmar que, neste momento, Vanda “transforma” Quincas Berro Dágua em Joaquim Soares da Cunha.
a) Como ela obtém este resultado?
4) Há, neste excerto, duas personagens que foram baseadas em pessoas reais. a) Quais são estas personagens?
b) Existe relação entre verossimilhança, intertextualidade e a utilização de pessoas que realmente existiram na obra de ficção amadiana? Justifique sua resposta.
5) Releia o excerto inicial desta prova e perceba que há referência à materialização da ironia em uma personagem.
a) Como podemos compreender a concretização da ironia nesta personagem?
b) De acordo com análise literária em sala de aula, com qual intenção a ironia foi utilizada na obra como um todo?
[...]
6) Leia o seguinte aforismo de Heráclito de Éfeso (540?535 – 475?470 a.C.), filósofo pré-socrático : "Ninguém se banha no rio duas vezes porque tudo muda no rio e em quem se
banha."
É possível fazer uma correlação entre este aforismo e a análise da personagem principal de A morte e a morte de Quincas Berro Dágua.
Esta afirmativa está correta? Justifique a sua resposta com uma síntese da análise da personagem em questão. Não ultrapasse as linhas destinadas a esta resposta.
[...]
10) O livro A morte e a morte de Quincas Berro Dágua é considerado uma novela, um romance ou um conto? Justifique. (0,5 ponto)
QUADRO 22: Avaliação de Português – 9º ano do Ensino Fundamental (EPSA)
Em contraponto ao 5º ano, o foco da avaliação do 9º ano é a reflexão. Para interpretação e localização, há apenas uma questão (4a). Com relação aos procedimentos para desenvolver uma interpretação, cujo foco é “inferir motivos para o comportamento das personagens”, são propostas as questões 1 e 3. A partir da questão 4, a finalidade da prova recai em “refletir sobre o conteúdo do texto”. Primeiramente, há um alinhamento da reflexão com os aspectos do estudo do texto literário, abordando o gênero (englobando estrutura, linguagem e estilo do autor – questão 4b e 10). Em segundo lugar, o enfoque passa a ser a “comparação das atitudes das personagens com conhecimentos e experiências pessoais” ou reconhecidas pelo conhecimento de mundo do jovem (questões 5 e 6).
Avaliação de Português – 3ª série do Ensino Médio (EPSA)
Let's Play That Quando eu nasci
um anjo louco muito louco veio ler a minha mão não era um anjo barroco era um anjo muito louco, torto com asas de avião
eis que esse anjo me disse apertando minha mão com um sorriso entre dentes vai bicho desafinar
o coro dos contentes vai bicho desafinar o coro dos contentes let's play that Jards Macalé e Torquato Neto
1. Relacione o poema acima com as propostas do Modernismo brasileiro. (1,0 ponto) [...]
KANT, MARX E OS SIMPSONS