Materials and methods
3.1 Preparation of catalyst
3.2.5 Two-stage fixed-bed reactor
É inquestionável o benefício que se obtém com a implantação de uma usina de triagem compostagem de lixo, seja para a proteção do meio ambiente, seja para economia de energia e/ou de recursos naturais renováveis e não-renováveis. A questão que se coloca é: a que custo? No caso de CXC, ao somarem-se as receitas e subtraírem-se as despesas, chega-se à conclusão de que a operação da usina tem receitas e despesas equilibradas, ou seja, não acarreta prejuízo, mas também não gera lucro. A Tabela 5.3, a seguir, identifica os preços praticados na venda dos recicláveis para um sucateiro do município de Barroso.
Tabela 5.3 – Preços praticados na comercialização – outubro/ 2004 (R$)/ kg
Papel Papelão Embalagem de leite Plástico fino Plástico duro Sacolinha PET* Lata Ferro velho Alumínio 0,10 0,15 0,05 0,15 0,13 0,15 0,22 0,22 0,22 3,50 * PET = Politereftalato de etileno
Segundo informações da Prefeitura, o custo de operação gira em torno de R$ 3.800,00 (pagamento de recursos humanos, cujos salários brutos são de R$ 448,00 por pessoa, e despesas diversas). A venda dos recicláveis totaliza um pequeno lucro em torno de R$ 600,00, sendo a maior receita proveniente do repasse do ICMS Ecológico, conforme preconiza a Lei 13.803, de 27/12/2000, perfazendo uma quantia aproximada de R$ 3.200,00 (R$ 2,00 per capita). Na Tabela 5.4, a seguir, verificam-se os valores reais de repasse do ICMS Ecológico, percebidos pela administração municipal de CXC, até o mês de outubro de 2004.
Tabela 5.4 – Repasses do ICMS Ecológico em 2004 (até outubro) (R$)
JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT
3.577,41 3.413,38 3.405,90 3.619,66 3.607,60 3.853,77 3.437,84 3.782,14 3.604,56 3.737,64 Fonte: Fundação João Pinheiro, nov./2004
Vê-se que, de acordo com palavras do Sr. Helder Sávio Silva, Prefeito de CXC, existe um empate entre custos e despesas; entretanto, o lucro é ambiental. Como de fato é, e isso pode ser comprovado pela Tabela 5.5, apresentada a seguir, elaborada pelo encarregado da usina. Ressalte-se que os valores totalizados na terceira coluna foram calculados pelo próprio encarregado da usina, baseando-se, provavelmente, em dados empíricos fornecidos em algumas literaturas, como em Calderoni (2003).
Tabela 5.5 – Lucro ambiental da UTC de CXC entre 2001 e 2003
Material coletado Peso (kg) Economia
Papel/ Papelão 58.096 com 6 anos de idade 2.904 árvores de eucalipto
Plástico 59.600 7.807 kg de petróleo Metal 17.495 19.792 kg de ferro; 7.951 kg de carvão; 306 kg de cal. Alumínio 497 2.485 kg de bauxita, diminuindo o consumo de energia e eliminando a geração de lama vermelha
Fonte: Dados fornecidos pelo encarregado da usina
É fato sabido também que a reciclagem do vidro economiza a extração de uma enorme quantidade de areia. Segundo Cartilha de Divulgação da SMLU – Secretaria Municipal de Limpeza Urbana Belo Horizonte, em cada 1.000 kg de vidro reciclado, 1.300 kg de areia são poupados. Então, apesar de não constar na tabela anterior, com certeza o município de Coronel Xavier Chaves deu sua parcela de contribuição na preservação desse importante recurso natural, protegendo o meio ambiente, ao encaminhar o vidro segregado na usina para a reciclagem.
Entretanto, há que se destacar que é necessário otimizar a operação da UTC de CXC para que esse “lucro ambiental” seja mais significativo, mesmo que para isso seja preciso contar com o apoio do fator humano. Lembrando que é bastante benéfico quando a atitude da população do município se torna referência para as cidades vizinhas, como ações de respeito à natureza e exemplo de comportamento sustentável.
Ressalta-se ainda que, um segundo conceito que comumente se adota para a análise do custo- benefício de um empreendimento é o que está associado à comparação entre os impactos ambientais positivos e negativos de um empreendimento. Também nesse caso, há que se priorizar que, ao se cotejar os efeitos negativos, tais como a poluição do solo local por causa do aterramento dos rejeitos, a influência na saúde do trabalhador da usina, etc., esses sejam consideravelmente menos importantes que os efeitos positivos obtidos, tais como a reintegração de materiais na produção industrial, favorecendo a economia de energia e/ou matéria-prima, a proteção da saúde pública, etc.
6 METODOLOGIA
“Caminhante: não existe a estrada. A estrada é feita ao se caminhar”
Antonio Machado A metodologia da presente pesquisa dividiu-se em dois tempos distintos, a saber: o primeiro, constituído de trabalhos de campo que envolvem a mobilização da comunidade (observações pré-mobilização, mobilização propriamente dita e observações pós-mobilização) e o segundo constituído da tabulação dos dados coletados e análise de resultados.
Os trabalhos de campo se constituíram de três fases: Fase I: pesquisa exploratória, levada a efeito por aplicação de questionários ao público-alvo (donas-de-casa), em um primeiro momento; Fase II: da pesquisa-ação, caracterizada pelas visitas à UTC, por palestras e por dinâmicas de grupo envolvendo o mesmo público e a apresentação de uma peça de teatro, em momento posterior, e ainda, uma última, Fase III: da avaliação “in loco”, caracterizada por observações para o diagnóstico e para o balanço dos resultados da mobilização comunitária através do acionamento do Plano A ou do Plano B, com atividades concomitantes com as duas fases anteriores. Os citados Planos serão explicados em momento oportuno.
Portanto, as campanhas de campo relativas às duas primeiras fases tiveram objetivos diferentes, que ocorreram também em tempos diferentes e consecutivos. Na primeira, de caráter exploratório, tentou-se tornar mais explícito o problema, realizando uma sondagem sobre a situação da ocasião (nos meses março e abril de 2004, anterior às ações de mobilização), através da aplicação de questionários. A observação do lixo que chegava à usina de triagem e compostagem para ser triado era uma atuação pertencente a uma fase de avaliação extra-cronológica, ao acontecer simultaneamente às duas fases e foi fundamental para o diagnóstico, favorecendo a contextualização do problema.
As campanhas de campo da segunda fase caracterizaram-se por se realizar em estreita ligação com o problema coletivo, sendo que a pesquisadora e os representantes da pesquisa estavam mutuamente envolvidos de modo participativo. Tratou-se de uma pesquisa-ação que supõe uma investigação planejada em caráter educacional e/ ou social. O planejamento da pesquisa- ação foi flexível, já que foi determinado pela dinâmica das inter-relações havidas entre pesquisadora e pesquisados. Contudo, houve um planejamento que contemplou uma fase exploratória, como mencionado anteriormente, a fim de determinar o campo de ação, as expectativas das investigadas, bem como o tipo de auxílio que as mesmas poderiam prestar.
(Adaptado de ALVES, 2003, p 55). Nessa segunda fase, a observação da separação do lixo na esteira de catação da UTC visou a detectar os resultados advindos da mobilização, na medida em que o processo fosse abrangendo todo o público-alvo.
Cabe ressaltar que a avaliação do resultado final da pesquisa ocorreu também ao finalizarem- se completamente as atividades de mobilização, e da observação do lixo que chegava à esteira de catação da UTC e através do depoimento dos funcionários triadores da unidade sobre a percepção de melhoria (ou não) do processo de triagem em decorrência da mobilização efetuada.
A Figura 6.1, a seguir, demonstra a inter-relação havida entre as diferentes fases da pesquisa executada. Observa-se a concomitância cronológica entre as fases I e II e a Fase III.