2.9 Catalytic up-gradation strategies
2.9.2 Aldol condensation
Esta pesquisa pretende revelar os fatores envolvidos na mudança de comportamento do grupo social representado pelas donas-de-casa de CXC em relação à separação do lixo produzido em seu domicílio. Para isso, se serve da metodologia da pesquisa-ação e da técnica de oficinas em dinâmica de grupo como método de intervenção psicossocial.
Para Thiolent (1984), a discussão informal com pequenos grupos, é sempre um passo necessário, mas não chega a caracterizar o conteúdo da proposta metodológica no seu
conjunto. Entretanto, para Lewin (1988), conhecido como o fundador da teoria dos pequenos grupos, a pesquisa-ação é uma forma de mudança cultural.
Ainda segundo Lewin, a postura de uma aprendizagem social ativa e participativa se articulava a 3 idéias essenciais: (1) a importância do papel ativo do indivíduo na descoberta do conhecimento, (2) a importância de uma abordagem compreensiva na intervenção, que inclua aspectos cognitivos e afetivos, (3) a importância do campo social para constituir e transformar a percepção social e o processo de construção de conhecimento.
“Assim, a ação humana não é o resultado apenas de uma causa externa ou da consciência individual – mas é fruto de uma realidade dinâmica onde existe reciprocidade entre consciência e campo social – uma totalidade dinâmica”.(LEWIN,1988). A ação corresponde ao que precisa ser feito (ou transformado) para realizar a solução de um determinado problema. Dependendo do campo de atuação e da problemática adotada, existem vários tipos de ação, cuja tônica pode ser educativa, comunicativa, técnica, política, cultural, etc. No caso particular da ação técnica – como o da introdução de uma nova técnica no campo ou do resgate de uma antiga técnica – é necessário levar em conta o aspecto sócio-cultural do seu contexto de uso.
Em função de sua orientação prática, a pesquisa-ação é voltada para diversificadas aplicações em diferentes áreas de atuação. Sem reduzir a necessidade de uma constante reflexão teórica, pode-se considerar que a pesquisa-ação opera principalmente como pesquisa aplicada em suas áreas prediletas que são educação, comunicação social, serviço social, organização, tecnologia (em particular no meio rural) e práticas políticas e sindicais. Outras áreas poderiam eventualmente estar incluídas, tais como urbanismo e saúde, mas ainda faltam informações sobre experiências ou tendências (THIOLLENT, 1984).
Além disso, segundo o autor citado, observa-se que em geral os pesquisadores das diversas áreas se ignoram e desconhecem a pesquisa-ação fora de sua especialidade. Pesquisadores envolvidos em práticas políticas acham freqüentemente estranho o fato de que a pesquisa- ação seja também uma proposta metodológica para as áreas organizacionais e tecnológicas. O desafio é conjugar pesquisa-ação com o estudo de pequenos grupos.
Como o grupo existe em um contexto social, sua análise deve contemplar sua dinâmica externa e interna, em inter-relação. A dinâmica externa do grupo é resultado (a) das forças externas (institucionais, econômicas, etc) que sobre ele atuam e (b) da forma como o grupo
reage a tais forças externas no sentido de receptividade, resistência ou passividade. A dinâmica interna dos grupos diz respeito à sua organização – regras, papéis, liderança e comunicação – bem como seu processo de mudança e resistência à mudança. Lewin (1988); Mailhiot ( 1991, apud AFONSO, 2000).
O trabalho com pequenos grupos visa a pelo menos um dos seguintes objetivos: (a) a análise e compreensão pelos participantes do grupo da sua dinâmica interna e externa, referida ao contexto sócio-histórico, (b) a experiência e análise de seus vínculos sociais e afetivos, das relações interpessoais, construídas e vividas através da comunicação e da linguagem, (c) a compreensão e facilitação dos processos decisórios do grupo como um todo e de cada participante na dinâmica grupal. Lewin, (1988); Mailhiot (1991, apud AFONSO, 2000). Para Paschoal (1981), que pesquisou a percepção dos moradores da cidade de Cambuci – SP em relação ao problema recorrente de inundações, a consciência sobre o problema, embora apareça em nível individual, não levou os moradores e usuários a se organizarem como grupo, a fim de fazer reclamações junto ao poder público. Assim o individual (passivo) se superpõe ao social, que é inexpressivo como força de reivindicação.
A proposta da presente pesquisa foi investigar a mobilização social como fator da ação de segregar os resíduos sólidos na fonte, na localidade em questão, tendo como agentes (ou atores da ação) as donas-de-casa. Todo o trabalho foi concebido em torno da metodologia da pesquisa-ação que caracteriza-se por ser uma pesquisa onde os membros da situação observada são também os participantes da ação pretendida.
Dessa forma, o presente trabalho baseou-se na espinha dorsal da pesquisa-ação utilizando-se da técnica de oficinas em dinâmica de grupo para desvendar o pensamento sobre o tema do público estudado, sem a pretensão de aprofundamento na questão do estudo dos pequenos grupos, por dois motivos:
esse tipo de estudo requer que os grupos participantes tenham uma história passada comum, já estabelecida ou construída em mais de um encontro e não da forma como foi tratado aqui. Inicialmente, teve-se a intenção de que as convidadas para as atividades de mobilização fossem, no mínimo, vizinhas umas das outras, o que ajudaria na interação de grupo requerido; entretanto, isso não foi possível, devido à baixa adesão do grupo social ao trabalho de pesquisa na fase de moblização.
o aprofundamento nesse estudo não poderia estar no escopo da presente pesquisa devido à formação profissional da autora, haveria necessidade de conhecimentos da área de Psicologia, o que, mais uma vez, comprova a necessidade de se tratar o tema multidisciplinarmente.
5 APRESENTAÇÃO DO PROBLEMA
“O problema é que, como já ensinou [...] o pai das empresas modernas, Henry Ford, a linha de montagem não pára e a esteira continua sempre a despejar trabalho...”
Carlos Eduardo Valim Conhecer o problema do município de Coronel Xavier Chaves em relação à questão do lixo doméstico é conhecer o problema que persiste em muitos município brasileiros que já têm suas áreas de disposição final resolvidas. Observa-se que o problema da grande maioria de municípios ainda é a destinação inadequada dos RSU em lixões ou vazadouros a céu aberto, o que faz com que a prioridade seja a transformação desses locais em uma solução no mínimo paliativa, protetora da saúde pública, como é o caso dos aterros controlados, para depois se pensar em soluções ambientalmente corretas, como os aterros sanitários e usinas de triagem e compostagem.
A problemática com que se depara no município estudado é outra. CXC já dispõe de tratamento e disposição final considerados adequados para os RSU produzidos; entretanto, a solução adotada, a despeito de ser considerada como uma ótima solução em termos de reaproveitamento de materiais e economia de área de aterramento para rejeitos, se mostra bastante dependente da colaboração da comunidade, na medida em que seria desejável que o público atendido entregasse os materiais separados pelo menos nas categorias de recicláveis (lixo seco) e lixo orgânico.
Considera-se que a colaboração da comunidade local é imprescindível para a continuidade e a eficiência da operação de uma usina de triagem e compostagem de lixo, e que os grandes aparatos que às vezes são vendidos juntamente com essa solução, tais como esteiras mecanizadas, trituradores e peneiras rotativas, mostram-se totalmente ineficazes quando os resíduos chegam em grande quantidade e com um alto grau de mistura.
No caso do município de Coronel Xavier Chaves, ao ser conhecida a situação de operação da usina, na época das primeiras visitas (julho e agosto de 2003), observou-se a necessidade de se pesquisar como manter a população mobilizada a separar o lixo gerado em casa, de forma que essa ação considerada “humana” favorecesse a “tecnologia” implantada na UTC local. Notou-se que, apesar de ser concebida com o intuito de facilitar o trabalho do operário da usina, na separação dos materiais, a tecnologia disponível não estava cumprindo o seu papel, na medida em que os funcionários demonstravam cansaço físico e baixa auto-estima.
No capítulo anterior constatou-se que a interação tecnológico-humana precisa cada vez mais existir para que seja conseguido um gerenciamento eficiente dos RSU. O fator humano não pode ser mais esquecido e o problema que se impõe, agora, tem grau de importância igual ou maior ao que já havia denunciado Charles Chaplin em seu filme “Tempos Modernos”. Se antes as esteiras mecanizadas já afetavam a saúde do homem, atualmente, também causam impactos profundos ao meio ambiente, ao despejar produtos e embalagens originados da “desesperada” produção em série.