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No Brasil atual, vários fatores vem alterando o cenário da coleta seletiva e da reciclagem de resíduos domiciliares. Observa-se um certo “acirramento dos conflitos” decorrentes do aumento e da diversificação dos atores envolvidos. Catadores autônomos ou cooperados, sucateiros, condomínios, residências, escolas e empresas competem pelos materiais aproveitando as novas oportunidades de negócio, renda, ou para até garantir alternativas de sobrevivência. Esta nova conjuntura ameaça, inclusive, os programas de gestão compartilhada de resíduos sólidos em vários municípios. Verifica-se que uma parcela significativa dos resíduos é interceptada por um sistema paralelo de coleta, antes mesmo da coleta seletiva institucionalizada. (DEMAJOROVIC et al, 2004).

O estudo desses autores revelou que os maiores desafios do programa de coleta seletiva solidária nas cidades estudadas são de caráter organizacional, destacando-se o problema da comunicação da iniciativa à sociedade e a necessidade da “construção” de uma cultura voltada para o associativismo por parte dos integrantes das centrais de triagem. A lógica de mercado mostra que o maior valor agregado do material reciclável associado à crise econômica exige a promoção de políticas públicas voltadas para toda a cadeia de resíduos e não apenas para os programas de gestão compartilhada como alternativa para a coleta seletiva.

Ruffino (2001) pesquisou fundamentos de programas de coleta seletiva frente a problemática global de resíduos onde, das 18 experiências estudadas, brasileiras, apenas duas (Brasília e Programa USP – Recicla) citam claramente em sua fundamentação teórica a intenção de considerar os princípios estabelecidos na Agenda 21 Global, princípios estes que preconizam o desenvolvimento sustentável. Sobre as motivações que levaram a criação dos Programas de Brasília e USP – Recicla, não são problemas concernentes à falta de espaço para disposição

final de resíduos e/ou problemas com catação e baixa qualidade de vida das classes sociais envolvidas. Segundo o autor, aparentemente, são programas que extrapolam condições críticas pontuais para que sejam estabelecidos, diferentemente de outros programas que foram iniciados devido a falta de espaços em aterros, devido ao problema de disposição em lixões, aos problemas sociais com catação, etc.

As dificuldades são observadas no momento em que nenhuma das experiências especifica nos seus objetivos o sistema de coleta que será implantado, o que permite concluir duas situações gerais que são: - para estes programas, qualquer sistema de coleta, seja o porta a porta seja os PEV’s ou LEV’s, atingem indistintamente os objetivos propostos ou - estes programas não desenvolveram estratégias específicas para cada sistema a fim de obter os melhores resultados em cada um. Quaisquer que sejam as realidades dos programas, é preocupante a análise no que diz respeito a falta de planejamento das ações.

Fernandes et al (2003) desenvolveram um estudo na linha de mensurar a percepção ambiental de um segmento especifico de formadores de opinião, professores e alunos de uma instituição de ensino superior, a UNIVIX, em Vitória-ES. O trabalho baseou-se em um questionário onde os entrevistados explicitaram sua percepção sobre: identificação dos problemas ambientais da região; ações individuais na área ambiental; desenvolvimento associado a efeitos ambientais; papel do governo, das indústrias e da sociedade. Como conclusão, a análise dos dados permitiu uma avaliação ampla do nível de conscientização ambiental de um importante grupo de formadores de opinião.

As conclusões do estudo foram que, no âmbito da Faculdade Brasileira – UNIVIX, o desenvolvimento do estudo poderá definir elementos concretos para o direcionamento da disciplina Ciências do Ambiente, estruturar ações para áreas especificas a serem trabalhadas junto aos alunos, bem com identificar outros cursos oferecidos pela UNIVIX onde a temática ambiental possa ser formalmente inserida, bem como propiciar a oferta de cursos de extensão específicos, passíveis de serem oferecidos a nossos alunos e à sociedade como um todo. Apesar da metodologia do trabalho anterior não envolver coleta seletiva diretamente, a sua citação baseia-se no fato de que o estudo das percepções das pessoas pode trazer resultados importantes quanto ao estabelecimento de programas formais de educação ambiental, bem como ações estendidas a sociedade em geral.

Em Belo Horizonte – MG, a coleta seletiva se faz através de vários meios: 1) coleta ponto-a- ponto, com instalação de LEV’s – Locais de Entrega Voluntária; 2) coleta porta-a-porta mecanizada com caminhão baú ou carrinho motorizado conduzido por catador; e 3) coleta via cooperativas de catadores. Essa última modalidade se caracteriza pelo apoio logístico, operacional e sócio-educativo da PBH – Prefeitura de Belo Horizonte às associações e cooperativas de catadores.

Cabe ressaltar que a SMLU – Secretaria Municipal de Limpeza Urbana possui no âmbito de seu setor de planejamento uma gerência com a função de implementar a mobilização social para os vários aspectos do serviço de limpeza pública, inclusive para a coleta seletiva. A coleta seletiva porta-a-porta já é uma realidade em todo o Bairro Serra. Segundo a SMLU Secretaria Municipal de Limpeza Urbana, a iniciativa partiu da própria comunidade local que pediu a ampliação do serviço, implantado desde agosto de 2003. Esse é um exemplo de que o público precisa estar envolvido, ou seja, quando a coleta seletiva nasce de uma reivindicação da população, não há meios de fracassar. Outros bairros com Gutierrez, Barro Preto e Av. Silviano Brandão também contam com o serviço, mas em fase inicial de implantação. (Estado de Minas, 11/9/2004).

Há que se mencionar aqui a experiência da cidade mineira de Itabira, município de médio porte, onde, apesar de existir uma destinação final não muito adequada, representada por um aterro controlado, com problemas freqüentes de operação, a coleta seletiva acontece em níveis satisfatórios de execução, incluindo egressos do sistema prisional na triagem de recicláveis e recuperação do isopor, um material pouco aproveitado em outros sistemas, o que lhe confere características peculiares. Outra particularidade dessa coleta seletiva municipal é a execução por empresa privada, a mesma que é responsável pelos outros sérvios de limpeza pública no município.