5.3 Two phase flow results
5.3.9 Two phase pressure drop
Os instrumentos são situações ou recursos que ajudam o sujeito pesquisado a se colocar, a expressar sua subjetividade. São interativos e é a complementaridade entre eles que nos faz chegar às informações que queremos.
Os instrumentos validados em suas utilizações na parte empírica desta pesquisa foram a observação e a aplicação do questionário.
O uso de questionários é muito comum nas pesquisas tanto quantitativas quanto qualitativas. O número de indivíduos da sua pesquisa dependerá de quanto tempo você tem. Todos os esforços devem ser feitos para selecionar a amostra mais representativa possível [...] é vantajoso distribuir o questionário, pois possibilita que o pesquisador explique o propósito do estudo. (SILVA, 2011, p.4)
Inicialmente foi realizada discussão em um grupo focal composto por dez estudantes, porém, fatores externos limitaram a espontaneidade e o registro do procedimento, havendo assim interferências que contribuíram para a não validação e o não aproveitamento das respostas dele registradas. Tais percalços iniciaram-se ainda na ocasião da autorização para
realização da pesquisa de campo quando a Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação – EAPE, órgão da Secretaria de Educação do Distrito Federal, responsável pela efetivação dos encaminhamentos de pesquisadores a campo, exigiu como pré-requisito para liberação do encaminhamento, um parecer do Comitê de Ética da Universidade de Brasília. Como resposta às minhas solicitações por meio deste parecer, o Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto de Ciências Humanas da Universidade de Brasília enviou-me como justificativa, a explicação de que a partir das resoluções da CONEP, todos os comitês de ética deveriam, a contar de 15 de janeiro de 2012, utilizar obrigatoriamente o Sistema da Plataforma Brasil1. Por não possuir o termo de autorização para utilização de imagem e som de voz para fins de pesquisa dos estudantes que fariam parte do grupo focal, já que eu os desconhecia, a liberação fora retardada e liberada com ressalvas, tais como, não gravar a participação dos estudantes, visando manter sigilo de suas identidades e adaptar-me ao horário disponível na escola para esta realização.
Assim, após retornarem de um período de mais de dois meses de greve dos professores da SEDF, o horário concedido para junção dos entrevistados ficou insuficiente, tendo-me sido ofertado apenas o tempo de uma aula convencional, cinquenta minutos, para exibição dos três vídeos produzidos por jovens como preventivos ao bullying, objeto de análise que subsidiaria responder a problematização desta pesquisa, além de apresentação e discussões. Com pouco tempo disponível, dificuldade de registro simultâneo e participação tímida de alguns, a aplicação desta ferramenta mostrou-se falha, levando-me a buscar outras alternativas. Seguindo na mesma escola e negociando com professores a disponibilização de seus horários de aula para cumprimento de meu intento, foi possível obter junto a uma das professoras duas aulas em sete turmas de primeiro ano, para, em um primeiro dia aplicar questionário similar ao que havia direcionado para a entrevista de grupo focal e, em outro, na semana posterior, ofertar palestra aos estudantes entrevistados sobre a temática bullying, repassando sua definição, características, os personagens envolvidos, os tipos de ocorrência, possíveis consequências, reações, legislações que o punem, além de discussão sobre prevenção, intervenção e combate.
Assim, foi possível minha entrada nestas sete turmas que abrangeram um total de cento e quarenta e dois estudantes entrevistados que, em dois momentos distintos, responderam um questionário misto que apenas solicitava como identificação, o sexo, a idade e sua localização residencial.
Em um primeiro momento foi pedido a eles que respondessem aos questionamentos constantes na primeira página do material de coleta. Em seguida, foram exibidos três vídeos produzidos por jovens estudantes de outras escolas, disponibilizados livremente no site YouTube, para só então os entrevistados responderem a segunda parte do questionário.
DOS VÍDEOS APRESENTADOS
Após procurar, no site YouTube, imagens contendo informações diversas sobre o
bullying a partir da inserção, no campo de pesquisa, das palavras ―bullying‖ e ―estudantes‖,
encontrei cento e noventa e oito referências1 de vídeos, sendo alguns realizados e postados por Instituições Educacionais, além dos anexados por pessoas físicas. Entre eles, conforme especifica tabela a seguir, encontravam-se trechos de palestras ou entrevistas com pesquisadores do assunto; vídeos contendo cenas de agressões reais, geralmente captados por jovens no espaço escolar por meio da câmera de telefone celular; montagens ou recortes de novelas e filmes comerciais apresentando cenas que continham este tipo específico de violência; além de vídeos produzidos por estudantes como cumprimento de tarefas escolares ou como instrumento de divulgação pró-conscientização sobre o bullying.
Temáticas surgidas Quantidade
encontrada Observações
Brincando com o assunto 05 Produções onde a temática é tratada como algo a não ser levado a sério.
Bullying e gagueira 03 Relatando transtornos que portadores desta deficiência sofrem dos bullies.
Cenas da reação do garoto
australiano Casey Heynes 03 Totalizando 127.596 acessos até a data. Cenas de violência entre
estudantes, fora da escola 05
Cenas de bullying em filmes 07 Supernatural / Bang Bang ... / Loney Tunes / Bullying / Ciberbullying.
Cenas de bullying em novelas 07 Todas da novela Rebeldes (Record). Cenas reais da prática de
bullying no ambiente escolar 09
Em sua maioria postadas e comentadas pelos próprios bullies.
Ciberbullying 01 Informações sobre a definição desta variação do bullying.
Depoimentos de vítimas 06
Temáticas surgidas Quantidade
encontrada Observações
Informativos postados por
pessoas diversas 28
Informes proferidos por políticos 08
Jogos 02 Contendo cenas do proibido jogo: Bully.
Palestras 02 Cleo Fante e Dra. Ana Beatriz Barbosa.
Produções audiovisuais realizadas por estudantes
20
Escolas: E.E. Prof. Alberto Conte – SP/ Escola Técnica Est. João Luiz do Nascimento/ Colégio La Salle – DF e outras.
Programas jornalísticos de TV
(partes) 45 Contendo matérias sobre o assunto.
Tragédia de Realengo 12 Notícias relacionadas ao massacre. Utilização do nome bullying em
conteúdos não condizentes a este tipo específico de violência
35
Atribuindo em grande parte o nome bullying à brigas isoladas em ambientes sociais diversos.
TOTAL 198
Quadro 1 – Resultado de buscas de vídeos no YouTube, mediante as palavras bullying e estudantes .
Entre as vinte produções audiovisuais encontradas com a descrição de terem sido realizadas por estudantes, encontravam-se vídeos contendo cenas de agressões reais, de encenações com simulações violentas ou com desfechos trágicos, além de narrativas confusas e longas. Após análise, selecionei três que mostravam, em seus enredos, a temática bullying, porém com abordagens e composições distintas, apresentando pontos passíveis de reflexão e discussão, bem como duração razoável e nitidez nas imagens.
Os três vídeos destacados representam frutos das realizações de jovens educandos e foram exibidos aos estudantes entrevistados seguidamente, sem interrupções ou discussões prévias sobre eles.
O primeiro vídeo1 apresenta uma cena de bullying real gravada através de um aparelho celular. Nas imagens, registradas em uma escola australiana, o jovem Casey Heynes, estudante de 15 anos que era constantemente agredido pelos colegas, se rebela durante mais um momento de humilhação, e parte para cima de um de seus agressores. Logo após sua primeira veiculação na mídia, o vídeo apresentou enorme quantidade de acessos, ganhando destaque na imprensa mundial.
Figura 2 – Cena do primeiro vídeo apresentado durante pesquisa de campo. Crédito da foto: Site YouTube
O segundo vídeo1, realizado por estudantes do Ensino Médio do colégio La Salle de Brasília, apresenta, através de uma forte letra de rap2, as angústias sofridas por uma vítima de
bullying. Tendo como pano de fundo, cenas fictícias representadas por jovens do próprio
colégio, o vídeo conta com criação total por parte dos estudantes: da elaboração da música até a encenação, incluindo montagem e divulgação do material. Sua finalidade inicial seria compor a Mostra Cultural La Salle 2011, hoje também é utilizado como ponto reflexivo sobre a prática do bullying.
1 Extraído da página virtual: http://www.youtube.com/watch?v=hcLzluP4FUs. 2 Transcrita no Apêndice G desta pesquisa.
Figura 3 – Cena do segundo vídeo apresentado durante pesquisa de campo. Crédito da foto: Site YouTube
O terceiro material audiovisual1 foi elaborado por três meninas de uma turma de 6ª série, como exigência avaliativa da disciplina ciências. O vídeo, realizado através da técnica de stop motion com utilização de plasticina, foi todo captado por meio de um smartphone Nokia N80. Não há diálogos em cena, apenas música instrumental ao fundo.
Figura 4 – Cena do terceiro vídeo apresentado durante pesquisa de campo.
Crédito da foto: Site YouTube
As três produções, embora possam ser encontradas nos endereços eletrônicos indicados, fazem parte desta pesquisa e constam no DVD anexo.