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7.3 Two phase flow

7.3.3 Pressure drop

Bardin (2011. p.125-132) pressupõe diferentes fases na organização da análise de conteúdo, sendo estas: a pré-análise, a exploração do material e o tratamento dos resultados obtidos e interpretação.

 Pré-análise: esta primeira fase possui três missões: a escolha dos documentos a serem submetidos à análise, a formulação das hipóteses e dos objetivos e a elaboração de indicadores que fundamentem a interpretação final. Inicia-se o trabalho escolhendo os documentos a serem analisados. O primeiro contato com os documentos se constitui no que Bardin chama de "leitura flutuante". É a leitura em que surgem hipóteses ou questões norteadoras, em função de teorias conhecidas. O objetivo geral da pesquisa é sua finalidade maior, de acordo com o quadro teórico que embasa o conhecimento. Após a leitura flutuante deve-se escolher índices, que surgirão das questões norteadoras ou das hipóteses, e organizá-los em indicadores.

 Exploração do material: esta etapa mais longa e cansativa, consiste essencialmente em operações de codificação, decomposição ou enumeração, em função de regras previamente formuladas. A codificação, momento em que os dados brutos são transformados de forma organizada e agregadas em unidades, as quais permitem uma descrição das características pertinentes do conteúdo, compreende a escolha de unidades de registro, a seleção de regras de contagem e a escolha de categorias. A unidade de registro é a unidade de significação a codificar. Pode ser o tema, palavra ou frase. Recorta-se o texto em função da unidade de registro.

 Tratamento dos resultados obtidos e interpretação: nesta etapa os resultados brutos são tratados de maneira a serem significativos e válidos. Operações estatísticas simples (percentagens), ou mais complexas (análise fatorial), permitem estabelecer quadros de resultados, diagramas, figuras e modelos, os quais condensam e põem em relevo as informações fornecidas pela análise. O analista, tendo à sua disposição resultados significativos e fiéis, pode então propor inferências e adiantar interpretações a propósito dos objetivos previstos. A inferência se orienta por diversos polos de atenção, que são os polos de atração da comunicação. Numa comunicação há sempre o emissor e o receptor, os polos de inferência propriamente ditos, além da mensagem e o seu suporte, ou canal. Durante a interpretação dos dados, é preciso voltar atentamente aos marcos teóricos, pertinentes à investigação, pois eles dão o embasamento e as perspectivas significativas para o estudo. A relação entre os dados obtidos e a fundamentação teórica é que dará sentido à interpretação.

As interpretações a que levam as inferências serão sempre no sentido de buscar o que se esconde sob a aparente realidade, o que significa verdadeiramente o discurso enunciado, o que querem dizer, em profundidade, certas afirmações, aparentemente superficiais.

O foco da pesquisa concentrou-se no ensino médio, visto que o público jovem encontra-se matriculado, em sua maioria, nesse nível escolar. Ao todo sete turmas do primeiro ano diurno participaram da coleta de dados, sendo que o número de estudantes participantes em cada uma variou conforme representa a tabela a seguir:

Turmas Número de estudantes participantes

Turma I 21 Turma II 13 Turma III 24 Turma IV 24 Turma V 21 Turma VI 18 Turma VII 21 TOTAL 142

Quadro 2 – Quantidade de estudantes entrevistados por turma.

Do total de participantes, o sexo e a idade variaram, sendo a predominância de sexo feminino, conforme representação percentual demonstrada em gráfico já apresentado1, e a idade de quinze anos, como registrado na tabela a seguir:

Idade Quantidade 13 1 14 12 15 61 16 41 17 24 18 1 19 2

Quadro 3 – Idade dos jovens participantes da pesquisa de campo.

1 Constante na página 97, desta pesquisa.

É importante ressaltar que, para análise dos questionários, os dados foram organizados em quatro grupos principais a partir dos objetivos específicos desta pesquisa, visando possibilitar dessa forma, um clareamento sobre os achados a respeito da percepção de estudantes do ensino médio quanto ao bullying, utilizando vídeos como suporte para reflexão, reavaliação e elaboração, buscando possibilidades de mediações socioculturais decorrentes desta experiência.

GRUPO 1

Concepção e experiências relacionadas ao bullying.

O termo bullying hoje em dia é bastante pronunciado em escolas e demais ambientes sociais, porém muitas vezes eles apresentam-se erroneamente associados a fatos e impressões. Muitos estudantes tiveram seus primeiros contatos com a denominação deste tipo específico de violência, através de sua audição em programas televisivos ou em palestras e atividades pontuais realizadas no âmbito escolar, porém sua identificação ainda permanece, em alguns casos, desconhecida por alguns. Referente a esta questão, o ponto a ser compreendido é o que os estudantes entendem por bullying, suas impressões sobre a prática deste fenômeno e ainda, suas experiências como praticantes ou vítimas deste tipo de coação e constrangimento entre pares.

GRUPO 2

Entendimento do termo prevenção.

Antes de buscar a opinião dos entrevistados sobre a validade de determinada prática ser ou não preventiva, é preciso reconhecer o que eles pensam ser prevenção. Nesta categoria, procura-se, portanto, reconhecer a ideia que os jovens estudantes têm sobre o que significaria e o que abrangeria, de modo geral, este termo.

GRUPO 3

Experiência de produção.

Esta categoria compõe-se da sondagem, junto aos jovens entrevistados, de suas participações em produções de vídeos diversos, seja no âmbito educacional ou não, buscando suas impressões sobre suas atuações neste tipo de realização.

GRUPO 4

Percepção do bullying a partir da apreciação de vídeos.

Durante a coleta de dados, três vídeos, tidos como informativos a respeito do

bullying, foram exibidos aos estudantes. Busca-se entender, nessa categoria, a diversidade

das mensagens recebidas pelos jovens a partir da exibição destes vídeos, ou seja, que pontos lhes pareceram chamar mais atenção nestas apresentações, buscando identificar as ideias e reflexões geradas a partir de suas exibições e a validação destes como sensibilização e prevenção ao bullying.

Foi realizado cruzamento entre as visões acerca das categorias e, por fim, cruzamento dos estudos de caso com o referencial teórico coletado por meio da pesquisa bibliográfica. Essa análise foi fundamental para se obter uma visão mais ampla dos fenômenos estudados e verificar se aquilo que foi encontrado na literatura manifestou-se em campo. O principal objetivo dos estudos de caso era perceber que tipos de reações os vídeos informativos tidos como preventivos ao bullying causariam nos entrevistados e ainda, que reflexões geradas a partir de suas observações, estes levariam para suas vidas.

Para organizar, compreender, arquivar e melhor buscar as respostas abertas dos entrevistados, foi utilizada uma codificação específica que determina, em sua representação sequencial: a turma do estudante em ordem de coleta de dados, uma ordenação nesta que o distinguirá dos demais, seu sexo e sua idade.

A citação acima especifica que se trata de um estudante integrante da segunda turma de coleta, o nono dentro desta turma (ordem especificada de maneira aleatória), sendo do sexo masculino e tendo quinze anos de idade. Em outro exemplo, ao citar outro estudante pelo código III-XX-F17, nos é informado que se trata de uma integrante da terceira turma de coleta, sendo a vigésima em uma ordem aleatória, do sexo feminino e tendo dezessete anos de idade.