5.3 Two phase flow results
5.3.2 Condensation heat transfer - Methane-100
Muitas afirmações contestadas por pesquisadores do assunto, passaram a compor, nos últimos anos, a literatura acerca do bullying. Da pregação de que sua prática seja salutar para a formação do indivíduo até a veemência da crença de que podemos acabar com este tipo de
violência nas escolas, muitas ideias tidas como verdadeiras passaram a ser discutidas, discordadas e até repudiadas. Algumas pesquisadas e negadas por pesquisadores da área, figuram em citações a seguir:
“Bullying faz parte do crescimento, trata-se apenas de uma brincadeira de
criança”. Sobre essa ideia, muito se tem falado e debatido. Machucar, ferir, agredir, humilhar
um igual de maneira repetida, causando sofrimento e dor, não é algo a ser considerado como brincadeira, seria isso se todas as partes se divertissem, se não houvesse a intenção do ferir, se não ocorressem maus-tratos. Enquanto muitos encararem esse tipo de agressão como iniciação à socialização, como diversão, como fato corriqueiro, brechas se abrirão para que mais e mais crianças e jovens sofram nas mãos dos bullies, sem que providências sejam tomadas.
Bom humor e brincadeiras são comuns na infância e na juventude e devem estar presente em nossas vidas, mas a linha divisória entre as atitudes dessa natureza e o bullying por vezes é tênue. Um costume infeliz, ao ser ignorado e desvalorizado, torna-se um hábito desastroso. Obstar esse hábito exige conhecimento do fenômeno e do perfil dos personagens envolvidos. (CHALITA, 2008, p.85).
“Bullying é um problema escolar, os professores é que devem tratar disso”. Embora para ser considerado bullying a agressão deva ter partido do convívio entre iguais, no ambiente escolar, a orientação, a estruturação, a prevenção não tem a escola como única nesta função. Se pensarmos na intolerância, no desrespeito, na crueldade desses atos, perceberemos a ausência de virtudes, de conceitos positivos na formação de quem causa esse tipo de sofrimento. A educação, base de um indivíduo, é fruto de seu convívio, de sua integração familiar.
A escritora americana especialista em bullying e autora do livro ―Queen Bees and
Wannabes”, Rosalind Wiseman, apontou, em entrevista concedida à revista Veja, os pais, em
suas atitudes, como cúmplices dos bullies:
Enxergo um aspecto positivo na atual geração, que vive em busca de relações mais abertas, francas e afetivas com seus filhos. Querem contrapor- se aos próprios pais, bem mais distantes e rígidos [...] Em muitos dos lares, por assim dizer, modernos, no lugar de noções básicas de hierarquia e limites, o que as crianças e adolescentes acabam obtendo dos pais é apoio incondicional, quando não conivência — inclusive para com os maus modos e os eventuais episódios de agressão que protagonizam fora de casa [...] Muitos pais acabam não apenas agindo como cúmplices juvenis de seus filhos como também dando o mau exemplo em casa. Depois de tantos anos nesse campo, estou convencida de que tratar mal o outro, tentando se sobrepor à base da força e do medo, não é apenas um instinto humano, mas também um comportamento cultivado e assimilado socialmente. (WISEMAN, 2012, p.17-21).
“Nós não temos bullying em nossa escola”. É consenso entre os pesquisadores do assunto, a afirmação de que todas as escolas apresentam ocorrência de bullying em seu espaço. O grau de variação pode ser diferente, a forma velada pode camuflar a agressão e o sofrimento, porém, todo ambiente escolar abriga esse tipo de coação entre seus estudantes. Negar-se a isso, é vedar os olhos para que esta prática continue a tomar corpo nas instituições omissas.
Quando se pergunta sobre bullies em uma escola, normalmente a resposta dos professores e funcionários é algo do tipo: ―não temos esse tipo de problema aqui‖, ―crianças podem se desentender ocasionalmente, mas não temos problemas tão graves como bullying‖ [...] mas o que queremos mesmo ouvir é: ―sabemos que o bullying é um problema nacional. Treinamos nossos professores para reconhecer e intervir. Temos um programa antibullying e políticas administrativas para lidar com as situações que surgem. Oferecemos assistência aos pais e fazemos tudo o que está ao nosso alcance para oferecer um ambiente seguro e tranquilo aos alunos em nossa escola‖. Se você acha que não ocorre bullying na escola de seu filho, pergunte a ele. (CARPENTER; FERGUSON, 2011, p. 107-108).
“Bullying é coisa de menino”. Não há distinção de gêneros na prática do bullying. Meninos ou meninas, todos estão sujeitos a este tipo de agressão. O bullying entre meninos costuma ser mais visível, percebido, geralmente contando com agressões físicas e intimidações. Já entre as meninas, tudo é um pouco mais sutil, velado, porém não menos cruel, onde através de olhares, comentários maldosos, exclusão, difamação, as vítimas sentem-se hostilizadas. Durante pesquisa de campo realizada para subsidiar esta dissertação, foi perguntado a sessenta e nove estudantes do sexo masculino e a sessenta e nove estudantes do sexo feminino, se eles já haviam sofrido bullying. O resultado foi que 68% das meninas afirmaram já terem sido vítimas de bullying, enquanto que 53% dos meninos alegaram o mesmo.
As meninas geralmente atacam dentro de seu círculo de amizades, o que vela ainda mais a presença do comportamento agressivo entre elas.
As meninas usam a maledicência, a exclusão, a fofoca, apelidos maldosos e manipulações para infligir sofrimento psicológico nas vítimas [...] Para se esquivarem da desaprovação social, as meninas se escondem sob uma fachada de doçura para se magoarem mutuamente em segredo. Elas passam olhares dissimulados e bilhetes, manipulam silenciosamente o tempo todo, encurralam-se nos corredores, dão as costas, cochicham e sorriem. Esses atos, cuja intenção é evitar serem desmascaradas e punidas, são epidêmicos em ambientes de classe média, em que as regras de feminilidade são mais rígidas (SIMMONS, 2004, p. 11-33).
Estudos e pesquisas vêm cada vez mais revelando inverdades presentes em falácias populares a respeito do bullying. Costumeiramente ouvimos a exclamação de que ―agora tudo é bullying‖, porém com a desconstrução de ideias errôneas a respeito deste tipo de agressão, veremos que na verdade o correto seria afirmar que ―agora a tudo classificam erroneamente como sendo bullying‖. Desvelar essas falsas afirmativas é contribuir substancialmente para o entendimento real deste tipo de violência e, consequentemente, para uma criação mais eficiente de programas preventivos e ações de intervenção e combate a esta ofensiva.
3.4. BREVE HISTÓRICO SOBRE OCORRÊNCIAS DE BULLYING NO BRASIL E