2. UTVIKLINGSPROSJEKTENE, UNGDOMMENE OG RESULTATER
2.2 U TSATTE UNGDOMMER – HVEM ER DE ?
Com a Guerra Colonial e a consequente independência das colónias portuguesas, milhares de portugue- ses que viviam nas colónias viram-se obrigados a regressar com as suas famílias ao seu país de origem. De um momento para o outro, Angola, por exemplo, deixou de ser uma terra de sonho, transformando- se num pesadelo para milhares de portugueses vítimas de perseguições que se viram obrigados a voltar, sendo-lhes dado o nome de Retornados (Matos, 2015). Apesar de o nome remeter a “regresso” ou “retorna” muitos já tinham nascido fora do país.
A criação do IARN - o Instituto de Apoio ao Retorno de Nacionais - a 31 de Março de 1975 propunha apoiar os indivíduos ou famílias que hoje residiam ou trabalhavam em “alguns territórios ultramarinos” mas também os emigrantes (Matos, 2015).
A entrada massiva de milhares de refugiados num país saído de uma revolução e com um significativo atraso no que diz respeito à modernização em relação a outros países europeus foi complexo. O pouco apoio por parte do governo português foi compensado pelo regresso às cidades de origem dos refugiados que obtiveram o auxilio necessário nas suas famílias onde conseguiram - com a ajuda destas - refazer a sua vida (Lourenço, 2018).
Por outro lado, os que não tinham família que os pudesse acolher foram alojados em hotéis e pensões disponibilizados para esse mesmo propósito por parte do Instituto de Apoio ao Retorno de Nacionais. Na publicação de Júlia Cardoso na revista Intervenção Social nº 23 “Retornados e IARN: Um Experimento no Rumo de um Estado Providência em Portugal”, enuncia as medidas de assistência e apoio aos Retor- nados pelo IARN (2001; 23: 145).
• Subsídios de emergência à chegada, destinados a garantir a manutenção do agregado familiar durante o primeiro mês de estadia em Portugal;
• Benefícios compreendidos no esquema geral da previdência social e subsídios de desemprego; • Auxílios pecuniários destinados à integração social - subsídios destinados ao pagamento de dois
meses de renda de casa, para pequenas reparações em casa própria ou cedida, para aquisição de mobiliário e utensílios domésticos essenciais;
• Subsídios mensais de ação social escolar e bolsas de estudo para alunos do ensino superior; • Apoio à emigração, através do pagamento de passagens ao retornado (e família) que provasse ter
• Transportes e desembaraço de viaturas e bagagens;
• Alojamento e alimentação concedidos, a titulo provisório, em unidades hoteleiras ou similares. No final de dezembro de 1976, encontravam-se alojados a expensas do IARN 71,658 indivíduos em Centros de Alojamento Coletivo, hotéis, pensões e alojamentos particulares espalhados por todo o país (1,547 alojamentos).
Este processo não foi simples uma vez que grande parte dos Retornados chegou a Portugal com pou- quíssimos bens tratando-se em alguns casos apenas da própria roupa (Simões, 2015). Os bens de mui- tos foram depositados perto do Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa, trazidos em contentores e aban- donados na cidade (Simões, 2015).
Apesar de se tratar de portugueses, a falta de apoio resultou num sentimento de abandono e de uma alegada tensão entre os Retornados e os habitantes portugueses que os viam como “privilegiados” uma vez que, apesar de poucos, recebiam apoios (Lourenço, 2018).
Por razões como estas, muitos optaram por se deslocar para o interior do país, onde se conseguiram resguardar dos sentimentos mais hostis e se sentiram mais protegidos pois tinham um maior apoio por parte da sua família Oliveira, 2008). Do mesmo modo, o apoio da Igreja Católica na integração dos mesmos foi fundamental nas zonas rurais.
Por outro lado, os colonos com mais posses eram a favor da colonização; pensamento este que era contrário aos valores democráticos que o país agora defendia (Lourenço, 2018).
As opiniões não são similares no caso dos Retornados. Se muitos ressaltam a falta de apoio por parte do Estado e o preconceito existente por parte da população em relação aos Retornados, o empresário Alexandre Relvas, nascido em Luanda, considera este, um dos “momentos mais extraordinários da his- tória portuguesa do século passado, a capacidade de integrar 500 mil pessoas que chegam em poucos meses” (Almeida, 2014). Nesta linha de pensamento, o empresário considera que a integração dos retornados correu tão bem “que não é suficientemente valorizado, a sociedade portuguesa não valoriza essa capacidade enorme que teve” (Almeida, 2014).
Na reportagem “Retornados Uma história de sucesso por contar” de São José Almeida no Público, Relvas salienta ainda a generosidade da sociedade portuguesa e o bom papel desempenhado pelo Estado que,
em conjunto com a força de vontade e conhecimentos trazidos pelos refugiados, tornaram possível uma integração rápida e bem sucedida (Almeida, 2014).
Três fatores adicionais facilitaram a integração sendo estes as relações familiares mantidas com Portugal ainda quando estavam nas colónias que facilitou o processo de adaptação ao país assim como a suprir algumas necessidades; a necessidade de mão-de-obra qualificada para diversos trabalhos, algo que es- tava em falta em Portugal e, em terceiro lugar, os mecanismos informais de regulação social dando a oportunidade de revitalizar as atividades empresariais e industriais (Sousa, 1999).
Apesar destas duas linhas de pensamento serem distintas em relação ao sucesso do acolhimento dos Retornados, este foi sem duvida um marco na história do século XX em Portugal.
Ao mesmo tempo que Portugal acolhia os refugiados vindos das ex-colónias, uma onda de emigração iniciava-se motivada pela falta de oportunidades e dificuldades a nível financeiro da população portuguesa (Marques e Góis, 2014; Pinho 2013).
À medida em que saíam portugueses do país, um fluxo migratório iniciava-se nos anos 80, transformando Portugal num país de acolhimento de imigrantes vindos principalmente dos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) e de alguns países da Europa tornando simultaneamente Portugal num país de emigrantes e imigrantes (Sousa, 1999).