4. PRESENTASJON AV EMPIRI OG TOLKNING AV EMPIRI
4.4 Deltakelsen i ICDP programmet
4.4.1 Trygghet og erfaringsdeling
30 A rigor, dando conseqüência à inspiração marxiana, após expor os fundamentos que nortearão o trabalho de pesquisa no sentido de ―captar detalhadamente a matéria, analisar as suas formas de evolução e rastrear sua conexão íntima‖ (MARX, 1974:13), cabe, agora, o desafio de ―expor adequadamente o movimento do real‖ (Idem), trabalhando o método de exposição. E, neste percurso, chegamos a estruturação ora apresentada em seis capítulos numa seqüência que visa melhor expor a dinâmica do nosso estudo sobre as metamorfoses do trabalho bancário no Banco do Brasil, investigando a dinâmica do mito da Responsabilidade Socioempresarial, a partir da experiência da ―cidadania empresarial‖ do Banco do Brasil.
No segundo CAPÍTULO, intentaremos um resgate da reestruturação bancária de 1990 a 2009, enfocando o Banco do Brasil. Neste capítulo, será salientada a expansão quase ilimitada do setor bancário nacional, com sua tendência à centralização e concentração do capital rentista. A partir daí, retomamos, como marco histórico, a Reforma Bancária de 1964, fato este que marcaria a fundação do Banco Central do Brasil, absorvendo inúmeras atribuições antes desempenhadas pelo do Banco do Brasil. Tal absorção de tarefas pelo Banco Central, de fato, celebrava a condução do BB aos imperativos do mercado, afastando-o de suas prerrogativas de Banco público- governamental. Esta crescente aproximação do BB à concorrência intercapitalista financeira, ficaria ainda mais explícita com o fim da Conta Movimento, mantida entre o Banco Central e o Banco do Brasil, até 1986. No entanto, esta transfiguração do Banco atingiria seu momento predominante com a reestruturação técnico-organizacional da instituição, em meados dos anos noventa do século passado. A ―era FHC‖ (1995-2002) foi decisiva para configurar o Banco do Brasil como―Banco ágil, enxuto e lucrativo‖, bem assemelhado aos seus pares da concorrência privada. A retirada do Banco do Brasil do Conselho Monetário Nacional expressaria a sentença da subsunção do BB à lógica do capital rentista global, distanciando-o de seus antigos atributos de Banco público-estatal. Evidentemente que essas transfigurações do Banco implicariam numa ruptura identitária do BB para com os seus funcionários, implicando numa série de novas exigências para o trabalhador bancário desta instituição. Dessa dinâmica de metamorfoses no âmbito institucional, emergem as primeiras elaborações sobre a Responsabilidade Social do Banco
31 do Brasil. Posteriormente, já no primeiro Governo Lula, essa nomenclatura é rebatizada de Responsabilidade Socioambiental (RSA), disseminando-se por todas as áreas da instituição.
No terceiro CAPÍTULO enfocaremos a contradição central do metabolismo capital e seus desdobramentos manifestados em termos de crise estrutural. Com efeito, trabalharemos as categorias centrais da análise marxiana, desde o Manifesto do Partido Comunista até os Grundrisse, passando pelas abordagens de O Capital, sobretudo, no que se refere à tendência de transnacionalização do capital e de incremento do trabalho morto. Assim, será imprescindível expor as principais conexões entre o capital produtivo e o capital rentista. Remontaremos, para tanto, assunção do equivalente geral das trocas, à condição de capital dinheiro, objetivando demonstrar sua importância para a dominação abstrata e impessoal atinente à ordem capitalista.
Caberão às nossas pretensões investigativas desvendar a relação existente entre os processos de mundialização do capital e financeirização da economia, com reflexos sobre a dinâmica hodierna do capital financeiro global e da expansão da riqueza abstrata como partes de uma totalidade complexa e indecifrável observando-se, apenas, seus aspectos fenomênicos. Tentaremos explicar que tal dinâmica está relacionada com a intensa incorporação de novas tecnologias no âmbito do capital produtivo, sendo captada, de forma análoga, nos desdobramentos dos ciclos ―encurtados‖ de acumulação do capital rentista. Inegavelmente, estes processos de renovação do capital repercutem sobre as relações sociais, refletindo deleteriamente, em especial, sobre as classes trabalhadoras em face da expansão do contingente da força-de-trabalho crescentemente supérflua. Na verdade, com a intensidade da reprodução do capital, há, indubitavelmente, um processo de desmercantilização da força-de-trabalho, tornando-a crescentemente redundante na dinâmica da produção da riqueza em geral.
Neste sentido, no cenário contemporâneo, tais desdobramentos são reflexos do metabolismo do capital sobre a dinâmica do Estado capitalista, subordinando-o aos imperativos do capital financeiro como suporte para a garantia do ―equilíbrio‖ sistêmico. Nas economias periféricas, tal subsunção tem reflexos ainda catastróficos, pois se tenta conter a contradição entre o sistema financeiro e sua base monetária, a partir da atuação dos Bancos Centrais, seguindo as recomendações dos ditos órgãos multilaterais. Assim, na periferia, em quase todos os momentos, são necessárias taxas de juros elevadas, em virtude
32 da necessidade de atrair capitais voláteis em nome do equilíbrio das contas públicas. As exigências dos investidores internacionais, levadas a cabo na maioria das vezes pela atuação do Fundo Monetário Internacional, tornam-se progressivamente incisivas, objetivando a garantia de seus reembolsos. Com efeito, as dívidas contraídas a partir da promessa de pagamento por apropriações de parcelas da mais-valia a ser produzida são monitoradas periodicamente, por exemplo, aferindo-se o montante acumulado em termos do superávit primário. Estas formas de financiamento das dívidas, quase sempre, limitam a capacidade de investimentos sociais dos Países periféricos, contribuindo para o alargamento da vala comum dos indigentes do capital.
Por fim, neste capítulo, trataremos sumariamente das contemporâneas concepções sobre o mundo do trabalho atual, sobretudo, enfocando o debate inspirado a partir da concepção marxista. Neste sentido, serão apresentadas as posições de alguns autores de indiscutível projeção dentro das ciências sociais, tais como: Ricardo Antunes, Claus Offe, André Gorz, Mészáros, Moishe Postone, Teixeira, Manfredo de Oliveira, Giovanni Alves e Robert Kurz. A rigor, objetivando realizar tal tarefa, foram selecionadas algumas abordagens acerca da centralidade - ou não - da categoria trabalho. Neste sentido, os diálogos se darão em torno de alguns dos segmentos do pensamento sociológico atual, tentando delimitar as possíveis dissonâncias e convergências entre tais reflexões, com intuito de resgatar a atualidade das idéias sobre os sentidos do trabalho na contemporaneidade, na busca de pistas analíticas para pensar o ―concreto‖ das metamorfoses do cotidiano laboral no Banco do Brasil, apreendendo, posteriormente, como ―concreto pensado‖.
Encerrando este capítulo, cuja expressão é eminentemente teórica, faremos um resgate da reestruturação produtiva atinente ao modo de produção do capital, tentando identificar os seus fundamentos lógico-históricos, à luz da contribuição de Marx e de autores inspirados em sua obra. Aportaremos, em seguida, na sociedade capitalista plenamente desenvolvida do ponto de vista tecnológico, em que há uma tentativa de captura da subjetividade do trabalhador em termos de ―colaboração‖ entre os pares opostos. Nessas circunstâncias, o trabalhador compulsoriamente é convocado para compor ―parceria‖ com o capital. Em primeiro lugar, porque ele é um componente da produção, agora, bem mais facilmente monitorado e substituído do que outrora. Em segundo lugar, pelo ―interesse
33 mútuo‖ no qual convergem patrão e empregado, nas dinâmicas da concorrência intercapitalista, com o propósito de assegurar a ―sobrevivência da empresa‖ e dos postos de trabalho. Certamente, o sistema do capital, em sua dinâmica de dominação abstrata, imprime uma contínua dosagem de ―impessoalidade‖, obstaculizando deveras a identificação dos considerados ―inimigos‖ a priori entre as classes sociais historicamente em litígio.
No quarto CAPÍTULO trabalharemos os fundamentos teóricos inspiradores da análise, com especial enfoque para a crescente subsunção subjetiva do trabalhador ante aos imperativos do capital. É, a discussão teórica de fundo tendo como eixo à análise da relação capital X trabalho nos circuitos do avanço tecnológico. Para tanto, partimos da configuração do cenário macro do nosso estudo, qual seja a reestruturação produtiva global e a financeirização econômica como respostas contratendenciais à crise estrutural do metabolismo do capital. Nesta direção analítica, desenvolveremos uma reflexão crítica acerca da contemporaneidade, à luz das concepções sobre o trabalho e uma abordagem analítica sobre as novas configurações da esfera política tradicional em meio à reestruturação produtiva nos circuitos contemporâneos.
Trazendo o enfoque para o nosso objeto de estudo, discutiremos a nova configuração da relação capital e trabalho no setor bancário, sob os imperativos da automação, desnudando as conseqüências sociais do avanço tecnológico no universo bancário, com a crescente tendência de substituição do trabalho vivo pelo trabalho morto na esfera do capital rentista. Finalmente, com inspiração em Marx, faremos neste capítulo uma elaboração lógico-histórica do progresso tecnológico na produção, conferindo um novo saber-fazer ao trabalhador, crescentemente submetido à dinâmica da qualificação- desqualificante. Tal dinâmica da qualificação-desqualificante, é absorvida pelo setor bancário, enquanto expressão da subsunção real do trabalho vivo ao capital, em meio a uma tendência de transnacionalização/financeirização econômica global, orientada pela dominação do capital financeiro.
No quinto CAPÍTULO, trataremos do fenômeno da responsabilidade socioempresarial como trincheira ideológica para fins de legitimação do metabolismo do capital, convertendo às empresas como atores centrais para a promoção do bem comum por meio de suas estratégias de intervenção social privada. Assim, o discurso da
34 responsabilidade social privada tem como fundamento potencializar a hegemonia dos imperativos do mercado. Com efeito, não há, em suas determinações, como se contrapor à assertiva que o homem é um ser naturalmente individualista e averso à solidariedade social. Em tal contexto, não existe outra possibilidade de socialização que não seja mediada pela concorrência e pelo lucro privado. Neste cenário, as pessoas individualmente se projetam como protagonistas individuais de seus destinos, mobilizadas numa espécie de Sociedade Civil amorfa em que inexiste atividade política ativa. Emergem, então, as ações sociais do empresariado como formas de minimizar as assimetrias da acumulação capitalista, ou seja, iniciativas de apoio social aos ―perdedores‖ do jogo impessoal do mercado.
Neste capítulo, trataremos das estratégias e dos fundamentos da ação social privada e de como ela se configura como uma extensão do projeto neoliberal, pois traz em si a orientação da ineficácia do Estado como gestor de políticas públicas. Neste sentido, a concepção da ―responsabilidade socioempresarial ‖ se torna refratária à proposta contra- hegemônica de resistência às determinações mercadológicas. O trabalho voluntário dos ―colaboradores‖ assume um sentido missionário na perspectiva da intervenção social privada, vez que com a redução do Estado a mero garantidor do contrato social e da propriedade, caberá aos ―concidadãos‖ a proteção assistencial dos socialmente incapazes de inserção no reino das mercadorias. Cabe salientar, portanto, que o olhar da ―responsabilidade socioempresarial ‖ está marcado pela mendicância e a comiseração, posto que considera os desassistidos - imersos na vala da comum da contabilidade social – cidadãos de segunda classe, incapazes de alçar à constelação mágica do universo das mercadorias. Com efeito, fica inviabilizada uma proposição nos termos de uma esfera legitimamente pública, sobretudo, pelo repúdio do empresariado às mediações democráticas com a sociedade e com o Estado.
Como parte da estratégia de legitimação do discurso da ―responsabilidade socioempresarial ‖, está o esvaziamento crítico de categorias como solidariedade, cidadania, Estado e Sociedade Civil. Neste capítulo teremos a oportunidade de esboçar quais são as trilhas percorridas para o embotamento desses conceitos, sobretudo, no que diz respeito às conotações assumidas pelo termo ―sociedade civil‖. À luz de autores que já se debruçaram sobre esse tema, estabeleceremos um diálogo teórico com o propósito de desobstruir o sentido originalmente conferido por Gramsci à Sociedade Civil e em que
35 sentido tal categoria ainda é prenhe de significados ante as novas determinações do metabolismo do capital.
Por fim, neste capítulo faremos uma retrospectiva da intervenção social privada no Brasil, apontando suas primeiras iniciativas de aporte filantrópico situadas ainda no início do século passado. Para adentrar nas estratégias desenvolvidas no âmbito das ações sociais do incipiente empresariado da República Velha, em que a questão social era tratada como um ―caso de polícia‖, segundo a famosa declaração do presidente Washington Luís (1926-30). Depois realizaremos uma retrospectiva da iniciativa social privada no Brasil na nova república, marcada pela fundação do SESI, organismo de apoio aos trabalhadores da indústria e às comunidades carentes, e pelo estabelecimento da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Chegaremos à sofisticação das iniciativas sociais do empresariado brasileiro na contemporaneidade sob a forma dos programas de ―responsabilidade social‖ das empresas.
No sexto CAPÍTULO, nossa investida analítica centrar-se-á no desfecho representado na tessitura entre os dados empíricos da pesquisa e as bases teóricas tratadas até então. Será a materialização do esforço de construção do ―concreto pensado‖. Assim, traremos a público as ―vozes dos atores em cena‖, interpretando-as á luz de categorias teóricas críticas. Cabe salientar, que neste capítulo discutiremos as questões-chave relacionadas com a transfiguração do Banco do Brasil, a partir da reestruturação técnico- organizacional vivenciada pela instituição nos anos noventa do século passado. Em seguida, trabalharemos as determinações do projeto de Responsabilidade Socioambiental do Banco do Brasil, sobretudo, a partir do início do presente século, num contexto em que inúmeras tarefas e atividades do trabalho bancário foram absorvidas pelo maquinário, impondo um novo saber-fazer, inegavelmente, simplificado e intensificado, com ênfase na lucratividade do capital rentista. Tentaremos, de fato, realizar um ―retrato‖ abrangente do Banco do Brasil e de seus projetos de intervenção social na atualidade, tecendo a aproximação da problemática teórica com o movimento do real, numa dinâmica do abstrato para o concreto. Cremos ser relevante apontar as tendências para o futuro, especificamente, à luz do projeto de Desenvolvimento Regional Sustentável do Banco do Brasil. E, em última instância, faremos um esforço para indicar as tendências do próprio ―trabalho‖ no universo bancário.
36 Em verdade, em nossa tese, partimos de uma discussão de fundo: o Banco do Brasil, em sua identidade histórica de patrimônio nacional, constituído como um agente singular para o desenvolvimento socioeconômico do País e com destacado status na sociedade. Esta demarcação constitui referência-chave para analisar o processo de mutações do Banco do Brasil, emergente da reestruturação bancária, sobretudo, a partir de meados dos anos noventa do século passado. Nesta incursão analítica, trabalharemos a reviravolta institucional do Banco engendrada pelas novas determinações do capital e pelos direcionamentos políticos, com ênfase na hegemonia da concepção neoliberal predominante no poder público brasileiro pelo menos nas últimas duas décadas. Tais metamorfoses, marcadas pelo desemprego e pela precarização do trabalho bancário, têm como contraponto da empresa as ações de ―responsabilidade social‖ voltadas para a ―valorização‖ do ―público interno‖ por meio dos programas que focam na ―Qualidade de Vida‖ dos Funcionários (QVT). E, tomando por base tais mutações, enfocaremos o ―novo‖ Banco do Brasil, marcado por um inovado saber-fazer, com destaque para a atualização do perfil exigido do funcionário do Banco, cujas reconfigurações tentam convergir a necessidade de retroalimentação do lucro rentista com a pretensa responsabilidade socioambiental da instituição, com destaque para o projeto de DRS do BB, numa dinâmica que batizamos adiante de tentativa de engendramento do ―Banco híbrido‖. Nas considerações finais, caberá a reflexão sobre o futuro do bancário do Banco do Brasil, abordando crise, dilemas e horizontes, abrindo, assim, perspectivas para novas investigações.
37 CAPÍTULO 2 : O NOVO MUNDO DO TRABALHO NO BANCO DO BRASIL: UM RESGATE DA REESTRUTURAÇÃO BANCÁRIA DE 1990 A 2009
“Todas as dores são suportáveis, quando fazemos delas uma história ou contamos uma história ao seu respeito” Hannah Arendt
2.1 A CONSTITUIÇÃO ESTRUTURAL DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL: