5. DRØFTING AV EMPIRI OG TOLKNING AV EMPIRI
5.2 Kulturelle likheter og ulikheter innen syn på barn og barneoppdragelse
5.2.3.1 Foreldres bruk av fysisk avstraffelse og forventninger
Neste tópico, realizamosuma discussão de alguns elementos presentes na reestruturação bancária levada a cabo pelo Banco do Brasil no período assinalados51. Deste
51 Na verdade, esse tema já redundou em diversos trabalhos científicos, aos quais recorremos, quando possível, em busca de subsídios. De fato, pode-se citar, com especialidade, dentre esses trabalhos, a dissertação de Osterne Maia, ―O BB em Berço Esplêndido: Implicações da Qualidade Total na Formação do Trabalhado Bancário‖; o trabalho monográfico de Eduardo Machado, ―Reestruturação Produtiva e Neoliberalismo: os novos bancários e a práxis sindical no Banco do Brasil‖; e a Tese de Doutorado de Lea Carvalho Rodrigues, intitulada ―Banco do Brasil: Crise de uma Empresa Estatal no Contexto do Estado Brasileiro‖.
70 modo, selecionamos alguns pontos para análise, tais como: os programas de reestruturação do BB e as diferentes visões do processo de ―reestruturação estrutural‖ dentro do Banco. Assim, consideramos, basicamente, duas perspectivas presentes no âmbito da instituição: o segmento gerencial – reprodutor do discurso oficial da empresa – e o segmento dos postos efetivos – massa de bancários que, de fato, sofreram as piores agruras deste processo.
Analisando o retrospecto do Sistema Financeiro Nacional concluímos que a inserção das novas formas de gestão e dos avanços tecnológico se deram de forma diferenciada nos diversos bancos, com a proeminência inicial dos bancos privados. Na realidade, no âmbito da automação bancária, ficou patente a posição de vanguarda dos grandes bancos privados quanto à absorção dos primeiros avanços micro-eletrônicos. E, à procura de um suposto equilíbrio tecnológico, o segmento bancário oficial deu partida para uma verdadeira corrida em busca da automação. No início da década de noventa, sucederam-se diversos programas cujos objetivos estavam inter-relacionados com uma ―modernização‖ dos bancos públicos. Na década de oitenta, ainda no governo Sarney, já se ensaiavam as primeiras medidas no sentido de ―assemelhar‖ os bancos oficiais aos bancos privados. Tais medidas iriam deflagrar mudanças significativas na estrutura do Banco do Brasil.
Seguiram-se planos de reestruturações técnico-organizacionais no Banco, cujo eixo primordial era a adaptação do funcionalismo às novas exigências mercadológicas. Nesta perspectiva, ressaltava-se, como uma das teses centrais a própria necessidade de um ―novo banco‖, cuja feição seria típica de uma instituição de caráter privado. Assim, surgem, no contexto do Banco do Brasil programas de ―Qualidade Total‖ e de ―Adaptação a nova Profissionalização‖.
A nova postura ―estratégica‖ do funcionalismo, exigia que a solidariedade social - outrora existente no seio da corporação - desse lugar à concorrência intrafirma pelos postos de destaque. E, não somente isso foi valorizado, em termos de cultura institucional, mas houve um incentivo à redefinição dos significados compartilhados, até então, pela maioria do funcionalismo do Banco do Brasil. Assim, o funcionário de um banco público era, antes, bem mais próximo de um prestador de serviços do Estado do que propriamente de um bancário-vendedor típico de banco privado. Nesta perspectiva de ajustes neoliberais, havia uma clara demanda para que os bancários oficiais deixassem de
71 lado a esfera social dos bancos e se detivessem à eficiência mercadológica, viabilizando a expansão da instituição nos marcos da lucratividade.
Resgatando a história recente, verifica-se que, junto com essas inovações de caráter programático, ocorreram duas experiências que iriam singularmente modificar o perfil institucional do Banco do Brasil: primeiro, a contratação de ―novos funcionários‖ concursados, cujos benefícios salariais - diretos e indiretos – eram significativamente menores, comparando-se aos valores dos benefícios do ―antigo funcionário‖. E, segundo, o incremento da terceirização no âmbito do Banco, destacando-se a inserção maciça do estágio remunerado como estratégia de substituição de força-de-trabalho tradicional pela força-de-trabalho adaptada às novas configurações técnico-organizacionais.
As medidas retro citadas objetivavam ampliação da lucratividade, não apenas do Banco e isto ocorreria, mas em quase todas as instituições que se mantiveram no mercado financeiro brasileiro nos anos noventa. No entanto, os riscos assumidos, nessas incursões pelo lucro, não tardariam a revelar suas faces. A rigor, para nossos propósitos, é significativo analisar duas destas faces: o risco de caráter contencioso-jurídico e a conseqüência psico-social para o trabalhador bancário. Vale a pena adiantar alguns pontos inerentes a essas duas dimensões-chave.
O contencioso-jurídico concretizou-se com os programas de reestruturação e a diminuição do quadro funcional. De 1990 a 2003, mais de quarenta mil funcionários foram demitidos do Banco do Brasil, sobrecarregando os funcionários remanescentes. A intensificação do trabalho, bem como as jornadas abusivas, sem que houvesse, em geral, o pagamento das horas-extras, teve como conseqüência um aumento significativo de casos de doenças por estresses e por LER (lesão de esforços repetitivos). Assim, muitos dos ex- funcionários submetidos a essas condições precárias de trabalho, procuraram os meios jurídicos para o ressarcimento de suas perdas econômicas e de saúde.
Na realidade, constataram-se, ainda, nas fiscalizações do Ministério do Trabalho, muitas notificações de irregularidade pelas abusivas jornadas de trabalho do Banco do Brasil. Estas constantes notificações, a partir do final de 1990, redundaram na adoção dos pontos eletrônicos para os funcionários dos bancos públicos como forma de coibir as extrapolações de jornada de trabalho. A rigor, tal decisão não pode ser atribuída a
72 ―benevolência‖ ou preocupação humana das direções dessas empresas e, sim, como respostas às reincidentes multas trabalhistas aplicadas ao Banco.
A essas conseqüências, que bem expressam a intensificação do trabalho no contexto dos programas de reestruturação bancária nos anos noventa, agregam-se riscos jurídicos de indenizações trabalhistas a ex-estagiários. De fato, existem na justiça casos de estagiários que, ao notar o desvirtuamento da lei que regula o estágio por parte do Banco do Brasil, impetram ações no sentido de serem contratados como ―funcionários‖ formais da empresa, requerendo, inclusive, os salários atrasados. Na realidade, não se constatou, até hoje, sucesso em nenhuma dessas ações na justiça do Trabalho, com a efetivação de ex- estagiários como bancários efetivos. No entanto, não se pode simplesmente ignorar o risco potencial de tais reivindicações jurídicas, a partir do real desvirtuamento da lei que regula o estágio, em flagrante precarização do trabalho.
Uma conseqüência importante a ser salientada é de caráter psico-social. Neste campo, enfocamos as conseqüências que atingiam a identidade do ―ser bancário‖ na cultura institucional do Banco do Brasil. São conseqüências que se relacionam à essência do concreto e, como tais, não são visíveis de imediato quando enfocamos a esfera fenomênica. Assim, estão incluídas, dentre as conseqüências institucionais, a perda de sentidos e significados inerentes ao trabalho no Banco do Brasil que se foram deteriorando sob a pressão das políticas que buscavam redefinir a missão dos bancos públicos no âmbito dos ajustes à acumulação rentista.
Com o processo de reestruturação, o ―ser bancário‖ do Banco do Brasilé profundamente golpeado. Cresce cada vez mais a distância entre a antiga identidade ―do ser bancário‖ de uma instituição oficial e a ―qualificação‖ em construção. Na realidade, hoje, a categoria bancária oficial está bem mais próxima dos padrões mercantis do que o anteriormente qualificado servidor bancário. Assim, na nova ordem do capital, com os processos de automação bancária, concretiza-se a transferência do saber e das atividades para as máquinas. Os valores até então acumulados pelo trabalhador bancário. Disseminam- se concepções diferenciadas acerca do Banco e questionamentos quanto à sua missão emergem na cultura institucional, de forma até difusa, levando em conta os diferentes segmentos funcionais da empresa. No funcionalismo mais velho surgem os questionamentos que colocam em xeque todo o saber e experiências acumuladas ao longo
73 dos anos. “De que valeram tantos anos de aprendizado dentro da empresa, uma vez que qualquer pessoa está apta a fazer o que faço?” “Em que medida se encontra minha importância para empresa, posto que muitos colegas com trajetórias semelhantes a minha foram dispensados?” “Como será o meu futuro, tendo em vista a imensa quantidade de novos funcionários e estagiários que podem ocupar minha função?” “Conseguirei me aposentar pelo Banco, uma vez que muitos que preservavam esse sonho foram demitidos já sem a então juventude dedicada à empresa?” São questionamentos a revelar os indícios mais profundos da ―qualificação-desqualificante‖ que atingiu a alma do ―ser-bancário‖.
No segmento dos novos funcionários, muito provavelmente, circulam outras concepções e impressões. De fato, há de se ter em mente que a inserção desse grupo se deu já nos anos noventa, quando a empresa já não incentivava os caminhos da solidariedade entre o funcionalismo; ao contrário, por diversas formas, induzia ao individualismo e à ausência de laços identitários entre os segmentos funcionais, incentivando, na maioria dos casos, a concorrência intrafirma entre eles. É o acirramento da concorrência num cenário de vulnerabilidade do trabalho. Uma dessas expressões, de tal vulnerabilidade, é o rebaixamento salarial, atingindo, sobremaneira, os novos funcionários, fazendo-os ―naturalmente‖ diferenciados: verifica-se a dedução de benefícios salariais tanto em termos de salários diretos como de salários indiretos. A rigor, essa vulnerabilidade do trabalho bancário foi se efetivando num cenário em que o Banco do Brasil, na condição de empresa de economia mista, volta-se bem mais para acumulação de lucros do que para a gerência de políticas públicas. Assim, esses novos bancários, na maioria dos casos, são conformados à lógica mercantil, alienados ao que se relaciona a projetos sociais de desenvolvimento e inclusão. Neste contexto, diferentemente do ―velho funcionário‖, os ―novos‖, certamente, têm uma rede de significados que o levam a pensar o Banco do Brasil de outra maneira. De certo, os questionamentos nesse segmento ―novato‖ configuram-se de forma diferenciada das preocupações do funcionalismo tradicional e, quiçá, muitas vezes, direcionadas em outra perspectiva. Predominam entre os ―novos‖ questões do tipo: ―será que vale o esforço de continuar trabalhando nesse local, uma vez que eu poderia prestar um concurso para outro órgão?‖ ―Quando vão me dar chances de mostrar o que sei?‖ ―Aqui tem tanto velho que não gosta de trabalhar direito, por que não me colocam nesses postos mais avançados?‖ ―Eu tenho muito mais condições de produzir do que essa outra turma, por que não deixam
74 eu provar isso?‖ As novas qualificações entram em confronto com as ―velhas‖, confirmando dramaticamente a desqualificação do trabalho (saber bancário) e a desvalorização da força-de-trabalho (o ser-bancário).
Ainda poderíamos incluir no âmbito das conseqüências institucionais, a situação que circunscreve os segmentos terceirizados. Aqui reafirmamos a tese do ―risco chave para o trabalhador bancário‖, o processo assumido - pelos bancos em geral - em ampliar a terceirização em seus segmentos. Isto golpeia a identidade dos bancários, com a conseqüente desqualificação do―status quo” que atinge, violentamente, os chamados bancários tradicionais que vivenciaram outro universo de trabalho.
Neste cenário de transformação da cultura institucional, cabe especial destaque a discussão das formas diferenciadas de perceber a empresa, por parte dos funcionários mais antigos e por parte dos mais novos. Essa situação causa um constrangimento e um conflito de valores e referenciais dentro do próprio universo de significados do Banco do Brasil. Na realidade, este confronto de visões pode ser traduzido para além de um mero conflito de ―gerações‖. Nesta perspectiva, há de se ressaltar, que está em jogo o próprio futuro da organização dos trabalhadores da empresa. Assim, torna-se fundamental a definição quanto ao caráter que a política governamental pretende conferir ao próprio Banco do Brasil52. A rigor, torna-se imprescindível discutir um dilema básico, qual seja, a
empresa tende a caminhar em função da lógica competitiva e lucrativa; ou existe uma possibilidade de confirmar com um viés de banco social, gerenciador de políticas públicas? Fica a questão: uma vez definida a perspectiva do Banco do Brasil na contemporaneidade, é possível uma unificação de objetivos estratégicos no interior dos dois segmentos funcionais básicos da empresa – o ―novo‖ e o ―velho‖? Com a manutenção desse hiato, não somente conceitual, mas real, entre o ―novo‖ e o ―velho‖ funcionário, há um acentuado risco à organização dos trabalhadores. Vale ressaltar, que, ao se manter essa divisão, no interior da empresa - bancários de primeira e segunda classe -, o horizonte de solidariedade entre a
52 Parece que a tendência dominante atual no Banco do Brasil, ainda está na perspectiva de privilegiar o aspecto do resultado econômico-financeiro, em detrimento de um cumprimento de uma agenda voltada para uma contabilidade social. Para tanto, basta-se comparar o volume de recursos destinados às operações que objetivam a lucratividade ao aporte de recursos destinados aos programas sociais mantidos no âmbito do Banco. Outro fator que confirma essa tendência, é a manutenção da centralidade ao cumprimento de ―metas‖ por parte da maioria funcionalismo da instituição cujo objetivo está relacionado à venda de produtos e serviços do Banco que redundem em receitas operacionais.
75 categoria bancária, outrora existente no Banco do Brasil fica cada vez mais comprometido. Desta forma, poderão ocorrer possíveis implicações do ponto de vista propriamente ―cultural‖ da instituição. A se perpetuar esse quadro, haverá, muito provavelmente, no futuro, imensas dificuldades de se implementar e executar projetos que necessitem da colaboração espontânea dos dois segmentos funcionais que hoje fazem o Banco do Brasil. É a segmentação da classe trabalhadora encarnada nas situações específicas do Banco do Brasil.