4.2 Metodevalg
4.2.2 Troverdighetskriterier
Passemos agora aos livros de memória da Petrobras relacionados às suas áreas corporativas, sendo os dois primeiros da área de comunicação da Petrobras, um publicado em 2000 e o outro, em 2001, vinculados, respectivamente, aos patrocínios culturais e esportivos. Ambos os livros estiveram sob a coordenação editorial de Cristine Monteiro Flores45, profissional contratada especificamente para este fim, mas que acabou se dedicando à coordenação dos processos de seleção de patrocínios. No primeiro livro, ela mesma realizou a pesquisa e redigiu os textos. Trata-se de um trabalho de sistematização de informações e organização de documentos publicitários
45 Cristine Monteiro Flores, então coordenadora da seleção de patrocínios do Projeto Petrobras Cultural, é
arquiteta, especializada em História da Arte Moderna e Contemporânea pela Christie's de Londres. Possui ainda mestrado em história da arte na Escola de Belas Artes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
80 físicos e digitais, como cartazes, folhetos, comerciais televisivos etc. O livro refere-se a um período curto, entre 1995 e 1999, e, embora a trajetória seja curta, o projeto considerou já necessária a elaboração de um produto de memória para o seu registro. O resultado do trabalho foi também disponibilizado na internet, por meio de um site exclusivo do projeto46. Os dois livros surgem, portanto, como uma demanda da própria área por informações sistematizadas para oferecer material à sua autorreflexão, como também para o reconhecimento de seu trabalho.
O livro publicado em 2000, Memória cultural Petrobras, conta com uma apresentação assinada pela companhia e dois textos de abertura, um assinado por Paulo Herkenhoff e outro por Cristine Monteiro Flores. Segundo a apresentação, a obra
“procura destacar a postura plural que a empresa vem assumindo em relação ao seu meio, em franca expansão, seja de fronteiras e mercados, seja do próprio conhecimento humano” e, diante das informações ali organizadas, o texto de apresentação admite a necessidade de reflexão sobre a atividade de patrocínio, vinculada a uma questão sobre a identidade brasileira:
Diante dos projetos ora apresentados, onde a França de Rodin e o Nordeste de Mestre Vitalino veem-se entrelaçados pela mesma arte, torna-se oportuna a reflexão sobre a ação cultural que vem sendo desenvolvida. A partir da compreensão desse processo, onde está inserida a própria formação da nação brasileira, abre-se o caminho para o futuro, tão internacional e inter- racial como o nosso passado.
Por isso, procurando não somente um registro do trajeto percorrido, o projeto Memória Cultural Petrobras propõe, sobretudo, destacar o crescente compromisso com a consolidação de uma identidade brasileira. (PETROBRAS, 2000, p. 3)
O projeto que deu origem ao livro entende-se, portanto, não somente como registro da trajetória de uma área, mas também como instrumento para se pensar a identidade brasileira. Essa apresentação revela muito de como a área de patrocínio cultural da Petrobras se entendia naquele período, com uma missão de promoção da
46 O site não está mais disponível na internet, mas outro site foi realizado, como continuidade do projeto,
referente aos anos 2000 a 2008:
http://sites.petrobras.com.br/minisite/memoriacultural/port/artesCenicas/memoriapetrobras_cultura.asp, acesso em 25/02/2015.
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cultura brasileira. Por não se tratar de meu tema específico de estudo, não sei dizer desde quando surgiu tal entendimento, nem se assim se configura na atualidade. Contudo, é interessante perceber essa vinculação da atividade de uma área da companhia com o nacional, o que aqui se aguça por se tratar de uma atividade com real intervenção no cenário das expressões culturais em território nacional. Trabalharei melhor no próximo capítulo essa vinculação da atividade de uma unidade ou de uma área com o conjunto da nação, contudo, me adianto em dizer que tal vinculação está presente em todos os livros, sem exceção, sobre a história da Petrobras. As atividades, as mais isoladas e aparentemente periféricas, buscam se colocar como importantes no desenvolvimento das atividades da companhia e, em decorrência disso, do desenvolvimento do país.
No texto assinado por Paulo Herkenhoff47, figura externa à companhia dedicada à área cultural, o livro é entendido como uma prestação de contas, sinal de uma prática que deveria ser realizada também por empresas privadas, visto que todos fazem uso de renúncias fiscais para o patrocínio a projetos culturais. A atuação da Petrobras na área cultural, segundo ele, é vinculada à identidade da empresa, “espelhamento da sua própria ação empresarial”:
A empresa, que se marca pela pesquisa e pela busca de inovações tecnológicas, também se lança no apoio a regiões ousadas da ação artística. Simetricamente, seu nacionalismo estratégico (busca pela autossuficiência nacional de energia) se traduz aqui em sustentação da produção artística do país, onde a questão da identidade cultural se supera, mas persiste uma busca para viabilizar-se, sobreviver frente à voga imperial da globalização e reorganizar-se sobre novas bases adequadas às presentes circunstâncias. (...) (HERKENHOFF, 2000, p. 7)
O livro Memória do esporte Petrobras, o segundo desse projeto da área de patrocínio, embora se refira à trajetória da área percorrida nos últimos cinco anos, remonta a um patrocínio efetuado pela Petrobras em 1956, a corrida de carros Mil Milhas Brasileiras, realizada no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Com isso, o
47Paulo Herkenhoff atualmente é diretor do Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR). Quando assinou a
apresentação do livro era diretor do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, então contemplado
por patrocínio da Petrobras. Ver: http://memoria.petrobras.com.br/depoentes/paulo-estellita-herkenhoff-
82 livro forja uma tradição que, em verdade, não se verifica com tanta facilidade na trajetória da companhia. O projeto visa organizar as informações e “contar um pouco da história desse patrocínio. História que se funde com a própria história da companhia.”. Ele aspira ainda servir de homenagem aos atletas e esportistas patrocinados pela Petrobras (FLORES, 2001, p. 13).
Enfim, esses dois livros estão muito ligados à gestão de uma área, característica recorrente entre os livros de áreas corporativas, e, por isso, o foco em um período tão curto, embora façam menção a projetos ícones de uma prática qualificada como tradição na companhia. O objetivo dos livros, além de mostrar a importância da área à companhia, dando visibilidade ao seu trabalho, é registrar o passado – últimos cinco anos – de uma atividade considerada, quase imediatamente aos fatos, como um marco histórico na trajetória da empresa e no desenvolvimento do país.
A área de recursos humanos da Petrobras publicou, em 2005, um livro sobre sua trajetória, intitulado Uma história de sucesso: 50 anos de desenvolvimento de
recursos humanos, e dedicado especialmente ao setor de Desenvolvimento de Recursos
Humanos (DRH), da Universidade Petrobras48, quando completava 50 anos de atividade. O trabalho de sistematização e organização das informações, obtidas em documentos ou por depoimentos, foi feito por dois empregados do DRH, Jorge Navaes Caldas e Lucia Emília de Azevedo, engenheiro químico e técnica administrativa, respectivamente, sendo o material posteriormente entregue a uma empresa de comunicação, a Hipertexto, que deu ao conteúdo uma redação final. Ao que parece, nenhuma das pessoas envolvidas no projeto possuía uma experiência profissional em pesquisa histórica ou na construção de narrativas históricas, ao menos não existe qualquer menção a esse tipo de profissional, o que não nos surpreende, por verificarmos a ausência de tais profissionais em boa parte desses projetos.
Na apresentação do livro, assinada pelo gerente geral da Universidade Petrobras, Walter Brito, o sucesso da companhia é atribuído ao investimento em
48 Universidade Petrobras é uma universidade corporativa da companhia, destinada a oferecer cursos de
especialização aos seus empregados, das mais diversas áreas, em parceria com outras instituições de ensino, além de cursos de ambiência de novos empregados à cultura organizacional da empresa. Ela oferece ainda cursos de especialidades técnicas necessárias exclusivamente à atividade petrolífera na forma como é desenvolvida na empresa, e, por isso, convida muitos de seus técnicos à atividade docente, por reterem um conhecimento gerado no exercício de suas funções. Informações retiradas do Portal Petrobras, acessível apenas internamente na companhia.
83 desenvolvimento de recursos humanos, na capacitação do quadro de empregados, “formado essencialmente por brasileiros”. O texto dá ênfase às conjunturas dos anos 1990 e seus novos desafios à capacitação profissional e, para alcançar os resultados exigidos por esse novo período, fia-se na “energia emocional e intelectual de cada colaborador” (BRITO, 2005, p. 5). Após a apresentação, o livro tem uma página intitulada “Palavra”, assinada por Antônio Seabra Moggi, químico, ingressado na Petrobras em 1955, sendo um dos fundadores e primeiro superintendente do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobras, destacado por sua contribuição para a área de pesquisa e formação. No texto, Moggi considera a área de desenvolvimento de pessoal “um dos pilares de sustentação e projeção da Empresa”. Após narrar brevemente a contribuição da área para o sucesso da companhia, o ex-superintendente parabeniza a equipe da Universidade Petrobras por “resgatar e disseminar esta página vital para o reconhecimento da competência técnica brasileira” (MOGGI, 2005, p. 6). Na introdução, sem assinatura, é colocada ênfase no fato de a Petrobras ter formado uma mão de obra ainda inexistente no país, como geólogos, geofísicos do petróleo, engenheiros de perfuração, de produção, processamento de equipamentos e operadores de refinaria, mas não existe qualquer menção à metodologia empregada na construção do livro. Os textos de apresentação estão mais preocupados com o reconhecimento do papel da área de recursos humanos no desenvolvimento da companhia; narrar a trajetória da área é uma forma de conquistar sua devida importância. O livro destina-se ao público interno da companhia, uma vez que a área de recursos humanos se dirige sempre para o público interno e seu setor de comunicação não está autorizado a realizar produtos para o público externo. O objetivo do livro é, portanto, permitir que o público interno conheça a trajetória do DRH; parece-me que o produto visa qualificar a maneira como a área é vista internamente. Em 2013, a área de recursos humanos reeditou o livro em uma versão atualizada, mas com alteração no título – provavelmente porque não faria mais sentido dar ênfase aos 50 anos –, que passou a ser DRH, uma história de
sucesso. A apresentação de Moggi é mantida, mas a apresentação do livro é alterada e
passa a ser assinada pelo novo gerente geral da área, José Alberto Bucheb.
A Comissão de Normas Técnicas da Petrobras (Contec), órgão centralizador da normalização técnica da companhia criado em 1966, também produziu um livro sobre sua trajetória, quando completou 40 anos de atividade, em 2006. Estiveram envolvidas no projeto as empresas Sextante e a Editora Interciência; o caminho
84 escolhido para a viabilização do projeto, como se vê, foi remeter a tarefa a empresas mais habituadas ao trabalho editorial. Na metodologia de pesquisa, recorreu-se a entrevistas com pessoas que trabalharam na área, bem como a publicações relacionadas ao tema e à documentação da própria área, composta por atas de reunião e documentos técnicos e administrativos. Na introdução do livro, sem assinatura, admite-se sua incompletude, diante das inúmeras possibilidades de abordagem da história, e esclarecem-se as escolhas feitas. O livro pretende “resgatar a dimensão do trabalho realizado”, de forma a descrever a trajetória e a “mostrar os resultados obtidos pela companhia ao consolidar as bases da normalização para trabalhos futuros” (PETROBRAS, 2006, p. 9). O desejado aqui, portanto, à semelhança de outros livros, abriga-se em dois universos: a informação histórica e o reconhecimento do valor do trabalho de normalização técnica, talvez pouco conhecido na companhia.
Em 2007, foi a vez da área de Tecnologia, Informação e Comunicação (TIC) recorrer à história para a valorização de sua atividade, quando foi publicado o Memória da informática na Petrobras, viabilizado pela cooperação entre alguns
empregados da área e as empresas de comunicação Ateliê 19 e Ventana. A apresentação do livro, sem assinatura, inicia-se com a frase “Contar uma história real exige memória” e afirma que “lembramos com mais nitidez dos episódios com os quais nos identificamos, nos surpreendemos, contribuímos para os resultados, ou mesmo aqueles com os quais aprendemos” (PETROBRAS, 2007, p. 7). O conceito do livro, conforme apresentado, é contar a história da informática da Petrobras contextualizada na trajetória da informática no Brasil. A metodologia de pesquisa para elaboração do livro consistiu no uso de entrevistas com pessoas envolvidas nessa trajetória, a fim de obter, segundo a apresentação, “dados e lembranças que resistiram ao tempo”. O compromisso com os registros orais gerados no projeto é tamanho que, na redação, segundo o texto, buscou- se “preservar a emoção e o orgulho dos protagonistas e participantes dos principais acontecimentos”. De acordo com a apresentação, a narrativa do livro não se guia por um viés “meramente cronológico”, mas pela memória das pessoas, marcada por valores profissionais e culturais. O pioneirismo, a ousadia e os valores atribuídos à companhia são anunciados como típicos também da área de informática, em uma tentativa de estabelecer elos entre a identidade da área e a identidade da Petrobras. A publicação se destina ao público interno da companhia e, assim como o livro do DRH, pretende explicitar a importância da área para a companhia, revelando “a contribuição da
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tecnologia da informação como um todo para os resultados alcançados pela Petrobras e parceiros”.
Ainda em 2007, a área internacional da companhia publicou o livro O tatu
saiu da toca: histórias da internacionalização da Petrobras. A pesquisa foi
encomendada ao ex-empregado da companhia, aposentado, Sérgio dos Santos Jorge, por ter pertencido à Braspetro, empresa subsidiária da Petrobras que deu início à atuação internacional da companhia, e por possuir formação em história. Santos Jorge entrou na companhia como professor em uma escola no Iraque, destinada a filhos de empregados brasileiros da Braspetro. O resultado da pesquisa foi entregue a duas jornalistas, Cristina Chacel e Eliane Maciel, que ainda realizaram reportagens, editaram e deram a configuração final do livro, sendo o texto de autoria de Cristina Chacel. Esse processo de trabalho, que culmina na redação de um jornalista, é muito comum na produção desses livros de memória, o que evidencia ser o jornalista naturalmente admitido como o profissional mais capacitado para a redação desses livros.
A publicação da área internacional contém uma apresentação assinada pelo então presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli de Azevedo, na qual é ressaltada a presença internacional das operações da companhia e a posição da Petrobras entre as empresas de energia no mundo. Dá-se ênfase a dois momentos da história da internacionalização da companhia: aos anos 1970, quando a empresa buscava completar sua produção no exterior, e aos anos 1990, quando, com a chamada quebra do monopólio, a Petrobras precisou se preparar para a competição em livre mercado. A apresentação lista alguns dos reconhecimentos internacionais da companhia e conclui:
A Petrobras é o resultado da dedicação de seus trabalhadores, agentes e testemunhas de histórias que se tornaram um referencial para os atuais e futuros desbravadores de fronteiras. Mais do que tudo, este livro documenta sonhos e realizações ao longo de quatro décadas, marcadas pelo esforço e entusiasmo que sempre pautaram a expansão da empresa no mundo. (AZEVEDO, 2007, p. 6)
Nota-se também aqui a referência à identidade do trabalhador da Petrobras enquanto homem e mulher capazes de superar desafios, discurso utilizado pela comunicação da empresa nos últimos dez anos sob o slogan “O desafio é a nossa energia”. O slogan foi primeiramente utilizado em uma campanha de Formula 1, em março de 2003, incorporado e amplamente utilizado na campanha dos 50 anos da
86 companhia, realizada no mesmo ano, e em uso até hoje. A campanha dos 50 anos é admitida internamente como sucesso, dada a identificação do trabalhador com o slogan utilizado, mas saber onde estão as raízes dessa identificação é um trabalho ainda a ser feito. Essa questão da identidade do trabalhador ligada à superação de desafios, de que trato no último capítulo deste trabalho, a meu ver, demanda outro projeto de pesquisa, dedicado a investigar a maneira como se constituiu uma concepção de identidade dos trabalhadores da companhia ao longo do tempo, mais ainda, a maneira como a Petrobras lida com essa identidade, como se remete aos seus trabalhadores. De qualquer forma, na apresentação desses livros de memória, esse ideal do trabalhador da empresa é transposto para o passado, como se sempre tivesse existido, de forma a identificar um mesmo perfil de trabalhador ao longo do tempo, como fica explícito na apresentação assinada pelo então diretor da área internacional, Nestor Cuñat Cerveró49:
Esses resultados são obra de pessoas que acreditam no potencial internacional da empresa e vêm atualizando nos dias de hoje o idealismo dos primeiros tempos. As histórias atuais se juntam às do passado, revelando experiências de homens que fazem da Petrobras uma empresa transnacional pronta a conquistar, cada dia mais, o seu lugar no mundo. (CERVERÓ, 2007, p. 8)
A área de engenharia da Petrobras também lançou um livro no encerramento das comemorações de seu aniversário de 35 anos, em 2007, intitulado Construtores de
sonhos. O livro foi todo produzido por uma empresa especializada em fotografia
industrial, a Lux Mundi, e realizado sem a execução de uma pesquisa documental ou bibliográfica. Ele é constituído apenas por imagens realizadas especialmente para o livro – por isso, foi contratada uma empresa especializada em fotografia industrial – e por frases retiradas de depoimentos de trabalhadores, considerados, pela apresentação do livro assinada pela própria Petrobras, como “testemunhos vivos”. Os trechos de depoimentos foram “garimpados”, ainda segundo a apresentação, entre aqueles
49 Nestor Cuñat Cerveró é engenheiro químico e ingressou na Petrobras em 1975. Iniciou sua carreira na
área de refino e assumiu inúmeros postos na alta administração da companhia. Foi assessor da Presidência para Desenvolvimento de Novos Negócios, diretor de Gás e Energia e diretor Internacional. Cerveró tem sido alvo de investigações da Polícia Federal, na chamada Operação Lava-Jato, e de apurações no Tribunal de Contas da União. Em janeiro de 2015 foi novamente preso, a pedido do Ministério Público
Federal. Site: http://www.prpr.mpf.mp.br/news/lava-jato-mpf-obtem-nova-prisao-preventiva-de-nestor-
87 coletados por uma campanha, realizada através de um hotsite50, no qual as pessoas podiam inserir suas histórias. A obra pretende homenagear os trabalhadores, que, segundo se entende na apresentação, são os que “constroem o Brasil”. Segundo introdução assinada pelo então gerente executivo da área de engenharia, Pedro José Barusco Filho51, o objetivo da publicação é “emocionar, ajudar a fortalecer nossos vínculos com a área de Engenharia e com a Petrobras” (BARUSCO, [2007], p. 7). O livro não se dirige, portanto, somente ao “intelecto”, como afirma o texto assinado por Barusco, mas também às “emoções”, “ao sentimento de sublime e de belo”, e, por isso, diz ter recorrido ao uso da fotografia enquanto arte.
A produção de livros pela área de Engenharia não para por aqui. Em 2006, foi publicado o livro Engenharia da Petrobras 1972-2005: ontem, hoje e amanhã
construindo uma história, realizado pela equipe do CPDOC-FGV. O texto tem a autoria
de dois pesquisadores da instituição, Carlos Eduardo Barbosa Sarmento e de Sérgio Tadeu de Niemeyer Lamarão. O projeto, denominado Projeto História da Engenharia, foi coordenado pela área de Documentação Técnica e Legal da Engenharia da Petrobras (DTL), segundo informação constada no próprio livro.
A apresentação assinada por Renato de Souza Duque52, diretor de Serviços, diretoria à qual a engenharia está submetida, diz que a atividade de engenharia da Petrobras desempenha um papel relevante não só à companhia, com “33 anos de contribuições para o desenvolvimento e o progresso da Petrobras”, mas seu papel é “igualmente relevante em proveito do País, orientando importantes segmentos da engenharia nacional” (DUQUE, 2006, p. 5). Em outra apresentação, assinada por Pedro José Barusco Filho, gerente executivo de engenharia, o livro é entendido como “uma visita ao passado, um relato do presente e uma projeção do futuro”, em uma narrativa que liga tempo e pessoas:
50
O hotsite não existe mais, o que me impossibilita de colocar o link aqui.
51 José Pedro Barusco também está envolvido em escândalos levantados pela Operação Lava-Jato e já
realizou depoimento de delação premiada. Site: http://www.jornalgrandebahia.com.br/2015/02/ex-
gerente-da-petrobras-pedro-jose-barusco-filho-disse-que-comecou-receber-propina-da-sbm-em-1997- durante-governo-de-fernando-henrique-cardoso.html, acesso em 05/03/2015.