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Rapporterende kultur

In document Sikkerhetskultur i omsorgstjenesten (sider 42-45)

5.2 Har avdelingen en informert sikkerhetskultur?

5.2.2 Rapporterende kultur

Nesse tópico, faço alguns comentários sobre os procedimentos empregados na obtenção das informações e seu tratamento na redação e produção desses livros; trato, portanto, da metodologia de pesquisa e dos recursos de narração utilizados na redação e composição das publicações. Todos os cinco livros buscam construir uma narrativa histórica levando em consideração documentos e informações de relatos de depoentes. Fundamentam-se em comprovações documentais, como também fazem uso destas para legitimar seus argumentos. O trabalho de pesquisa, com consulta a fontes primárias e secundárias, surge em todos esses projetos como um passo necessário à obtenção dos conteúdos para a produção dos livros.

À exceção do livro da Bacia de Campos, todos os demais vêm com a lista de fontes bibliográficas e documentais devidamente referenciadas no fim. Todos eles, contudo, deixam a desejar, em algumas partes do texto, sobre a origem de certas informações; isso ocorre mesmo no livro da unidade de Sergipe-Alagoas e no da Bahia, que têm uma grande quantidade de notas de referência. Os documentos são fontes de informação, mas não aparecem na trama narrativa, como objetos de reflexão. São impressos nas páginas, mas como relíquias.

117 É possível perceber nas bibliografias que os livros recorreram, no trabalho de pesquisa, aos outros livros de memória publicados pela companhia. O livro realizado pelo CPDOC/FGV, A questão do petróleo no Brasil: uma história da Petrobras, consta em todas as bibliografias, o que revela que se trata de importante referência bibliográfica para a produção dos novos livros da Petrobras sobre sua história, talvez por se tratar de um livro legitimado pelo nome de uma instituição de referência em pesquisa.

Quanto à narrativa dos livros, ela parece seguir o que Beatriz Sarlo chama de “princípio organizador simples”, segundo ela, presente nos livros de história destinados ao grande público e capaz de dar inteligibilidade aos acontecimentos do passado, enquanto a história acadêmica, na visão de Sarlo, lança mão de inúmeras hipóteses para organizar o passado. Por isso a modalidade acadêmica carece de “nitidez argumentativa e narrativa”, enquanto a “modalidade comercial”, segundo Sarlo, consegue dar unidade às descontinuidades, com uma “linha do tempo” organizada por uma “linha superior de significados”, no dizer da autora, para dar coerência aos acontecimentos. Em decorrência dessa maior organização e clareza inteligível do passado, a modalidade comercial teria maior apelo ao público, oferecendo certezas ao grande público, enquanto a história acadêmica oferece uma série de hipóteses (SARLO, 2007, p.14). As “narrativas históricas de grande circulação” (SARLO, 2007, p.13) têm por pressuposto oferecer interpretações globais da história, seja pela reconstituição dos fatos, seja pela interpretação, ambas inseridas em uma narrativa que, para ter apelo e garantir público, almejam oferecer ao leitor uma visão global do objeto em questão. Para Sarlo, as histórias não acadêmicas de hoje, dirigidas ao grande público, têm por meta as sínteses de que, na atualidade, os historiadores já não fazem uso. Aliás, diz ela, por terem seu ofício centrado na especialização e no estudo de caso, os historiadores tendem a olhar com desdém qualquer livro que busque sintetizar o passado ou falar do “tudo” sobre uma temática ou época. Percebo esse “princípio organizador simples” nos livros de memória analisados, capaz de englobar inclusive as dissonâncias, abarcadas em uma narrativa linear. E essa busca por coerência convive ainda com uma busca por legitimidade. A omissão nem sempre é permitida nessas narrativas, pois comprometeria a chancela de verdade histórica, demandada pelo público e pelas pessoas dedicadas a esses trabalhos.

118 A narrativa desses livros, por exemplo, não se isenta em citar acidentes de trabalho e ambientais. No livro da unidade da Bahia, por exemplo, os acidentes ambientais e operacionais emergem, mas, em grande parte, rapidamente captados como lição aprendida. Assim, o que poderia causar certa tensão à narrativa é incorporado pelo “princípio organizador simples”, aqui evidente no constante desenvolvimento da unidade. Quando o livro da unidade da Bahia se refere a um acidente ocorrido no Terminal Madre de Deus (Temadre), logo fala das melhorias provocadas por ele:

(...) Em 1967 registrou-se um sério acidente, quando o navio-tanque Quererá colidiu contra o píer, em forma de T, causando rupturas na rede de oleodutos e um incêndio. O novo píer, no formato da letra G, incorporou avanços na prevenção de acidentes. (PETROBRAS, 2012a, p. 124-125) No livro da unidade da Bacia de Campos, também alguns momentos de traumas são evidenciados na narrativa, mesmo que às vezes meramente citados, como o acidente na baleeira da plataforma de Enchova, que, em agosto de 1984, levou à morte de 37 trabalhadores (PETROBRAS, 2012b, p.39). O texto não diz como se deu o acidente, nem explica como a empresa lidou com o fato, mas a citação é uma forma de assumir o ocorrido, sendo os demais silêncios a evidência das dificuldades em lidar com traumas e da necessidade de se prezar a imagem da companhia. Citar o desastre é necessário para a credibilidade do livro, mas estender-se sobre o fato é indesejado, por abrir uma ferida ainda não de todo cicatrizada e por fornecer detalhes de acidentes, dos quais não se pode falar muito institucionalmente. Esses traumas não são ilustrados com imagens, nem recebem subtítulos; eles se perdem no texto, no qual estão presentes apenas pela impossibilidade de ocultamento. No livro da Bacia de Campos, é citado, mais de uma vez, o afundamento da plataforma Petrobras 36 (P-36); às vezes como uma informação, entre outras, às vezes como lição aprendida:

(...) No entanto, os desafios que se apresentaram nessa caminhada não foram só ligados à produção técnica. Foi preciso também enfrentar a dor da perda de pessoas com o acidente ocorrido na P-36.

Esse triste episódio, sentido pela Petrobras e pelo país, marcou um momento de reflexão e de aumento dos cuidados com a segurança. A resposta a essa dor foi uma atenção redobrada que intensificou políticas específicas relacionadas à área de SMS (Segurança, Meio Ambiente e Saúde). (PETROBRAS, 2012b, p. 56)

119 O assunto também emerge, ainda no mesmo livro, na fala das pessoas. O título colocado em um desses depoimentos, “Vimos a P-36 indo embora”, é a menção mais explícita ao acidente ocorrido.

O livro que mais se furta a falar em traumas, em erros e em conflitos é o livro da unidade da Amazônia. Talvez isso se deva ao fato de ser o único livro de autoria assumida pela pesquisadora, enquanto os outros têm a autoria assumida pela Petrobras. A autora, que tem seu trabalho remunerado pela Petrobras, tem mais dificuldade em falar, em primeira pessoa, sobre momentos traumáticos da companhia, enquanto o livro produzido institucionalmente, por ser já aprovado internamente, ousa mais nesse aspecto. Acredito que a ausência dos “traumas” da história também se deva ao fato de a autora não fazer uso da história oral91, metodologia que normalmente desloca os conflitos e as dissonantes leituras sobre o que aconteceu para os diferentes indivíduos entrevistados. Além do mais, quando se entrevista um diretor e ele fala sobre momentos difíceis da companhia, de certa forma o pesquisador também se sente mais à vontade em abordar tais assuntos em suas publicações, embora tome alguns cuidados e, como vimos, às vezes, não vá muito além da própria citação do relato ou da mera menção ao ocorrido.

É possível notar nesses livros certas simplificações interpretativas, talvez porque busquem demasiadamente essa coerência, apontada por Sarlo, ou talvez também por uma simples dificuldade de alguns autores em trabalhar com questões complexas, questões movidas por fatores múltiplos, o que seria um desafio interpretativo, a princípio, previsível em qualquer tarefa historiográfica. Podemos tomar como exemplo dessa simplificação o trecho no qual o livro da unidade de Bahia trata de um evento realizado durante a campanha pelo monopólio estatal do petróleo, ocorrido no Clube Militar, entre os anos 1940 e 1950. No texto, a receptividade dos militares dedicada a Arthur Bernardes – que, quando presidente, segundo informação do próprio livro evidencia, teve uma relação conflituosa com os militares92 – é interpretada como prova

91 Etelvina Garcia cita alguns poucos relatos no livro, mas não parece que tenha realizado entrevistas.

Talvez tenha feito uso de depoimentos colhidos por outros trabalhos ou publicados em periódicos, ou livros, ou ainda entrevistas rápidas realizadas por telefone. A dificuldade em identificar as fontes se dá pelo fato de a autora não colocar as devidas referências no texto.

92 Artur Bernardes foi presidente do Brasil no período de 1922 a 1926, cumprindo integralmente seu

mandato. Antes mesmo de tomar posse da presidência, em julho de 1922, precisou se mobilizar para coagir um primeiro levante tenentista, no forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, que ficou conhecido

120 de que “a questão do petróleo se colocava, naquele momento, acima de ressentimentos, partidarismos e tendências ideológicas”, como se posicionamentos políticos não estivessem sempre em um complexo jogo de forças. (PETROBRAS, 2012a, p. 85)

O livro da unidade da Bahia parece-me, em alguns momentos, assumir interpretações simplistas, sem abarcar a complexidade dos temas abordados, como quando interpreta os motivos para o golpe de 1964 e o período que sucede a ele, tratando-os por “fatos” “conhecidos” e, portanto, sem demandar maiores explicações:

O anticomunismo que então dominava as Forças Armadas, com o temor da reedição do modelo cubano no Brasil, levou à deposição do presidente João Goulart. Os fatos são conhecidos. Com o golpe, começava uma longa jornada de 21 anos, conhecida como “os anos de chumbo”, em que o país viveu sob regime militar. Os civis retomariam o poder somente em 1985, quando teve início a transição democrática. (PETROBRAS, 2012a, p. 107)

A simplificação interpretativa, como já dito, talvez provocada por essa busca por coerência na narrativa, sem adentrar muito nas complexidades dos fatos, torna-se ainda mais complicada quando reproduz versões historiográficas ou sensos comuns, sem levar em conta a complexidade inerente à interpretação histórica. O livro da unidade da Bahia, para explicar o contexto em que se deu a criação da Petrobras, divide a discussão da época em dois polos, os que defendiam o controle estatal do petróleo e os que preferiam a abertura aos grupos estrangeiros. Segundo o texto, o primeiro grupo era denominado “nacionalistas” e o segundo, “entreguistas”, mas não é explicitado quem assim os denominavam, deixando parecer serem esses os termos adequados para a narrativa. A construção narrativa alinha-se melhor ao grupo em defesa da Petrobras, corrente vitoriosa, como provariam as décadas que se seguiriam, após anos de atividade da nova empresa. Quando o livro trata das discussões entre os parlamentares sobre o monopólio estatal do petróleo, polarizadas nas figuras de Juarez Távora, a favor da abertura, e de Horta Barbosa, pela estatização do setor, atribui ao argumento do segundo a qualidade de “tese”, termo empregado, segundo o texto, por sua argumentação ter ficado assim “conhecida” (PETROBRAS, 2012a, p. 84). A opção narrativa se dá, portanto, por aquilo que se consolidou enquanto memória e a

como o Levante dos 18 do Forte. Durante seu mandato, marcado por um longo estado de sítio, ocorreram ainda outros levantes tenentistas, como o de São Paulo, em 1924. Ver:

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reprodução disso consolida uma possível interpretação como a mais justa da história, simplesmente pelo fato de ter atravessado décadas. A permanência da interpretação no tempo é o que lhe dá a justa legitimidade.

Ainda no livro da unidade da Bahia, o segundo capítulo, dedicado à história da criação da Petrobras e seus primeiros anos de atividade, é encerrado com uma parte dedicada a relatos de experiências relacionadas à época do regime militar. A parte se destaca por ser composta por seis páginas em coloração diferenciada, próxima do dourado, com letras brancas e imagens em marca d’água, de cartazes e de militares. Antes de abrir essa parte, o texto anuncia que se seguirão “depoimentos de quatro técnicos [que] revelam, sob ângulos e circunstâncias distintos, os efeitos da brusca mudança no regime de poder sobre a vida dos trabalhadores da empresa” (PETROBRAS, 2012a, p.107). Contudo, os ângulos não são tão diversos assim. Os títulos dados aos depoimentos já deixam alguma ideia do posicionamento das falas: “Na linha da resistência”, “Trincheira da democracia”, “Jornada na noite do recôncavo” e “Um camarada suspeito”. Os depoimentos falam da intervenção militar nos sindicatos, da espionagem e presença militar nos acampamentos de trabalho, dos interrogatórios aos quais alguns trabalhadores eram submetidos. Fala-se da fiscalização de militares a atividades da companhia, com a intenção de “fortalecer as argumentações contra a estatização da atividade petrolífera em prol da quebra do monopólio” (PETROBRAS, 2012a, p.111). As falas, não raras entre técnicos aposentados da companhia, sobre as vantagens do período militar para o desenvolvimento industrial e aquelas, em contraponto à frase apenas citada, de que os militares defendiam a Petrobras, por considerar a atividade petrolífera estratégia para a nação, não estão aqui em evidência, talvez porque trariam certo desconforto à narrativa.

Apesar dessas simplificações, é possível notar, no modo como esses livros foram produzidos, a importância atribuída à pesquisa histórica pela equipe contratada. Além disso, as respectivas áreas de comunicação, contratantes desses livros, também parecem atribuir valor à pesquisa. Contudo, a companhia, em seus escalões mais elevados, não acompanha o mesmo ritmo de valoração, o que pode ser notado pelo fato de que, em todos os trabalhos, se evidencie a dificuldade no acesso a documentos da companhia, principalmente aqueles produzidos pela direção da empresa. A dificuldade de acesso aos documentos nos faz pensar um pouco sobre como a empresa, sedenta por livros de memória, compreende o resultado desse trabalho. O livro é tido como

122 importante – autoridades assinam apresentações, dão sua chancela ao trabalho –, contudo, o valor da pesquisa, enquanto fornecedora de informações fundamentais à compreensão de trajetórias marcantes na história da companhia, não é de todo entendido internamente. Nesse sentido, os livros, talvez, sejam compreendidos como fundamentais à identidade da corporação, mas não à compreensão de sua trajetória. Ou seja, a identidade da companhia é vista de maneira dissociada de uma compreensão sobre sua história. Aqui, o importante é o épico, com seus marcos, mas a compreensão profunda, que levaria justamente a uma visão crítica de como a companhia posicionou-se na história e de como deseja reler essa história, não é de todo importante. Existe aqui uma dissociação entre o que a empresa é e o que a empresa deseja comunicar à sua comunidade. É neste sentido que Paul Ricoeur entende que o “direito à memória”, em voga no mundo contemporâneo, perturba o trabalho crítico do historiador, porque vincula excessivamente a interpretação do passado a demandas do presente. Contudo, não decodifico esses livros como totalmente vinculados a uma interpretação enviesada da história, prefiro entendê-los como produto também dessa tensão. Os profissionais envolvidos na construção dos produtos de memória também exercem suas atividades com critérios pessoais e éticos, pois a empresa também não é um uníssimo. Os livros normalmente são aprovados por um grupo de empregados, composto também por profissionais de comunicação, responsável pelo trabalho e, somente depois, vão para aprovações gerenciais. É nesse fluxo de idas e vindas que a narrativa é construída, com sujeitos distintos, preocupados com questões múltiplas. É nesse sentido que concordo com Marialva Barbosa e Ana Paula Goulart Ribeiro quanto à impossibilidade de “um discurso único e centralizado” (RIBEIRO et BARBOSA, 2007).

Diante da recorrente dificuldade de acesso a documentos da companhia, torna-se recorrente o uso de relatos de pessoas, para esclarecimento de momentos considerados importantes na trajetória da companhia. Todos os livros, à aparente exceção do livro da unidade da Amazônia, registraram depoimentos no processo de pesquisa. E os depoimentos aparecem claramente como recurso para suprir lacunas, como também para homenagear pessoas consideradas importantes na trajetória narrada93. No livro da unidade de Sergipe-Alagoas, por exemplo, lança-se mão desse

93 Gostaria de deixar claro que esses livros de memória da Petrobras não têm qualquer semelhança com

livros de memória de empresas que utilizam a história oral apenas para homenagear diretores e gerentes. As pessoas entrevistadas muitas vezes não estão em cargos executivos ou até nem estão mais em

123 recurso quando se trata de explicar a ida ao mar, diante do dilema da empresa em entrar ou não na produção de petróleo na costa marítima, com o desenvolvimento do campo de Guaricema. A fonte utilizada, para compreensão deste impasse estratégico, foi o depoimento, registrado para a pesquisa do livro, de José Marques Neto, que fora superintendente da produção petrolífera no Nordeste. Marques Neto surge na narrativa como a pessoa incumbida de explicar ao conselho administrativo da companhia, reunido naquele momento em Sergipe, os desafios da produção no mar, a fim de que fosse possível se chegar a uma decisão. O entrevistado, o próprio Marques Neto, conta como foi a reunião e como se chegou à decisão pela produção no mar. A fonte utilizada, para um momento crucial na história da companhia, é um depoimento de história oral, sem nenhum contraponto com outro documento. A decisão em ir para o mar foi tomada pelo conselho administrativo da companhia; portanto, sem sombra de dúvida, o gabinete da presidência tem em seus arquivos a ata daquele dia, porém, a equipe responsável pela pesquisa não teve acesso a este documento, como a nenhum outro da alta administração da companhia, a não ser que tenha chegado por vias informais, por pessoas que guardaram cópias do documento original. Recorrer à história oral é aqui um recurso para suprir a pesquisa de documentos, quando estes faltam. A maneira como a equipe realizou a pesquisa e a redação do livro da unidade de Sergipe-Alagoas mostra a seriedade do trabalho94 e a preocupação em contrapor documentos. A ausência de documentos não se deu pela falta de interesse da equipe de pesquisa, mas porque a companhia, demandante de sua pesquisa, não conseguiu fornecer a documentação necessária.

Mas o uso dos relatos orais não se justifica apenas pelas lacunas deixadas pelos documentos ausentes, mas também por uma busca em humanizar a narrativa e dar a ela o tom que envolva mais o leitor. Muitas vezes as entrevistas de história oral entram na narrativa não apenas para suprir informações, mas na tentativa de colocar um elemento humano na narrativa e dar emoção à história. Nesse sentido, em alguns casos, falas são incorporadas ao texto como se fossem parte da narrativa crítica da história. No

atividade na companhia. Obviamente não estou aqui a creditar uma “pureza” na seleção das pessoas a serem entrevistadas, contudo, essa seleção está de longe de ser comprometida por critérios gerenciais, embora seja também influenciada por estes.

94 Falo em seriedade porque a pesquisa procurou levantar documentos, com pesquisas em bibliotecas,

fundações e institutos e, ao longo do texto, busca referenciar fontes. Trata-se de um trabalho de fôlego e, no meu entendimento, levando em conta os problemas aqui expostos, pode também servir como fonte de informação para trabalhos relacionados à atividade na região, como já tem servido.

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caso citado da participação de Marques Neto na decisão pela ida para o mar, o depoente atribui a si uma participação na história que só adquiriria uma dimensão justa se confirmada por outras fontes históricas e, na ausência de outras fontes, ou por descuido daqueles que constroem a narrativa, a fala do depoente é incorporada ao texto como verdade histórica incontestável. Ainda no livro da unidade de Sergipe-Alagoas, percebemos outros exemplos em que a fala do depoente é incorporada à narrativa, em alguns casos, sem nem mesmo se citar a origem da informação:

(...) Convocado no final de março para uma reunião em Brasília, no Palácio do Planalto, na presença do então presidente da estatal, Araken de Oliveira, o então superintendente da RPNE [Região Petrolífera do Nordeste], José Marques Neto, ouviu do então presidente da República, Ernesto Geisel (1974-1979) que seria a partir de então o diretor de Exploração e Produção da companhia.

(...) Tratava-se, como explicou Geisel na ocasião, de uma intervenção estratégica, visando impulsionar a empresa num momento em que a produção registrava queda e a companhia não poderia deixar transparecer que estava em crise. (...) (PETROBRAS, 2009, p. 147)

Provavelmente, quem descreveu essa cena, quase épica, de transferência de

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