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Lærende kultur

In document Sikkerhetskultur i omsorgstjenesten (sider 49-53)

5.2 Har avdelingen en informert sikkerhetskultur?

5.2.5 Lærende kultur

A identidade da companhia está muito ligada ao nacionalismo, timbre evidenciado em inúmeros momentos na construção narrativa de todos os livros

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analisados. A bandeira do nacionalismo está mesmo presente nas discussões dos anos 1940 e 1950 que deram feição à estatal petrolífera, e os livros aqui analisados compõem uma imagem quase mítica do momento de criação da empresa, mito arrastado na narrativa por todas as décadas sucessivas da história da companhia.

A campanha “O Petróleo é Nosso”, que levou civis e militares a se organizarem na defesa da constituição da nova empresa, é o mito unificador, capaz de criar elos entre a empresa e todos os brasileiros, como também com o projeto de desenvolvimento da nação. A unidade de Sergipe-Alagoas, por exemplo, ao se referir à campanha, afirma que a Petrobras “nascera primeiramente da vontade da nação” (PETROBRAS, 2009, p. 19), “uma vitória da pressão popular” (PETROBRAS, 2009, p.21). O livro possui fotos da campanha, assim como a tão utilizada foto de Getúlio Vargas em sua mesa95, tradicionalmente atribuída ao momento de assinatura da lei de criação da Petrobras, imagem publicada também nos livros das unidades da Bahia e da Amazônia. Aliás, o livro da unidade da Bacia de Campos é o único, entre os analisados neste capítulo, que não estampa uma imagem de Getúlio Vargas. Como ele é totalmente centrado na unidade, o passado anterior a ela é rapidamente mencionado e, mesmo assim, só quando tem alguma relação com a exploração e a produção de petróleo no mar.

Voltando à campanha “O petróleo é nosso”, assim a descreve o livro da unidade de Sergipe-Alagoas:

Ostentando a utopia nacional no próprio nome, a Petróleo Brasileiro S.A. – Petrobras fora criada apenas quatro anos antes [da unidade de Sergipe- Alagoas], em 3 de outubro de 1953, no governo do presidente Getúlio Vargas, como desfecho de uma longa e admirável luta do povo brasileiro, que empreendeu uma mobilização sem precedentes em todo o país, tendo como palco principal a então capital federal, o Rio de Janeiro.

95 Essa foto é comumente utilizada em folhetos, revistas, livros, exposições, vídeos e demais produtos

realizados pela Petrobras, sempre como imagem oficial de fundação da empresa. No livro publicado em comemoração aos 60 anos da companhia, em 2014, livro comentado no segundo capítulo deste trabalho, a organizadora da publicação, a jornalista Tereza Lobo, havia selecionado outra foto de Getúlio Vargas, também em seu escritório. Quando o livro foi submetido à gerência executiva, foi solicitada a substituição da imagem por essa tradicional foto de Getúlio assinando o que seria a lei de criação da Petrobras. Obtive essa informação em conversa com Tereza Lobo, logo após o ocorrido.

139 Sustentada inicialmente por militares, estudantes e políticos, a defesa do monopólio estatal do petróleo e a da criação da Petrobras suscitou um profícuo e acalorado debate sobre os destinos do Brasil, impulsionado por uma campanha emocionante, que elegeu como bandeira uma frase direta, de efeito imediato e fácil assimilação: “O petróleo é nosso”. (PETROBRAS, 2009, p. 21)

Nessa narrativa de valorização do caráter nacional da Petrobras, a presença de estrangeiros e a cooperação com empresas de outros países nem sempre são bem vistas; e sobre esse assunto gostaria de me ater neste tópico. A omissão da presença de estrangeiros na companhia, quando possível, é feita e, quando não, porque comprometeria a demanda por veracidade à qual esses textos estão submetidos, a importância de tal presença é atenuada. A comparação entre o estrangeiro e o brasileiro também surge em alguns livros, inclusive em citações de depoimentos, para dar relevo à capacidade técnica do brasileiro, igual ou superior à de estrangeiros.96

No livro da unidade de Sergipe-Alagoas, por exemplo, logo após a narrativa sobre a descoberta do primeiro poço petrolífero no mar, o Campo de Carmópolis, no litoral sergipano, é aberto o subtítulo “Mérito Nacional”. Como o texto mesmo já havia indicado, o campo de Carmópolis foi descoberto por uma plataforma francesa, a Vinegarron, operada pela empresa norte-americana Zapata Offshore Co., sendo todas as embarcações de apoio alugadas de empresas estrangeiras. O texto abrigado nesse subtítulo lista, entre os presentes na ocorrência da descoberta, tanto brasileiros quanto estrangeiros, mas não se estende sobre o assunto, já que, em verdade, não se tem muito a dizer sobre tal mérito, pois não foi algo estritamente de origem brasileira, se considerarmos as pessoas envolvidas na atividade operacional.

O livro da unidade da Bahia é também farto em exemplos desse gênero. O texto busca mostrar o quanto os técnicos brasileiros conseguiram avançar em

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Verena Alberti, em um artigo intitulado “A construção da grande siderurgia e o orgulho de ser brasileiro: entrevistas com pioneiros e construtores da CSN” (1999), também percebe a comparação do brasileiro ao estrangeiro em depoimentos de trabalhadores da Companhia Siderúrgica Nacional, de forma a valorizar a capacidade técnica do brasileiro. Isso ocorre, a meu ver, porque tanto a CSN como a Petrobras tiveram um real papel no desenvolvimento industrial do país e os trabalhadores dedicados a essas atividades compreendem-se como “pioneiros” nesse processo. Em entrevistas do Programa Memória Petrobras é possível perceber falas parecidas como aquelas percebidas por Alberti na fala dos trabalhadores da CSN. Os livros de memória da Petrobras, portanto, dão ênfase a uma leitura do passado, a meu ver, presente na fala de seus próprios trabalhadores.

140 conhecimento, superando seus mestres estrangeiros. Mas parece-me que os tempos se confundem e, mesmo que os brasileiros tenham, com o tempo, se destacado por capacidades técnicas, o texto busca comprovar tal característica mesmo quando ela ainda não havia ocorrido historicamente. Um exemplo está no relato de uma solução técnica, sugerida por Yvan Barretto de Carvalho, inspirada no que o técnico havia visto em uso na Venezuela. O texto aponta as vantagens da solução, que permitiu o transporte de sondas inteiras nas águas da baía de Todos os Santos, facilidade de traslado que possibilitou intensificar o número de perfurações em curso. Até aí tudo tranquilo, mas o peculiar é o texto afirmar que tal experiência renderia, “posteriormente”, um reconhecimento da Offshore Energy Center. O “posteriormente” refere-se a uma homenagem ocorrida em 2004, que, muito dificilmente, refere-se exclusivamente àquela solução técnica datada de 1956. Por considerar insuficiente o relato para tal importante informação, a narrativa ainda estampa uma foto da homenagem, em Houston, com uma legenda que repete a informação do texto:

A inovadora solução desenvolvida para o transporte de sondas no campo Dom João Mar valeu posteriormente ao engenheiro Yvan Barreto o reconhecimento do meio petrolífero internacional. Na foto, solenidade de condecoração no Offshore Energy Center, em Houston, Texas, em 2004. (PETROBRAS 2012a, p. 121)

Quando o texto, ainda no livro da unidade da Bahia, volta a tratar das descobertas e da produção de petróleo na região baiana, a tônica está nos brasileiros. Mesmo quando as fotos revelam os americanos, estes, quando citados na legenda, estão sempre na função de professores, e a narrativa é construída como sendo os brasileiros aqueles que superaram os professores. Os estrangeiros, no melhor dos casos, são utilizados para valorizar os brasileiros que se tornaram os verdadeiros construtores da empresa. Em uma foto em que aparece um técnico brasileiro ao lado de um francês, debruçados diante de uma planta, a legenda é a seguinte:

O engenheiro de minas e geólogo Acyr Ávila da Luz atuou nos campos do Recôncavo desde o início das atividades exploratórias na bacia, ainda no período do CNP, ao lado de renomados geólogos estrangeiros. Responsável pelo mapeamento de Taquipe, ele também acompanhou o desenvolvimento do campo. Na foto, o geólogo com o consultor francês Desjardins. (PETROBRAS 2012a, p. 126)

141 Em outra foto do livro da unidade da Bahia aparece um homem, que aparentemente é um estrangeiro97, em pé, diante de um equipamento num poço de petróleo, cercado por operários, de capacetes e melados de óleo. A legenda não faz menção aos personagens da foto, limitando-se a apontar o evento “Teste de formação do primeiro poço de Taquipe, descoberto em 1958”. Na mesma página, um depoimento de Acyr Ávila Luz mostra como o brasileiro se antecipou aos estrangeiros:

Depois que fiz o mapeamento de Taquipe eu viajei, e a nova administração, do Link, resolveu fazer um structural drilling, um programa de perfuração para testar se aquilo que nós tínhamos mapeado na superfície era realmente uma estrutura. Como resultado desse mapeamento, eles lançaram o TQ-01, a 200 metros da locação que eu tinha indicado, como sendo o ponto mais alto da estrutura. Esse foi o poço pioneiro. Depois furaram o TQ-02 e o TQ-03. Um ano depois, quando foi perfurado o TQ-04, constatou-se que o ponto mais alto, onde se registrava a maior espessura da coluna de óleo, era o indicado por nós anteriormente. (PETROBRAS 2012a, p. 127)

Ao longo do livro, não existe destaque à faceta de brasilidade na trajetória das equipes de sísmica, isso porque foi apenas em 1966, na Bacia de Tucano, que se estreou a primeira equipe de sísmica “nacional”, sendo que, conforme informação de nota, no fim do livro, até aquele momento as equipes de sísmicas eram todas contratadas pelas empresas americanas United Geophysical Company e Seismographic Service Corporation.

Existe, no texto, uma informação rara, relacionada a feitos de empresas estrangeiras, mas acredito que só seja citada porque se trata de algo ocorrido na Bahia e coloque a região também nisso como pioneira. Segundo o texto, em 1981, ainda sob o vigor dos contratos de riscos firmados em 1975 com empresas estrangeiras, o consórcio Pectel, entre a Shell e a Chevron, realizou, na costa sul da Bahia, a 10 quilômetros do

97 Pressuponho que o homem seja um estrangeiro não apenas pelas suas feições físicas, mas porque já

percorri muitas imagens do gênero no Banco de Imagens da Petrobras, algumas com as pessoas identificadas, e percebo estilos parecidos na composição das equipes. Como já dito aqui, essas equipes eram compostas por estrangeiros e brasileiros, sendo os brasileiros auxiliares e os estrangeiros

responsáveis e dirigentes das atividades. Contudo, minha afirmação não deixa de ser uma suposição; uma investigação mais apurada no acervo do Banco de Imagens da Petrobras, levando em conta o seu

142 litoral, “a primeira descoberta comercial de empresas estrangeiras no Brasil”. (PETROBRAS 2012a, p. 149)

Ainda o livro da unidade da Bahia, quando trata da construção da primeira plataforma marítima brasileira, a Petrobras I (PI), revela que, embora a construção fosse um marco no orgulho nacional, a operação ficou a cargo dos franceses da Langford, com a assistência de três operários brasileiros, o que, na época, gerou desconforto em alguns. Segundo o texto, por iniciativa do chefe da divisão de perfuração da unidade da Bahia, o engenheiro Francisco Nogueira, foi conquistado um processo gradual de transmissão de conhecimento para que os brasileiros assumissem a operação da plataforma. O texto revela certo rancor nas falas dos brasileiros em relação aos estrangeiros e dá ênfase à capacidade daqueles em superar estes:

O encarregado da sonda Edson José da Silva, que começou na Petrobras em 1959, no campo Dom João Mar, era um dos técnicos brasileiros que trabalhavam na P-1, como estagiário dos franceses, quando houve o processo de nacionalização da equipe. “Os técnicos todos eram franceses, somente a mão de obra era brasileira. A gente ficava observando eles trabalhando, como funcionava a plataforma, tudo. Mas eles escondiam o ‘pulo do gato’. E quando nós assumimos, nos disseram: ‘Olha, vocês vão tomar conta, mas com dois meses nós estamos de volta, porque vocês não têm capacidade’”. (PETROBRAS 2012a, p. 158)

Como pode ser visto no texto da unidade da Bahia, é na transferência das operações às mãos dos brasileiros que se atinge o projeto confiado à Petrobras:

Naquele momento, quando a P-1 e muitas outras sondas operavam no litoral, comandadas por equipes nacionais, era fundada a confiança de que o país seria capaz de realizar, com técnicos e equipamentos próprios, o sonho legítimo de explorar o rico manancial de petróleo existente na sua plataforma continental. (PETROBRAS 2012a, p. 159)

Caso ícone na discussão sobre a oposição nacional-estrangeiro é o do chamado Relatório Link, tratado nos livros das unidades de Sergipe-Alagoas e Bahia, bem como no livro do Programa Memória Petrobras. O relatório é um conjunto de cartas assinadas pelo geólogo americano Walter Link, profissional contratado pela Petrobras para reestruturar sua área de exploração e produção petrolífera. O geólogo

143 permaneceu nos quadros da companhia no período de 1954 a 1961, sendo responsável pela primeira estruturação da área de exploração e produção de petróleo na companhia; deixou o cargo após ser amplamente questionado pelo considerado infrutífero resultado das pesquisas geológicas realizadas no país e ter entregado um conjunto de cartas, o tal relatório, cuja conclusão frustrava a expectativa em encontrar petróleo em terras brasileiras. Com a saída de Link, o geólogo Pedro Moura passou a assumir a atividade de exploração e produção na Petrobras.

Os livros das unidades de Sergipe-Alagoas e da Bahia revelam o desacordo com os resultados obtidos por Link e contrapõem-nos aos resultados promissores obtidos posteriormente, pelos brasileiros.

Os textos revelam inclusive certo rancor, como o livro da unidade da Bahia que faz referência ao caso de Acyr Ávila da Luz, que, junto com outros técnicos brasileiros, fora enviado por Link para estudar geofísica nos Estados Unidos. Luz relata o quanto Link ficou desapontado com sua decisão de estender seu período no país estrangeiro, para obtenção do título de mestre.

Em correspondência, ele [Link] deixou explícito que os cursos nos EUA visavam, sobretudo, a assimilação do modus operandi americano: “Você foi colocado em uma equipe sísmica, não tanto para aprender a ciência da geofísica, mas para aprender e ver como uma equipe nos U.S.A. trabalha (...)” (PETROBRAS, 2012a, p. 160)

O livro da unidade da Bahia contrapõe a gestão do americano ao do brasileiro Pedro Moura, mostrando que, enquanto a primeira não obteve grandes resultados, foi a segunda que colocou a Petrobras no seu nível de capacidade técnica e de obtenção de resultados.

No final de 1959, cinco anos depois de criado [por Link], o único saldo concreto apresentado pelo Depex [Departamento de Exploração] em termos de descobertas estava na Bahia. Eram os novos campos da bacia do Recôncavo – uma área que já produzia antes da chegada de Link e onde, durante sua gestão, a descoberta de maior significado, o campo de Taquipe, resultou de mapeamento e locação realizados anteriormente, ainda durante a gestão do CNP, pelo geólogo Acyr Ávila da Luz. (PETROBRAS, 2012a, p. 160)

144 O livro da unidade da Bahia é exemplar na forma como constrói a narrativa sobre Link e seu relatório, a modelo de outras narrativas realizadas na empresa sobre o período:

No conteúdo, o superintendente do Depex [Link] avaliou pormenorizadamente cada região pesquisada, reconhecendo a ausência de resultados em todas, à exceção da bacia do Recôncavo, por ele considerada “uma área produtora de primeira classe”, e a bacia de Tucano, onde apontou “características potenciais”, notadamente na porção sul. (PETROBRAS, 2012a, p. 160)

(...) o geólogo americano encerrou afirmando que “se a Petrobras deseja permanecer na exploração petrolífera em larga escala e em base de competição com a indústria petrolífera internacional, se tem o dinheiro para assim o fazer, sugiro que a Petrobras vá a algum país onde podem ser obtidas concessões e onde as possibilidades de encontrar óleo são boas”. (PETROBRAS, 2012a, p. 161)

Link deixou o país no final de 1960, deixando como legados o investimento na formação de geólogos brasileiros e o início dos levantamentos sísmicos na plataforma continental, entre janeiro de 1957 e outubro de 1958. Em fevereiro de 1961, ao assumir a presidência da Petrobras, o engenheiro Geonísio Barros, até então superintendente da RPBA [Região Petrolífera da Bahia], convocou os geólogos Pedro de Moura e Décio Odone para realizarem uma análise do Relatório Link. (PETROBRAS, 2012a, p.161) (...) No ano seguinte Pedro de Moura assumiu a Superintendência do Depex. Já no discurso de posse, apelou à confiança e à união da equipe, opondo-se ao ceticismo de Link, ao afirmar que “ninguém descobre um barril de óleo, se encarar o problema com pessimismo”. (PETROBRAS, 2012a, p. 161) No livro da Bacia de Campos, a brasilidade das conquistas e o ineditismo em relação à tecnologia mundial são qualidades combinadas para caracterizar a companhia, qualidades presentes na história da unidade:

Em 1994, no Campo de Marlim, entrou em operação a Petrobras 18, primeira plataforma semissubmersível totalmente desenvolvida pelos técnicos da companhia. A P-18 era, então, a maior unidade flutuante de

145 produção de petróleo em operação no mundo e estava ancorada em lâmina d’água de 910 metros. (PETROBRAS, 2012b, p. 47)

A capacidade da companhia em produzir petróleo em regiões cada vez mais desafiadoras, devido à profundidade e à distância da costa, se deu, de acordo com o livro da Bacia de Campos, pela “criatividade, conhecimento e inovação técnica” (PETROBRAS, 2012b, p. 56). Nessa construção narrativa, não existe qualquer menção ao trabalho de estrangeiros e à cooperação técnica com companhias de outros países, embora uma foto, talvez por deslize, apresente um trabalhador com a bandeira dos Estados Unidos pregada no uniforme, na altura do ombro. A imagem ocupa uma página inteira, mas sua legenda não menciona a presença de americanos em instalações da companhia, reduzindo-se a informar: “Homem trabalhando na oficina da Gerência de Serviços de Avaliação e Completação da US-PO. Macaé (RJ/2007)” (PETROBRAS, 2012b, p. 70).

O livro do Memória Petrobras não deixa de falar da presença de estrangeiros na companhia, com destaque para a primeira década. Fala da contribuição de Link à estruturação da companhia, sempre contando, segundo o texto, com técnicos estrangeiros e brasileiros. Cita ainda a contratação de empresas estrangeiras para a construção das primeiras refinarias da Petrobras, sendo que as equipes dessas empresas “ficavam responsáveis pela implantação do projeto e permaneciam no Brasil até o início das operações nas unidades”, ou ainda “durante o tempo necessário para que os profissionais brasileiros estivessem seguros do trabalho a ser feito” (PETROBRAS, 2010, p. 10). Fala dos primeiros professores de refinação de petróleo vindos dos Estados Unidos e Canadá, cita seus nomes e períodos de presença no Brasil, contando, inclusive, com trechos do depoimento do canadense Ford Campbell Williams, registro facilitado pelo fato de o professor de química ter se casado com uma de suas alunas, engenheira química da Petrobras. O texto revela que, nos primeiros anos, a “presença estrangeira era marcante, e a língua inglesa predominava, especialmente nas áreas de exploração e refino” (PETROBRAS, 2010, p. 19). A tônica do texto está, contudo, na aprendizagem dos brasileiros e não na contribuição dos estrangeiros. Se percorrermos os subtítulos do primeiro capítulo, percebemos uma ênfase no brasileiro e um crescente desvencilhar das mãos dos estrangeiros: “O Brasil descobre o petróleo”, “Prioridade para a formação”, “Criação da Petrobras”, “Primeiros desafios”, “Aprender fazendo”, “Crescendo com o Brasil”, “Criação do Cenpes”, “Hora dos brasileiros” e “Rumo ao mar”. Na parte “Hora

146 dos brasileiros”, é ressaltada a saída do Link e a migração das atividades para as mãos dos brasileiros:

Nesse período, após quase uma década marcada pela influência de técnicos estrangeiros, a Petrobras começava, gradativamente, a substituí-los. Muitos brasileiros voltavam ao país após a especialização no exterior e ganhavam força dentro da empresa, assumindo seu comando técnico gerencial. As universidades no Brasil formavam as primeiras turmas de geólogos. É verdade que boa parte da tecnologia utilizada ainda era importada, em especial aquela ligada à montagem de refinarias, mas começava a ser adaptada e dominada por brasileiros. Alguns serviços essenciais, como a perfuração, ainda dependiam da mão de obra estrangeira. Era necessário manter o foco no aprendizado e achar caminhos próprios. (PETROBRAS, 2010, p. 36)

Interessante que a parte dedicada ao início da atividade no mar, “Rumo ao mar”, apareça logo depois da parte intitulada “Hora dos brasileiros”. O texto faz justiça à contribuição das pesquisas do Link e informa, em um boxe na lateral da página, justamente a sugestão do americano à Petrobras em buscar petróleo na costa marítima brasileira, informação omitida no livro da unidade da Bahia. Contudo, quando se fala da descoberta no mar, os estrangeiros desaparecem e tudo parece ter sido feito pelas mãos dos próprios brasileiros, já autônomos, sendo que as especificidades e novidades da atividade marítima demandaram a cooperação com empresas estrangeiras.

Parece-me que a citação da figura dos estrangeiros nos textos desses livros emerge da tensão entre dois fatores. O primeiro refere-se à necessidade em firmar a brasilidade da Petrobras, como uma empresa feita pelas mãos dos brasileiros, evidência

In document Sikkerhetskultur i omsorgstjenesten (sider 49-53)