• No results found

Datainnsamling

In document Sikkerhetskultur i omsorgstjenesten (sider 28-31)

4.2 Metodevalg

4.2.1 Datainnsamling

O primeiro livro publicado por uma unidade industrial da companhia, de acordo com o levantamento dessa pesquisa, intitula-se A Fazenda Brigadeira e a Refinaria Alberto Pasqualini em Canoas e data de 1998, sendo o único dessa década do grupo de unidades industriais e operacionais. O livro se diferencia dos demais do grupo não apenas por pertencer aos anos 1990 – o que lhe daria uma linguagem editorial diferente daquelas empregadas nos livros dos anos 2000, quando o mercado da memória se consolida e passa a seguir padrões inclusive na confecção desses livros –, mas tal distinção se revela também porque não se refere exatamente à história da unidade, mas trata de uma genealogia dos proprietários da fazenda que veio a abrigar a refinaria da companhia. A peculiaridade do livro, de apenas 33 páginas, está também no fato de não dispor de informações sobre sua produção, não havendo nele uma apresentação ou introdução, mas apenas uma dedicatória e agradecimentos de cunho pessoal, assinada pelo autor, Luiz Fernando Cirne Lima. O autor, que tem sua própria família mapeada na genealogia dos proprietários da fazenda, foi ministro da Agricultura de 1969 a 1973, no governo Médici, e superintendente da Companhia Petroquímica do Sul (Copesul), de 1993 até, aproximadamente, 200722, empresa na qual a Petrobras sempre possuiu participação acionária. É difícil afirmar muito sobre a finalidade da publicação, embora, como o conteúdo do livro remete à história da comunidade da região onde a unidade industrial se localiza, possamos supor se tratar de uma estratégia de relacionamento da companhia, seja com a comunidade, seja com o próprio autor do livro. O texto da publicação é assinado unicamente pelo autor e não possui qualquer menção a uma

22 Não consegui informação sobre o ano de saída de Luiz Fernando Cirne Lima da Copesul, sendo 2007

um ano aproximado, levando em conta informações contidas em matérias na internet. Ver sites: http://jcrs.uol.com.br/site/especial.php?codn=133211,

http://www.odebrechtonline.com.br/materias/01001-01100/1074/,

http://www.studioclio.com.br/atividades/outros/evento/22662/encontros-com-o-professor-luiz-fernando- cirne-lima, todos acessados em 07/03/2015.

58 empresa de comunicação ou de memória empresarial, nem mesmo uma instituição de pesquisa envolvida em sua produção. Talvez a pesquisa seja de iniciativa do próprio autor, interessado na genealogia, uma vez que antepassados de sua família aparecem nela, e tenha sido posteriormente apresentada à Petrobras, que resolveu publicá-la.

O segundo título sobre uma unidade industrial intitula-se Uma luz na noite

do Brasil: 50 anos de história Refinaria Landulpho Alves. O livro foi publicado no ano

de 2000 e dedicado ao aniversário das operações de uma refinaria. Interessante perceber que, dos 17 livros editados sobre unidades industriais e operacionais, 11 foram provocados por comemorações de aniversário. O citado livro parece ter sido publicado em parceria com a Universidade Estadual da Bahia (Uneb), visto que os artigos que o compõem são assinados por historiadores docentes daquela instituição23, embora nele não haja nenhuma menção à universidade. O livro possui dois textos de apresentação, um assinado pelo presidente da companhia Philippe Reichstul24, e outro pela própria Refinaria Landulpho Alves – RLAM. A apresentação assinada pela refinaria declara terem sido estabelecidas parcerias com historiadores para o levantamento documental, o registro de depoimentos e a sistematização das informações, a fim de oferecer “uma pesquisa cuidadosa e atraente a respeito das origens da atividade do refino no Brasil e dos desdobramentos socioeconômicos dessa atividade no Recôncavo da Bahia” e dar visibilidade a esse “momento glorioso da indústria brasileira”. Com o livro, pretende-se “retratar com fidelidade” – são esses mesmos os termos – a evolução industrial da refinaria (MATTOS et al, 2000, p. 17)25. A apresentação assinada pela refinaria dá ênfase ainda ao crescimento tecnológico, ao desenvolvimento social e às questões ambientais, sendo, ao menos essas últimas, em verdade, preocupações contemporâneas ao momento da elaboração do livro, de difícil verificação em período anterior, visto que, nos anos 1950, não se falava tanto, no Brasil, em desenvolvimento social e respeito ao meio ambiente, nem havia a mesma clareza hoje assumida nas atividades produtivas da

23

Os textos em forma de artigos são assinados por Wilson Roberto de Mattos, Walter Fraga Filho, Nancy Rita Sento Sé de Assis e Charles d'Almeida Santana.

24 Philippe Reichstul é economista e administrador de empresas. Foi presidente do Instituto de Pesquisa

Econômica Aplicada (IPEA), de 1986 a 1987, e presidente da Petrobras, de 1999 a 2001. Em sua gestão, enfrentou momentos de grande crise da companhia, provocados pelos vazamentos de óleo na baía de Guanabara e nos rios Barigui e Iguaçu, no Paraná, além do afundamento da plataforma P-36.

25 A autoria desse livro é atribuída aos professores que assinam os artigos. Existem outros casos em que

uma pessoa física assume a autoria do livro, no lugar da Petrobras, como pode ser observado na bibliografia deste trabalho, mas, em geral, isso não ocorre.

59 empresa. Os livros das unidades operacionais e industriais, por serem produzidos por unidades com atividades circunscritas a uma dada região e, portanto, atividades que impactam, de certa maneira, a vida local, são comumente remetidos a autoridades políticas locais, prefeitos e vereadores, imprensa local, órgãos ambientais regionais e a empresas do terceiro setor com as quais a empresa mantém relacionamento26. Talvez por isso essas questões típicas da hoje responsabilidade socioambiental são provavelmente destacadas na maioria dessas publicações27. No mais, a apresentação chega ao fim remetendo diretamente ao público interno da unidade e faz uso de termos como “reconstrução histórica” e “memória coletiva”, provavelmente inseridos no texto por vontade dos historiadores envolvidos no projeto:

Para o nosso público interno, para nós, petroleiros, essa publicação tem um significado especial: resgata o papel decisivo que a RLAM [Refinaria Landulpho Alves, em Mataripe] desempenhou no processo de industrialização recente do país, fixando cenas marcantes da luta pela autonomia energética, ao revelar aspectos pouco conhecidos dessa verdadeira epopeia econômica, a partir da reconstrução histórica. (...) E nada melhor para registrar um momento tão importante na trajetória da empresa que um “mergulho” na memória coletiva daqueles que, com seu esforço pessoal e obstinação, ajudaram o Brasil a conquistar sua independência energética. (MATTOS et al, 2000, p.17)

A apresentação assinada pelo presidente Reichstul, ao se referir aos trabalhadores da Refinaria Landulpho Alves, os considera “pioneiros do refino”. A refinaria foi, com efeito, a primeira da Petrobras e estava em funcionamento antes mesmo da criação da companhia. Ao se referir à celebração do aniversário da refinaria, Reichstul conclui:

26 Alguns questionários do Anexo II informam sobre a distribuição dos volumes, assunto sobre o qual

também pude obter dados em conversas informais com pessoas ligadas à produção desses livros.

27 É preciso ter em vista também que os acidentes ambientais e de trabalho ocorridos por ocasião das

operações da Petrobras nos anos de 2000 e 2001 trouxeram a questão ambiental e de segurança do trabalho para a ordem do dia na companhia, com a criação de uma gerência executiva dedicada

especialmente a essa atividade. Os livros de memória publicados após esses acontecimentos dão ênfase às atividades da companhia para evitar acidentes e garantir a segurança do trabalhador. Os acidentes que trouxeram definitivamente essas questões para a empresa foram o vazamento de óleo na baía de

Guanabara, em janeiro de 2000, o vazamento nos rios Barigui e Iguaçu, no Paraná, em março de 2000, e o afundamento da plataforma P-32, em 2001.

60 E a Petrobras se orgulha de comemorar esse marco que não é só seu, de uma das suas unidades industriais, mas de todos os brasileiros, de um país que lutou heroicamente para romper os limites do subdesenvolvimento e que continua demonstrando, contra todo ceticismo e preconceito, que sabe explorar suas riquezas e faz isso com independência e criatividade. (REICHSTUL, 2000, p. 15)

Esse livro permite perceber algumas características que também aparecem em outras publicações. Uma delas diz respeito a um tema que abordaremos melhor no próximo capítulo, mas não poderíamos deixar de evidenciar aqui; trata-se da maneira como é entendida a atividade de construção de uma narrativa histórica, pois, como vimos, a “pesquisa retrata com fidelidade” a história, ou seja, a história é passível de ser “resgatada” e exibida no presente, da maneira como tudo aconteceu. Outra característica diz respeito à criação de uma identidade do trabalhador da Petrobras, na apresentação desse livro definida por “petroleiro”, termo nem sempre assumido nas publicações da empresa. No último capítulo, voltado à identidade do trabalhador da companhia, falarei mais sobre a figura do “petroleiro”, mas adianto-me em evidenciar que se trata de uma categoria oriunda do ambiente sindical e, às vezes, incorporada pela companhia em tentativas de fortalecimento da identidade dos trabalhadores. Interessa-nos aqui evidenciar o fato de esses livros desejarem fortalecer as identidades dos trabalhadores, encontrando nisso respaldo à sua confecção. Outra característica, a ser abordada melhor nos próximos capítulos, refere-se a alguns atributos considerados inerentes à identidade da empresa e concebidos enquanto tradição, como é o caso do conceito de reponsabilidade socioambiental, atribuído a tempos remotos, mesmo que sua existência no passado não seja de fácil comprovação, uma vez que se trata de preocupações razoavelmente novas no mundo industrial, não só no Brasil. Essa ideia da empresa como um continuum no tempo, como diria Sarlo, criando um sujeito que permanece ao longo da história, é corriqueiramente perceptível nos textos de apresentação dos livros de memória da Petrobras.

Portanto, como fica evidente pelas informações disponíveis na própria publicação, o livro se deu em comemoração aos 50 anos da Refinaria Landulpho Alves – localizada em Mataripe, Bahia, e, por isso, a sigla RLAM –, foi uma iniciativa da própria refinaria para a construção de uma narrativa sobre seu passado. Para viabilizar seu desejo, de divulgação de sua história tanto para o público interno quanto para o

61 externo, este, da comunidade da região do recôncavo baiano, foi estabelecida, como vimos, uma parceria com historiadores da Uneb, que realizaram a pesquisa e produziram os textos, assinados individualmente, em forma de artigos. Nesse caso, não houve a intermediação de uma produtora de comunicação na confecção dos textos, sendo que a refinaria estabeleceu contato direto com os envolvidos no projeto, contratando uma empresa apenas para o trabalho pontual de ilustração de mapas e produção gráfica, a Solisluna Design e Editora.

No mesmo ano, em 2000, a Refinaria Henrique Lage (Revap28), localizada em São José dos Campos, completou 20 anos de atividade e, em celebração de seu aniversário, publicou o ‘Causos’ da Revap: a história bem-humorada dos 20 anos da Revap. O livro destoa parcialmente dos demais – livros normalmente caracterizados por

certa seriedade na narrativa – por fazer uso do humor, sendo o livro uma coletânea de histórias consideradas engraçadas ocorridas na refinaria. Nos objetivos do livro, explicitados na apresentação sem assinatura, segue a tendência em contribuir para o fortalecimento da identidade do trabalhador da companhia, mas surpreende, por dar ênfase à identidade local, às raízes e características regionais do trabalhador, o que geralmente é ignorado nos livros de memória de unidades operacionais e industriais, em função de uma identidade considerada mais forte, a do trabalhador da Petrobras. Isso fica evidente, quando a apresentação do livro afirma que, com ele, se estaria “resgatando e contribuindo para preservar a memória de toda uma comunidade” (ANDRADE, 2000, p.7). Os causos, segundo a apresentação, revelam o “bom humor” e a “inventividade” típicos dos brasileiros. E não só: o humor manifesta uma característica da “cultura valeparaibana” – portanto, daquela localidade – ao modo, segundo o texto, dos personagens de Monteiro Lobato. Com a publicação dos “causos”, pretendia-se evidenciar que o sucesso da refinaria não pode ser atribuído apenas à

28 A sigla Revap se deve ao fato de a unidade industrial ter ficado comumente conhecida por Refinaria do

Vale do Paraíba (Revap). Fenômeno parecido se verificou recentemente com a Refinaria Abreu e Lima, comumente identificada pela sigla RNEST, em referência ao nome Refinaria do Nordeste, que, pelo que me consta, não chegou a ser um nome oficial da unidade industrial. A sigla Revap aparece na

apresentação da refinaria no site da Petrobras: http://www.petrobras.com.br/pt/nossas-

atividades/principais-operacoes/refinarias/refinaria-henrique-lage-revap.htm. O mesmo não ocorre com a

sigla RNEST: http://www.petrobras.com.br/pt/nossas-atividades/principais-operacoes/refinarias/refinaria-

abreu-e-lima.htm. Contudo, em uma breve pesquisa no site da Petrobras (www.petrobras.com.br) se verifica o uso da sigla RNEST em comunicados oficiais. Enfim, a relação dessas unidades com a companhia e a construção de suas identidades, tema abordado nessa pesquisa por meio dos livros de memória, a meu ver extrapola esse estudo e poderia ser explorado em futuros trabalhos interessados na questão das identidades corporativas.

62

tecnologia e ao treinamento, mas “É preciso contar também com disposição para crescer, convivência feliz e muita, muita criatividade.” (ANDRADE, 2000, p.8) Ainda na apresentação do livro, é dito que a história da refinaria é “suficientemente documentada” – o que também surpreende, visto que, normalmente, esses projetos acentuam a necessidade de se criarem novos registros – e evidencia-se que a carência estava no registro da “visão dos homens e mulheres que construíram sua história, enfrentando e superando dificuldades, encarando de frente o desafio de manter a unidade entre as mais modernas e eficientes do Sistema29”.

O livro, claramente destinado ao fortalecimento da identidade do trabalhador, foi produzido pela própria área de comunicação da unidade. Coordenado pelo gerente de comunicação da refinaria, Gerson Andrade30, teve a ilustração realizada por um empregado da companhia, Péricles José Luiz da Silva, e a capa por Paul Edman de Almeida31. Essa forma quase artesanal de produção não é muito comum na Petrobras dos anos 2000, sendo que as áreas de comunicação das unidades possuem, normalmente, contratos com empresas especializadas para a produção de suas peças de comunicação. Talvez isso evidencie o valor atribuído por alguns trabalhadores da companhia a esses produtos e o esforço empregado por eles na descoberta de caminhos alternativos para viabilizar esses projetos de memória, mesmo quando não possuem a verba necessária. Acredito ser essa característica preponderante na produção desses livros de memória; mesmo os projetos mais rebuscados, com maior apoio gerencial e acesso a recursos, têm em sua gênese o empenho e o envolvimento de certos empregados, verdadeiros propulsores dessa onda de memória na empresa.

Por exemplo, a mesma refinaria de São José dos Campos, que publicou esse livro com pretensão de ser bem humorado, produziu outros dois, em cujos projetos Paul

29

O termo aparece em letra maiúscula por se referir ao Sistema Petrobras, expressão utilizada pela companhia para remeter ao conjunto de unidades e às empresas subsidiárias. Sistema Petrobras seria, portanto, formado por todas as refinarias, unidades de produção e exploração de petróleo, como também as subsidiárias, com a rede de postos de distribuição da Petrobras Distribuidora e a rede de oleodutos, gasodutos e de terminais de distribuição da Transpetro, as unidades petroquímicas etc.

30 Gerson Andrade entrou na companhia como técnico de segurança e se tornou gerente de comunicação

da Revap em 1999, segundo informação obtida no depoimento de Paul Edman de Almeida, concedido ao Programa Memória Petrobras, em São José dos Campos, em 23/06/2009.

31

63 Edman de Almeida32, profissional de comunicação da companhia, também esteve envolvido. O segundo livro da refinaria, também motivado pela comemoração de mais um de seus aniversários, intitula-se Energia e vida: 25 anos da Petrobras no Vale do

Paraíba e foi editado em 2005. Nesse caso, o livro foi encomendado a uma empresa de

comunicação, a Monitor Comunicação e Editora, mas foi produzido sob a direção editorial de Paul Edman de Almeida. O prefácio do livro é precedido por quatro “cartas” – como são denominadas – de apresentação, assinadas pelas autoridades da empresa, em níveis hierárquicos que partem da presidência da companhia e vão até o nível mais alto de autoridade da unidade industrial em questão, ordem muito comum na apresentação desses livros e desejada para atribuir-lhes valor e reconhecimento. Diferente do livro anterior, com ênfase na identidade regional, logo na carta deste, assinada pelo presidente da Petrobras José Eduardo Dutra33 e intitulada “Contribuição para o futuro”, a história da refinaria em São José dos Campos é compreendida como “reprodução” da história da Petrobras. Segundo a apresentação, os trabalhadores da refinaria são a “nossa força de trabalho”, caracterizada pela capacidade de vencer “pesados desafios impostos pela vigorosa região do Vale do Paraíba”. Não se ressalta, portanto, uma característica específica do trabalhador da região, mas enfatiza-se o vínculo deste a uma identidade maior, a dos trabalhadores da empresa, sendo a localidade vista como desafio a ser enfrentado, por seus componentes “mercadológicos, tecnológicos, gerenciais ou ambientais”. (DUTRA, 2005, p. 7) O próprio título do livro indica essa vontade de englobar a história da refinaria pela história da empresa: trata-se dos 25 anos da Petrobras naquela região e não dos 25 anos da refinaria.

32 Paul Edman de Almeida, nessa época, era representante do Programa Memória Petrobras na Revap. Ele

entrou na companhia em 1986, como operador da Revap, uma função exercida nas operações industriais da refinaria. Por ter se formado em Comunicação e Marketing, em 1997, foi transferido para a área Comercial e, em 1999, foi para a área de comunicação da Revap (Informações obtidas no depoimento Paul Edman de Almeida, concedido ao Programa Memória Petrobras, em São José dos Campos, em 23/06/2009). Atualmente, exerce cargo gerencial em São Paulo, segundo cadastro de empregados da

cCompanhia. Ver: http://memoria.petrobras.com.br/depoentes/paul-edman-de-almeida#.VPuOmuErYhQ,

acesso em 07/03/2015.

33 José Eduardo de Barros Dutra, no período de 1983 a 1990, trabalhou como geólogo na Petrobras

Mineração (Petromisa), na época uma empresa subsidiária da Petrobras. Em 1985, filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT) e iniciou uma vida pública que lhe valeu a candidatura ao governo do Sergipe e a eleição à função de senador, em 1994. Presidiu a Petrobras, no período de 2003 a 2005, e a Petrobras Distribuidora, de 2007 a 2009. Em 2012, assumiu a função de Diretor Corporativo e de Serviços da

Petrobras. Ver: http://memoria.petrobras.com.br/depoentes/jose-eduardo-de-barros-dutra#.VPuPC-

64

Outra “carta”, dessa vez assinada pelo então diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa34, é intitulada “Hora da integração” e segue a mesma ideia de inclusão do local no global. De acordo com a apresentação, “A exemplo da Revap, todo o Abastecimento tem um time extremamente competente. São pessoas muito preparadas, com alto grau de conhecimento de sua atividade”; o sucesso da refinaria estaria em acompanhar “a evolução do Vale do Paraíba e do Brasil como um todo”. (COSTA, 2005, p. 8)

A carta do gerente executivo de Refino da Diretoria de Abastecimento, Alan Kardec, também publicada na abertura do livro, tem um tom mais pessoal. Kardec esteve presente na cerimônia de inauguração da refinaria e se recorda daquele momento, quando era, segundo diz, “um dos jovens petroleiros” a trabalhar pela superação dos “complexos problemas de uma unidade em início de operação”. E para fazer o salto, no seu texto, da unidade à empresa como um todo, afirma: “Da mesma forma que a Refinaria, a área de refino da Petrobras tem números grandiosos para apresentar, dando uma ideia da sua importância estratégica para o Brasil” (KARDEC, 2005). A apresentação do gerente geral João Ricardo Barusso Lafraia, responsável pelo gerenciamento da refinaria, enfatiza a importância daquela unidade no atendimento “às necessidades criadas pela evolução do Brasil”. Segundo ele,

(...) a Refinaria já acumula ferramentas e conhecimentos capazes de colocá- la entre as mais eficientes do sistema Petrobras, que, por sua vez, se equipara às companhias mais avançadas do mundo. Mesmo assim, a equipe Revap não se considera satisfeita. Sabe que ainda há muito que avançar, pois nosso País também está avançando e precisa de recursos cada vez mais sofisticados. (LAFRAIA, 2005, p. 10)

34 Paulo Roberto Costa, engenheiro mecânico de formação, ingressou na Petrobras em 1977 e participou

ativamente do desenvolvimento da Bacia de Campos, região de maior produção de petróleo no país. Ocupou altos cargos gerenciais na companhia, chegando a assumir a Diretoria de Abastecimento, em 2004, função que exerceu até 2012, quando se desligou da Petrobras. Costa tem sido alvo de

investigações da chamada Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, por crime de lavagem de dinheiro e

In document Sikkerhetskultur i omsorgstjenesten (sider 28-31)