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3. Beskrivelse av casestudiet

3.2 Trafikksituasjonen

DSC: “Acredito no céu, na vida eterna. (mãe n. 6). Mas temos que esperar adormecer

em Deus para acordar no grande dia. (mãe n. 14). Existe sim e acredito que ele esteja bem. Acho que Deus preparou o melhor para nós (mãe n. 15). Acredito, mas não sei como fica no caso dele que se suicidou, mas sei que Deus é perdão e deve saber porque ele fez isso, né?”

(mãe n. 20).

No DSC sobre a crença na vida eterna, foi possível constatar que, embora o conceito de Ressurreição não esteja ainda bem claro (como será evidenciado nas próximas categorias) a fé na vida eterna faz parte da esperança da maioria (18, das 20) mães entrevistadas. Não houve necessidade de dividir a categoria em temas porque o padrão de respostas das mães sobre esse assunto foi muito semelhante.

255 Cf. CLINEBELL, H. J. AconselhamentoPastoral: modelo centrado em libertação e crescimento, p. 230. O

termo poimênica vem do grego poimen que significa pastor. A poimênica, em si, quer nos revelar um minis- tério de ajuda congregacional, que a instituição religiosa presta para às pessoas com obras solidárias, auxili- ando na busca do crescimento. Como disciplina, a poimênica inclui uma gama de fatores ou matérias, como, por exemplo, o Aconselhamento Pastoral, e esse tem como estudo fundamental a resiliência.

“Imagino a vida eterna um lugar de felicidade, de paz com Deus. Seria muito triste pensar: morreu, morreu.” (mãe n. 11).

Constatou-se, como bem escreveu Moltmann, que a vida eterna é um amplo espaço de vida, no qual a vida interrompida, prejudicada e destruída poderá desenvolver-se livremente. Se já nesta vida experimentam-se momentos de liberdade, quanto mais haverá de ser assim na vida eterna.256 Essa esperança traz alívio e resiliência às mães que sempre querem que seus filhos estejam bem: “Acredito na Vida Eterna. Vejo tanta maldade no mundo. (mãe 17). Sei que meu filho está muito melhor que eu. Para ele, dependente das drogas, ele agora está lon- ge do sofrimento e da prisão.”(mãe n. 3). Nessa fala é possível constatar que, mesmo com a

dor da saudade, a vida eterna traz consolo.

Moltmann defende que a fé na vida eterna dará àqueles cujo espaço vital aqui na Terra lhes foi destruído uma força para viverem a vida que lhes estava destinada e para a qual nas- ceram. Essa ideia é consoladora para quem está na iminência da própria morte e para quem perde alguém querido. A fala auxilia na compreensão: “Acredito que depois desse mundo difí-

cil virá outro melhor. Diz a Bíblia: bem-aventurados os que choram porque serão consolados e verão a Deus.” (mãe n. 16). A vida eterna não pode ser pensada senão como um dom, mas

um dom que deve ser acolhido pela liberdade humana, pois a vida eterna é o milagre do amor, que é mistério e que é Deus que se doa ao ser humano. Por isso, é a vida consolidando-se, definitivamente válida, participando da própria vida de Deus e, por isso, é vida eterna.257

Na mãe de Confissão Cristã Batista, aparece a Teologia da dormição destinada aos mortos, que aguardam a vinda gloriosa de Cristo: “A morte traz dor, sofrimento, termina essa

vida pra começar outra em Deus sem sofrimento. Mas temos que esperar adormecer em Deus para acordar no grande dia.” (mãe n. 14). É importante citar que, quanto maior for a clareza

sobre a transformação do mundo em Cristo, maior será o consolo. Quando se fala em consolo, não significa diminuir o sofrimento, mas ter mais resiliência diante desse sofrer. Nas concep- ções de Moltmann, “somente em Deus existe aquela vivacidade original, somente em Deus existe aquela beleza que promete não apenas felicidade, mas também a bem-aventurança eter- na. Somente em Deus há movimento e repouso”.258

256 Cf. MOLTMANN, J. A vinda de Deus: escatologia cristã, p. 137.

257 Cf. MARTINEZ-GAYOL, N. Vida eterna. In: ORTEGA, J. L. C. Tipologia de la muerte II. ORTEGA, J. L.

C. Sobre la muerte y el morir. Burgos: Monte Carmelo, 2009, p. 268-271.

Constatou-se, nesse tema, novamente, a preocupação das mães com os filhos que se suicidaram, conforme já analisado na categoria anterior. Nesse caso, pode-se pensar não so- mente no medo do não perdão de Deus, como também, na projeção materna sobre esse per- dão. Para a mãe cujo filho suicidou-se sempre haverá uma pergunta sem resposta, conforme declarou uma mãe: “Quando encontrar meu filho no céu, a primeira coisa é perguntá-lo: por

que fez isso? Por que não contou o que sentia?” (mãe n. 15). Tornou-se evidente a dificulda-

de de aceitação e até mesmo de perdão à decisão suicida do filho. Psicologicamente, pode-se levantar a hipótese de que as mães estejam transferindo essa não aceitação e dificuldade de perdão para a figura de Deus. Por outro lado, sabe-se que, por muito tempo, a Igreja condenou à não salvação quem praticasse suicídio, embora atualmente a Igreja Católica demonstre mise- ricórdia nessa situação, esclarecendo que ela ora pelas pessoas que atentaram contra a própria vida (Cf. CEC, n.2.283). Sem dúvida, a antiga postura da Igreja, embora tivesse um fundo pedagógico preventivo, aumentava ainda mais o sofrimento e o sentimento de impotência da família, tornando certamente, o processo de luto mais complicado.

Moltmann entende que “nossa vida termina na morte, é verdade, mas a verdade maior é que nossa morte termina na ressurreição para a vida eterna. Por esta razão, a morte é o fim, mas não o derradeiro. Ainda haverá algo.”259 Essa é a fé declarada nas entrevistas e que,

mesmo parecendo algo abstrato no momento, apresenta certa resiliência, pelo fato de as mães acreditarem que os filhos vivem em Deus e que não morrerão para sempre.