5. Risiko-, konsekvens- og kostnadsanalyse
5.1 Risikoanalyse
5.1.1 Eksempel på hendelser
A despersonalização e a desrealização comentadas pelas mães enlutadas remetem à cena do Getsêmani, em que, diante da agonia e do desespero de perder o mestre, os discípulos dormem. Moltmann relembra que a inconsciência e o sono sem esperança são a reação dos discípulos. Isso é o que acontece quando as pessoas sentem-se completamente em perigo, sem saída, ou seja, sentem-se anestesiadas. Não é um sono reparador, mas um entorpecimento mórbido dos sentidos: de olhos abertos, nada se vê; de ouvidos atentos, nada se ouve, passa-se ao estado de rigidez, apesar de corpo estar ativo.274 Essas reações igualmente foram relatadas
pelas mães entrevistadas como aparece no DSC das depoentes.
A citação do Livro de Jó lembra a importância silenciosa dos amigos diante do sofri- mento: “Ninguém lhe disse uma palavra, pois viam como era grande o seu sofrimento” (Jó 2,13). Os depoimentos mostraram a importância da presença e do abraço dos amigos. Poucas palavras boas e significativas foram lembradas, porque não é preciso ter sempre uma palavra final nem todas as explicações, porque se correria o risco de se dar respostas medíocres e re- ducionistas. O relato ilustra tal situação: “Se ouve muita coisa que não significa nada naquela
hora, que, desculpe, mas é até bobagem. Então não marca, não ajuda.” (mãe n. 19). Por isso,
diante do mistério, consola o calar. Não que o falar não seja importante, porém, como vem sendo analisado, esse pode ficar para outro momento.
O abraço como consolo foi mencionado unanimemente pelas mães enlutadas. O conta- to físico tem poder de comunicar muitas coisas. Implica comunhão, permite fazer a experiência de romper a couraça dentro da qual a pessoa pode se esconder e se isolar. Ao abraçar, se acolhe a fragilidade do outro, permite que ele descarregue fortes emoções.275 É, sem dúvida, a grande satisfação da proximidade e a reconfortante comunhão do não estar só em sua dor. Quando São Paulo convida a “chorar com os que choram” (Cf. Rm 12,15), o faz também exortando-os a serem humildes, como se estivessem definindo com palavras da época, o significado da empatia e da afinidade. As lágrimas são como palavras, mesmo que não sejam pronunciadas; amparar quem chora é acolher. Partilhar a dor liberta e alivia o peso do sofrimento, como no desabafo a seguir:
274 Cf. MOLTMANN, J. No fim, o início: breve tratado sobre a esperança, p. 103. 275 Cf. BERMEJO, J. C. Estou de luto: reconhecer a dor para recuperar a esperança, p. 55.
Nunca mais vou me esquecer, que o bispo olhou meus três filhos no caixão, me abraçou, disse que não tinha o que explicar e chorou. Isso me consolou muito. Vi que não tinha resposta mesmo para tudo aquilo. Ainda vou agradecê-lo por aquele gesto, porque na hora tudo é muito confuso. (mãe n. 2).276
Cardedal entende que, a esperança culmina na confiança que se faz oração, na oferta de si mesmo e na paz de quem acredita em Deus e na sua misericórdia, mesmo com o coração angustiado e ferido. Quem crê e espera em Deus encontra consolo. O cristão invoca, pela fé: “Em tuas mãos, Senhor está meu destino.” (Cf. Sl 30, 16).277 Os relatos desse tema mostram
que as orações acalmavam as mães, porque toda mãe quer ver seu filho bem e, segundo as entrevistas, as orações falavam que os filhos iriam ficar bem porque estariam perto de Deus.
A Teologia ressalta que ressignificar a morte de quem é amado é assumir sua despedi- da, é entregá-lo a quem é mais forte do que a morte: Deus.278 Embora isso aconteça em meio a muito sofrimento e confusão emocional, constatou-se, no discurso coletivo, que essas mães sentiam maior amparo, enquanto as mães revoltadas contra Deus ou sem fé centralizavam sua atenção na perda do filho e na revolta em si, encontrando menos consolo: “Lembro muito dos
colegas chorando e o que diziam sobre ele. Nenhuma oração me consolava porque estava com raiva de Deus.” (mãe n. 9). Observou-se nesses relatos que o processo de luto tornou-se
complicado, principalmente pela rigidez de comportamento e no temperamento dessas mães, originando grande fechamento em relação a qualquer contato social, não encontrando possibi- lidade de esperança.
Para Moltmann, no momento da perda, a gratidão mantém a comunhão com as pessoas queridas, deixando livre a pessoa morta; isso significa uma flexibilidade mesmo no terrível sofrimento da morte, porque, na linguagem da fé, as pessoas amadas podem ser confiadas ao dom do amor, que é Deus, quando a morte chega. Percebeu-se que as mães, conforme o en- tendimento de Moltmann, sentiram o consolo dessa entrega a Deus. Refere uma mãe que per- deu seus dois filhos: “Entreguei eles a Deus. Me apeguei ainda mais em Deus com este sofri-
mento.” (mãe n. 2). Cabe salientar que essa entrega a Deus não significa um conformismo
com Deus quis assim. Conforme Moltmann, a consolação no luto deve-se à certeza de que o falecido está amparado por Deus, mas para isso é preciso entender Deus como amor eterno,
276
Relato da mãe entrevistada, n. 2.
277 Cf. CARDEDAL, O. D. Raiz de la esperanza, p. 244-245. 278 Cf. ORTEGA, J. L. C. Sobre la muerte y el morir, p. 159.
não como um poder celeste insensível e indiferente.279 Somente, então, se torna possível ter a certeza de que a própria aflição também é a aflição de Deus e de que, na dor, também está presente uma dor divina. Esse entendimento tornou-se difícil para algumas das mães, num primeiro momento, perante o sofrimento e a morte injusta.
Kübler-Ross assim escreveu: a morte e a perda fazem as pessoas, paradoxalmente, mais completas. “Ela [a morte] ajuda a maneira de entendermos os outros. Ela nos liga uns aos outros de um jeito que nenhuma lição de vida é capaz de fazer. Quando somos unidos pela experiência da perda, nós nos tornamos mais solidários, generosos e sensíveis.”280