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5. Risiko-, konsekvens- og kostnadsanalyse

6.2 Anbefaling

A primeira pergunta que poderia surgir é se o que está acontecendo na humanidade é um sinal dos tempos ou o processo natural da evolução da humanidade. A

338

BAUMAN, Z., Op. cit., p. 76. 339

Na obra citada: Representação e Complexidade, o presidente da Comissão sobre a Educação no Século XXI, criada pela Unesco, apresenta quatro pilares sobre os quais a educação deve se pautar: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a ser e aprender a viver, aos quais Edgar Morin acrescentou aprender a aprender e reaprender a pensar. O novo cogito esperado e proposto, próprio do cidadão da Terra-Pátria que articulará o mundo global e local deverá ser “participo, logo existo”. Caso contrário, o cidadão vai fazer número (nos censos e nas estatísticas, nas eleições), mas não conta e ninguém conta com ele.

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expressão sinal dos tempos implica no reconhecimento de que o Espírito Santo está por trás de todo esse processo. Significa poder encontrar fundamentos teológicos para a realidade da globalização. O primeiro fundamento teológico é a unidade do gênero humano com o reconhecimento da fraternidade como um dos núcleos da mensagem de Jesus, onde se atua a igualdade e a comunhão. Para Teilhard de Chardin tal unidade se exprime, em termos de evolução, no reconhecimento da raiz comum, na distinção somente em raças e na unidade da espécie, bem como na concepção do processo evolutivo convergente como Criação contínua.

Implicitamente, o reconhecimento da fraternidade como desígnio de Deus para a humanidade leva a crer que a interdependência dos povos e a solidariedade, favorecidas pela

globalização, se harmonizam com o projeto de Deus.

O fenômeno cultural, social, econômico e político da interdependência, que intensifica e torna particularmente evidentes os vínculos que unem a família humana, evidencia “um novo modelo de unidade do gênero humano, no qual deve inspirar-se, em última instância, a solidariedade. Esse supremo modelo de unidade, reflexo da vida íntima de Deus é o que nós cristãos designamos com a palavra ‘comunhão’”341. A unidade é um

desígnio de Deus, contudo a sua realização não é automática, mas compromete e solicita o empenho ético cristão na construção de um mundo possível para todos.

A Igreja tem um método próprio para enfrentar as mudanças provocadas pela globalização: enquanto muitos procuram entender o fenômeno ela destaca a sua

governabilidade.342

Sendo um fenômeno humano, ligado ao exercício da liberdade e da responsabilidade de cada pessoa, e não um fenômeno de natureza hiper-orgânica343, o

fenômeno da socialização coletiva, para ser bem entendido deve poder ser conduzido. João Paulo II, durante o Jubileu do ano 2000, encontrando-se com os trabalhadores destacou duas qualidades necessárias: discernimento e critério (saggezza) para governar tal fenômeno.344

O Pontífice explica que o impulso à globalização está dentro da criatura humana: “Os povos tendem a unir-se não apenas em razão das formas de organização, de

341

Cf. PONTIFÍCIO CONSELHO JUSTIÇA E PAZ. Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 33, p. 33. 342

ARAÚJO, V. Op. cit., p. 8. 343

Cf. CHARDIN, P.T. O Fenômeno Humano, p. 275. 344

JOÃO PAULO II, Jubileu dos Trabalhadores, Roma, 1.5.2000. Disponível em:

http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/homilies/documents/hf_jp-ii_hom_20000501_jub- workers_it.html#top Acesso em 3 de fevereiro de 2007.

vicissitudes políticas, de projetos econômicos [...], mas porque livremente se orientam para a cooperação, cônscios de serem membros vivos de uma comunidade mundial”345

.

O aspecto econômico é motivo de apreensão ao Magistério. Progresso ou ameaça?346

A Igreja partindo da visão sobrenatural do homem e da mulher coloca-se numa posição de diálogo com o mundo a fim de acompanhar de perto e de dentro as etapas do progresso hodierno. O domínio sobre as coisas acarreta um perigo real e evidente de submissão e de manipulação da humanidade, cindindo-a entre aqueles que usufruem tirando o máximo proveito das coisas e das estruturas financeiras, monetárias, produtivas e comerciais e os que sofrem as conseqüências dos danos e injúrias. Denunciando os mecanismos financeiros, econômicos e sociais, o Magistério introduz a categoria ‘estruturas de pecado’.347

Ao mesmo tempo, reconhece-se a Criação de muitas oportunidades na promoção do desenvolvimento. Assevera-se a necessidade de princípios de justiça e equidade para que os bens produzidos cheguem a todos como: a busca do bem comum, a destinação universal dos bens, a equidade nas relações comerciais, a atenção aos direitos e às necessidades dos mais pobres, a cooperação internacional.348

Em relação aos meios de comunicação a Igreja é mais otimista, mas chama a atenção ao uso correto de tais meios. Ela sempre os viu como algo positivo, como um dom de Deus capacitado a favorecer a socialização. É o lugar onde se formam os valores e os comportamentos349

, instrumentos de fraternidade. A Igreja exprime-se com a expressão “globalizar a solidariedade” aplicando os princípios de justiça e equidade a fim de que a utilização desses meios seja solidária. Se forem usados mal, poderão se tornar “meios para edificar e sustentar sistemas econômicos a serviço da avidez e da ganância”350

. Dentro de um quadro de direitos e deveres, os meios de comunicação sociais são “um patrimônio que deve ser defendido e promovido”351, porque influem diretamente na formação das consciências,

345

Cf. PONTIFÍCIO CONSELHO JUSTIÇA E PAZ. Op. cit, 432, p. 243. 346

Cf. JOÃO PAULO II. O Redentor do homem, 16, p. 48s. 347

Cf. Idem Solicitude Social, 16, p. 27. 348

Cf. Idem, Centesimus Annus, 58, p. 104 s. 349

PONTIFÍCIO CONSELHO PARA AS COMUNICAÇÕES SOCIAIS. É tica da Publicidade, 22, p. 36. 350

PONTIFÍCIO CONSELHO JUSTIÇA E PAZ. Op. cit., 561, p. 310. 351

No que diz respeito à política, a posição do Magistério é clara. Em todos os seus documentos exprime o desejo de que se crie uma eficaz autoridade política mundial

dotada de poderes.352 Tal instituição deveria desempenhar uma “política internacional voltada

para o objetivo da paz e do desenvolvimento mediante a adoção de medidas coordenadas para a solução dos problemas”353

.

O aspecto cultural e ético é o que mais suscita preocupação por parte da Igreja. O Concílio Vaticano II não só procurou atualizar as orientações em nível de Igreja, mas indicou também como deve ser a presença dos cristãos e como eles devem proceder no seu relacionamento com o mundo contemporâneo.

Não existem muitos documentos do Magistério sobre a globalização, mas João Paulo II dirigindo-se à Pontifícia Academia das Ciências Sociais, em 27 de abril de 2001, diz:

Uma das preocupações da Igreja sobre a globalização é que ela tornou-se rapidamente um fenômeno cultural. O mercado como mecanismo de intercâmbio tornou-se instrumento de uma nova cultura. [...] O mercado impõe seu modo de pensar e de agir, e imprime no comportamento a sua escala de valores.354

“A globalização não deve ser um novo tipo de colonialismo”355, a Igreja se

levanta em defesa dos seres humanos e das suas culturas. O caminho indicado é o diálogo. À base do respeito à dignidade e à liberdade da pessoa humana está a questão ambiental. É um requisito da dignidade humana o exercício do domínio sobre a Criação, de modo adequado a fim de que se reverta em benefício à inteira família humana.

Se, no curso da história, o relacionamento homem-natureza foi equilibrado, harmonioso e, às vezes, até de colaboração, hoje, entrou em crise e vem sendo considerado um problema ético. São muitos os fatores que determinaram essa crise, mas sistematicamente pode-se afirmar que ela nasce do fato de que os homens e as mulheres da sociedade industrial

352

PONTIFÍCIO CONSELHO JUSTIÇA E PAZ. Op. cit., 441, p. 248. 353

Ibidem, 442, p. 249. 354

JOÃO PAULO II. Pontifícia Academia das Ciências Sociais, 3 e 4. Disponível em:

http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/2001/documents/hf_jp-ii_spe_20010427_pc-social- sciences_it.html Acesso em 3 de fevereiro de 2007.

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não são mais capazes de administrar simultaneamente a criatividade humana e a valorização da natureza.

No pensamento de Teilhard de Chardin esse antagonismo é anulado porque o relacionamento homem-natureza centraliza-se no amor. Um amor em vias de aperfeiçoamento, que tende à plenitude, mas que se torna partícipe da sabedoria de Deus, segundo a qual, na Terra, tudo está disposto numa relação de amor e só o amor torna possível a percepção do fio de ligação entre os seres.

Para Chardin o amor é o único meio onde a evolução pode avançar no melhor de si, a fim de alcançar um relacionamento equilibrado entre a pessoa e a natureza e uma consciência ecológica madura. O papel criativo da pessoa humana está em conduzi-la a Deus.