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5 ARKTRANS Roles and Objects

5.3 Descriptions of Roles

1.1.31 Traffic Condition Information Provider

A quarta e última aula descrita e discutida nesta análise, enfocava uma atividade com o item lexical huelga e foi realizada no dia 19/05/2009, contando com a participação de três alunos: uma aluna do sexo feminino (A1) e dois alunos do sexo masculino (A5 e A11). O objetivo dessa aula foi observar como seria a relação do aluno com as concordâncias puras, sem a seleção prévia de padrões e sem exercícios específicos, ou seja, foram apresentadas aos alunos folhas impressas com as trinta e duas primeiras concordâncias da palavra huelga da maneira como foram extraídas do corpus, conforme expliquei no Capítulo Metodológico. Na aula, enquanto os alunos liam as concordâncias, os questionamentos eram feitos por mim de acordo com suas descobertas. A seguir, apresento a tabela com as ocorrências de critérios de mediação por parte da professora.

Tabela 30: critérios de mediação da professora – huelga

Número do critério analisado Número de turnos 6 - compartilhamento 14 1 – intencionalidade 13 9 - desafio 8 7 - individuação 3 2 – transcendência 1 39 (total)

Com base na tabela anterior é possível notar que a professora detém menos da metade dos turnos produzidos em sala de aula enquanto realizava a atividade com o item lexical huelga, pois trinta e nove turnos foram produzidos pela professora, dos noventa e três turnos totais da aula (41,93%).

Em seus turnos, os critérios que podem ser observados são os de compartilhamento (6), quando sintetiza as informações e as descobertas levantadas por todos os alunos, auxiliando-os a encontrar as respostas (e.g.: Até agora vocês me disseram: caixa, folga, férias, paralisação e greve, todas essas palavras têm relação? Tem alguma que vocês descartam?– turno 22); os de intencionalidade (1), quando a professora direciona o tipo de trabalho a ser desenvolvido (e.g.: Eu vou entregar essas folhas com as linhas de concordância da palavra “huelga” e nós vamos descobrir o significado dela, vocês se lembram como a gente trabalhou no ano passado... a palavra está centralizada, tudo bem? São 32 linhas, eu gostaria que vocês dessem uma lida e me dissessem qual o significado dela, se as linhas ajudam... Vocês querem ler em voz alta? O que vocês percebem ai? – turno 3); os de desafio (9), quando pergunta algo que vai além da resposta dada pelo aluno, incentivando-o a refletir sobre sua resposta e a justificá-la com argumentos mais tangíveis (e.g.: Por que você acredita que é folga?– turno 14); os de individuação (7), quando a professora por meio de uma pergunta visa a perceber como um aluno, em particular, entende a atividade (e.g.: Por que? Você vai copiar o que você leu? – turno 77) e os de transcendência (2), quando a professora quer que o aluno vá além do questionado pela atividade, ou seja, que o aluno inclua a palavra destacada na aula em uma situação concreta da vida (e.g.: Mas greve tem o mesmo sentido de paralisação? – turno 20).

Dessa forma, pode-se concluir que, nesta aula, a análise da fala da professora foi caracterizada por seu intento de mostrar para o aluno como as falas de cada um contribui para a descoberta da resposta certa (compartilhamento/intencionalidade), mesmo que naquele momento da aula ela só estivesse preocupada com o caminho que

levaria o aluno a aprender determinado item lexical em língua espanhola. A seguir, apresento o levantamento dos critérios de mediação presentes na fala dos alunos.

Tabela 31: critérios de mediação do aluno – huelga

Número do critério analisado Número de turnos 4 – sentimento de competência 24 7 – individuação 19 6 – compartilhamento 8 3 – significado 2 1 – reciprocidade 1 54 (total)

É possível observar que cinqüenta e quatro turnos do total de noventa e três correspondem à produção dos alunos. Em seus turnos, os critérios que podem ser observados são os de sentimento de competência (4), quando explicam, com confiança, um argumento fruto de reflexão (e.g.: Não, é diferente, quem tá em greve é porque tá brigando por aumento salarial, quem tá de férias tá viajando… sei lá… um é um direito, quer dizer, os dois são direitos do trabalhador, mas um é uma briga, uma luta, outro é um merecimento, um prêmio – turno 28); os de individuação (7), quando um aluno expressa sua opinião particular (e.g.: Eu acho que no máximo umas dez linhas – turno 38); os de compartilhamento (6), quando justificam para o grupo sua escolha de significado (e.g.: Mas pode ser folga, “La huelga” concluirá hoje no turno da noite, entre as 22.00 e às 23.00 horas – turno 25); os de significado (3), quando são capazes de associar o item lexical com sua experiência prévia e com aquilo que ocorre fora das paredes da sala de aula (e.g.: Eu entendi que eles começam a reinvidicar seus direitos em 40%, foi isso que eu entendi – turno 15) e os de reciprocidade (1), quando demonstram estar dispostos a responder a qualquer pergunta (e.g.: Que mais você quer saber? – turno 80).

A fala do aluno, nesta aula, pode ser caracterizada, portanto, pelo sentimento de segurança/competência ao alcançar as respostas certas, seja em grupo ou individualmente. Dando continuidade à análise, passo a discutir a freqüência de seqüências mediacionais desta última aula, a partir do quadro com seis turnos.

Quadro 32: Seqüência mediacional com 6 elementos – huelga

Ordem Freqüência Falante/

critério Falante/critério Falante/critério Falante/critério Falante/critério Falante/critério

1 2 A-7 A-7 P-6 A-7 P-1 A-7

Em relação às seqüências de seis turnos, o que mais ocorre é um aluno mostrando seu processo de descoberta de significado (A-7); outro aluno arrisca

descobrir um significado diferente daquele dito pelo colega para a palavra huelga (A-7); a professora lança uma pergunta a fim de que o aluno justifique sua escolha perante o grupo (P-6); o aluno tenta explicar sua escolha com base nas concordâncias, justificando sua escolha (A-7); a professora seleciona uma linha de concordância e seleciona para a leitura somente a informação que julga ser pertinente para que os alunos descubram o significado (P-1) e finalmente o primeiro aluno descrito nesta seqüência arrisca um significado (A-7). Isso pode ser observado nos turnos de 04 a 09 e de 40 a 45 (Anexo 13). A seguir detalho o que os dados revelam em seqüências com cinco elementos.

Quadro 33: Seqüência mediacional com 5 elementos – huelga Ordem Freqüência Falante/

critério Falante/critério Falante/critério Falante/critério Falante/critério

1 2 A-7 P-6 A-7 P-1 A-7

2 2 A-7 A-7 P-6 A-7 P-1

3 2 A-4 P-6 A-6 P-1 A-4

Como informado anteriormente, são explicadas as seqüências que trazem novas informações e que contribuem para a compreensão de como se dão os ciclos mediacionais em aulas com concordâncias. Desse modo, apresento aqui, com base no quadro anterior, a discussão da seqüência de cinco turnos A-4/P-6/A-6/P-1/A-4 (linha 3). Nela, o aluno consegue explicar o uso da palavra huelga em espanhol, demonstrando sentimento de competência (e.g.: Tudo o que aparece com a palavra em espanhol é o que a gente usa com greve e paralisação no português. Elas se encaixam no mesmo uso. “Até o momento, a paralisação tem sido apenas na cidade de Vigo” – turno 64), a professora quer que todos os alunos saibam localizar a resposta dada pelo aluno (A5), ou seja, ela quer compartilhar a descoberta de A5 (e.g.: Em que linha você está? – turno 65), o aluno (A5) compartilha a resposta com o grupo (e.g.: Linha 15 – turno 66), a professora tem ali um objetivo alcançado, isto é, ela consegue com a resposta de A5 que o grupo acompanhe o uso da palavra huelga (e.g.: Ah, ta... – turno 67), finalmente, outro aluno percebe as correspondências que os artigos em língua espanhola la e una têm em português (e.g.: A greve, uma greve – turno 68). Esse tipo de freqüência pode ser observado não só nos turnos de 64 a 68, mas também nos de 88 a 92.

Quadro 34: Seqüência mediacional com 4 elementos – huelga

Ordem Freqüência Falante/critério Falante/critério Falante/critério Falante/critério

1 2 P-6 A-7 P-1 A-7

2 2 P-6 A-6 P-1 A-4

3 2 P-1 A-7 P-6 A-7

4 2 P-1 A-7 P-1 A-7

5 2 A-7 P-6 A-7 P-1

6 2 A-7 P-1 A-7 A-7

7 2 A-7 A-7 P-6 A-7

8 2 A-4 P-6 A-6 P-1

9 2 A-4 A-4 A-4 P-6

10 2 A-4 A-4 A-4 A-4

Com base no quadro anterior é possível observar na linha 4 a seqüência de quatro turnos P-1/A-7/P-1/A-7, que ocorre duas vezes e que pode ser destacada na relação da professora organizando a realização da atividade, demonstrando um objetivo de maneira mais clara e levando o aluno à (intencionalidade) e dos alunos de maneira individual, respondendo ao questionado pela professora (individuação), o que volta a ocorrer na seqüência novamente e que é notado nos turnos de 01 a 04 e de 08 a 11.

Já a seqüência A-4/A-4/A-4/A-4 (linha 10) pode ser observada nos turnos de 84 a 87 e de 85 a 88, ou seja, uma seqüência faz parte da outra e demonstra na fala dos alunos que as atividades com concordâncias os levam a pensar sobre o comportamento da língua e que conseguem internalizar seu significado, diferenciando assim quando procuram uma palavra no dicionário e quando descobrem seu significado compartilhando descobertas com os colegas. Isso pode ser observado no excerto a seguir (5).

Excerto 5:

84 A1 Pode até ser que lembre, mas você só tem certeza lendo linha por linha, que é mais ou menos aquilo que a gente disse sobre o que é que aparece com folga e o que é que aparece com greve.

4

85 A5 Esse tipo de atividade te estimula mais a pensar. 4

86 A11 Eu acho que a gente descobriu o significado e vai ser difícil esquecer a palavra, porque é diferente de quando aparece no texto no meio da aula, ou a gente pergunta ou a gente procura no dicionário, mas toda semana a gente procura as mesmas palavras, assim é diferente, a gente guarda porque a gente discutiu o que poderia ser.

4

87 A5 Também acho isso, tem palavra que a gente procura no dicionário e meia hora depois não lembra mais, esse tipo de atividade é mais produtiva.

4 88 A11 A gente pode não lembrar do texto, mas da palavra a gente lembra. 4

A seguir, discuto as relações seqüênciais da mediação de dois turnos mais relevantes entre professora e alunos na aula cujo objetivo central estava centrado na descoberta de significado e de padrões da palavra huelga.

Quadro 35: Seqüência mediacional com 2 elementos – huelga

Ordem Freqüência Falante/critério Falante/critério

1 7 P-1 A-7 2 7 A-4 P-6 3 7 A-4 A-4 4 6 P-6 A-7 5 6 A-7 P-6 6 5 P-9 A-4 7 5 P-6 A-4 8 5 A-7 P-1 9 4 A-7 P-9 10 4 A-7 A-7 11 4 A-4 P-1 12 3 P-6 A-6 13 3 P-1 A-4 14 2 P-7 A-4 15 2 A-6 P-1 16 2 A-6 A-6 17 2 A-4 P-9 18 2 A-4 P-7

É possível observar na linha 6 cinco ocorrências da seqüência P-9/A-4, o que representa o desafio lançado pela professora e o sentimento de competência na resposta dada pelo aluno, podendo ser notado nos turnos 27 , 28; 29, 30; 33, 34; 63, 64 e 75, 76 (Anexo13). Já na linha 7 se observam cinco ocorrências da relação da professora compartilhando e do aluno experimentando o sentimento de competência P-6/A-4, freqüentes nos turnos 22, 23; 35, 36; 51, 52; 61, 62 e 69, 70. E, finalmente, a seqüência de turnos P-7/A-4 pode ser observada nos turnos 77 e 78, e 83 e 84, em que a professora recorre ao critério de individuação (e.g. Por quê? Você vai copiar o que você leu? – turno 77) e o aluno sente-se capaz para produzir algo novo a partir do conhecimento aprendido (e.g. Não, com tudo isso que a gente discutiu dá para criar: La huelga en Ciudad del Este dura una semana – turno 78).

Até o momento, apresentei a análise de mediação aula a aula, porém senti a necessidade de observar esses dados como um todo, ou seja, de verificar como a mediação se dá, de maneira geral, o que discuto a seguir.