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Total ozone in Ny-Ålesund

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1 Norwegian ozone measurements in 2020

1.3 Total ozone in Ny-Ålesund

As desigualdades regionais ficam bem patentes na representação cartográfica dos agrupamentos e respectivas variáveis. O emprego jovem, a saída escolar precoce e a desigualdade educativa tendem a concentrar-se no cluster 3 (representado a azul) e respectivas variáveis. O emprego jovem, a saída escolar precoce e a desigualdade educativa tendem a concentrar-se num conjunto bem definido de concelhos em que a inserção precoce no mercado de trabalho, baixos níveis de escolarização dos pais e elevada desigualdade educativa atingem níveis elevados.

Este cluster abrange uma vasta região do norte do país e alguns concelhos a sul, onde existe oferta de trabalho não qualificado, tradição de trabalho infantil e inserção precoce no mercado de trabalho.

Os níveis mais elevados de desigualdade educativa estão representados no cluster 4, a norte do país, com os concelhos 38representados a vermelho.

Podemos identificar outro cluster (2, representado a verde), onde se destacam os níveis mais elevados de taxa de insistência escolar, representando as regiões do Interior Norte e Centro e do Alentejo. Neste grupo encontramos zonas menos urbanizadas, com menor empregabilidade jovem (a existente ligada ao sector primário) e maior envelhecimento populacional39, o que pode retardar a saída dos jovens para o mercado de trabalho, pela fraca atractabilidade das opções disponíveis.

No restante grupo (cluster 1, representado a amarelo) distinguem-se concelhos com maior poder de compra e melhores índices de escolaridade. Melhores níveis de taxa de aprovação ao nível do secundário e maiores custos com a educação (custo por aluno e remunerações com pessoal docente). São concelhos do Litoral e do Interior, existindo tanto concelhos urbanizados e com algum peso ao nível da classe média, como concelhos mais rurais.

No geral para diferenciar estes concelhos o poder de compra e escolaridade dos pais são decisivos.

As variáveis incluídas neste estudo ao nível da organização escolar e desempenho fogem à dicotomia do status socioeconómico. Existe uma lógica de

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- Concelhos como Penalva do Castelo, Vila Verde, Pampilhosa da Serra, Aguiar da Beira, Marco de Canavezes, Amares, Cabeceiras de Basto, Castro de Aire e Celorico de Basto.

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organização que foge à noção de factores sociais, tendo provavelmente factores próprios.

Conclusão

O conhecimento da topologia social e seus efeitos no desempenho educativo no nosso país foram os temas de discussão que envolvem esta dissertação.

Se por um lado os factores socioeconómicos continuam a afectar o desempenho educativo e o processo de equidade, não é menos verdade que as variáveis escolares, em particular as variáveis de organização escolar, demonstram também ter um papel muito importante no processo que envolve o sucesso educativo.

A problematização de questões ligadas a estes aspectos levou à elaboração desta reflexão, integrada no Mestrado em Sociologia – Conhecimento e Sociedade: Competências e Trajectórias Sociais, com o tema “Condicionantes sociais do desempenho nos concelhos de Portugal”.

As questões levantadas foram alvo de um processo de ponderação apoiado numa revisão bibliográfica e numa análise estatística às características do desempenho educativo no universo do nosso país. Partindo da hipótese de existir em Portugal uma topologia social do desempenho escolar, analisámos uma escola por concelho, eliminando à partida a relação de discriminação social no acesso e os respectivos dados concelhios.

Iniciando as conclusões relativamente aos resultados encontrados constatamos que as escolas na generalidade, pertencem a um universo de população reduzida: escolas pequenas e muito pequenas na sua grande maioria. Com poucos alunos a frequentar o 12ºano e onde as suas escolhas recaem essencialmente, sobre 1º agrupamento. Tem uma dimensão média das turmas e baixos custos com alunos e professores.

Socioeconomicamente estamos perante uma amostra onde, no geral, a concentração urbana e o índice de poder de compra são baixos, a taxa de escolaridade educativa da geração dos pais e o emprego jovem apresentam valores médios. O abandono escolar, a saída escolar precoce e a taxa de aprovação ao nível do secundário, são variáveis que se encontram dentro de níveis médios e próximos da média nacional.

precoce média a alta (47,3%), sendo uma variável que se encontra acima dos valores da média nacional para o norte do país.

Na zona norte do país estamos perante concelhos onde a maioria dos jovens entre os 18 e os 25 anos (86%) encontra emprego com alguma facilidade, o que faz supor que possivelmente as indústrias com necessidade de mão-de-obra não especializada sejam a porta de entrada no mercado de trabalho.

Nos concelhos onde o índice de poder de compra e a escolaridade da geração dos pais atingem valores mais altos, o fenómeno de saída escolar precoce e abandono são residuais.

As variáveis apresentam um desvio padrão baixo40o que indica pouca dispersão de dados, sendo o índice remuneratório de professores e o custo por aluno, os que apresentam maior variabilidade.

Em relação à variância41as variáveis que se apresentam a maior distância do valor esperado são a desigualdade educativa e o índice de poder de compra.

A variável que tem pouca dispersão e se encontra no valor esperado é o desvio dos exames à média nacional42.

Ao nível das escolas é de referir que a grande maioria, 73,6%, atingiu valores médios de classificação nos quatro exames analisados e apresenta na sua grande maioria uma valorização excessiva das classificações internas em relação às classificações obtidas em exame, especialmente no caso das disciplinas de Biologia e Matemática.

Em relação às classificações obtidas em exame estas são em 96,6% dos casos acima da média nacional, sendo o desvio médio de 0,9 pontos, encontrando-se as escolas em estudo acima da média nacional. O que podemos questionar neste caso é a média nacional: com valores entre 8 e 11 de classificação, estas escolas conseguem facilmente estar acima da média nacional, o que deixa algo a desejar em relação aos valores atingidos nestas disciplinas em todo o país, nos anos em estudo.

Numa análise das correlações encontradas podemos salientar quatro associações de fenómenos que nos pareceram interessantes e que interferem com a equidade educativa:

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- Em anexo. 41

- Dispersão estatística - indica quão longe em geral os valores se encontram do valor esperado. 42

1 - Não existem evidências estatísticas da relação das variáveis de organização escolar com o desempenho educativo. Tal como não existem evidências científicas fiáveis da influência de variáveis como a dimensão das turmas no desempenho educativo, como referido no quadro teórico desta reflexão.

2 – A variável escolaridade da geração dos pais tem forte associação com a variável índice de poder de compra, Esta variável apresenta, por outro lado, correlação negativa com a variável emprego jovem, saída escolar precoce e nível de educação desigual, o que vem reforçar o facto de quanto maior o nível cultural e financeiro dos pais, menor a probabilidade de saída e abandono escolar dos filhos.

3 – A variável taxa de insistência apresenta correlação negativa com o emprego jovem, logo quanto maior a taxa de insistência, menor a probabilidade de empregabilidade, como indicámos pode indicar uma rejeição da actividade primária, aumentando o número de anos de frequência escolar, retardando o abandono, a saída precoce e a empregabilidade.

4 – A maior desigualdade educativa relaciona-se inversamente com o nível de escolaridade dos pais e poder de compra. Estando associada ao emprego jovem e à saída precoce. Esta situação verifica-se em regiões de forte oferta de emprego não qualificado e de gerações menos escolarizadas, em especial nas regiões do Norte, Centro interior e no Alentejo.

No geral, estatisticamente podemos concluir que:

 O desempenho educativo, neste caso, não está relacionado com factores de contexto económico, social ou organizacional. A variável do desempenho educativo incluída no estudo (média dos exames) não apresentou neste caso qualquer correlação com as restantes variáveis.

 Não existem evidências estatísticas da relação das variáveis educacionais e de organização escolar com o desempenho educativo.

 Dos indicadores concelhios temos a destacar o poder de compra, grau de escolaridade da geração dos pais e desigualdade educativa. Tendo em atenção que nas regiões onde existe maior poder de compra e maior grau de escolarização dos progenitores encontramos uma desigualdade educativa menor, menor percentagem de emprego jovem e menor saída escolar precoce, o que em última análise potencia um melhor desempenho educativo.

Não devemos no entanto generalizar nenhuma das conclusões, pois muitos outros factores podem interferir no desempenho educativo e nem todos fazem parte desta investigação.

No geral, pelo que este estudo indica, a haver correlação destes indicadores com o desempenho escolar, esta não é uma relação directa e imediata. Pode eventualmente existir ligação a outros factores sociais ou de origem social, a factores de organização e gestão interna das escolas, mas indicadores de contexto escolar como dimensão da escola, das turmas, número de alunos, professores não tiveram influência neste caso particular.

Para finalizar é de referir, que tal como mencionado na pesquisa bibliográfica, os recursos não significaram melhoria de resultados e as variáveis socioeconómicas por si só não explicam os resultados.

Existem limitações ao conhecimento do que realmente influencia o desempenho escolar e as escolas. Variáveis como a influência dos pares e pais, origens sociais, qualidade/qualificação dos professores, factores de competição ou de responsabilização não estão disponíveis e são de difícil contabilização, podendo no entanto ser de grande interesse nesta matéria.

Parece no entanto que nos temos de empenhar em conhecer os factores que permitem a melhoria de qualidade do ensino e não o número de recursos utilizados.

A qualidade e não a quantidade parecem ser a grande aposta no futuro. Mais recolha e tratamento de dados, competição, responsabilização e compreensão de boas práticas pode ser um caminho a seguir.

Em conclusão neste projecto não foi encontrada uma relação directa entre as condições socioeconómicas e o sucesso nos exames, mas ficam ainda em aberto uma série de questões. Os padrões encontrados no que diz respeito à relação entre o capital cultural dos pais e o capital económico, o emprego jovem e a desigualdade educativa são importantes em termos de compreensão das variáveis que influenciam a equidade educativa. Tais factores podem ser clarificados com a análise de dados necessária para cada concelho ou em alguns casos para escolas em particular. São situações muito específicas, que provavelmente implicam medidas e estudos apropriados.

De futuro uma profunda análise quantitativa a casos atípicos ou uma investigação qualitativa, poderá eventualmente envolver diferentes métodos de recolha de dados (entrevistas, questionários, reflexões e análise de situações específicas/estudos de caso), que ajudem a compreender melhor qual a relação dos diferentes indicadores que afectam o desempenho educativo.

Por último não podemos deixar de lançar um alerta, pois ao pesquisar sobre o tema verificámos que, por ser mais fácil alterar as circunstâncias de funcionamento das escolas do que alterar o modo de funcionamento das famílias, são aplicados nas escolas recursos para os quais não há fortes evidências ou consistência de retorno. Estando esta conclusão obviamente ligada aos países desenvolvidos, onde a natureza dos recursos ultrapassou há muito o acréscimo de livros de estudo ou paredes e tecto para as escolas.

O aumento de salários dos professores, a diminuição de alunos por turma, os gastos com materiais e edifícios não produzem efeitos significativos no sucesso e equidade educativa, mas constituem uma parcela bastante significativa dos gastos na educação.

Não podemos afirmar que os recursos nada fazem pelas escolas, apenas que da forma como são usados são ineficazes.

Podemos hoje em dia concluir43 que, na maior parte dos casos, não existe ligação directa entre o gasto realizado nas escolas e as diferenças de desempenho dos alunos.

Hoje mais de quarenta anos, sobre a primeira publicação dos estudos e relatórios de James Coleman, os seus trabalhos continuam actuais e tal coloca-nos sérias questões, visto que após quatro décadas seria de esperar que talvez alguns dos problemas da educação estivessem solucionados.

Para atingir a equidade dentro de um sistema de ensino é necessário muito mais do que edifícios ou livros. Quando todos os alunos estiverem à partida em igualdade de circunstâncias para atingir bons resultados, então teremos equidade educativa.

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- HANUSHEK, E. KIMKO, D. (2000)”Schooling, Labor-Force Quality, and the Growth of Nations”. The American Economic Review, Vol.90, n: 5, December 2000, pp. 1202-1208.

Mediante a análise dos diferentes estudos é difícil ver a escola como o pilar da equidade. Existem grandes diferenças de resultados educativos entre escolas e em determinadas circunstâncias dentro da própria escola.

Devemos ter consciência de que 44as medidas politicas que apenas injectam mais recursos na estrutura actual das escolas, têm pouca probabilidade de incrementar os resultados educativos, que o conhecimento actual sobre o que realmente influência a escola é limitado. A solução para melhorar o actual estado da educação pode passar por melhores incentivos, orientados para o sucesso dos alunos, que promovam melhores escolas com professores altamente qualificados.

O conhecimento que temos hoje em dias das variáveis que influenciam as escolas e o sucesso educativo dos alunos é limitado, sendo necessário e imperativo analisar e realizar estudos tanto a nível nacional como ao nível internacional para compreender e comparar novas variáveis que influenciam hoje em dia a educação.

Só será possível implementar medidas políticas educativas e sociais eficazes se compreendermos melhor todas as variáveis e as suas interligações.

Uma variável que parece ter crescente importância é a qualidade e a qualificação profissional dos professores, no entanto é ainda difícil compreender e definir o que faz de um professor, um bom professor.

Melhorar as escolas parece passar por uma melhoria qualitativa dos recursos e não quantitativa. Melhorando e promovendo a competição, criando maior escolha para os pais, aumentando o poder local ao nível das decisões e criando um sistema de responsabilização que identifique as boas praticas e crie um sistema de compensações baseado nas mesmas.

A autonomia tem necessariamente de ser acompanhada por responsabilização, poder de escolha e informação actualizada sobre os resultados educativos. Pelo que a recolha e análise de informação é extremamente importante e sem ela é impossível implementar medidas políticas coerentes e eficazes.

As políticas educativas devem ser perceptíveis a longo prazo, avaliadas continuamente e todos os participantes no processo educativo devem intervir e ser

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altamente incentivados no sentido de contribuírem para a melhoria do desempenho educativo.

A implementação de medidas sociais e educativas de responsabilização e autonomia não são no entanto pacíficas, pois acarretam mudanças de estruturas e funcionamento que são muitas vezes contestadas dentro da própria estrutura educativa.

Avaliar o contributo de tais mudanças será também mais complicado e moroso. No entanto a mudança parece ser a variável necessária e inevitável para impulsionar a equidade e êxito na educação, pelo que esperamos ter contribuído, mesmo que de forma modesta, para a clarificação do caminho a seguir para o sucesso educativo.

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