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To modeller for Business Process Re-engineering

In document Gert-Jan de Vreede (sider 33-37)

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4.5 To modeller for Business Process Re-engineering

O quarto fio escolhido na elaboração da trama do problema de pesquisa pode ser considerado o fio mestre dessa tecelagem e trata da participação da música na modalidade de ensino abarcada pelo IFB-CCEI, que é Educação Profissional e Tecnológica. A produção acadêmica da área de Educação Musical que trata desse tema tem crescido ano após ano, desde a fundação da Rede Federal de Educação no ano de 2008. No próximo tópico apresento alguns trabalhos que se aproximam da discussão proposta nesta pesquisa e como eles dialogam com o tema proposto.

A construção de uma proposta para o ensino de música no IFB-CCEI, passa pela perspectiva apresentada pelo IFB acerca do lugar da Arte na instituição. O ensino da Arte, segundo o Projeto Pedagógico Institucional do IFB (PPI-IFB, 2011), deve atender aos ideais da EPT, proporcionando aos alunos a experiência estética e artística necessária ao desenvolvimento da reflexão crítica e de suas capacidades sensíveis, afetivas, motoras, expressivas, técnicas e cognitivas com vistas à formação integral do indivíduo.

Ao analisar mais atentamente esse trecho do texto apresentado no PPI-IFB (2011), faz-se necessário uma reflexão pontual acerca de suas proposições, começando por aquela que afirma que a Arte deve atender aos ideais da educação profissional e tecnológica.

Diante da nova conjuntura social, econômica e cultural brasileira no século XXI e da transformação do “trabalho” nas sociedades pós-modernas, que teve sua significação profundamente modificada ao longo do século XX (Alheit, 2006), é preciso refletir sobre qual o sentido da EPT, na atualidade, no contexto educacional brasileiro.

Durante toda sua existência, a rede federal atendeu a diferentes orientações de governo que, por sua vez, buscavam se alinhar com as demandas de mercado nacionais e internacionais, e conduzia seu projeto pedagógico de acordo com o contexto econômico de cada época, acolhendo, dentro de sua história, perspectivas distintas acerca da relação do indivíduo com a sociedade, com o trabalho e com a formação profissional. O documento que apresenta as bases dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia – IFET (BRASIL, 2008), afirma que o fator econômico, até então, foi o aspecto primordial que moveu o fazer pedagógico da rede federal, e que a partir da implementação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, por meio da lei 11.892 de 29 de dezembro de 2008 (BRASIL, 2008), o foco desloca-se para a qualidade social.

Como afirma Pacheco (2008), em sua obra que trata da concepção e criação dos IFs, “a escola, como instituição da sociedade, é pressionada pelos valores de sua época”; e, ainda

a educação necessita estar vinculada aos objetivos estratégicos de um projeto que busque não apenas a inclusão nessa sociedade desigual, mas também a construção de uma nova sociedade fundada na igualdade política, econômica e social. Essa sociedade em construção exige uma escola ligada ao mundo do trabalho numa perspectiva radicalmente democrática e de justiça social. (PACHECO, 2008 p. 8)

O PPI-IFB (2011), que versa, dentre outras coisas, acerca do ensino da Arte na instituição, propõe os ideais para o ensino técnico e profissional, apontando que ensino da Arte deve proporcionar a experiência estética e artística, a qual a instituição julga necessária ao desenvolvimento da reflexão crítica, dentre outras competências. Essa proposição implica um posicionamento crítico acerca do que é entendido como experiência estética e artística e como se dá a sua relação com o desenvolvimento de determinadas competências.

A experiência estética acompanha o sujeito desde o início de seu percurso formativo. Entretanto, o desenvolvimento da reflexão crítica está imbricado com o processo de tomada de consciência do mundo e suas representações, sejam elas sociais ou artísticas e culturais. A instituição vê o ensino da Arte como caminho de experiência formativa, e aqui cabe o questionamento sobre quais experiências a escola enxerga como estética e artisticamente válidas? Como o sujeito se relaciona com a arte dentro e fora da instituição, ou melhor, no mundo que identifica como seu?

Se a escola julga importante a relação da formação profissional com o contexto da vida e do lugar onde vive o sujeito, faz-se necessário compreender também a relação desse sujeito com a arte, com a música e com a cultura que formam o seu mundo. No capítulo 2, que trata dos conceitos operantes na pesquisa, no tópico que trata dos “processos de biografização” dos sujeitos, procuro desenvolver essa reflexão, em busca de compreender como o sujeito perlabora suas experiências, ou seja, ressignifica e organiza a experiência dentro de sua lógica interna de significação e subjetivação, inclusive suas experiências com a Arte.

O PPI-IFB (2011) apresenta como foco do ensino da Arte, a educação estética associada aos saberes artísticos como possibilidade de conexão com o mundo; e a interconexão entre as linguagens artísticas e as tecnologias da informação e comunicação. Aqui encontramos possibilidades de pensar a prática/formação musical dentro do IFBCCEI como um lugar inscrito no projeto de vida individual dos sujeitos aprendentes, ou seja, pensar a música de forma conectada ao contexto da vida e da formação profissional do estudante, visto que por meio de sua atividade biográfica, o próprio sujeito faz a gestão dos processos que dão sentido a sua experiência. (DELORY-MOMBERGER, 2006)

O PPI-IFB (2011) ainda diz que na implementação do ensino da arte nos níveis de ensino oferecidos pelo IFB, serão contemplados: o desenvolvimento da compreensão de mundo em suas diferentes culturas e temporalidades, a compreensão do pensamento e expressões de cultura visando à autonomia e a sensibilidade do sujeito. A partir dessas premissas é possível inferir que o PPI-IFB aponta na direção dessa “nascente sociedade do saber” mencionada anteriormente, ou seja, pensando na formação do sujeito sensível, flexível e atento às mudanças em curso na sociedade. Porém, é preciso pensar no que essa formação artística pode ajudar o sujeito a orientar sua vida e se tornar um gestor de si diante das demandas da sociedade.

Ouvir o que os sujeitos que formam e se formam nesse lugar, em que se insere a instituição, tem a dizer acerca da sua relação com a música, e consequentemente com a arte e com a cultura, pode colaborar no processo de construção de propostas e projetos de música que dialoguem com seus projetos de vida.

Em suas primeiras audiências públicas, o IFB-CCEI pôde perceber a forte ligação da cidade com eixo cultural, que apareceu como um dos três eixos mais bem votados pelos representantes da comunidade, conforme descrito no PPC do curso

técnico em eletrônica (2014), que se tornou o primeiro curso técnico oferecido pelo IFB-CCEI. No entanto, há um desafio em definir o que é entendido por cultural ou artístico no contexto de uma audiência pública. Não é possível determinar até que ponto os representantes que ali estavam em nome da comunidade podem ser identificados como a voz dos sujeitos que vivem e constituem seu lugar no espaço onde também se insere o IFB-CCEI. Assim sendo, penso ser uma questão complexa, a partir dessa escuta buscar uma convergência em prol da construção de um lugar de formação e prática musical que se constitua relevante nos projetos de vida dos sujeitos aprendentes.

Provavelmente, para obter respostas para essas perguntas é preciso aperfeiçoar o dispositivo diagnóstico das audiências públicas realizadas pelo IFBCCEI e propor modos ainda mais acurados de escuta, tendo em vista o saber lidar com as complexidades que surgem ao se considerar o lugar a partir da perspectiva do sujeito. As propostas de criação e oferta de cursos emergem, predominantemente, das informações obtidas por meio da escuta das demandas apresentadas pelos representantes dos setores social, econômico, cultural e político da comunidade, combinadas com recursos humanos e financeiros disponíveis em cada campus.

Pensar no lugar da música no IFB-CCEI é pensar em como ela pode se configurar como um projeto desenhado por e para os sujeitos que se inscrevem nesse espaço institucional sob um processo de formação individual, ou seja, uma aprendizagem contínua, reflexiva e coerente com as configurações subjetivas de cada indivíduo, uma aprendizagem biográfica.

In document Gert-Jan de Vreede (sider 33-37)