Redesignet prosess
4.7 Et kritisk blikk på hovedelementene i BPR
4.7.5 Informasjonsteknologiens rolle i BPR
Ao falar sobre espaço e lugar, podemos ser remetidos a várias possibilidades de leituras e de usos específicos dos termos. O uso cotidiano dessas palavras pode se associar à ideia de local, de posicionamento geográfico, pontos de referência, criação de limites geográficos ou especificação de localidades. Seu uso também pode
remeter-se a concepções quantitativas e/ou qualitativas do território e de determinado ambiente físico.
Diferentes correntes teóricas da Geografia, oriundas de bases filosóficas e momentos históricos distintos, irão ter interpretações variadas sobre o sentido e o conceito de lugar. Na Geografia Humanista, o conceito de lugar é definido a partir da perspectiva do indivíduo, ou de um grupo de indivíduos que a ele atribui significado, diferenciando-o da conceituação do termo “espaço”, que passa a ser todo o ambiente físico que nos cerca. Para Yi Fu Tuan, o lugar é uma classe especial de objeto e uma concreção de valor, é um objeto no qual se pode morar, habitar e, assim, o lugar inspira pausa. O espaço é dado pela capacidade de mover-se e inspira movimento, sendo assim, o espaço é “experienciado” quando há lugar para se mover. (TUAN, 2013)
O espaço ao nosso redor oferece infinitas possibilidades para vivermos nossas experiências. Nele configuramos nosso movimento e ação e desenvolvemos o trajeto de nossa vida. Entendo que para compreender as experiências musicais formativas dos sujeitos, evidenciadas por meio das narrativas (auto)biográficas, preciso me aproximar destes por meio das subjetividades presentes em suas narrativas, visando apreender, também, como suas experiências com o lugar influenciaram seu percurso formativo com a música, se inscrevendo em seus projetos de vida. Para tanto, apresento na pesquisa o conceito de lugar (TUAN, 2013) junto ao já apresentado conceito de biografização. (DELORY-MOMBERGER, 2008, 2012a, 2012b, 2016; ALHEIT, 2006; 2011)
A relação do conceito de lugar da Geografia Humanista com a música e com a pesquisa (auto)biográfica é, também, trabalhada por Gaulke (2016, 2017). Em sua pesquisa, a autora busca compreender o processo de desenvolvimento profissional do professor de música a partir da sua relação com a escola como lugar de sua ação e constituição profissional. Gaulke entende que o espaço escolar não funciona apenas como plano de fundo dos acontecimentos, mas como um espaço de troca dinâmica que leva o docente a constituir-se biograficamente a partir da escola, construindo lugar em si mesmo e criando vínculos carregados de sentido com esse espaço, pois,
como lugar, a escola não representa somente uma construção física ou um espaço utilizado para o ensino e a aprendizagem. Entendo o lugar como uma construção social, imbuída de valores e significados, constituída da experiência que temos do mundo. A escola é constituída pela experiência humana. (GAULKE, 2016, p. 4)
O lugar, e o sentido que ele adquire quando se torna um espaço familiar, é carregado de significado para o sujeito, sendo assim ele faz parte dos seus processos de construção biográfica. Considerando a abordagem de (MARANDOLA JR., HOLZER, OLIVEIRA, 2012) acerca dos amplos sentidos que se depreendem da ideia de lugar, proponho pensar a música como elemento integrante da dinâmica presente nas experiências formativas do sujeito, da história vivida no e com o lugar.
Com a noção de espaço e lugar em mente, podemos aprofundar a ideia de que a música se apresenta como fenômeno sociocultural, e tal expressão implica na ideia de algo temporal e espacialmente estabelecido, com escalas de valores que variam de acordo com a época, o pensamento e a visão da sociedade e do meio cultural (QUEIROZ, 2005, p. 55). Para entender esse fenômeno, faz-se necessário ouvir as pessoas entrelaçadas a ele e ao tempo e espaço em que ele ocorre, com vistas a compreendê-lo a partir de onde ele se origina: da relação do indivíduo com a música. A música que constitui o percurso formativo do sujeito, pode mostrar-se, portanto, um elemento fundamental dentro dos seus processos de biografização, promovendo a construção de sentidos, significados e ligações simbólicas com o outro e com os contextos social e cultural locais.
A pesquisa propõe compreender a relevância dos elementos que configuram as experiências musicais formativas do sujeito com o lugar. Podemos elencar dentre esses elementos: a cultura, a comunidade, os aspectos socioeconômicos, as relações sociais, a configuração física, territorial e visual do espaço, a relação desse sujeito com os significados que configuram o espaço como lugar, dentre outros. Para tanto, visto que o objetivo da pesquisa foca na compreensão das experiências musicais formativas dos sujeitos com o lugar, saber lidar com os processos de biografização do sujeito com a música e saber interpretar esses processos, é um caminho que pode trazer luz na compreensão do seu processo formativo com a música.
Entendo que configurar possibilidades de formação que levem em consideração os processos de biografização do sujeito, passa, obrigatoriamente, pela necessidade de escutá-lo e buscar compreender suas experiências musicais formativas. Para tanto, é preciso navegar junto aos conceitos trazidos pela área da Pesquisa (auto)biográfica, o que exige compreensão, apropriação e aplicação adequada ao contexto da pesquisa em música.
Para pensar a ideia de “experiência musical formativa”, por exemplo, diferentes autores foram consultados e analisados, de acordo com sua contribuição para se pensar cada instância presente na construção dessa ideia.
É possível inferir uma compreensão temática apenas analisando a construção da expressão “experiências musicais formativas” (EMF), que poderia convergir na ideia de que o conceito cuidaria de representar as experiências marcantes que vivemos, as quais a música fez parte ou colaborou na nossa formação como indivíduo. No entanto, para propor uma construção da ideia das EMF, é preciso fundamentar-se, principalmente, na compreensão adequada do termo experiência, conforme pensado e apresentado segundo a abordagem da pesquisa (auto)biográfica.
O termo experiência tem várias atribuições, em diferentes áreas de estudo. Seu caráter polissêmico e as confusões criadas em torno do termo exigem uma definição clara de como ele é abordado na pesquisa. Trata-se da noção de uma experiência refletida e sentida no si-mesmo, mesmo que fruto de eventos externos. Ou seja, não é a experiência do experimento ou da experimentação, mas a experiencia daquele que se expõe, que sofre uma ação e que sai marcado, tocado: nos dias de hoje, é uma espécie de “experiência rara”.
A experiência é o que nos passa, o que nos acontece, o que nos toca. Não o que se passa, não o que acontece, ou o que toca. A cada dia se passam muitas coisas, porém, ao mesmo tempo, quase nada nos acontece. Dir-se-ia que tudo o que se passa está organizado para que nada nos aconteça.Walter Benjamin, em um texto célebre, já observava a pobreza de experiências que caracteriza o nosso mundo. Nunca se passaram tantas coisas, mas a experiência é cada vez mais rara. (LARROSA, 2002, p. 21)
A partir dessa proposição de Larrosa, poderíamos nos dar por convencidos de que toda experiência, de acordo com o conceito do autor, é formativa. Porém, devido ao risco da falta de clareza e possível má compreensão da proposta da pesquisa, considero importante ressaltar as “experiências formativas” do sujeito como alvo do interesse dessa investigação, o que exclui outros conceitos de experiência. Alguns autores da pesquisa (auto)biográfica colaboram para a compreensão e definição mais precisa do conceito de experiência utilizado na pesquisa. Passeggi (2013) apresenta suas reflexões sobre os termos Erlebnis e Erfahrung.
Erlebnis traduz-se, geralmente, por ‘experiência vivida’ ou ‘vivência’,
entendida como uma experiência mais imediata, pré-reflexiva e pessoal;
que integra a experiência num todo narrativo e num processo de aprendizagem. A palavra Erfahrung compõe-se de Farht (viagem) e pode ser associada a Gefahr (perigo). Nesse sentido, ela remete a uma temporalidade longa e sugere a ideia de aventura. Com base nessas duas noções, a experiência significa ter vivido os riscos do perigo, ter a eles sobrevivido e aprendido algo no encontro com o perigo: ex, em experientia, significa “saída de”. (PASSEGGI, 2013, p. 148)
As experiências que acumulamos são retidas na memória, se tornam marcas e registros do passado, mas também produzem saber. Não se trata de um saber de informação, pois o saber da experiência é diferente de saber coisas, de se ter informação sobre as coisas (Larrosa, 2002). Aprendemos e nos formamos na vida, na qual o conhecimento não se manifesta com formas rígidas e contornos segmentados, ele perpassa toda nossa existência ganhando sentido na nossa relação com o mundo e com a própria vida, vindo a constituir saber de experiência que nos permite nos apropriarmos da nossa própria vida.
Assim podemos olhar para o conhecimento musical do sujeito como fruto de experiências. Um conhecimento para além da informação, que carrega um “saber-ser” e um saber-fazer que implicam na liberdade do “poder-ser” e do “poder-fazer”. Essa é a força das experiências musicais formativas do sujeito e elas constituem um importante alvo a ser buscado nessa pesquisa. Mas de forma alguma elas virão e ou sequer existirão sem o sujeito que as viveu, que delas se apropriou e a elas atribuiu sentido.
É na ação de apropriar-se da própria vida e cobri-la de sentido, por meio dos processos de biografização, que o sujeito se configura como sujeito biográfico. Esse é o olhar dirigido ao sujeito nessa investigação, como alguém que a partir da ressignificação de suas experiências, pode tornar-se capaz de (re)configurar modos de aprender, de se formar e de ser e agir no mundo.