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Tiltalt som opprørar

In document Opprør og opposisjon (sider 82-85)

sempre a reflectir sobre a essência do fato humano; isso depende, em última instância, do fato de que a antropofania se realizou sobre o fundo de uma ocultação do divino. Por isso, a tarefa teúrgica do pensamento tem, como exigência primordial, uma superação do princípio ocludente do hominismo e consequente formação de uma sabedoria do não-humano, do transumano ou do meta-humano. A Gottesnacht propaga-se como o poder diluvial do humano, que começa a se manifestar num pensamento aproximador e submersivo”429

Cabe ao estado da consciência humana a superação da antropofania pela epifania da mito-poética arquetípica, o princípio de criação da poiésis ganha significado pela sabedoria do não-humano, contudo acessível à experiência humana através do rito e mito que pela poesia na sua origem é mitologia, a sabedoria mítica do trans-humano, talvez seja este o ponto central no pensamento filosófico de Vicente Ferreira da Silva.

5.2. O Teatro do Mundo e a Transcendência enquanto Acção Trópica.

O mundo na esfera simbólica, para Vicente Ferreira da Silva, manifesta-se pela fascinação de ocorrências trópicas, o teatro enquanto actuação narrativa de um jogo que não é como um outro qualquer, se não se tratasse da totalidade da Vida, é importante dizer, da vida dos humanos e não só, também dos entes não humanos, e do campo dos seres arquetípicos, os deuses e demais representações míticas das ideias eternas.

O protagonista desempenha um papel que não é somente o seu, na medida em que mantém a interacção com os demais, os entes actuantes do teatro cósmico, cujo jogo do mundo é a sugestão que fascina e desencadeia a manutenção das ocorrências reveladas: “os desempenhos sugeridos, o ente revelado, constituem o próprio ser do protagonista, de forma que o jogar do jogo seria o próprio jogador. O jogo, porém, é o que sugestiona e fascina. Eis por que poderemos compreender a vigência do ente como Fascinação”430

. O ente em contacto com um universo mais vasto que suscita a pulsão da substância trópica integra o flutuar das marés passionais no constituinte anímico do complexo

429 Idem.

orgânico que compreende a corporalidade da vida do Ser. A sua integração mítica e arquetípica aparece ao manifestar-se por ocorrências trópicas: “Os deuses não devem ser pensados como representações teoréticas como espetáculos de uma fruição intelectual, mas como ocorrências trópicas, como suscitação de marés passionais, cuja essência se esgota nessas aberturas fascinantes”431

.

A narrativa ou enredo, com base neste paradigma trópico da vontade, cuja acção do desejo depende da energia da pulsão de vida, requer momentos de expressão para manifestar o seu estado trópico. Entretanto, como é que esta vontade se exprime no Ser? Vicente Ferreira da Silva explicita o problema ao referir-se: “a uma renovada experiência trópico-pulsional do Ser. A experiência transcendental do ser transformar-se-ia na experiência de uma força trópico-sugestiva, que libertaria formas do desejável e, correlativamente, formas do desejo ou modulação da vontade.”432

. É evidente que o estado corpóreo depende indubitavelmente de um contacto directo com a raíz imanente, ctónica, ou telúrica, então como é que o autor defende a transcendência, por vezes sem considerar explicitamente a necessidade complementar desta relação?

Estaria esta fusão imanente-transcendente, no ciclo passional, no próprio estado da forma patético-corpórea que se apresenta enquanto um factor psicossomático plasmado pelo poder primordial: “o nosso corpo é algo de consignado e oferecido por um Poder ofertante primordial. Designamos essa dimensão ofertante como a dimensão transcendental do Sugestor”433

.

Se a dimensão transcendental se refere ao Sugestor e a dimensão da vivência humana se relaciona entre o anímico e o corpóreo, o encontro complementar que se estabelece entre estas duas dimensões, primeiramente se desvela pelo desejo e paixão, por um estado cénico do Pathos: “Ao desvelamento desse teatro da apetecibilidade, corresponderia a determinação de um ciclo passional, de uma forma patético-corpórea, de uma determinação do Sangue.”434

Esta pulsão de vida da substância etérea do Sangue que para Vicente Ferreira da Silva é reveladora no sentido de que ocorre a busca da superação da vivência ontológica, a experiência transcendental depende da intensidade trópico-sugestiva:

431

Idem.

432 Idem.

433 Vicente Ferreira da Silva, Filosofia da mitologia e da religião, p. 155. 434 Idem, p. 434.

Referimo-nos a uma renovada experiência trópico-pulsional do Ser. A experiência transcendental do ser transformar-se-ia na experiência de uma força trópico- sugestiva, que libertaria formas do desejável e, correlativamente, formas do desejo ou modulação da vontade. O projeto instaurador de um mundo se confundiria com a abertura de um cenário de apetecibilidade, de sugestões sugeridas pelo Sugestor.435.

A actuação humana no mundo, ao manifestar-se com a experiência do Ser, gera atributos da vontade, alterando o projecto da realidade e instaurando, a partir desta abertura, um novo cenário; “o fundamento do real não deve ser buscado fora do âmbito da nossa consciência, pois a subjectividade abraça o mundo e o alimenta de sua própria interioridade”436

, eis a transformação pela mudança da sugestão trópico-pulsional que muito se aproxima da concepção do impulso mítico descrito por Eudoro de Sousa. A actuação da consciência humana em conformidade com a experiência mítica, regido pelo cosmos de um determinado mundo, a metamorfose enquanto mutação, e a catábase na referida descida ao abismo pela imanência enquanto o pólo oposto complementar ao transcendente.

Em Vicente Ferreira da Silva, encontramos um fenómeno de forças atractivas de uma ontologia sob interferência mítica: “o fenômeno de abertura projectiva como “fascinação”, como irrupção de um espaço de apetecibilidade, como o ser arrebatado por um campo de forças atractivas, estaremos em condições de elucidar, não só a estrutura ontológica do nosso ser, como também penetrar nos arcanos do processo mitológico”437. Os arquétipos que são banhados por esta energia de acção trópica regem e reagem no processo mítico, constituindo o grande teatro em cósmicos palcos, limite da vivência humana e a transcendência de seu mundo.

In document Opprør og opposisjon (sider 82-85)