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Det politiske system av 1814 og betingelsene for opposisjon fram til ca. 1870

In document Opprør og opposisjon (sider 31-35)

Os Pré-Socráticos e Sócrates. É neste intervalo da história da filosofia que podemos desvelar alguns ‘nós’ que incrustam, desde os primórdios até a actualidade, o labirinto da verdade natural. Consideramos as seguintes categorias: a) Mito-Rito, b) Inconsciente- Consciente, c) Realidade Interior-Exterior, d) Arquétipo-Símbolo.

Importa considerar Platão como mestre de Aristóteles (Estagira, 384 a.C. – Atenas, 322 a.C.) e o facto de que a partir desta época o ‘mito’ e o ‘rito’ são separados e dissociados, pelo menos da maneira que eram vivenciados pelos filósofos naturalistas pré-socráticos, ganhando outros significados como ressalta Eudoro de Sousa: “E depois? Onde acaba a mitologia? Em Platão? Em Aristóteles? Em Aristóteles talvez. Mas não obsta a aristotélica philo-sophia a que, no final, o pensamento grego, regresse à inicial philo-mythia, por todas as portas que, de par em par, platónicos e pitagóricos lhe abriram229. Na Poética e, principalmente na Metafísica de Aristóteles, ao descrever a mistura da «natureza da substância dos elementos e dos entes naturais»”230

, realiza o racionalismo comparativo da reflexão filosófica. É neste hiato do espaço-tempo entre o pensar e o vivenciar que está a grande diferença entre as raízes da árvore da vida e do conhecimento, a problemática filosófica que se estabelece na natureza de cada elemento, é a tentativa de repensar o mito-rito de constituição como princípio vital na consciência da natureza humana.

De um lado, temos, os Pré-Socráticos que experienciavam a expressão mítica vivida numa praxis de um ser anima incorporatus in natura e, por outra instância, temos a expressão teórica pela escrita no testemunho de um Ser em seu manuscritus literário- poético, ou filosófico do Logos, sendo que este último apenas possui uma representação da racionalização dos elementos da natureza esquecidos e sucessivamente banidos pela Academia. Portanto, é preciso um elemento simbólico para compor o significado no ser

229

Eudoro de Sousa, Origem da Poesia e da Mitologia, 2000, p.130.

230 Cf. Aristóteles, Metaphysicorum, liber, V, 4, p. 229: «Amplius alio modo dicitur natura, existentium

natura substantia, ut dicentes naturam primam esse compositionem, ut Empedocles dicit, quod natura nullius est entium, sed solum mixtio et permutatio permixtorum natura in hominibus nominatur».

que somente ganha a razão quando a verdade da Psyché ou da Anima se personifica no Corpus de um ‘Mito-Rito’, em «dois tons em uníssono». Quando dividido toma distância da natureza viva do ambiente exterior e o conhecimento da natureza, dos Mitos e Ritos que ficaram perdidos e fragmentados nos textos, presos na teoria e cristalizados nos livros que actualmente estão nas bibliotecas institucionalizadas nas universidades, ou seja, na academia, e não mais na sua origem última. A verdade que está na árvore da vida ou do conhecimento? Na própria Natureza?

Na cultura pré-cristã, com profundas raízes no Paganismo, um Pan-Animismo, na mitologia helénica em que o reconhecido deus Pã, sendo a divindade suprema que presidia o mundo natural, não é mais verdadeiramente interpretado, qual é o seu valor real no estatuto categórico da condição estabelecida pelos pensadores actuais? Com a possível representação do Pan (Pã),231 um Ser do ‘todo’ orgânico, da e pela Natureza, é claro que não são mais os filósofos naturais os que estabelecem tais valores, pois estes encontravam-se de facto com o Pã em seu rito-mito na floresta, através do seu acto de pensar que fazia parte da sensação-percepção e de uma peregrinação a caminho da sabedoria, de um modo inato e intuitivo.

Já os filósofos contemporâneos aparecem de certo modo como funcionários da filosofia académica, comprometidos com o λόγος [Logos] ou com o conhecimento de ensino-aprendizagem, e lamentavelmente a fabricar as ideias do Logos apenas como linguagem e conhecimento cognitivo. É preocupante este desvio, a falta de capacidade e sensibilidade de criar a visão para ver a natureza do sublime, ou seja, de um ensinamento vivenciado através da sabedoria do Sofos, que, por ser tão simples e natural, é verdadeira em essência da Vida.

231 Cf. História das Mitologias do Mundo – Heróis, Divindades, e Narrativas, pp. 52-53: «A Divindade que

é um puro produto da natureza. Filho de Hermes e de uma ninfa, é representado como um ser híbrido, meio homem, meio bode, e o seu rosto barbudo, encimado por dois chifres. Platão diz que a linguagem é como Pã, “dupla, tanto verdadeira como falsa”. Esta natureza dupla faz dele um deus tão benfazejo quanto prejudicial. Corre com uma agilidade extra-ordinária através de montes e vales, insinua-se em toda a parte e, sempre à espreita, esconde-se nos bosques para espiar as ninfas. Benevolente, partilha a vida dos pastores transumantes e protege os pastores e os rebanhos; lúbrico, assedia e assusta as ninfas. Certo dia em que perseguia a bela Siringe, a ninfa escondeu-se num canavial, […] com as canas dos pântanos, das quais o seu forte sopro retirará sons melodiosos: foi então que nasceu a flauta de Pã, ou siringe. Pã utilizará esta flauta como afrodisíaco para favorecer o acasalamento dos animais. Em outras mitologias de povos nativos do “canavial de Pan” não somente criará a flauta, mas também o didgeridoo (instrumento musical de sopro feito de bambu com canal oco) representa a elevação do despertar da Mãe Serpente do elemento Terra. A cultura oriunda dos povos Austronésios revela uma forte relação entre os arquétipos da Árvore e da Serpente no Corpo e Ambiente da Natureza Humana.»

Poderíamos pensar sobre a arte de vivenciar a vida com a sabedoria da própria Natureza? O porquê desta grande ocupação com a razão e a filologia, em detrimento da filosofia e da sabedoria da ecologia do Ser? O porquê de tanto distanciamento e desmerecimento da Poiesis232, da arte e da vida? Como é que a filosofia académica vigente trata a divindade Pagã? Através de uma categoria? Através do testemunho de um mito em livro escrito? Qual é a última verdade do mito do Pã retido no livro? Estaria no livro cuja natureza do pergaminho-papiro é a árvore, da vida ou do conhecimento?

É essencial reflectirmos sobre a Árvore “Símbolo da vida, em perpétua evolução, em ascensão para o céu, a árvore evoca todo o simbolismo da verticalidade (…) A árvore da vida tem o orvalho celeste como seiva, e os seus frutos, ciosamente defendidos, transmitem uma parcela de imortalidade (…)”233

, ou ainda, na experiência vivida pelos povos primitivos autóctones, os aborígenes que possuem uma ligação directa com o arquétipo da árvore, tal como podemos contatar do latim vulgar hispânico, em língua castelhana (árbol + origene), em que a árvore é personificada no Ser, a fusão antropomórfica entre o reino vegetal e o humano, estaria então este livro-árvore na cultura da vivência pagã da floresta? A presença humana na Pólis e a falta de contacto com a aldeia na floresta, ou seja da natureza revela o que Eudoro de Sousa chama de “esquecimento ou ocultação (lanthánesthai-lanthánein-alétheia) daquele ser-origem”234

. Deste modo, teríamos de regressar a uma filosofia da natureza e do ambiente na sua praxis, celebrar o rito-mito que actualmente se constituiria numa filosofia neo-pagã? Se assim não for, onde o encontraremos? O deus Pã estaria simbolicamente morto nos porões da Academia? Ou debaixo da Pólis, da metrópole e da megalópole? O problema das macro-estruturas da cidade em que tudo é objeto mundano, profanado em meras coisas, como bem descreve Eudoro de Sousa na Mitologia, História e Mito: “a angústia das «coisas» diabolicamente separadas do «ser-origem» ou desprovidas da Originalidade do Ser.”235

232

Consideramos a discussão sobre a poética, poiésis (criação) e uma reflexão acerca da estética e filosofia da arte, ou ainda, a categoria de cosmético (kosmetikós), (não somente no sentido de adorno, mas sim, sobretudo a estética referente a ética do cosmos) por uma beleza e ordem cujo valor estaria na arte da vida? Na consciência do Ser na integração de todos os arquétipos no realizar a sua arqueologia psíquica?

233 Jean Chevalier, Alain Gheerbrant. Dicionário dos Símbolos, 1982, p. 89 234 Eudoro de Sousa, Mitologia, História e Mito, parágrafo 25, p.111. 235 Idem, parágrafo 32, p.119-120.

Este ser duplo que também está na consciência humana, cuja parcela possui a centelha divina, o deus Pã, jaz enterrado no solo do jardim dedicado à deusa Atena, num túmulo juntamente com o Academo, dois seres na mito-narrativa de um mesmo fenómeno? Se assim for, o resgate dá-se pelo percurso destes deuses, o humano aqui representado por uma estranha criatura, herói ou heroína, ou ainda simplesmente um ente trans-humano ou transpessoal, ligado a esta natureza no intuito de resgatá-la irá ter de reconhecê-la e posteriormente integrá-la ao seu Ser. Segundo Eudoro de Sousa esta problemática expressa muito bem através de Heraclito:

com Heraclito, que «o caminho para cima e caminho para baixo são um e o mesmo» Nós sabemos que um é o da catábase dos deuses, o caminho pelo que os deuses se arriscam a perder-se nas coisas; este agora é o caminho pelo que os homens se propõe que as coisas se recuperem nos deuses. A minha descida aos Infernos é a subida do caminho que os deuses desceram236.

Nesta linha do pensamento eudoriano, é preciso pensar sobre a necessidade de ultrapassar o objecto material da coisa em si, para se chegar à origem de um outro horizonte para “além do último limite-liminar; além do Horizonte Extremo, para o Ser- Origem de todos aqueles «seres-origens» das coisas,237. A origem deste Ser, no contexto do problema que estamos a tratar, refere-se ao arquétipo da árvore da vida, que está em estreita ligação com a presença da totalidade da Natureza, isto é, a representação personificada do deus Pan (Pã).

Fazemo-lo com a convicção de que o mito, em sua íntima conexão com o rito, mais do que produção cultural humana, é apresentação dramático-simbólica da prototípica emergência das potências mais fundas do ser, desvelando seus originários protagonismos no jogo global do processo ontocosmogónico, em sua tensão Imanifestado- manifestação. Tal não obsta, obviamente, a que este protagonismo, com o seu dramatismo imagético, emirja nas tensões, conflitos e desenlaces das

236 Idem, parágrafo 33, p. 121. 237 Idem, parágrafo 34, p. 122.

dimensões mais fundas da psyché humana ou humanada, colectiva, individual ou individuada, como em particular a psicologia junguiana o sondou238.

4. A Mitologia e o Pensamento Filosófico nos Triângulos da Complementaridade de

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