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Tiltak i form av kurs som forberedelse for videre utdanning

In document Frafall i videregående opplæring (sider 47-50)

José (nome fictício) relata, em sua entrevista, que durante a infância e a adolescência, ele e sua família passaram por dificuldades financeiras. Com a saída do pai de casa, a manutenção do lar passou a depender do trabalho da mãe que, por meio de seu salário, conseguiu oferecer gradativamente aos filhos (José tem uma irmã sete anos mais nova do que ele) melhores condições de moradia. O entrevistado percebe-se como alguém cuidador desde cedo, pois se sentia responsável por dar atenção à mãe e à irmã, uma fase de sua vida que ele considera preparatória para sua carreira como profissional da educação. O participante estabelece um paralelo entre a escola que estudou durante todo o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, que é por ele descrita como ―uma escola de bairro‖, como o é aquela em que trabalha atualmente. Nesse sentido, aproxima o perfil dos alunos que frequentam as duas instituições como bastante semelhante ao seu próprio perfil, tanto no aspecto financeiro como na constituição familiar.

Durante os períodos da infância e da adolescência, José teve contatos esporádicos e, inclusive, manteve interações com pessoas com deficiência: um primo que teve a perna amputada; um vizinho com quem brincava; um colega com autismo. Em seu discurso, nota-se que, nessas três relações, o participante coloca os parceiros em condições de exclusão social. O primo teve dificuldade em conseguir uma prótese; o vizinho não tinha com quem brincar; o colega autista era visto como ―estranho‖. As histórias da vida de José, no tempo e momento em que ocorreram, engendraram seu modo de agir, pensar e sentir. Ou seja, o percurso histórico de cada indivíduo é dele constitutivo, como bem mostra Díaz (2012):

Na acepção dialética desta ―historicidade‖, o homem, assim como seu produto (e sua aprendizagem é um resultado dele), deve ser analisado de acordo com o momento histórico em que vive, ou seja, considerando as influências sociais e culturais prevalecentes em sua sociedade e cultura em determinado momento de sua história individual-social. (DÍAZ, 2012, p. 68)

Em diversos momentos de sua fala, o participante refere-se à fé como algo marcante em sua vida, uma vez que diz dever-se à religião tanto a escolha da profissão como sua permanência na área da educação. José revela-se, portanto, alguém bastante místico:

“O que a vida me ensinou com esse trabalho é que tenho essa missão aqui na Terra, com esse trabalho com pessoa com deficiência” (José)

Para o participante, ele atua profissionalmente como agente de inclusão escolar por ter algo que lhe permite auxiliar os alunos com deficiência. Segundo relatou, não está lá por acaso: trata-se de uma missão, pois estabelece conexões entre ―os planos de Deus‖ e sua colaboração na formação do aluno com deficiência. Pode-se, nesse sentido, observar que se José acredita em predestinação, o materialismo histórico-dialético considera condição humana:

Não há nada em termos de habilidade, faculdade, valores, aptidões ou tendências que nasçam com o ser humano. As condições biológicas hereditárias do homem são a sustentação de um desenvolvimento sociohistórico, que lhe imprimirá possibilidades, habilidades, valores, aptidões e tendências historicamente conquistadas pela humanidade e que se encontram condensadas nas formas culturais desenvolvidas pelo homem em sociedade. (BOCK, 1997, p.38).

A família, a comunidade, a escola e os amigos são instâncias constituintes da pessoa que hoje é José. De igual modo, a vida familiar e, ainda, a religião que lhe foi apresentada pela mãe desde sempre, foram agências formadoras do processo identitário do participante. Vale mencionar, no entanto, que a identidade se encontra em constante transformação e movimento: no decorrer da existência humana, novos grupos sociais, com suas respectivas culturas, engendram a constituição do sujeito e suas opções (dentre elas, por exemplo, a escolha profissional). Foi assim que, na convivência com uma namorada e sua família, José optou por prestar alguns concursos para conseguir um emprego, visto que o namoro estava a exigir perspectivas de futuro e de estabilidade financeira. Caso o participante fosse aprovado em um dos concursos prestados, esse problema estaria solucionado:

“Aí, eu comecei a namorar uma menina e os pais dela eram muito envolvidos com esse negócio de concursos. E eles foram me incentivando a fazer os concursos, né?” (José)

Classificado em dois concursos, ambos na área da educação, José dá início à carreira como funcionário público. Para ele, o primeiro emprego como funcionário público permitiu- lhe construir a base necessária para exercer o segundo. E justifica essa visão com base na principal função exercida em um e no outro: cuidar de crianças, mediante as orientações de um professor. Foi assim que o participante se tornou um profissional da educação.

As novas identidades profissionais – primeiramente como auxiliar de desenvolvimento infantil e, mais tarde, como agente de inclusão escolar – permitiram a síntese entre objetividade e subjetividade: se as demandas dos dois ambientes escolares foram apropriadas por José, ele pode, também, objetivar seu modo de agir, pensar e sentir profissionalmente, ou seja, como se identifica e reconhece-se atuando no ambiente escolar. Novos aspectos passam a fazer parte de sua vida, como a vontade de cursar o ensino superior. José prestou vestibular em três faculdades distintas e em três cursos diferentes. Um deles ele nem chegou a começar; os outros não foram concluídos. O participante explica que isso se deveu às muitas dúvidas em relação ao seu interesse em seguir tais carreiras. Atualmente, pretende retornar ao ensino superior, mesmo não tendo solucionado a contento suas questões e sem saber ao certo qual curso deve eleger. Ao que tudo indica, ele considera estudar algo relacionado à sua atuação profissional atual, mesmo que o título não lhe assegure qualquer aumento em sua remuneração salarial, já que isso não estava especificado no edital de seu concurso.

Segundo Silvio Bock (2002) ―a melhor escolha profissional é aquela que consegue dar conta do maior número de determinações para, a partir delas, construir esboços de projeto de vida profissional e pessoal‖. A experiência acumulada em um determinado trabalho auxilia a tomada de decisões, pois a escolha e a permanência em uma profissão são modos de intervir no mundo e, eventualmente, de permanecer ou mudar de nível socioeconômico. O curso superior, para José, é uma maneira de aproximar-se da área da educação, de alcançar um maior conhecimento teórico a respeito daquilo que faz – indicando que o participante aprecia seu campo de atuação, tem gosto em realizar seu trabalho e que ele lhe assegura certa realização profissional. Atuar junto aos alunos com deficiência revela-se um desafio e um prazer, aos quais José pretende dar continuidade.

5.2.2 Núcleo 2: Atuação profissional – “No autista, é contenção, é aplicação de

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