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effektstudier av tiltak mot videregående frafall: verdt et (systematisk)

In document Frafall i videregående opplæring (sider 73-83)

Neste núcleo, José fala e argumenta sobre os problemas que detecta em seu ambiente de trabalho. Relata aqui seus desejos e aspirações. No primeiro caso, gostaria que houvesse um projeto pedagógico bem definido e explícito, voltado para as crianças com deficiência e que cada pessoa atuando no espaço escolar, incluindo gestor e a merendeira, por exemplo, tivessem ciência de seu papel educador que, antes de tudo, é o de assegurar tratamento igual para todos:

“[Eu desejo] que a escola inteira esteja consciente, que o papel [junto aos alunos com deficiência] é de todo mundo. Quando uma criança que não é deficiente põe muita comida no prato, a merendeira também pergunta se a criança vai comer tudo aquilo” (José)

O papel de todo mundo remeteria, portanto, ao conjunto de pessoas que atuam na escola. De acordo com o participante, ele se sente desconfortável na escola pelo fato de não se conhecer e, dessa forma, não reconhecer seu trabalho. Nesse sentido, gostaria de não se sentir

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Concordamos com a proposta e com a justificativa defendida pela autora porém nesta pesquisa optamos em utilizar a terminologia "pessoa com deficiência" ou ainda "aluno com deficiência".

tão solitário em seus fazeres junto aos alunos. Pode-se mesmo dizer que o próprio desse núcleo reside justamente na ―falta‖, como mote: de conhecimento em relação ao que José se propõe a fazer na escola, daquilo que deve ser sua tarefa e, ainda, do papel de todos os alunos, sejam eles ―diferentes‖ ou não:

“Então, no olhar da escola, esses alunos são seus? [São] Tudo meu (risos). Tudo filho (risos)... Esse lado é difícil, de não ter uma compreensão, de que [as crianças sob sua responsabilidade] são como qualquer outro aluno e de que devem ser seguidas as normas da escola. Como qualquer outro aluno, deveriam respeitar mais” (José)

Mesmo iniciando a carreira profissional sem ter plena noção do que ela lhe traria, José dedica-se a sua tarefa e busca aprender sobre ela. Ao longo de pouco mais de um ano de atuação, o participante parece dar-se conta de que parte da comunidade escolar, assim como parte da sociedade civil, atribui à função de AIE um caráter basicamente assistencialista/ paternalista e aos alunos por ele ―cuidados‖ como não alunos, excluídos que são de participar do processo pedagógico.

A inclusão do aluno com deficiência na escola, encarada aqui como processo, não tem um fim em si mesma: ela implica, antes, um esforço de ressignificação daquilo que se refere à pessoa com deficiência, então entendida como uma incapacidade, falta de algo que os demais alunos têm. Para José, é indispensável superar práticas homogeneizantes e lutar por equidade. Ao longo da história as pessoas com deficiências têm sido definidas pela ausência de algo (visão, audição, fala, inteligência, possibilidade de se locomover sozinho, de interagir com seu ambiente social etc). Essa situação engloba e aprisiona esses seres humanos naquilo que lhes falta, desconsiderando outras características que lhes são próprias, com o nível socioeconômico, o gênero, a religião, a cor de pele, entre outras coisas. O resultado, como bem ilustra Santos (2008) só pode ser um:

Acreditamos que está na educação, sem dúvida, a principal ferramenta para a transformação social verdadeira que tanto almejamos. Nos dias de hoje, as desigualdades sociais e o desrespeito às diferenças são banalizados em nosso cotidiano, e a escola, sem dúvida, reflete e reproduz estas relações. Desta forma, nossa sociedade e, por conseguinte, nossa escola, está envolvida por uma lógica que determina a exclusão de alguns grupos para o beneficiamento de outros, em detrimento de valores igualitários [...] (SANTOS, 2008, p. 11)

E é precisamente nessa luta por transformação social na e pela educação que a perspectiva inclusiva acaba por minimizar a exclusão. Ora, há aí uma nova contradição: a presença de um AIE pode contribuir para a construção de uma escola que respeite e aprenda

com as diferenças? Para José, não. Em sua visão, enquanto os profissionais da escola não tiverem consciência acerca do papel de cada um, a lógica da ―falta‖ continuará a existir e a transformar diferenças em deficiências.

Esse descaso da escola para com os alunos com deficiências ficou mais perceptível para José quando ele precisou ausentar-se da escola e um dos alunos, conforme as palavras do próprio entrevistado, ―perdeu seus direitos‖, sendo obrigado a ir embora mais cedo e perdendo, com isso, a aula de educação física. É possível inferir, a partir desse discurso e relacionando-o a outra fala, que José significa seu cargo como distinto daqueles ocupados pelos professores, mesmo tendo em vista que ele elabora estratégias para levar os alunos com deficiência a alcançar aquilo que supõe ser importante para sua aprendizagem e bem-estar. Assim, José entende que está ali, na escola, para cuidar de tais alunos enquanto cabe ao professor ensiná-los. Isso o leva a outra conclusão: que há uma dicotomia entre estas duas ações: cuidar e ensinar. De fato, essa dicotomia só tem lugar em seu imaginário com base na realidade vivida por José, que se sente sobrecarregado porque os professores não elaboraram nenhuma proposta pedagógica para os alunos com deficiências e nem deles cuidam, função que atribuem ao AIE. Mas, como José está envolvido com o que faz, assume como sendo suas as duas atribuições: cuidar e ensinar. Contraditoriamente, José rompe com essa diferenciação ao encarregar-se tanto de uma quanto de outra, sem o devido preparo: ele não conta com nenhuma ajuda ou orientação por parte daqueles designados para orientá-lo (PAEI, professores e equipe gestora). Ou seja, não há, efetivamente, planejamento para as intervenções do AIE.

O participante adota, assim, uma visão que se pode dizer bastante crítica, pois ele sem negar as dificuldades presentes em sua unidade escolar quanto à definição da sua função, ele nota que os alunos não têm os direitos à educação efetivamente garantidos, reconhecendo que precisa de orientação e parcerias para melhor atuar em sua função. Por fim, pode-se dizer que é em função de o entrevistado apreciar o que faz, que este vislumbra mudanças no sentido de superar a exclusão escolar dos alunos com deficiências e também a sua, da equipe por eles responsável.

In document Frafall i videregående opplæring (sider 73-83)