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In document Frafall i videregående opplæring (sider 24-27)

A presente categoria tem o objetivo de identificar as causas das dificuldades de aprendizagem dos alunos encaminhados para a recuperação e a interpretação foi subsidiada pela análise da questão 5 (equipe técnica), da questão 6 (professores) e sínteses das aulas (SABM3) e (SABM4).

As causas das dificuldades de aprendizagem dos alunos é uma questão que vem sendo estudada na área da saúde e da educação, pois interessa a ambas. Na área da educação, há vários estudos sobre o assunto numa tentativa de identificar, descrever e indicar caminhos para a solução dos problemas.

Um aluno com dificuldades de aprendizagem não pode ser considerado uma criança incapaz, pois enfrenta muitos obstáculos na escola, mas demonstra curiosidade e vontade de aprender apesar de, às vezes, apresentar inquietação ou incapacidade de prestar atenção durante a tarefa, dificultando sua compreensão.

Transtorno de aprendizagem ou dificuldade de aprendizagem específica

(learning disabilities) se define como "um transtorno em um ou mais dos

processos psicológicos básicos implicados na compreensão ou no uso da linguagem falada ou escrita, que pode se manifestar em uma habilidade imperfeita para escutar, falar, ler, escrever, soletrar ou fazer cálculos matemáticos" [...] (SAMPAIO, 2009, p.90, grifo do autor).

A aprendizagem é um processo complexo e que impõe variáveis, algumas intrínsecas e outras extrínsecas ao aluno, que são dinâmicas e, por isso, para explicar as dificuldades de aprendizagem é necessário levar em conta os aspectos orgânicos, psicológicos, sociais, sem reduzir a importância de cada um deles e suas relações.

Os problemas de aprendizagem podem ocorrer quando são utilizadas metodologias inadequadas às necessidades dos alunos, como também podem ocorrer por: privação cultural e econômica, ausência de formação docente continuada e adequada às suas necessidades, não planejamento das atividades, ou até mesmo desconhecimento da realidade cognitiva dos alunos. Para Sampaio (2009), é preciso reconhecer que não há uma adaptação curricular à realidade socioeconômica do aluno.

A questão cinco84 da equipe técnica aborda os procedimentos relacionados à identificação dos tipos de dificuldades que os alunos apresentam: cognitivas, comportamentais, afetivas ou de outra natureza, que são identificadas pelas professoras e, posteriormente, comunicadas à equipe técnica. Dificuldades que devem ser trabalhadas pela escola para ajudar os alunos a superá-las.

No entanto, é preciso ter cautela ao identificar e encaminhar um aluno para a recuperação por apresentar dificuldades na aprendizagem. É necessário que vários fatores sejam analisados.

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Questionário da Equipe Técnica: 5. Para você, quais são as causas da não aprendizagem dos alunos encaminhados para a SANEE? Comente.

Em se tratando da rede municipal de Santos, a orientação oficial sobre as dificuldades de aprendizagem são encontradas nas Orientações Pedagógicas da Seduc85 que estabelecem que a prática educativa deve propor alternativas no currículo regular para atendimento individualizado, fazendo adaptações nos objetivos, conteúdos, critérios e procedimentos de avaliação, atividades e metodologias para atender às diferenças individuais dos alunos. Essas orientações são respeitadas pela escola quanto aos encaminhamentos e procedimentos adotados. É o que verifico nas respostas obtidas.

A resposta da diretora à questão cinco (Q5BD) deixa evidente a função que tem o professor em identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade, que eliminem as barreiras para a participação dos alunos, considerando as suas necessidades específicas. No entanto, a diretora menciona novamente as Orientações Pedagógicas da Seduc, seguindo a normativa oficial. Antes, porém, de concluir sua resposta, acrescenta que:

Os alunos apresentam defasagem ou dificuldade acentuada na aquisição de conhecimentos, em virtude de problemas de ordem pessoal/familiar, faltas motivadas por doença ou traumatismos, omissão da família, falta de estímulo nas atividades. (Q5BD)

É possível observar na resposta da diretora alguns aspectos que identificam o aluno e a família como responsáveis pela dificuldade, como também aponta a possibilidade de que o aluno tenha dificuldade por ―falta de estímulo nas atividades‖; porém não é possível afirmar se essa ―falta de estímulo nas atividades‖ refere-se às atividades realizadas no ambiente escolar ou familiar.

É preciso considerar a possibilidade de que a escola e, até mesmo o professor, tenham certa responsabilidade em relação à não aprendizagem do aluno. O que se vê constantemente é a responsabilização somente do aluno e não das demais pessoas envolvidas no processo.

Tanto é perverso atribuir somente aos aprendizes a "culpa" por seus insucessos, isentando o papel dos educadores e da ideologia dominante, quanto é perverso negar que possam ter, eles próprios, algumas dificuldades que precisam ser consideradas, com vistas a minimizá-las ou eliminá-las. [...] Admitir a existência de um distúrbio de aprendizagem no aluno não implica "absolver" o sistema educacional de suas

responsabilidades. Ao contrário, caracteriza-se como mais um desafio para

o aprimoramento das respostas educativas das escolas, estimulando-as a

85 Para maiores esclarecimentos ver site da Prefeitura Municipal de Santos. Secretaria de Educação – Departamento Pedagógico. Orientações Pedagógicas VI. Disponível em:

identificar e remover barreiras para a aprendizagem de todos os alunos, com ou sem deficiência, com ou sem distúrbios de aprendizagem! (CARVALHO, 2006, p.75, grifos do autor).

Percebe-se que a visão de Carvalho (2006) equilibra as diferentes frentes de prováveis insucessos, admitindo a importância de encontrar soluções para o problema, mas não isentando os envolvidos de suas responsabilidades.

A resposta da coordenadora BC sobre as causas da não aprendizagem dos alunos encaminhados para a recuperação aborda apenas questões familiares, ou seja, a percepção que a coordenadora tem a esse respeito é de que:

[,,,] sempre passam por questões do pretérito familiar. (Q5BC)

Trata-se de uma visão, de certa forma, unilateral, pois somente considera questões anteriores à escola e relacionadas à família, eximindo a escola como eventual causa das dificuldades de seus alunos.

A resposta da professora a essa pergunta86 (Q6BM) aponta aspectos sociais e psicológicos do aluno, especificamente relacionados à sua exposição à violência. A professora relaciona as dificuldades ao tipo de vida a que as crianças são submetidas.

As crianças têm dificuldades de aprendizagem. Muitas delas porque não têm uma orientação adequada, têm estrutura familiar totalmente errada, moram em lugares que ninguém gostaria de morar, não têm uma mesa para fazer uma lição de casa, vão fazer a lição sentadas no chão e vão dormir com tiroteio. (Q6BM)

A resposta dada pela professora BM apresenta detalhes que não foram citados pela coordenação ou direção da escola e são fatores que podem interferir na aprendizagem dos alunos.

A diretora e a coordenadora enfocam os aspectos familiares enquanto a professora enfatiza o contexto socioeconômico. Mas, tanto a equipe técnica quanto a professora, não se detêm especificamente nos procedimentos metodológicos e estratégias de ensino ou na escola, embora a professora considere as condições em que vivem e os recursos que as crianças não possuem.

Nas observações feitas em sala de aula, foi possível perceber nas ações da professora encaminhamentos que revelam a intenção de despertar o interesse do aluno por aprender, aguçando sua curiosidade, reforçando os conceitos via uma

86 Questionário/Entrevista dos Professores: 6. Para você, quais são as causas da não aprendizagem dos alunos encaminhados para a SANEE? Comente.

pedagogia diferenciada, visando à superação das dificuldades encontradas pelos alunos.

A ação da professora é, portanto, fundamental para que isso ocorra. O professor é uma fonte de estímulo aos alunos, pois deve oportunizar situações que incentivem os alunos a buscar respostas, soluções e resolver situações-problema. O estímulo é algo externo que impulsiona o indivíduo e o leva a agir. Segundo Bzuneck (2001), podem-se observar os efeitos da motivação87 do aluno quando ele se envolve nas tarefas.

O envolvimento e a motivação apontados por Bzuneck (2001) ficam visíveis na sala da professora BM, quando ela acompanha o processo de aprendizagem e procura sanar as dúvidas dos alunos:

A professora explica e uma aluna pergunta se precisam numerar as linhas. A professora prontamente responde e explica que devem por o nome na folha e caso tenham dúvidas devem levantar a mão. A professora vai de carteira em carteira tirando as dúvidas, mas não dando respostas prontas aos alunos, mas estimulando-os a tentar escrever as palavras. A atividade é contextualizada e apresenta uma sequência relacionada à comemoração que ocorrerá na escola: Festa Junina. O atendimento a dúvidas é individualizado e a classe é sempre organizada em grupo. (SABM4)

Conforme propõe Perrenoud (2000a), uma pedagogia diferenciada deve ser pensada em relação ao aluno e ainda levar em consideração suas condições de aprendizagem. Uma pedagogia diferenciada exige do professor uma atividade fecunda, uma reflexão sobre a relação entre o seu saber e a sua prática, entre o seu saber e o conhecimento do aluno, além de exigir também imaginação e talento para criar as condições necessárias à aprendizagem.

Para Perrenoud (2000b, p.114), ―[...] educar, é antes de tudo, mobilizar o aluno para que se torne um aprendiz. Supõe dispositivos didáticos precisos, a constante observação formativa, a organização e gestão eficaz da classe.‖

Esse tipo de trabalho diferenciado é visto na sala de recuperação da professora BM quando propõe uma atividade que mistura materiais, estratégias e retoma conceitos e procedimentos que já foram vistos antes, mas que, na retomada, são apresentados de forma diferenciada, utilizando o jogo, por exemplo.

Outra tarefa é proposta: leitura, mas é interrompida, pois o barulho do ambiente externo prejudica o andamento da atividade. Depois, é retomada e o aluno que apresenta dificuldades na leitura (L), vai lendo e sendo incentivado pela professora. Passam, a seguir, a uma atividade lúdica: pintura das palavras no caça-palavras. Dessa forma, os alunos têm

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Motivar, de acordo com Houaiss (2008, p. 515), é dar motivo a; causar; provocar [...]; estimular, impulsionar.

a oportunidade de colocar seus sentidos em atividade e retomar palavras que estavam presentes no texto lido: a interação dos alunos com os conceitos estudados. (SABM3)

A atividade proposta pela professora, via jogo, ativa e desenvolve os esquemas de conhecimento. Por meio dela, o aluno aprende a observar, identificar, comparar, classificar, conceituar, relacionar e inferir, como também aprende a planejar, fazer previsões, registrar, contar, trocar informações, escrever e aprender com os outros colegas, pois a atividade pode ser realizada em grupo e/ou individualmente. Dessa forma, a professora cria, ao mesmo tempo, uma atmosfera de desafio e de colaboração entre todos e, quando surgem as dúvidas, ela media as situações, esclarecendo e incentivando os alunos.

O procedimento da professora vai ao encontro da necessidade do aluno e põe em prática uma ação que ela defende e acredita, conforme foi dito na questão um e fica explícito também nesta questão como forma de interferir nas dificuldades dos alunos.

In document Frafall i videregående opplæring (sider 24-27)