• No results found

TILNÆRMING TIL METODEBRUK

DEL II TEORI OG METODE

2.3 KARTLEGGING AV OPPGAVENS GRUNNLAGSFORSTÅELSE

2.3.2. TILNÆRMING TIL METODEBRUK

“ (...) Vede a multidão que lá contemplam a água.

(...) Postados como sentinelas silenciosas por toda a volta da cidade, milhares e milhares de mortais permanecem imóveis, sonhando com o mar. Alguns encostam-se em pilares; outros ficam nas pontas dos molhes; terceiros olham por cima das amuradas dos navios que vêm da China ou para o alto, no cordame, como que lutando para obter uma vista ainda melhor do mar. Mas são todos homens de terra, confinados, nos dias de semana, entre ripas e reboco – presos em balcões, pregados em bancos, seguros em escrivaninhas. Por que sucede isso então? Acabaram-se os verdes campos? Que fazem eles aqui?

Mas notai! Aqui vêm outras multidões, caminhando retas para a água, como se fossem mergulhar. Estranho! Nada os conterá a não ser a ultima orla de terra: não será bastante passar o tempo à sombra protetora daqueles armazéns. Não. Eles têm de chegar o mais próximo possível da água, quase a ponto de cair nela. E aí permanecem – milhares e milhares – por léguas.Todos gente de terra: vêm de becos e vielas, ruas e avenidas – de norte, leste, sul e oeste. Contudo, aqui todos se unem. Dizei-me, a força magnética das agulhas das bússolas de todos aqueles navios os atrai? (...) Visitai as Pradarias em junho, quando por muitas e muitas milhas caminhais com os joelhos encobertos por lírios tigrinos: qual é o encanto que falta? – Água. Não há uma gota de água lá! Não passasse o Niágara de uma catarata de areia, viajaríeis mil milhas para vê-la? Por que o pobre poeta de Tennessee, ao receber inesperadamente dois punhados de prata, hesitou entre comprar um casaco, de que ele tristemente necessitava, e gastar o seu dinheiro numa viagem a pé à praia de Rockaway? Por que quase todo rapaz robusto e sadio, de alma robusta e sadia dentro dele, numa ocasião ou noutra fica louco por ir para o mar? Por que, em vossa primeira viagem como passageiro, vós mesmo sentistes uma vibração tão misteriosa, quando vos disseram pela primeira vez que vós e o navio já não podíeis divisar terra? Por que os antigos persas consideravam sagrado o mar? Por que lhe atribuíram os gregos um deus especial, o próprio irmão de Jove? Por certo tudo isso não deixa de ter sentido. E ainda é mais profundo o sentido daquela história de Narciso, que, por não poder pegar a imagem, atormentadora e suave, que ele via na fonte, mergulhou nela e afogou-se. Mas essa imagem, nós mesmos a vemos em todos os rios e oceanos. É a imagem do inagarrável fantasma da vida; e esta é a chave de tudo. (...)”

(MELVILLE: 2002, pág. 27 -29.)

Os valores ambientais são a base do estudo e desenvolvimento dos paradigmas ambientais que se estabelecem como diretrizes às novas formas de ocupação e reestruturação do território, pois podem balizar e equacionar as questões culturais e sociais entre o Homem e a Natureza, propondo as possíveis mudanças de um cenário físico, estético e emocional, conhecido por habitat humano.

O desenvolvimento sustentável atualmente parece responder a todos os aspectos mais difíceis deste cenário, propondo uma relação simbiótica entre o desenvolvimento das áreas urbanizadas e o equilíbrio dos recursos naturais, embora ainda restem grandes

lacunas quanto ao seu conteúdo e formas de aplicação nos vários domínios de intervenção que incidem sobre o ordenamento e a gestão dos recursos naturais151. É

provável que a maior dificuldade ainda seja a espécie humana colocar-se como apenas mais uma espécie do planeta Terra, reconhecendo-se como passível de extinção e respeitando o território como uma manifestação de vida, parte de um ser vivo maior no qual habitamos e de que somos parte.

O planejamento ambiental e o desenho ambiental são extremamente importantes para desenvolver estudos de paisagem de território, entender as modificações radicais e tentar corrigir ou mitigar os danos ambientais de forma a permitir que a ocupação em Gaia possa tornar-se a mais equilibrada possível, pois ao contaminar o território, sendo ele vivo, é natural que se modifique e, talvez, não ofereça mais as melhores condições para a continuidade de uma infinidade de espécies, inclusive a humana, pois se tem visto diversos processos de extinção de espécies e, no entanto, a vida continua a existir sob outras formas.

A tendência de considerar nossa vida atual a melhor ou mais importante de todas obscurece uma perspectiva histórica que prova que já fomos diferentes.

A preservação dos recursos naturais assim como sua recuperação como valores ambientais nas cidades altamente adensadas e consolidadas tem uma perspectiva abrangente que envolve interesses econômicos e as ideologias vigentes nos diferentes momentos históricos e, dadas as circunstâncias, diferentes medidas estruturais foram adotadas.

Tomando por exemplo a evolução da cidade de São Paulo, as grandes intervenções junto aos rios Pinheiros e Tietê foram balizadas pela necessidade de sanear a cidade152. Na ocasião, o valor ambiental atribuído aos rios era outro, de forma que a

vegetação lindeira aos rios foi dizimada e o parcelamento do solo das margens dos rios foi destinado à implantação de vias expressas; os lotes formados com o terreno da várzea drenada destinaram em grande parte às indústrias, nem mesmo alguns

151

SARAIVA: 1999, passim.

152

espaços dos clubes desportivos à margem dos rios foram preservados e nem mesmo assim houve manifestações populares

A antiga área de várzea foi vista como “um espaço que a cidade ganhava do rio para ampliar sua urbanização”.

A história nos demonstra que já eram desenvolvidas nos EUA, mais especificamente por Frederick Law Olmsted, formas diferentes de trabalhar, na cidade de Boston, as áreas úmidas já poluídas através de parques lineares, melhorando a relação do homem com a natureza. Este complexo relacionamento foi estudado por Gutiking in Michael Laurie153 e talvez possa ressaltar a dificuldade do estabelecimento de uma

consciência social, ambiental e cultural desenvolvida, já que durante séculos a exploração dos recursos naturais foi absoluta e aceita como forma digna e honesta na geração de riquezas e rápido desenvolvimento das civilizações.

O planejamento ambiental e o desenho ambiental podem ser incisivos ou paliativos, não se deve condenar medidas mitigadoras ou não-estruturais, pois as intervenções radicais também podem causar traumas e rejeição em uma sociedade que infelizmente ainda não formulou adequadamente seus valores ambientais, sendo necessário aliar os recursos naturais a valores econômicos para a conscientização da importância dos limites de exploração da natureza.

O planejamento e o desenho ambiental ao diagnosticar e formular a recuperação das características naturais de ecossistemas frágeis descaracterizados, devido à urbanização da cidade, garantem melhoria na leitura da paisagem natural, preservação da identidade ambiental, preservação das condições de vida da cidade e adaptação dos recursos naturais ao tecido urbano sem interromper o trânsito da vida.

153

CAPÍTULO 5