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KUNNSKAPSBIDRAGET

DEL I INNFALLSVINKEL

1.5 KUNNSKAPSBIDRAGET

Em 1900 a cidade contava com 231.820 habitantes e todo o sistema de abastecimento tornara- se ineficiente, sendo necessária a ampliação das redes distribuidoras e obrigando a captação de água em outros mananciais.

FIGURA 93

MEYER et al: 2004, pág. 92. Também disponível em <http://lume.fau.usp.br>, visitado em 20/04/2007

Na inauguração da primeira usina hidrelétrica, em Parnaíba, o rio Guarapiranga é represado para compensar as descargas mínimas oferecidas pelo Tietê em épocas de estiagem e deste represamento surge um lago de 196 milhões de metros cúbicos, mas somente em 1928 será concedido seu uso para abastecimento da cidade de São Paulo em um acordo no qual o Governo do estado fica autorizado a retirar 4 m³/s para abastecimento.

O fato é que o sistema de abastecimento necessitava de maiores captações de água, em 1903 houve uma grande estiagem e Euclides da Cunha realizou estudos para o aproveitamento da bacia do Rio Claro. Alguns acreditavam na captação das águas do Tietê a montante da cidade outros propunham a captação e adução das águas do Cabuçu, Cotia e Barrocada.

Já era 1904, quando o engenheiro Rebouças elaborou o primeiro plano para o emprego de filtros rápidos em São Paulo, realizou-se a canalização coberta do Anhangabaú e 309 metros de retificação do Tamanduateí.

O engenheiro Saturnino de Britto foi contratado pelo Estado para desenvolver o sistema de esgotos e drenagem de Santos em 1905 e em 1907 as obras seriam iniciadas, concomitantemente começavam as obras para adução do Cabuçu e Barrocada – destinados ao

abastecimento de Santana, Luz, Bom Retiro e Brás. Também neste ano construiu-se o reservatório do Araçá, aproveitando-se a canalização antiga da Cantareira – ligada à linha de sobras e prolongada até o espigão da Paulista.

O reservatório do Belenzinho ficou pronto em 1909 – mas tinha pequena capacidade de reservação – havia um clima de prosperidade pairando nos ares paulistanos com a finalização do Teatro Municipal e com 128 automóveis particulares, 16 de aluguel e 1 de carga circulando pelas ruas de São Paulo. No entanto, em seguida à crise de 1914 ocorre a Primeira Guerra Mundial. Neste ano há imenso déficit de água e São Paulo enfrentou a primeira epidemia de febre tifóide nos bairros baixos devido ao uso das águas “já poluídas” do rio Tietê. Diante deste fato iniciam-se as obras de aproveitamento do ribeirão Cotia e a construção da adutora Cotia - Água Branca.

FIGURA 94

MEYER et al: 2004, pág. 92. Também disponível em <http://lume.fau.usp.br>, visitado em 20/04/2007

Em 1924, dez anos mais tarde, a cidade de São Paulo vivia a Revolução Tenentista em meio a uma grande estiagem. Foram 23 dias de combate em que era importante ao movimento a tomada da cidade de São Paulo – que contava com 518 mil habitantes e representava o centro econômico da Primeira República, foi nas primeiras horas da manha do dia 6 de julho que os revoltosos bombardearam a caixa d’água da Luz, a usina de força de Vila Mariana e o Edifício da Escola Politécnica. A situação agravou-se devido à falta de energia elétrica nas bombas de recalque e o abastecimento piorou.

FIGURA 95

Torre d’água atingida por bala de canhão, 1924.

Fonte: São Paulo - 450 anos. São Paulo: Instituto Moreira Salles: 2004, pág. 127.

No ano de 1925, a situação não era das melhores, havia grande estiagem, o Cotia sofreu uma redução de 90 mil para 32 mil litros/dia, a cidade que dispunha de 156 mil litros/dia passou a dispor de 70 mil litros/dia e é neste contexto que incoerentemente - embora bela – é construída a fonte da praça da Vitória, atual Júlio Mesquita – obra de Nicolina Vaz. Ainda neste ano criou-se a comissão de obras novas, que decidiu que se deveria construir a adutora de Rio Claro, que em seu projeto final captaria as águas em Casa Grande – a 77 quilômetros da capital, aumentando a área da bacia de captação a montante e eliminando 9 km de adutora em relação ao anteprojeto apresentado.

Em 1927, a Comissão de Obras Novas foi substituída pela Comissão de Saneamento da Capital e por influência do Engenheiro Saturnino de Britto – que acreditava no tratamento químico da água – foi abandonado o critério de “águas protegidas” e então passou-se a aduzir a água da represa Guarapiranga. Prosseguiam as obras da adutora de Rio Claro e decidiu-se construir a adutora de Santo Amaro.

Eram tempos em que o progresso caminhava junto com as exportações de café que representavam 70% das exportações brasileiras, mas em 1929 com a quebra da bolsa em Nova York houve um descompasso no acelerado desenvolvimento da capital paulista, embora em 1928 São Paulo já fosse uma cidade industrial e mesmo com o craque da bolsa, não havia

como retroceder, mas o desenvolvimento da cidade tornou-se bem mais lento, haja vista que o reservatório da Mooca, iniciado em 1926, só entrou em funcionamento em 1937, quando São Paulo contava com 1.186.00 habitantes.

Foi extinta a Comissão de Saneamento da Capital em 1930, afastando-se a perspectiva de derivar maiores quantidades de água da Guarapiranga. Três anos mais tarde, em 1933, Arthur Motta elabora o Plano Geral de Distribuição de Água – que recomendava a ampliação por etapas das adutoras de Rio Claro e Santo Amaro, mas em 1941 tais medidas ainda estariam em projeto.

As preocupações com a poluição das águas também existiam, vale ressaltar que a primeira legislação brasileira específica contra a poluição das águas foi o decreto 10.890 de 10 janeiro de 1940.

Logo após, em 1945, a Segunda Guerra e os sete anos de seca trouxeram sérios racionamentos. Foi uma época de muitas privações no planalto de Piratininga, alcançando-se o ano de 1954 o RAE deixa de existir e institui-se o DAE.

O Departamento de Águas e Esgoto (DAE) foi instituído em 1954 como uma autarquia com poder administrativo sobre os municípios de São Paulo, Guarulhos, Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul e subordinado à Secretaria de Viação e Obras Públicas. Percebe-se que o DAE vislumbra a futura RMSP e já gerencia os recursos hídricos de forma integrada. Em 1956 foi criada - mais uma vez – uma Comissão de Obras Novas, a fim de tomar medidas urgentes no reforço de abastecimento de água na cidade de São Paulo – que, em 1958, com novo surto industrial abrigava 3,5 milhões de habitantes.

A adução de mais 2 m³/s da represa de Guarapiranga minimizava a situação e também inicia- se o aproveitamento de água do rio Grande – represa Billings para o abastecimento de Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul. Definitivamente não era mais possível abastecer a cidade de São Paulo e os municípios vizinhos através de medidas isoladas – era necessário um plano maior e integrado às necessidades de uma cidade que crescia descabidamente. Entravam em cena os serviços do DAEE.

O Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) contrata em 1964 o consórcio Hibrace para o desenvolvimento de um plano diretor que pudesse resolver até o fim do século o gerenciamento dos recursos hídricos da região, mas o crescimento da população e da cidade

era imprevisível e em 1958 a cidade de São Paulo já contava com 5.785.007 habitantes – mais uma vez a demanda superou os projetos e planos expostos.

Em 7 de fevereiro de 1968 criou-se a Companhia Metropolitana de São Paulo (COMASP) com a finalidade de captar, tratar, aduzir e vender água potável para os 37 municípios da Grande São Paulo e, as obras do Sistema Cantareira iniciadas em 1967 pelo DAEE, passaram a ser responsabilidade da COMASP.

FIGURA 96

MEYER et al: 2004, pág. 92. Também disponível em <http://lume.fau.usp.br>, visitado em 20/04/2007

A Companhia Metropolitana de Saneamento de São Paulo (SANESP) foi criada em 6 de maio de 1970 com objetivos muito semelhantes aos da COMASP, no entanto também deveria ocupar-se do tratamento dos efluentes. A fim de viabilizar financeiramente as obras necessárias, surge em 8 de maio de 1970; dois dias depois, a FESP - Fomento Estadual de Saneamento Básico – para levantar os recursos necessários à execução dos projetos. A necessidade de implantação de projetos eficientes de saneamento básico refletia-se nos índices de mortalidade infantil alarmantes:

TABELA 10 - Índice de mortalidade infantil 1970 à 1973.

Ano Índice de mortalidade infantil por crianças nascidas vivas de menos de um ano

a cada 1.000; 1970 81 1973 87

Neste cenário surgiu a Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (SABESP) em 1973 com o intuito de unificar os diferentes e diversos serviços de saneamento básico.

A SABESP surgiu como a fusão da COMASP e a SANESP, com a absorção do patrimônio da SAEC – Superintendência de Águas e Esgotos da Capital, parte dos patrimonios da FESP - Fomento Estadual de Saneamento Básico, incluiu em 1975 a SBS – Saneamento da Baixada Santista e também da SAVELE – Saneamento do Vale do Ribeira. Consolidou-se como a maior empresa de saneamento das Américas e a quarta maior do mundo, a sexta maior estatal brasileira, com mais de 18.000 funcionários é responsável pelo abastecimento de água e pelo saneamento básico de 60% da população do estado de São Paulo, atendendo a 25 milhões de pessoas em 366 municípios.

O sistema Cantareira inaugurado em 1974 possibilitou a expansão da SABESP e também a qualidade de seus serviços, tendo em vista preservar as regiões de mananciais e, devido à expansão da cidade, desenvolver legislação para regulamentar o uso do solo. A fim de preservar as áreas de mananciais e demais recursos hídricos de interesse da RMSP, em :

• 1974 implantou-se do Sistema de Planejamento de Administração Metropolitano; • 1975 definiu-se legislação para regulamentar o uso do solo;

• 1976 a delimitação das áreas de proteção relativas aos mananciais e demais recursos hídricos de interesse da RMSP.

• Após a entrada do Sistema Cantareira, que fornecia água em abundância - caiu o índice de mortalidade infantil:

TABELA 11 - Índice de mortalidade infantil 1978 à 2003.

Ano Idade da SABESP o índice de mortalidade por 1.000 crianças nascidas vivas de

menos de um ano 1978 05 anos 70 1983 10 anos 45 1988 15 anos 37 1993 20 anos 28 2003 30 anos 14

Nesta linha de preocupações, em 1980 inicia-se o programa de fluoretação na Grande São Paulo, beneficiando 13 milhões de pessoas com um procedimento auxiliar na prevenção de cáries.

Também faz parte dos objetivos da empresa o tratamento dos efluentes residenciais e industriais. Apesar das preocupações com a condução e o tratamento dos esgotos, os investimentos maciços viriam mais tarde: em 1982 é inaugurada a ETE de Suzano, em 1988 a ETE de Barueri e em 1989 a ETE do ABC.

Em 1987 é necessário ampliar o sistema de abastecimento e em 1992 entra em operação o sistema Alto Tietê. Já em 1995 outro desafio foi lançado à SABESP pelo governo do Estado de São Paulo: “em quatro anos elevar de 93% para 100% o atendimento com sistemas de água, ampliar para 85% o percentual de população atendida com rede coletora de esgotos e aumentar para 60% a capacidade de tratamento dos esgotos coletados.” A empresa parece ter atingido estes objetivos e hoje, no sistema integrado da RMSP, a empresa administra oito grandes sistemas de água potável.

FIGURA 97

Sistema de abastecimento da RMSP. SABESP: 1999.

• Ao Norte: Sistema Cantareira, composto pela reversão de parte das bacias dos rios Jaguari, Jacareí, Cachoeira e Atibainha, formadores do rio Piracicaba, além do rio Juqueri da bacia do Alto Tietê – sendo este um sistema exportador capaz de regular cheias e secas mais pronunciadas;, a ETA Guarau é responsável por 33 m³/s.

• Ao Sul: Sistema Guarapiranga tem capacidade de 14 m³/s, sendo que está superexplorado, pois sua capacidade de regulação é de 10,3 m³/s. Desde março de 2000 o Sistema Guarapiranga conta com 2m³/s dos 4m³/s provenientes do braço Taquacetuba

e 0,7m³/s advindos da barragem do rio Capivari. Também ao sul, o Sistema Rio Grande contribui com 4,2 m³/s.

• A Leste: Encontra-se o sistema Alto Tietê em expansão e com capacidade para até 10 m³/s, e o Sistema Rio Claro contribuindo com 4 m³/s

• A Sudeste: O Sistema Ribeirão da Estiva que produz 0,1 m³/s

• A Oeste: O Sistema Produtor Cotia, dividido em Alto Cotia com produção de 1,3 m³/s e o Baixo Cotia com produção de 1 m³/s.

FIGURA 98

MEYER et al: 2004, pág. 92. Também disponível em <http://lume.fau.usp.br>, visitado em 20/04/2007

Através do desenvolvimento do Programa Metropolitano de Água – PMA, entre 1996-8, foi possível eliminar o rodízio na RMSP e estender a distribuição a 100% da população. Com estas medidas aliadas ao programa de redução de perdas decorrentes da adução os serviços foram tornando-se mais eficientes.

FIGURA 99

MEYER et al: 2004, pág. 92. Também disponível em <http://lume.fau.usp.br>, visitado em 20/04/2007

Atualmente o serviço de abastecimento prestado pela SABESP é bastante satisfatório, mas as preocupações com o abastecimento no futuro são constantes. Já em relação à coleta e tratamento dos efluentes, as Estações de Tratamento de Esgoto ainda estão sendo construídas e interligadas à rede coletora, pois aproximadamente 45% do esgoto do município ainda são despejados nos corpos hídricos da cidade sem tratamento. No entanto, algumas outras providências têm sido tomadas com vistas a reduzir a despoluição de rios e córregos na cidade, tais como a flotação das águas poluídas do Rio Pinheiros e dos lagos do Parque Ibirapuera e Parque da Aclimação, pois estima-se que 40% da poluição do rio Pinheiros decorram da poluição difusa, ou seja, aquela lançada indevidamente nos afluentes do rio Pinheiros. Diante desta realidade, a SABESP tem investido em programas de educação ambiental com a finalidade de desenvolver nas crianças em idade escolar a compreensão da extensão da responsabilidade individual e social na preservação ambiental.

A educação ambiental é um importante instrumento na construção de uma cidade ambientalmente agradável, onde todos cientes de suas responsabilidades possam colaborar para uma cidade melhor.

4.3

IMPLANTAÇÃO DAS AVENIDAS DE FUNDO DE VALE: