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ET METODOLOGISK VEIKART FOR TEORI

DEL II TEORI OG METODE

2.2 ET METODOLOGISK VEIKART FOR TEORI

A transformação da paisagem natural, com a eliminação das áreas de várzea, consolidou-se com o projeto e conseqüente implantação das avenidas de fundo de vale através dos diversos planos urbanísticos desenvolvidos para a cidade de São Paulo, mesmo alguns sendo executados parcialmente. Posteriormente, outros planos recuperaram algumas das primeiras diretrizes de ocupação dos fundos de vale e o direcionamento da ocupação das terras baixas do município de São Paulo foi consolidado durante décadas de planejamento urbano desenvolvido em um período em que, devido à abundância dos recursos naturais em conjunto com as técnicas de engenharia, as diretrizes de planejamento e preservação ambiental da cidade não se apresentaram como questões prioritárias.

Na seqüência são apresentados mapas nos quais foram sobrepostas as localizações das principais avenidas de fundo de vale previstas nos diversos planos urbanísticos desenvolvidos para a cidade de São Paulo, nas ultimas décadas, tendo como pano de fundo o mapa de micro bacias do município de São Paulo elaborado pela SVMA – PMSP, desenvolvido e apresentado em conjunto com o Atlas Ambiental do Município de São Paulo.

A sobreposição destas informações é necessária para visualizar como as avenidas de fundo de vale cruzam o universo de micro bacias do município, pois atualmente a percepção das águas em São Paulo e em diversas cidades brasileiras encontra-se descaracterizada devido à adoção da estruturação viária dos espaços urbanos, isto decorrente de uma política federal de saneamento das cidades brasileiras, de forma que junto com o financiamento do saneamento urbano surgiu a possibilidade de construir os eixos de um sistema de transporte arterial nas cidades. Desta forma, o saneamento das cidades promoveu enfaticamente as avenidas de fundo de vale, mase devido à ausência de preocupações ambientais determinou-se o desaparecimento dos rios e córregos da paisagem paulistana, afastando o cidadão da água e eliminando grande parte das áreas úmidas da cidade.

Em um primeiro momento o Plano de Avenidas de 1930 traça como diretrizes urbanísticas necessárias ao desenvolvimento da cidade a construção das marginais dos rios Tietê e Pinheiros, sendo necessária para sua execução uma extensa obra de drenagem e aterro das áreas úmidas.

FIGURA 100

MEYER et al: 2004, pág. 88. Também disponível em <http://lume.fau.usp.br>, visitado em 20/04/2007

A transformação da paisagem da cidade de São Paulo e o conseqüente desaparecimento da água inicia-se em 1930 através do Plano de Avenidas que adota um padrão de urbanização no qual o saneamento da cidade e a estruturação viária adquirem a maior importância. O Plano de Avenidas influencia os planos seguintes, no que tange à ocupação dos fundos de vale com eixos de deslocamento prioritários ao desenvolvimento da cidade, localizando inclusive as indústrias em grandes extensões destas vias, tornando-as vetores de escoamento de matéria prima e produção.

FIGURA 101

MEYER et al: 2004, pág. 88. Também disponível em <http://lume.fau.usp.br>, visitado em 20/04/2007

Após o Plano de Avenidas em 1930 houve mais quatro planos urbanísticos na cidade de São Paulo, sendo eles: Plano Moses, 1950; Sagmacs, 1957; Plano Urbanístico Básico, 1968 e o

Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado, além dos dois programas de canalização PROCAV 1 e PROCAV 2.

FIGURA 102

MEYER et al: 2004, pág. 88. Também disponível em <http://lume.fau.usp.br>, visitado em 20/04/2007

Atualmente a cidade sofre com grandes problemas ambientais, no entanto os estudos destes problemas parecem concentrar-se em torno das antigas áreas de várzea, principalmente nos períodos de chuvas quando as inundações avançam sobre as principais vias de deslocamento da cidade. A ocupação dos vales da cidade de São Paulo somada à baixa taxa de permeabilidade aplicada ao solo tem resultado em fenômenos, como aquecimento da cidade, inversão térmica, períodos de seca e inundações.

Diante deste panorama paulistano onde a qualidade de vida não tem sido das melhores, surge a necessidade de refrigerar e umedecer o ar da cidade de São Paulo, algo possível através do planejamento e do desenho ambiental de um sistema de refrigeração para a cidade.

A composição de um sistema de refrigeração para a cidade passa pela valorização da água na paisagem, dos rios, córregos e lagos, sendo necessário rever políticas – como o PROCAV II que em 1994 ainda propôs e implantou até 2000 idéias de retificação e canalização de rios e córregos na cidade com a conseqüente construção de avenidas nos fundos de vale.

Como pode ser observado, as avenidas de fundo de vale são uma política que se desenvolve através das diferentes gestões nas esferas municipal e estadual, demonstrando a força desta idéia que surgiu em um contexto absolutamente diferente do atual.

FIGURA 103

MEYER et al: 2004, pág. 88. Também disponível em <http://lume.fau.usp.br>, visitado em 20/04/2007

Hoje, passadas quase oito décadas, é necessário repensar maneiras de gerir a cidade, principalmente diante das dificuldades ambientais que se desenvolveram a partir da drenagem e aterro das várzeas, considerando também a necessidade mundial de adaptação dos processos econômicos necessários que visem formar comunidades e cidades sustentáveis.

No entanto houve uma grande implantação de avenidas de fundo de vale entre 1980 e 2000, o que se contrapõe às idéias de renaturalização e valorização da paisagem natural hoje tão necessárias ao bem estar da população da cidade de São Paulo.

FIGURA 104

MEYER et al: 2004, pág. 89. Também disponível em <http://lume.fau.usp.br>, visitado em 20/04/2007

O dessecamento das águas da cidade traz consigo outra questão que brevemente será motivo de conflito sócio econômico, a cobrança pela água que é extraída de outros territórios. A

cidade de São Paulo tem um sistema de abastecimento maior que sua área urbanizada,o que é natural, pois a bacia de drenagem respeita a razão de 20 m² de bacia hidrográfica para cada 1 m² de superfície de água,150 como será explorado mais adiante. No entanto, a questão a ser

discutida está centrada no tratamento dado a água na área urbanizada, pois os rios e córregos da cidade de São Paulo estão, quase que em sua totalidade, retificados ou canalizados sendo apenas um sistema de drenagem superficial. Atualmente as águas superficiais da cidade estão contaminadas na razão de 45% com o efluente produzido na cidade, motivo pelo qual, já na década de 80, o sistema hídrico da cidade já foi chamado de “colar de esgotos” por Samuel Murgel Branco.

FIGURA 105

MEYER et al: 2004, pág. 97. Também disponível em <http://lume.fau.usp.br>, visitado em 20/04/2007

Embora todos os sistemas de abastecimento ocupem áreas muito extensas, pois incluem toda a bacia hidrográfica necessária para assegurar a quantidade e a qualidade da água, o sistema Cantareira ultrapassa divisas políticas, tendo uma parte no estado de Minas Gerais.

150

Esta realidade nos faz refletir sobre a gestão política e a gestão ambiental, pois para esta não é possível considerar os limites políticos e na gestão das águas no município de São Paulo há dificuldades iniciais que se relacionam aos limites políticos das subprefeituras da cidade, impossibilitando ações completas de planejamento ambiental. A recuperação da qualidade da água e o resgate de sua percepção na paisagem são necessários por diversos motivos, mas ao se observar os sistemas de abastecimento da região metropolitana na qual o município de São Paulo se insere estas questões tornam-se ainda mais urgentes.

É necessário e extremamente urgente que a cidade elabore um estudo que indique ações ambientais a serem seguidas cuja prioridade seja a recuperação da água na paisagem urbana, não só devido às questões físicas envolvidas, tais como ciclo hidrológico desequilibrado, abastecimento ameaçado, cheias, alagamentos e aquecimento da cidade, mas também tenham em vista dois objetivos maiores: a percepção e a valorização da água na cidade para a melhoria das relações do homem com a natureza e como fator essencial na busca por uma cidade sustentável.

PARTE III