Souza, JD; Martins, MV; Franco,FS; Martinho,KO; Sant'Ana,LFR; Tinôco,ALA
1
UFV - Universidade federal de viçosa [email protected] Objetivos
O estudo objetivou verificar a associação dos padrões alimentares com os aspectos socioeconômicos de idosos, atendidos na Estratégia Saúde da Família (ESF) de Viçosa-MG.
Métodos
Estudo epidemiológico, transversal, em amostra probabilística de idosos, atendidos nas 15 unidades da ESF. O cálculo do tamanho amostral considerou um nível de 95% de confiança e erro tolerado de 5%, totalizando 402 idosos. A coleta de dados ocorreu nas 15 unidades da ESF onde foi aplicado questionário com informações socioeconômicas e demográficas, segundo Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP, 2011). Para identificação dos padrões alimentares foi avaliado o consumo alimentar por um questionário de frequência alimentar qualitativo (QFA). Este continha 93 itens e apresentava 8 opções de consumo: nunca ou raramente, mensal, quinzenal, 1 ou 2 vezes por semana, 3 ou 4 vezes por semana, 5 ou 6 vezes por semana, 1 vez ao dia e 2 ou mais vezes ao dia. A partir do QFA, foram identificados os padrões alimentares da população. A validade dos padrões alimentares foi investigada por meio da análise fatorial exploratória, testando a relação entre as variáveis. Foi estimado o coeficiente de Kaiser-Mayer-Olkin (KMO) e o teste de esfericidade de Bartlett para aferir a aplicabilidade e adequação das correlações entre as variáveis. Realizou-se a análise de componentes principais, seguida de uma rotação ortogonal (varimax) para examinar a estrutura fatorial exploratória do QFA, melhorando a interpretação dos dados. O número de fatores foi definido conforme o gráfico da variância pelo número de componentes (screen plot), onde os pontos no maior declive indicam o número apropriado de componentes a reter. Os alimentos que contribuíram para a caracterização de cada padrão apresentaram cargas fatoriais com valores iguais ou maiores que 0,2, conforme Schulze et al, (2003). A partir da extração de cada padrão alimentar, foram realizadas quatro regressões logísticas, considerando em cada uma um diferente padrão alimentar como variável dependente e as variáveis socioeconômicas como independentes. Esses modelos foram ajustados, considerando p<0,05. As análises foram realizadas no software Stata, versão 9.1. O estudo atendeu as normas para a realização de pesquisa em seres humanos, mediante autorização
por meio da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Viçosa (Oficio nº 136/2012).
Resultados
Observou-se associações estatisticamente significantes entre o maior consumo do padrão alimentar “Gordura e açúcar” por idosos do sexo masculino e pardos, e do padrão “Balanceado” por idosos com escolaridade entre 1 a 4 anos, casados e pardos. Os entrevistados da classe socioeconômica mais baixa (CDE) apresentaram menor consumo do padrão balanceado. O padrão “Frutas e peixes” foi mais consumido por participantes com menos um ano de escolaridade, o que não foi verificado por pessoas de menor poder aquisitivo. Já o padrão alimentar “Folhosos” foi pouco consumido por idosos com cinco ou mais anos de escolaridade. Conclusão
Ressalta-se a necessidade constante de incentivo a uma alimentação balanceada, rica em frutas e vegetais para melhores condições de saúde e uma melhor qualidade de vida. Vários fatores influenciam o padrão alimentar da população idosa além das características sociais, econômicas e estilos de vida, estes devem ser avaliados como determinantes o estado nutricional.
Referências
Associação Brasileira de Estudos Populacionais(ABEP). Critérios de Classificação Econômica Brasil. Dados com base no Levantamento Sócio Econômico 2009 – IBOPE. 2011.
Abreu WCD. Aspectos socioeconômicos, de saúde e nutrição, com ênfase no consumo alimentar de idosos atendidos pelo Programa Municipal da Terceira Idade (PMTI), de Viçosa – MG. Departamento de Nutrição e Saúde, Universidade Federal de Viçosa, 2003, 89.
Alizadeh M, Mohradinia J, Pourghasem-Gargari B, et al. Major Dietary Patterns among Female Adolescent Girls of Talaat Intellingent Guidance School, Tabriz, Iran. Iran Red Crescent Med J, 2012,14(7).
Brasil. Normas para a Realização de Pesquisa em Seres Humanos. CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE. RESOLUÇÃO 196/96 1996.
Brasil. Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis no Brasil 2011-2022. Disponível em: http://www.cmdca.pmrp.com.br/ssaude/doencas/cronicas/files/publication.pdf. Acessado em: 20 janeiro de 2012. Campos MTFS, Monteiro JBR, Castro, APR. Fatores que afetam o consumo alimentar e a nutrição do idoso. Rev. Nutr., Campinas, 2000, 13(3).
Carvalho JAM, Garcia RA. O envelhecimento da população brasileira: um enfoque demográfico. Cad Saúde Publica, 2003,9(3):109-18.
Cervato AM, et al . Educação nutricional para adultos e idosos: uma experiência positiva em Universidade Aberta para a Terceira Idade. Rev. Nutr., 2005,18(1).
D´Innocenzo S, Marchioni DML, Prado MS, et al. Condições socioeconômicas e padrões alimentares de crianças de 4 a 11 anos: estudo SCAALA - Salvador/Bahia. Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, 2011,11(1).
Freitas AMDP, Philippi ST, Ribeiro SML. Listas de alimentos relacionadas ao consumo alimentar de um grupo de idosos: análises e perspectivas. Revista Brasileira de Epidemiologia, 2011,14(1).
Hoffmann J F. Padrões Alimentares na Gestação e Associação com Características Sócio-Demográficas em Mulheres Atendidas em Unidades Básicas de Saúde no Sul do Brasil. Departamento de Medicina, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2008, 117 .
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dados preliminares do censo 2010. Disponível em: http://www.ibge.gov.br. Acesso em: 20 Jan. 2013.
Lima-Costa MF, Veras R. Saúde pública e envelhecimento. Cad Saúde Pública, 2003,19:700-701.
Lin H, Bermudez OI, Tucker KL. Dietary Patterns od Hispanic EledersAre Associated with Acculturation and Obesity. The Journal of Nutrition, 2012,133.
Lopes ACS, Caiaffa WT, Sichieri R, et al. Consumo de nutrientes em adultos e idosos em estudo de base populacional: Projeto Bambuí. Caderno de Saúde Pública, 2005, 21(4).
Marques APDO, Arruda I KGD, Leal MCC, et al. Envelhecimento, obesidade e consumo alimentar em idosos. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, 2007,10(2).
Município de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Cad. Saúde Pública, 2011:2409-2418.
Noel SE, Newby PK, Ordovas JM, et al. A Traditional Rice and Beans Pattern Is Associated with Metabolic Syndrome in Puerto Rican Older Adults. Nutritional Epidemiology, 2009,139(7).
Olinto MTA. Padrões Alimentares: análise de componentes principais. In: ATHENEU, F. (Ed.). Epidemiologia Nutricional. Rio de Janeiro: Kac, G., 2007. Padões Alimentares: análise de componentes principais, 213-25.
Perozzo G, Olinto MTA, Dias-da-Costa JS, et al. Associação dos padrões alimentares com obesidade geral e abdominal em mulheres residentes no Sul do Brasil. Caderno de Saúde Pública, 2008, 24(10).
Schulze MB, Hoffmann K, Kroke A, et al. An approach to construct simplified measures of dietary patterns from exploratory factor analysis. British Journal of Nutrition, 2003,89.
Selem SSADC. Padrões da dieta e hipertensão em adultos e idosos de São Paulo. Nutrição em Saúde Pública, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012,105.
Silva VL, Leal MCC, Marino JG, Marques APO. Associação entre carência social e causas de morte entre idosos residentes no Município de Recife, Pernambuco, Brasil. Cad Saúde Pública, 2008,24:1013-1023.
Declaration of Helsinki. Ethical principles for Medical Research Involving Human Subject (WMA.). 59TH WORLD MEDICAL ASSOCIATION GENERAL ASSEMBLY. Seoul. 2008.
World Health Organization(WHO). Noncommunicable diseases country profiles, 2011.
Palavras-chave: idosos; grupo de risco; consumo alimentar