Oliveira, EC; Neves, AS; Alves, DR
1
UNIFOA - Centro Universitário Fundação Oswaldo Aranha [email protected]
Objetivos
O objetivo da pesquisa foi avaliar a qualidade higiênico-sanitária das hortaliças folhosas (de feiras da região) e identificar os possíveis parasitas presentes nas amostras no intuito de informar sobre como a higienização inadequada desses gêneros alimentícios é prejudicial à saúde.
Métodos
No início de Outubro de 2013, foram coletadas 60 amostras de hortaliças folhosas em feiras livres no município de Volta Redonda/RJ, sendo 30 amostras de alface (Lactuca sativa) de singularidade crespa e, 30 de couve (Brassica oleracea), onde todas foram encaminhadas para o Laboratório de Parasitologia e Microbiologia do UniFOA (Volta Redonda-RJ). A análise realizada de modo aleatório, com caráter qualitativo. Desprezaram-se as folhas deterioradas, para cada amostra foi utilizado um par de luvas de borracha e cada uma acondicionada em sacos de polietileno de primeiro uso acrescidos com 500 mL de água destilada, sendo agitadas por um minuto e deixado em repouso por vinte minutos. Despejou-se o líquido de cada amostra em um funil com gaze
dobrada em quatro partes (presa por um elástico)onde permaneceu em sedimentação espontânea por 24h em cálices de fundo cônico. Retirou-se 0,2 mL do sedimento com o auxílio de uma pipeta graduada. O sedimento foi corado com Lugol 5% em lâminas (cobertas por lamínulas). Realizou-se duplicata das lâminas que foram levadas para análise no microscópio da marca COLEMAN (utilizando as lentes objetivas de 10x e 40x, para a identificação e confirmação das formas parasitárias, respectivamente). O método utilizado é uma adaptação do método de Guimarães et al. (2003), onde é descrito duas lavagens das verduras. A primeira por enxaguadura são acrescidos 250 mL de água destilada no saco plástico contendo a verdura e agitando-o manualmente. Na segunda há o desfolhamento dos pés de alface, descartando as folhas deterioradas. As folhas em bom estado de conservação são pinceladas uma a uma, em um pirex de vidro com 250 mL de solução detergente (IRGASAN a 0,5% em água destilada). As duas soluções de lavagem são deixadas em repouso em cálice cônico para a sedimentação, pelo período de 24 horas. Então, 0,1 mL de sedimento das duas lavagens foram examinados em duplicata em microscopia óptica em lentes de 10x e 40x.
Resultados
De uma amostragem de 60 hortaliças, 40 estavam infectadas (66,66%). Foi encontrado um espécime de protozoário e quatro de nematóides. Das 23 (76,66%) de 30 touceiras de alface, 13 apresentaram contaminação por ovos de Ascaris Lumbricoides, 12 continham ovos de Ancilostomídeos, 7 continham larvas de Strongyloides Stercoralis e 2 continham ovos de Toxocara sp. Dentre as 17 (56,66%) das 30 couves analisadas, 1 continha cisto de Entamoeba Histolytica, 8 apresentaram ovos de Ancilostomídeos, 6 com ovos de Toxocara sp. e 10 com ovos de Ascaris Lumbricoides. Algumas hortaliças apresentavam mais de uma estrutura parasitária. O parasita mais encontrado em ambas as hortaliças foi o nematóide Ascaris lumbricoides.
Conclusão
Torna-se importante adotar medidas que visem à melhoria da qualidade do cultivo até a venda desses gêneros alimentícios, além de implementar ações educativas dentro das políticas públicas atuais sobre os potenciais riscos à saúde de uma má manipulação dos alimentos, pois é através da informação e da promoção da mudança do comportamento coletivo, que a Saúde Pública deve se basear para prevenir doenças e garantir uma melhor qualidade de vida para a população.
Referências
Belik W. Perspectivas para segurança alimentar e nutricional no Brasil. Saúde Soc 2003 jan/jun; 12 (1): 12-20.
Barcelos ISC, Ferro JJB, Costa-Cruz JM. Avaliação parasitológica de alfaces (Lactuca sativa) comercializadas no município de Tangará da Serra, MT, Brasil. Rev patol trop 2012 jan/mar; 41(1): 47-54.
Braga CASB, Silva ER, Souza FR, Assís LN, Duque RG, Oliveira SL, et al. Avaliação da contaminação parasitária das hortaliças in natura comercializadas em feiras livres e supermercados da cidade de Jataí - GO. In: CONGRESSO DE PESQUISA, ENSINO E EXTENSÃO DA UFG – CONPEEX, 3. 2006, Goiânia. .[ CD-ROM]. Anais eletrônicos do XIV Seminário de Iniciação Científica, Goiânia: UFG, 2006.
Branco AJR, Rodrigues JC. Importância dos aspectos sanitários e educacionais na epidemiologia de enteroparasitoses em ambientes rurais. Rev Bras Anal Clin 1999; 31(2): 87-89.
Chesine PAF, Giuffrida R, Santarém VA. Contaminação de hortaliças por endoparasitas e salmonella spp, em Presidente Prudente, SP, Brasil. Colloquium Agrariae 2012 jan./jun; 8 (1): 18-25.
Falavigna LM, Freitas CBR, Melo GC, Nishi L, Araújo SM, Falavigna-Guilherme AL. Qualidade de hortaliças comercializadas no noroeste do Paraná, Brasil. Parasitol Latinoam 2005; 60: 144-149.
Figueirôa EO, Esteves FAM. Detecção de enteroparasitas em hortaliças comercializadas em feiras livres do município de Caruaru (PE). RBSP 2009 abr/jun; 33 (2): 38-47.
Freitas AA, Kwiatkowski A, Nunes SC, Simonelli SM, Sangioni LA. Avaliação parasitológica de alfaces (Lactuca sativa) comercializadas em feiras livres e supermercados do município de Campo Mourão, Estado do Paraná. Acta Sci Biol Sci 2004;
26(4): 381-384.
Germano PML, Germano MIS. Higiene e Vigilância Sanitária de alimentos. 2. ed. São Paulo: Livraria Varela; 2001.
Guilherme ALF, Araújo SM, Falavigna DLM, Pupulim ART, Dias MLGG, Oliveira HS, et al. Prevalência de enteroparasitas em horticultores e hortaliças da Feira do Produtor de Maringá, Paraná. Rev Soc Bras Med Trop 1999; 32(4): 405-411.
Guimarães AM, Alves EGL, Figueiredo HCP, Costa GM, Rodrigues LS. Freqüência de enteroparasitas em amostras de alface (Lactuca sativa) comercializadas em Lavras, Minas Gerais. Rev Soc Bras Med Trop 2003 set/out; 36(5): 621-623.
Moura AB, Zulpo DL, Calderon FF, Osaki SC. Enteroparasitas em alfaces (Lactuca sativa) comercializadas na cidade de Guarapuava, PR. Ambiência RSCAA 2010 jan/abr; 6(1): 89-96.
Northrop-Clewes CA, Shaw C. Parasites. Northern Ireland Centre for Diet and Health and Applied Biological and Chemical Sciences, University of Ulster, Coleraine, County Londonderry, UK, British Medical Bulletin 2000; 56(1): 193-208.
Parteli DP, Gonçalves SA. Pesquisa de parasitas intestinais em folhas de alfaces (Lactuca sativa l.) comercializadas no município de Vitória-ES. Vitória: Monografia [Graduação em Farmácia] - Faculdade Brasileira UNIVIX; 2005.
Rey L. Parasitologia. 3 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2001.
Santos ACC, Gregório DS, Moraes GFA, Nassif JM, Jarrouge MG, Alves MRM, et al. Estudo da contaminação por parasitas em hortaliças da região Leste de São Paulo. Science in Health 2012 maio/ago; 3(2): 96-103.
Silva CGM, Andrade SAC, Stamford TLM. Ocorrência de Cryptosporidium spp. E outros parasitas em hortaliças consumidas in natura, no Recife. Ciênc saúde cole 2005; 10: 63-69.
Soares B, Cantos GA. Qualidade parasitológica e condições higiênico-sanitárias de hortaliças comercializadas na cidade de Florianópolis, SC, Brasil. Rev bras epidemiol 2005; 8(4): 377-384.
Takayanagui OM, Silva AAMCC, Bergamini AMM, Oliveira CD, Capuano DM, Ribeiro EGA, et al. Fiscalização de verduras comercializadas no município de Ribeirão Preto, SP. Rev Soc Bras Med Trop 2001 jan/fev; 34(1): 37-41.
Tondo EC, Bratz S. Microbiologia e sistemas de gestão da segurança de alimentos. Porto Alegre: Sulina; 2011. Palavras-chave: alimento; hortaliças; parasitas; saúde pública; toxinfecções