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Diante da instauração da economia da informação, a sobrevivência das organizações em ambientes de negócio complexos e inconstantes, dependerá cada vez mais do resultado da mobilização dos seus ativos de informação e de conhecimento. Uma vez reconhecidos como ativos corporativos valiosos, a informação e o conhecimento precisam ser devidamente compreendidos e gerenciados por meio de práticas e ferramentas apropriadas.

Outro aspecto que corrobora a conveniência desta pesquisa é o fato de que, não obstante a atual aceitação e entendimento da importância do conhecimento no gerenciamento das organizações constatou-se, na análise do contexto teórico e empírico, que a incorporação da gestão estratégica do conhecimento ao modelo de gestão e da maneira de trabalhar das organizações brasileiras ainda é incipiente, prevalecendo os discursos frente às ações, sobretudo no âmbito da Administração Pública (AP), propiciando um campo vasto e fértil para pesquisas e estudos.

No segmento da Administração Pública Brasileira (APB), a despeito dos esforços já empreendidos pelo Governo Federal, o conceito “gestão do conhecimento” ainda é abstrato e desconhecido, por vezes confundido com “gestão da informação”, não só pela grande maioria dos servidores, como também, por muitos dirigentes, inclusive da alta administração. Por conseguinte, as práticas e processos da Gestão do Conhecimento deixam de ser uma prioridade estratégica para um grande contingente de gestores públicos, permanecendo o tema alijado das discussões internas, mesmo quando se tem o entendimento de sua importância para o desempenho organizacional.

Verificou-se ainda, que à exceção de algumas grandes empresas estatais e alguns ministérios, onde a Gestão do Conhecimento está de alguma forma sendo analisada, planejada ou aplicada, na maioria das organizações públicas a prática e projetos de GC são desenvolvidos de forma dispersa e fragmentada resumindo-se, em grande medida, às iniciativas isoladas e esforços pulverizados de áreas funcionais, a exemplo de departamentos como o de Gestão de Pessoas (Recursos Humanos) e o de Tecnologia da Informação e da Comunicação (TIC). Consequentemente, os resultados em GC ainda são tímidos e, em geral, não alinhados à estratégia ou objetivos maiores da organização.

Em se tratando da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, o cenário da Gestão do Conhecimento é ainda mais preocupante. Presente em todos os estados brasileiros, a Rede é atualmente constituída por 38 Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, por dois Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFETs), por 25 Escolas Técnicas vinculadas às Universidades Federais e pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)1, onde são oferecidos cursos técnicos integrados ao ensino médio e cursos superiores de tecnologia e licenciaturas, entre outras modalidades educacionais, destacando-se que, no conjunto de todos os Campi pertencentes aos Institutos Federais (IFs), chega-se a

soma de 354 unidades de ensino, com previsão de expansão até o final de 2014, para 562 unidades2.

Não obstante a abrangência e importância dessas instituições no contexto da Educação brasileira, além de lidarem diretamente com a criação e a disseminação do conhecimento como atividade fim, verificou-se uma escassa produção científica relacionada à como gerenciam os processos de criação, armazenagem, recuperação, compartilhamento e aplicação do conhecimento, desvelando-se a necessidade de se realizar pesquisas com este foco, direcionadas para este setor.

Neste contexto, a revisão da literatura revestiu-se de certo grau de dificuldade, resultando na identificação de apenas 11 trabalhos relacionados à Gestão do Conhecimento nos Institutos Federais de Educação, entre teses e dissertações, livros, artigos, estudos e trabalhos acadêmicos de um modo geral, ratificando-se a escassez mencionada, ainda que possam não representar o universo dos estudos existentes. Quanto à realização do diagnóstico da situação da Gestão do Conhecimento, verificou-se sua realização tão somente nos seguintes IFs: Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), conforme Zapelini et al. (2008); Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), Campus Mossoró, a partir de Oliveira (2010); Instituto Federal da Bahia (IFBA), segundo Silva (2010); Instituto Federal do Maranhão (IFMA), de acordo com Lima (2013); e junto às áreas de Administração e Planejamento do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET/MG), do Maranhão (CEFET/MA) e o do Paraná (CEFET/PR), hoje transformados em Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, com base no estudo de Batista (2006).

Face ao exposto, considerou-se que a realização do diagnóstico da Gestão do Conhecimento em Instituto Federal reveste-se de significativa relevância, tendo em vista as incipientes iniciativas neste sentido e a diminuta produção científica sobre o tema, no âmbito desse importante segmento da educação e, sobretudo, pela constatação de que as iniciativas de GC, nessas instituições, ainda requerem delineamento, planejamento, sistematização e formalização, em consonância com os objetivos estratégicos institucionais.

No caso específico do IFB, instituição objeto deste estudo, passados cinco anos de sua criação e ainda não tendo implementado nenhum programa e/ou estratégia de Gestão do Conhecimento claramente articulada, entende-se oportuno diagnosticar o estágio atual da GC na organização, especialmente, por também se encontrar em fase de construção do seu Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) para o próximo quinquênio (2014-2018), uma vez

2 Informações disponíveis em: <http://redefederal.mec.gov.br/expansao-da-rede-federal>. Acesso em: 3 jul.

que a aprendizagem e o desenvolvimento organizacional são significativamente ancorados pela GC.

Vale contextualizar que, por ocasião em que prestamos assessoria ao IFB, durante o ano de 2013, a convite da Pró-Reitoria de Desenvolvimento Institucional (PRDI), tivemos a oportunidade de introduzir o tema Gestão do Conhecimento nos encontros realizados, com base nas atividades acadêmicas e conteúdos trabalhados nas disciplinas do Mestrado Profissional em Gestão em Organizações Aprendentes (MPGOA), em especial “Gestão do Conhecimento e Modelagem da Informação”. Essas reflexões iniciais sobre GC, no contexto da instituição, contribuíram para ampliar a compreensão dos seus gestores sobre a importância do tema e consolidar o interesse pela realização de um diagnóstico de suas práticas nessa área, o que veio a se constituir no nosso tema de pesquisa.

Além da receptividade e interesse demonstrados pelos gestores do IFB em relação à temática e à realização da pesquisa, constatou-se que a instituição, a despeito das suas fragilidades de gestão, inerentes ao fato de contar com apenas cinco anos de existência como Instituto Federal, detém potencialidades e recursos concretos, em pessoas, infraestrutura e tecnologias, para uma futura implantação de um Programa de Gestão do Conhecimento (PGC).

Espera-se, portanto, que os resultados da pesquisa concorram para consolidar o comprometimento dos gestores do IFB em relação à elaboração de um plano estratégico que eleve o grau de maturidade da instituição em GC, como forma de incentivar a criação de mecanismos que visem à melhoria da eficiência, da eficácia e da efetividade dos seus processos e serviços prestados ao Estado e à Sociedade, conduzindo-a a um posicionamento de excelência institucional e gerencial no âmbito da Administração Pública Federal (APF). Por fim, e não menos importante, presume-se que a realização deste estudo, tendo em vista a importância e visibilidade usufruídas pelo IFB no contexto da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, sirva de estímulo e suporte para pesquisas do gênero em outras organizações públicas, notadamente nos demais Institutos Federais, o que confere uma maior relevância à sua concretização.

Trataremos em seguida, visando orientar o leitor na localização dos aspectos da pesquisa que lhes sejam mais interessantes, sobre a estrutura desta dissertação.