2.3 Theoretical Literature Review
2.3.2. The Theory of Unbalanced Growth
cio dos anos 1970
Um projeto que não funcionou: manual de limpeza da Chrysler (Figura 13) Este trabalho foi desenvolvido por Katherine antes de se tornar docente na Cranbrook. No entanto, este trabalho nos é relevante pois demonstra proble- mas relativos ao design moderno. Para este projeto, conforme explica Katherine McCoy, ela tentou ser o mais racional possível, trabalhando na tradição suíça, entretanto, no final, ela percebeu algumas falhas do manual:
Este é um exemplo de quando tentava ser bem suíça, eu fiz esse catálogo depois de meu segundo emprego na Unimark, era um manual para os profissionais da limpeza da sede executiva da Chrysler. Trabalhei com grid, colunas hierárquicas e geome- tria abstrata, mas foi um fiasco pois os funcionários da limpeza não conseguiam ler, a maioria deles nem havia terminado o colegial. E usei a fonte Univers 8 pt (que era muita pequena), ou algo assim, parece uma apostila de escola, a maior parte dos alunos a abandona, isso provavelmente se parecia com tudo aquilo que eles mais odiavam. Ninguém lia aquilo e, provavelmente, não conseguiam ler muito bem. Também utilizei diversos diagramas, no entanto, muitas pessoas têm dificuldade em ler gráficos e mapas. Dessa maneira, deveria ter tomado um caminho total- mente diferente. 27
O primeiro pôster de Katherine McCoy na Cranbrook (Figura 14)
Este foi o primeiro pôster que Katherine McCoy produziu após ser contrata- da pela Cranbrook. O pôster data de 1971 e é um convite para a comunidade participar de aulas de arte e design nas dependências da escola. Como pode- mos perceber, apesar de Katherine confirmar o comportamento extremamente suíço do início de sua carreira, ela trabalha nesse pôster com ilustração que nos remete às obras do Push Pin estúdio, bem como o diferente tratamento tipográfico. Temos aqui um do relógio que mostra as horas, indicando, prova- velmente, o horário em que se iniciariam as aulas. O cartaz apesar de ser um dos primeiros dela na escola, pode refletir uma nova abordagem conceitual, não é estritamente denotativo, possui elementos simbólicos.
Katherine McCoy afirma que o pôster lembra a linguagem do pushpin, e acres- centa que não havia pensado nisso, mas que eles sempre foram influência.
27 Tradução e adaptação da transcrição original: but here is my sour of example, trying to be very swiss, I did this after my second job at Unimark, and it was a long manual for cleaning workers (slide 11), and how to clean the executive headquarters of Chrysler, the grid and everything, very hierarchy collums and very abstract geometry, it was a failure though because the cleaning people couldn’t read, most of them didn’t graduate from highschool, this tiny univers, 8pt or something, and, look like a text book, most kids drop out the school, this is probably look like what they hate it! Nobody read that, and probably of those couldn´t read too well, and here are this diagrams, a lot of people have trouble reading four plans and maps, so, I should take a whole different approach (…) here we are at Cranbrook, in this really bizarre environment, so our ideas started to change.
74
Figura 14
Pôster de 1971
75
Mike e eu fizemos o pôster juntos, ele ajudou muito no conceito inicial. Desenvolve- mos o pôster em agosto, logo que conseguimos o emprego. Acho que não estávamos trabalhando no estúdio28 ainda, então o trabalho ainda reflete o meu trabalho no
estúdio com Ed Fella no qual o Push Pin era grande influência para os funcionários do estúdio. Sobre a tipografia, você pode ver que não é muito suíça, tentei deixar a informação fluir, é um pouco livre. Na verdade, fiquei muito feliz ao ver o resultado desse tratamento tipográfico, eu gosto da fluidez da mudança das cores29.
Procuramos saber quem era o homem de óculos na fotografia presente no pôster, a fim de entender se se tratava de algum artista. Katherine McCoy res- pondeu se tratar de um ator de Hollywood, Michael J. Pollard
que interpretava um adolescente marginal em Bonnie Clyde30, ou talvez parecia com
ele. Nós gostamos do visual desengonçado dessa foto e sua expressão poderia suge- rir que as aulas de arte seriam divertidas.31
Logo, uma das figuras mais icônicas do pôster se trata do ator32 de um filme
bem conhecido da época, lançado apenas 4 anos antes, portanto, ainda podia ter boa repercussão. É interessante notar as ideias que Katherine pretendia com o pôster: utilizar-se de uma figura pública, popular na época, cuja imagem “engraçada” poderia conotar diversão na sala de aula. Ao olharmos o pôster novamente, essa junção de ilustração e fotografia, o uso de linguagem gráfica que poderia remeter ao Push Pin ou mesmo à pop art, parecem convidar o público a participar de aulas de arte menos formais. O trabalho, o resultado gráfico, parece se endereçar ao público comum e não voltado ao público en- gajado em artes. Como há no título do cartaz “aula para jovens e adultos”, este parece ser destinado ao público “não especializado”, assim, poderíamos interpretar esse trabalho de Katherine e Michael McCoy como um dos primeiros a estabelecer um diálogo com o público, diferentemende do trabalho anterior (manual de limpeza) que não indicava essa relação.
28 Estúdio da Cranbrook
29 Tradução e adaptação da transcrição original: Mike and I really did it together, he had a lot to do with the basic idea, you see the event was September 20, we started at Cranbrook about September 1, so we did this in august, right after we got the job, so I don’t think we were working in the studio yet, so still really reflects the Art studio that I was working in with Ed Fella, and Push Pin was a big influence on the people in that studio, so, but this type, so you can see my types not so swiss, is sour of experiment to let the information flow, it’s a little free. Actually I am quite happy when I look that type, I like the way, that flows to that by changing the color, and the next thing we did at Cranbrook I think, that’s the first recruiting poster we did for Cranbrook.
30 Filme de 1967 dirigido por Arthur Penn.
31 Tradução e adaptação de resposta enviada por email em abril de 2011: I think it might have been a Hollywood actor, Michael J. Pollard, who played the side-kick kid in Bonnie and Clyde. Or maybe it just looked like him. We liked the guy’s funny goofy look, and his expression suggested that the art classes would be fun. And he sort of looks like Howdy Dowdy
76
O segundo pôster de Katherine e Michael McCoy produzidos para a Cranbrook (Figura 15)
O pôster de recrutamento para a turma de 1972 foi o segundo trabalho desenvolvido por Katherine e Michael McCoy para a Cranbrook. Pergunta- mos a ela sobre o formato, pois achamos bastante interessante o tratamen- to da foto, que é a vista de alguns estúdios. As linhas que interferem na foto simulam a imagem de um cubo e é utilizada faca especial para valorizar a forma do cubo. O pôster, por não ser retangular, ou seja, estar em um formato padrão, torna o suporte mais dinâmico.
Sobre esse projeto, Katherine McCoy explica que pensava em um pôster de fácil produção gráfica como o corte seco, trabalhando com variações de tipo na grade.33
Pôster de Katherine McCoy e Ed Fella (Figura 16)
Esse pôster de recrutamento de 1973 foi projetado por Katherine McCoy (em 1972) em parceria com Ed Fella que fez a colagem. Ela conta que foi logo após terem projetado o primeiro catálogo da escola. A partir desse catálogo sobraram algumas fotos, cujas sobras foram utilizadas na colagem, colorida, posteriormente, por Ed Fella. Ela apresenta a influência vernacular de Venturi e Scott-Brown e Izenour (1995; 2003) nesse projeto.
No entanto, alega que o tratamento tipográfico ainda era suíço: blocos de texto alinhados a partir de um grid e uso da fonte Univers para o corpo do tex- to. Entretanto, a fonte do título não é suíça: se trata da Cable Italic e a designer explica que foi a única vez que a usou.
A colagem é uma construção aleatória, tendo como fundo imagens da esco- la. Durante o desenvolvimento desse projeto, Katherine McCoy teve um proble- ma com a autorização do uso de imagens, alterando o projeto original:
Nós recortamos as mãos e a cabeça do homem em primeiro plano, então há bu- racos nos pôsteres. Naquela época, 1972, as pessoas não costumavam processar as outras, e nós não tínhamos releases de modelos para todas as pessoas no ca- tálogo, e usamos essas fotos sem perguntar a ninguém se podíamos ou não usar a imagem delas. Mas esse homem achou que ele estava sendo explorado por ser ne- gro. Ele disse que o cartaz poderia representar que 1/3 dos alunos seriam negros34,
o que não era verdade e ele iria contratar um advogado negro radical de Detroit para processar a Cranbrook. Ele estava sendo bem radical, então dissemos que não iríamos usar a imagem dele. Mandamos os cartazes de volta à gráfica e pe-
33 Tradução e adaptação da transcrição original: We tought about what you could do easily, the printer could do easily, die cut. And I was working with variations of type on a grid in that point, nobody was doing that, believe it or not, and you had to slice it up, the printer, I mean the typesetter made type, they called repros, they prove the metal type on to really good quality papers, to be really precise impression, and then you get that, cut all up and stick it down on the art board, on the mechanical. 34 De acordo com a imagem do pôster, ele pode ter interpretado esse dado pela quantidade de pessoas na montagem.
77
Figura 15
Katherine e Michael McCoy - Cranbrook Academy of Art – 1971 - Offset lithograph poster - 28 3/4 x 21 1/2 in. (73 x 54.6 cm). Imagem fornecida por Ed. Fella.
78
Figura 16
Obra do Acervo do Cranbrook Museum – Dados fornecidos pelo museu: T 2002.66.54
Katherine McCoy e Ed Fella - Cranbrook Academy of Art – 1972 - Offset lithograph poster -
79
dimos que recortassem sua cabeça e mãos. Esse é um bom exemplo de um pro- blema que torna a peça mais interessante: as ideias podem remeter àquele tipo de banner que há em parques de diversão, em que há personagens estranhos que você coloca a sua cabeça para tirar fotos. Esse pôster pode fazer com que você se imagine na Cranbrook, então o pôster se tornou mais intrigante por conotar essa ideia. Foi um acidente que tornou o conceito mais forte.35
Design para jovens – projeto de design voltado para a comunidade (Figura 17) O trabalho “Problem solving in the man made environment” se trata de um projeto da Cranbrook, desenvolvido por Katherine, Michael McCoy e alguns alunos como Meredith Davis36 e Patrick Whitney37 com auxílio financeiro do
Governo para a produção de material didático (learning kit) para alunos de 12, 13 anos de escolas públicas.
Além de pôsteres, produzimos também um guia para professores, com 62 projetos de atividades e exercícios, nos quais o professor passaria aos alunos a introdução da solução de problemas em arquitetura, paisagismo, desenho industrial e design gráfico. Para desenvolver o projeto, os alunos deveriam ler os campos demarca- dos, como pré-requisitos do exercício38.
35 Tradução e adaptação da transcrição original em entrevista em novembro de 2010 em Denver: we die cut out that guys hands and face, so there´s wholes in the poster, and there is a reason, because, this are leftover photos, 1972, maybe, the fall of 1972, you people didn’t suit each other much so, and we didn’t get models releases from any of the people on the catalog, so we had this leftover photos, and we use them again, without asking them if we could use their image, and so John E, and he is a famous sculptor, actually, one of his pieces is over in front of the museum, big chair with the horse on it, so he was a student at Cranbrook, so he didn’t mind of using those photos, but this guy, decided he was being explored because he was black, and I don´t know, he was very sensitive about it, he said that emply that 1/3 of the students on Cranbrook were black, and that means that 1/3 are Chinese, 1/3 were jewish, its like COME ON! Anyway, he was going get this radical black lawyer downtown Detroit, to suit Cranbrook. At lest he said that Friday night at the bar, he was telling everybody. This was 1972 so, he was kind of radical, and into demonstrations and stuff, so anyways, we said ok, we wont use your image, we were just die cutting out, we sent the posters to the die cutter and, and in the end, in somewhere I might still have, a shoe box full of his face and hand. So this is a good example of a problem turning the piece in to a much more interesting, piece, because, the ideas sour of like, sometimes in an amusement park they have like a painting, weard characters and you put your face and have your picture taken? So its sour of made like, you picture yourself at Cranbrook, and became a much more interesting poster for doing that, so, it work up fine. It was an accident but it made the conceptual much stronger.
36 Meredith é medalha de ouro pela Aiga e é diretora do programa de design da North Carolina State, um dos mais im- portantes programas de design de acordo com Lorraine Wild, a ainda conforme depoimento de Katherine “we now have full creditation in the US for graphic design, Meredith wrote the standards, she is just brilliant, and she already had a masters in art education when she came to Cranbrook”.
37 Agora é diretor do programa de design do IIT (ex-Bauhaus Chicago)
38 Tradução e adaptação da transcrição original: this is part of 5 posters, a learning kit, for 12, 13 year old kids, its called “problem solving in a man made environment”, we got a grand, we got money from the government to do this for the public schools, this are the text books on the wall, and we also did a teachers guide, which were 62 projects of assignements, which the teacher would assign the kids to do, and introduce them to problem solving and to learn about architecture, landscape architecture, industrial design and graphic design, and so and they will do a project and the project will say, okay, you need to read A9 and A12 in order to do this project. An this was when we were really beginning to get a pretty good number of students, who really knew what design was, and so, it was a team of students, I think they were 4, 5 students and Mike and me. And I didn’t design the posters, the students did as a team, and then, of that team of students one of them was Meredith Davis, she is sour of one of the leading graphic design educators in the USA.
80
Figura 17
81
O formato dos põsteres educativos era ainda calcado no design moderno, no design de informação. No entanto, foi um projeto de extrema importância para a educação em design, uma vez que os envolvidos tiveram que desen- volver e pensar em ensino de design e arquitetura voltados para os alunos de ensino fundamental. De acordo com Katherine39 a intenção de se criar um cur-
rículo de design para pré-adolescentes é um processo analítico. Na sequência desse raciocínio, Katherine McCoy complementa a importância da contribuição de Meredith Davis e Patrick Whitney no projeto, e ainda a coincidência dos dois terem se tornado líderes em Ensino de Design.
Meredith Davis, aluna entre 1973 e 1975, atualmente é uma das profissionais mais importantes da área de Ensino de Design40. Ela nos concedeu entrevista,
na qual falou que esse projeto foi uma das mais importantes atividades exerci- das durante o período em que estudou na Cranbrook:
A experiência definitiva para mim foi o projeto em que desenvolvemos o currícu- lo K12 e materiais de ensino para o Conselho de Artes de Michigan41. (...) O valor
desse trabalho, para mim como estudante, foi a oportunidade de integrar minhas experiências como educadora em design e do trabalho em grupo (...) essa não foi uma experiência típica para a maioria dos alunos da Cranbrook, mas o projeto me deu visibilidade nacional em questões de K-1242 e continua a ser uma influência em
minhas pesquisas primárias ainda hoje43.
Ainda de acordo com Meredith Davis, foram produzidos 65 manuais para pro- fessores e “books on walls” (pôsteres) para uso em sala de aula. O projeto con- templou 500 escolas44, prosseguindo após a formação de Meredith. O sucesso
desse trabalho pôde ter dado origem a outro projeto, coordenado por Katherine McCoy, chamado Design in Michigan, no qual Meredith Davis também participou.
39 Em entrevista 40 Ver em Aiga. 41 Michigan Arts Council.
42 Expressão que define o grupo escolar.
43 Tradução e adaptação do original transcrito em entrevista por email em janeiro de 2011: The value of this work for me as a student was the opportunity to integrate my experiences as an educator with design and to work in a team. The project lead to an effort in the state called DESIGN MICHIGAN, and many years later I returned to Cranbrook under Design Michigan funding (during the summers for six years) to train K-12 teachers in using design in their classrooms. That is probably not typical of the Cranbrook experience for most students, but the project gave me my first national visibility on K-12 issues and that continues to be one stream of my primary research today