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THEORETICAL BACKGROUND: TEAM DEVELOPMENT - EXPLORE AND EXPLOIT

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Exploring the exploitable and exploiting the explorable

THEORETICAL BACKGROUND: TEAM DEVELOPMENT - EXPLORE AND EXPLOIT

H4 é o filho do meio, de três homens. Seus pais têm muitas brigas, sendo o pai acolhedor. A mãe é quem toma decisões, por achar que o seu pai se submete. H4 tem uma forma de ser que assemelha à de seu pai e um pouco com a do pai de M3. Então ela diz:“[...] a maneira como ele é sensível, como ele é um homem feminino, de delicadeza, de respeito [...]”. No relacionamento dos pais dela havia brigas e discussões, com uso de desqualificações em estilo brusco. A sua mãe exercia o papel de comando e o pai ficava no de acolhimento.

No modelo familiar dele, a mãe ocupa lugar de comando, ao mesmo tempo que se sente como vítima do marido, o que H4 reconhece como uma pessoa sonhadora:

[...] minha mãe vive no mundo da lua, fantasia [...] é uma pessoa que vive num mundo encantado [...] pensa demais, sonha demais, muito pouco pé no chão, tem bastante ideias [...] cheia de vontades, e hoje carrega uma enorme frustração porque nunca foi capaz de fazer essas ideias virarem algo de concreto [...].

(a mãe) vive em função dos filhos e netos [...] idealizadora [...] mas ela nunca é capaz de dar o primeiro passo [...] não sai do pensamento, e aí ela culpa meu pai: ‘seu pai tem muito medo de investir, seu pai não tem coragem de investir, seu pai é medroso’ [...] eu acho meu pai um cara com autoestima baixa, um cara estudioso, inteligente pra caramba, ele é professor [...] ele ter receio de se expor [...] de assumir certos riscos [...] receio de investir [...] meu pai no trabalho está insatisfeitíssimo [...] um cara super-honesto [...] ele odeia o que faz, mas ele precisa de dinheiro. (Grifo nosso)

Os pais dele brigavam e discutiam. E ele diz: “[...] meu pai, para não ter que entrar em debate, evita [...]. É completamente arredio a conflito [...]. Meu pai aceitava muito fácil [...] se irrita muito fácil, aí minha mãe não queria brigar [...] tinha brigas fortes, discussões altas, gritos [...]”. H4 repete o padrão comunicacional ambíguo de seus pais, por ter comportamento digital diferente do analógico:

[...] Um exemplo bobo, às vezes a [M4] fala assim: ‘você pode me levar no trabalho hoje?’. Eu não queria levá-la, mas eu me disponho a levar, e eu levo ela pro trabalho de carro, mas aí a gente acaba pegando um trânsito absurdo no meio do caminho, e aí eu fico emburrado. Então, assim, mas espera lá, se eu me dispus a levar, eu tô correndo risco de enfrentar, isso é bem uma reação do meu pai. Meu pai se colocava à disposição e ficava emburrado, dirigia o carro a milhão, sabe? Pra deixar minha mãe nervosa, fazia tudo pra mostrar que ele tava puto da vida.

O pai dele mantinha o dinheiro em seu controle. H4 iniciou o casamento mantendo o seu dinheiro separado do da esposa e, como o pai, evita entrar em conflito. Também percebe que levou adiante o modo carinhoso de ser que observou em ambos os pais:

[...] eles são muito carinhosos um com o outro, isso eu vi muito em casa [...] sou um cara carinhoso, porque eu aprendi em casa [...]. Eu me policio muito [...] eu tenho reações parecidas com o meu pai [...] reações ranzinzas [...]. Eu não gosto de culpar as pessoas, eu acho isso um mecanismo terrível [...] bem diferente da minha mãe. [...] minha mãe culpa o universo, o meu pai.

Ela o valida: “[...] ele é muito compreensível.”

O pai de H4 bebia. Ele diz:

[...] O que me lembro, na minha infância, meu pai costumava beber de forma excessiva em alguns momentos, principalmente em momentos de euforia, se algo muito bom acontecesse, em festas, por exemplo, gostava de exagerar, bebendo logo de cara várias doses de uísque ou cachaça, e ficava logo bêbado. Isso ocorria com mais frequência numa fase específica, que me lembro, era mais quando fazia seu mestrado, trabalhando muito e muito ocupado. No final dos anos setenta e meados

dos anos oitenta. Com o tempo, a frequência foi diminuindo, mas esporadicamente, ficava muito bêbado, e começou a acontecer também em momentos que o aborreciam [...]. Minha avó morria de medo que meu pai virasse alcoólatra, como o irmão mais velho de meu pai, dezesseis anos mais velho (meu pai é o mais novo de três, sendo a diferença entre irmãos de oito anos), que morreu de cirrose.

Os pais de H4 possuem uma condição financeira média, mas quando ele era jovem não podiam dar muito dinheiro a ele. Essa questão na família de origem parece algo pouco discutido e com a qual eles não lidaram bem. Seus pais minimizavam os problemas dos filhos e do próprio casamento. Inclusive o pai banalizou a questão das dívidas de H4 quando o assunto da oniomania veio à tona. M4 diz:

[...] me assustou a reação de ambos [...] o pai [...]: ‘ah, vocês estão falando de dívida, isso é pouca coisa, vende o carro e tá tudo certo’ [...] é por isso que ele é do jeito que é, olha como o pai dele, tá tratando este assunto que está quase destruindo meu casamento. [...] um desleixo, descaso”. (Incoerência).

Ele responde:

Meu pai tem dificuldade de encarar conflitos, de encarar dificuldades. [...] entra num estágio de deboche [...] ou de evitar falar [...] atitudes bestas de falar: ‘isso não é nada [...] naquela hora não enxerguei dessa forma, porque estava tão desatordoado [...] tão difícil, autoestima tão baixa [...] eu tava tão preocupado em querer dar o suporte, em querer salvar o casamento [...] o que meu pai falasse ou não falasse não ia fazer diferença alguma. [...] esperava nada dos meus pais naquela hora, talvez um pouco de acolhimento, um pouco de carinho, meus pais. [...] dão sempre. Não esperava que eles viessem com questionamentos [...].

M4 tem comportamentos que remete ao modelo da mãe, especialmente o de tomar decisões e controlar tudo:

[...] parece eu não posso perder o controle [...] há um cansaço [...] que interfere um pouco [...] eu acho que eu me sinto mais gestora do que eu gostaria de sentir. [...] até pelo fato do [H4] se dispersar com algumas coisas, é como se eu fosse um alarme. [...] eu tenho que lembrá-lo [...] eu sinto que cai no esquecimento a coisa pra ele [...]. O aspecto que ele admirou nela ele descreve: “É mulher, é forte sem perder a

feminilidade [...] tem independência [...].”

Ela diz que a mãe dela é muito rápida para resolver as coisas, ao passo que seu esposo se assemelha ao padrão materno no sentido de não conseguir dar os primeiros passos:

[...] eu chamo ela às vezes de Ferrari, e eu sou o fusquinha na hora de executar tarefas [...] quando eu começo a fazer alguma coisa eu faço direito, mas eu tenho muita dificuldade de dar o primeiro passo [...]”.

Ele diz: “[...] eu acho que é prática demais. [...] se estão na minha frente, as coisas precisam ser resolvidas, então eu vivo resolvendo [...].” Ela repete a necessidade de dar conta de tudo como a mãe fez, assim como o jeito autoritário.

O modelo familiar dela conta com mulheres fortes e homens omissos:

[...] minha avó e minha mãe são mulheres muito fortes. E os homens da família, eles são mais frágeis emocionalmente [...] minha mãe assumiu fortemente essa história de mulher forte, então as coisas elas têm que acontecer de um determinado jeito pra dar certo e tem que ser certo [...] tudo precisa ser muito certo [...] muito controlado [...] nem sei se planejado é a palavra, mas enfim o imprevisto é algo que ele tem que ser minimizado fortemente. [...] minha mãe conseguiu transformar nesse monte de exigência [...] numa fortaleza [...] e meus tios têm traços de depressão [...] uma estagnação pra não sair dessa coisa depressiva, de mudar a vida [...] na minha casa os papéis foram invertidos [...] minha mãe ela assumiu a figura de pai e o meu pai de mãe [...] ela sempre foi muito mais proativa [...] meu pai já era o inverso. [...] ele sempre teve um papel mais maternal [...] de acolher [...] a minha mãe é cobrança [...].

Portanto, é o pai dela quem parece dar suporte emocional e é com quem o marido se assemelha. H4 diz:

[...] eu me sinto meio que a mãe. [...] um pouco mais antiga, na relação [...] sou extremamente carinhoso, às vezes eu acho que só isso não basta, então deixo de prestar atenção em outras coisas dentro da estrutura da casa e da relação [...] eu acho que nunca parei pra pensar no meu papel na relação [...] eu gasto muito energia com as meninas (filhas) [...] me disponho bastante pra cuidar delas [...] eu me doo bastante, mas eu tenho pouca atenção aos detalhes, eu me perco no processo [...] irritado por não conseguir me organizar [...] ela é muito rápida e eu sou lento pra tomar decisão, pra reagir [...] não sou tão prático e tão efetivo [...] (Grifo nosso).

Ao mesmo tempo, H4 tem no pai a referência de um homem acolhedor e que não resolve as coisas de forma prática. As duas formas distintas de resolver as coisas têm, portanto, como modelos intergeracionais os pais de ambos.

O padrão de interação de ambos os pais parece ser complementar rígido, com submissão mais frequente do homem.

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