• No results found

FEM HINDRINGER TIL SUKSESS

In document Utvikling og vekst (sider 23-29)

Em ambas as famílias de origem há relatos de carência, desproteção, desqualificação, negligência, violência física, verbal e psicológica, e com ela violência sexual. Ambos os cuidadores mantiveram distanciamento emocional dos filhos, os quais não tiveram apoio de ninguém para lidar com as dificuldades, tampouco proteção.Os dois procuraram fazer desse relacionamento algo diferente disso tudo, baseado no apoio mútuo, na consideração, na proteção e na afetividade. De certa maneira, se esforçam no sentido de se comportarem de acordo com antimodelos, mas repetem em alguns momentos as desqualificações e a violência recebidas.

Na família de origem dela, os pais se separaram quando ela era pequena, e no contexto local os pais “pegavam” para si os filhos ao se separar:

Na minha família sempre teve conflito dos dois. O meu pai sempre teve ciúmes da minha mãe. Eu só lembro assim do meu pai, pegava a faca e apontava pra minha mãe [...] aí meu pai pegou eu, porque a filha preferida dele era eu, e pegou meu irmão.

Ela morou com o pai na roça e desde os 4 anos já trabalhava. Seu primeiro vestido foi comprado com seu dinheiro, aos 4 anos, após uma colheita, o que para ela é algo inesquecível. Saiu da casa do pai, que usava álcool e era violento, e seguiu para quatro casas. Em sua terceira moradia, foi aceita na casa para brincar com as crianças, mas de fato foi vítima de violência verbal, psicológica e física.

M3: “A mulher dele não deixava eu brincar com a menina (a filha do “capitão”),

ela botava pra eu dormir junto do cachorro, e a comida ela botava num prato, dava pro cachorro e o que sobrava ela dava pra mim”. Na quarta moradia, o

“padrasto” tentou abusar sexualmente dela, porém encontrou apoio e afetividade daquela que ela chama de mãe substituta (M) até hoje, mas infelizmente foi vítima de abuso sexual. M3: “Me criaram assim como filha, no começo ensinaram a ler e escrever [...] com 16 anos [...] o marido dela [...] já tentava me violentar [...] ele tinha problema com álcool, eu arrumava um namorado, ele ia bater nela (na esposa), me deixava dormir do lado de fora [...] até um dia ele me agarrou à força e eu queimei ele com óleo [...] ela (a esposa do agressor) foi uma mãe que eu nunca tive [...]. (Grifo nosso)

Aos 17 anos, juntou-se com um namorado a fim de encontrar um refúgio:

A vida deles (dos pais biológicos dela) dois era só de brigas, de ameaças, de agredir o outro, e eu e ele a gente nunca teve isso, então eu tive em minha cabeça que um dia eu ia ter um casamento, mas não pra viver desse jeito [...] eu não queria isso pra minha vida, eu queria ser feliz [...] pra isso eu corri atrás pra ver se tinha um futuro melhor. (Grifo nosso)

Apesar de tentar construir um antimodelo, ela repete a desconfirmação, rejeição,

impermeabilidade no casamento atual, e abusa psicologicamente do marido quando faz

compras compulsivas, mesmo quando ele lhe pede que não faça. Observa que a mãe biológica era “gastona” e o seu segundo marido pagava as suas contas, algo que se repete na vida de M3. Sublinha que a mãe continua assim e que uma das filhas a mantém financeiramente e sob seu controle.

Ela tem traços semelhantes aos de sua mãe, como o de comprar em excesso e ser semianalfabeta. Ambas trabalharam como empregadas domésticas. Ela não recebeu o cuidado e a proteção de seus pais na infância, mas sim da mãe substituta, porém havia brigas entre elas:

[...] lá em M (a mãe de consideração dela) brigávamos, porque queria uma roupa toda semana [...] quando fui pras casas era com intenção de ganhar roupas [...] podia estar triste [...] mas se ela (a M) me desse uma roupa [...] ei dizia fiz tudo que você me pediu, a casa tá limpa, aí ela me dava a roupa [...] ela me comprava as roupa [...] me botava na escola [...] falava pras amigas que eu era filha dela. A família todinha me adorava [...] eles me davam coisas [...] eu amava quando ia pra casa da irmã dela, que me dava roupa [...]. (Grifo nosso)

A mãe M forneceu estímulo para estudar e o marido atual tenta cuidar da mesma maneira, estimulando-a estudar. Nas famílias em que esteve, frequentemente ela não era ouvida, além de ser vitimizada e submetida, recebendo assim comunicação

desqualificadora, rejeição, impermeabilidade e pontuação da sequência, violências verbal e física:

Aos quatro anos eu comecei a sair de casa [...] o motivo era que meu pai me espancava muito por causa da mulher dele. Eu tinha ciúmes do meu pai com ela, porque eu queria que ele me desse atenção, igual ele dava antes [...] comecei a discutir com ela [...] ia pra cima de mim e eu ia pra cima [...] ela contava pro meu pai [...] me dava tanta surra que eu ficava com cicatriz, até hoje tenho.

De alguma maneira, ela repetiu o abuso psicológico e a negligência com o filho gastando o dinheiro do sustento com compras.

Ela teve, provavelmente, como modelo dos pais biológicos e nas famílias subsequentes o padrão complementar rígido, pelas esposas se submeterem aos maridos, além de comunicação desqualificadora e desconfirmadora.

A família de origem de H3 passou por dois recasamentos por parte do pai e também conta com violência verbal com as mulheres, com escalação simétrica, e em relação a ele a violência verbal e física, as mesmas que as madrastas receberam. De acordo com o seu ponto de vista, sua mãe e seu pai tinham brigas e discussões e violência verbal. Sua mãe o deixou com o pai por não ter condições financeiras de criá-lo, e ele a conheceu com 20 anos.

Uma maneira adotada por sua família para educá-lo era por meio da violência física e

verbal. Ele costumava se calar e se submeter quando recebia a agressão até ficar mais velho,

quando então passou a enfrentar a esposa do pai que o agredia:

[...] uma vez eu ameacei ela, porque ela vinha pra me bater, porque, assim, eu acendia a luz, ela ia lá e apagava, eu ligava o fogo pra esquentar a comida, ela ia lá e apagava, então ela me provocava de todo jeito. Aí aquilo começou me dar revolta, aí um dia ela veio me bater com um cabo de vassoura eu peguei e sentei a mão nela, eu tinha 14 anos. Aí eu lembro que meu pai me deu uma surra que ela quase me mata, aí eu falei: ‘é a última vez que você encosta a mão em mim’, porque eu tava tão revoltado que eu falei: ‘se você encostar a mão em mim por causa desta mulher, a próxima vez que você chegar em casa eu vou ter arrebentado ela todinha, eu vou esquartejar ela’. Porque eu não aguentava mais, eu já tava numa idade que não dava pra ficar.

No seu segundo casamento, H3 repetiu a violência física e verbal:

[...] agressão teve, dela vim pra cima de mim e aí eu [...]. Não é que eu espanquei, eu reagi, uma reação é muito prejudicial pra uma mulher, né? [...]. Uma vez ela me veio com o ferro quente pra encostar na minha cara, eu dei um murro no peito dela, que ela voou longe, quebrou passadeira, quebrou tudo, né?

No casamento atual, diz não querer repetir a violência física e procurou dar segurança para a esposa: “Eu vejo que o relacionamento que eu tento manter com a M3 é um relacionamento assim de confiança, de companheirismo, de ajuda, de amparo [...].” Assim comporta-se de acordo com o antimodelo, por não a agredir fisicamente e dar segurança para a esposa e o enteado.

Ele aprendeu a agredir e autoagredir, como forma de lidar com as frustrações e as

desqualificações, talvez por não ter encontrado espaço para verbalizar o que sentia. Nesse

sentido, o uso da comunicação desqualificadora, em especial o estilo brusco aprendido em sua família de origem, se repete no segundo casamento por meio da agressão verbal, em especial quando os problemas de compras emergiram. Ao mesmo tempo há presença de

incoerências para lidar com a esposa, algo aprendido na família de origem. Uma das maiores

incoerências é ser abusado justamente por aquele que deveria cuidar dele: “Eu xingava (a esposa) no sentido de tentar cutucar a moral dela, falando coisas pra mexer com o brio da pessoa, pra ver se dava um choque nela e ela acordava.” (Grifo nosso)

O provável padrão de interação de seu pai e suas esposas é complementar rígido com submissão das mulheres.

Os dois repetem a desqualificacão com a qual os pais lhe trataram; atualmente ele impõe limites claros, que ela valida, mas preservam a violência verbal recebida em suas famílias.

In document Utvikling og vekst (sider 23-29)