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STUDIENS INNRETNING, PROBLEMSTILLING OG HYPOTESER

In document Utvikling og vekst (sider 72-77)

Dannelse og identitetsutvikling i militær profesjonsutdanning

STUDIENS INNRETNING, PROBLEMSTILLING OG HYPOTESER

Quanto ao nível de relação interpessoal, desde o início do namoro ambos se aceitam mutuamente. Nessa época estavam abertos para um novo relacionamento, apesar de H4 ter acabado um casamento de cinco anos com uma esposa mais velha. A aceitação manteve presente na relação e colabora até hoje para a construção do vínculo do casal. Esta se mantém também quando comentam sobre si e o outro na relação, pois sentem que recebem apoio mútuo e afetividade. O padrão de aceitação mútua é diluído quando as questões das compras emergem. Inicialmente, ele passa a tangenciar o assunto, depois a desqualificá-la e a

rejeitar os conteúdos da comunicação de M3. Usa a desconfirmação quando evita os

conflitos na relação, conforme o seu pai.

M4: “[...] ele pediu esse dinheiro [...] comecei a focar [...] juntar dinheiro, as contas todas já estavam sob meu comando [...] ele depositava dinheiro pra mim [...] eu perguntava: ‘como estão as coisas?’. ‘Não tá tudo tranquilo’ [...] e nunca estava tudo tranquilo. E aí a gente foi pra Europa [...] tinha todo o dinheiro na mão [...] na volta começaram de novo as cartinhas [...]. H4: “[...] fui empurrando com a barriga

de novo, as dívidas se enrolando, crescendo [...] não aguentava mais viver daquele jeito [...] já tava no limite [...] eu tinha vergonha de mostrar a minha incapacidade de gerenciamento, então evitava ao máximo trazer ela pra dentro da minha vida financeira [...].

Ela, por sua vez, passa a rejeitar a forma e o conteúdo daquilo que ele transmite, desenhando um ciclo sem-fim na época e que hoje é ressignificado. Isso fica claro neste trecho, que ela diz: “Quase caí para trás [...] 72 mil reais.” Ele responde: “Exagerada [...].” Ela diz: “Sim eu tô colocando aí a dívida do dinheiro do seu amigo.” Ele responde: “Nunca ouvi esse número [...]”. Ela insiste: “[...] faz as contas [...] quanto dinheiro eu peguei emprestado? [...] quase 30 mil [...] mais 12 mil dólares que você deve pro seu amigo [...]”. Ele diz: “[...] são 15 mil dólares [...].” Ela termina: “Então faz as contas [...]”. Ele encerra: “Tá bom [...]”.

O sintoma da dispersão de H4 comunica que ele não pode executar as ações do modo

que ela deseja, algo que é controlado por ela. A depressão dela comunica que ele não dá conta de cuidar das coisas do cotidiano e, assim, ela se sobrecarrega. Outro sintoma dela é a falta de desejo sexual:

[...] deixo muito a desejar porque sexualmente eu não tô tão no pique que ele desejaria que eu tivesse [...] pelo eterno cansaço. [...] ficou claro a falta de tempo que eu tô dedicando pra mim e no impacto que isso tem [...] em todas as relações [...] eu tava falando do folgada, e agora talvez eu traduza isso pra egoísta [...] ele acha que eu não dou importância [...] ultimamente ele me vê como uma mulher cansada [...] eu me sinto culpada.

Ele então indica que é algo que ressente, porém, manifesta que é para ela não ficar culpada:

[...] tenho uma vontade muito grande de estar com ela. [...] e realmente eu tenho vontade de ter mais, de aumentar a frequência. [...] ela acha que eu tenho um desejo desenfreado e não tô muito preocupado com as questões dela. [...] falando de sexo [...] eu falo [...]: ‘esquece a culpa, porque é mais um peso pra você, a culpa não tem que estar aí, não pensa nesse lado, não precisa se culpar por a gente não estar satisfeito nesse ponto.

O outro sintoma, as compras, pode ser compreendido como forma de lidar com as frustrações e necessidade de ser aceito. Comunica posições dele, “o cuidador”, e ela como “a cuidadora” e sobrecarregada que assume o comando. Ela diz:

Eu achei que não ia aguentar o tranco [...] que eu fosse me separar [...] aquilo veio como uma bomba [...] peguei a rédea da situação [...] o.k., então existe um problema? [...] antes da gente conversar, eu quero que você organize tudo [...] puxe extrato [...] me mostre os cartões [...] quero olhar absolutamente tudo.

Ele diz:

[...] eu tinha vergonha de mostrar a minha incapacidade de gerenciamento, então evitava ao máximo trazer ela pra dentro da minha vida financeira [...]. Eu não fui pedir ajuda, eu poderia ter pedido ajuda [...]. Eu acho que teve momentos que ela pode não ter facilitado em algumas formas, a gente já conversou sobre isso, pelo jeito dela autoritário, mãezona, de resolver na hora. [...] tem que ser assim, eu não aceito.[...] quando surgiu o negócio da compra eu fui correr atrás. [...] agora essa questão (da sexualidade) ela tá correndo atrás. (Grifo nosso)

Ele rejeita a forma de ela agir, e não o conteúdo da informação dela.

Circularidade: se dá pela repetição de modelos intergeracionais dos dois – ele por ser

protegido dos efeitos de suas decisões e ser carinhoso e acolhedor de M4, e ela por manter a posição de controle e hiper-responsabilidade, mantendo lealdade à mãe e ao relacionamento talvez como forma de alívio da carência. Impotência X Frustração.

Quanto aos padrões de interação, o casal tende a ser simétrico, com aceitação mútua, apesar de terem diferenças quanto à maneira de cuidar do âmbito doméstico e das

filhas. Ela acaba se encarregando dele, pois ele a força a encarregar-se dele, mantendo a simetria. Ele diz: “Sou disponível [...] tento segurar a onda dos demais [...] me incomoda [...] apesar de eu me colocar disponível, eu sou pouco eficiente [...] sempre querendo ajudar [...] isso faz com que às vezes me coloque de lado [...] deixe minhas vontades, meus desejos [...] pra ajudar”.

Durante o início dos problemas com as compras havia submissão da parte dele em relação a ela, que ao longo do tempo passou para disputas. Ele diz:

[...] conflito pra mim sempre foi uma questão. [...] amadureci bastante a última vez que passei por sessão terapêutica. [...] era muito difícil pra mim entrar em conflito com qualquer pessoa. [...] evitava ao máximo, eu era um a pessoa de panos quentes. [...] segurar a onda de todos os lados para que as pessoa ao meu redor não entrassem em conflito.

Indica um padrão pseudossimétrico, por parte dele, onde as atitudes ocorrem para equilibrar a relação e um tomar as decisões pelo outro. Com o tempo, a interação do casal amadureceu, especialmente após o tratamento da oniomania. Atualmente, mantém o padrão simétrico com aceitação, por conseguirem melhoras na comunicação em geral e talvez por compaixão e por terem uma comunicação funcional. Ela diz: “[...] nós dois, a gente tem uma questão pra resolver, a gente conversa [...] talvez fique um tempo amadurecendo [...] depois a gente senta e conversa [...] todas as vezes que alguma coisa incomodou, a gente conversou”.

Ele diz:

[...] eu rumino um pouco mais a questão. [...] ela já percebe quando eu tô com alguma coisa pra falar.[...] ela vem e fala: ‘o que tá rolando?’. Eu falo: ‘eu não tô na hora de falar, então ela sabe respeitar o momento. [...] ela já colocando muito bem. [...] eu sinto (ela) um pouco mais explosiva [...] solta faísca [...] eu acho que sei respeitar o momento dela de explodir. [...] a gente vai atrás da solução. [...] não existe receio de ceder, de nenhum dos lados. (Grifo nosso)

Ela confirma: “[...] na verdade, acho que quando aconteceu essa história das compras compulsivas, que veio à tona, aí eu acho que talvez tenha sido o momento que a gente mais conversou e precisou mudar comportamentos [...].” Isso mostra que o casal é capaz de lidar com as diferenças, ter respeito, mesmo quando há alterações no humor. De fato, o que destaca aqui é que ambos não alimentam questões que os incomoda e se responsabilizam pelos seus atos, além de abordar e atuar nos problemas juntos. Quando há impasses, aumentam as diferenças entre o par, a interação tende para a complementariedade rígida, com a

submissão dele, o que repete os padrões de interação dos pais de ambos. Quanto mais as diferenças aumentam, ele mantém segredo:

[...] com a ajuda do meu pai, pela primeira vez, a gente conseguiu zerar as dívidas [...] eu nunca abri minha vida financeira para ela 100% [...] eu tinha minha conta e mentia [...] falar pela metade [...]. ‘Como é que tava?’, ‘Tá tudo bem?’. [...] ficava sempre achando que ia aparecer o dinheiro [...] ia conseguir alguma coisa. [...] ia me afundando [...] ela não sabia [...] foi antes da primeira filha nascer que estourou e depois foi às vésperas da segunda [...] eu não tinha ideia de compra compulsiva, nem nada, era só descontrole.

Quanto mais se sentia envergonhado de si, menos pedia ajuda e mais mentia. Assim, nesses impasses, o casal se mantém polarizado – ela toma o poder e assim surge “um forte e um fraco”.

Outro aspecto é a culpa que ela descreve de si diante da situação:

[...] eu realmente tava brava, porque eu achava que era um descaso e um desrespeito [...] tinha uma cobrança. [...] falei: ‘meu Deus, eu psicóloga, como não percebi?’ [...] eu tava vendo, mas não tava vendo [...] eu acho que não agi da forma mais [...] de falar: ‘pera aí, eu quero ver seus extratos, vamos compartilhar mais a vida financeira juntos [...] tenho uma coisa de respeitar [...].

Quanto ao nível de percepção interpessoal, apenas repetem o padrão de impermeabilidade nos conflitos dos pais quando estão sob o estresse, no caso das compras compulsivas. Ambos mantêm a impermeabilidade frente ao outro e algumas vezes ele mantém informações que ela não possui, gerando mais discrepâncias, além de mais uma vez emitir mensagens verbais (digitais) contrárias ao que ocorre (analógica). Ele diz: “Falar pela metade [...] ‘Como é que tava?’, ‘Tá tudo bem?’ [...] ficava sempre achando que ia aparecer o dinheiro [...] ia conseguir alguma coisa. [...] ia me afundando”. Nesse momento, esse comportamento indica comunicação desconfirmadora, pois ele não atende ao que ela lhe pede e continua a fazer compras. Ela diz: “Eu falava : ‘mas eu tô vendo [...]’. ‘Não tá tudo bem’. [...] luz atrasada, todas as contas uma zona, e o condomínio e tal [...] tava muito brava [...]. ‘Porque você não me falou?’ [...] cansei, você se cuida porque eu não quero mais”. Entretanto, essa posição foi desfiada até o limite, quando então ambos decidem mudar comportamentos e preservar a relação. Ela diz:

Com este dinheiro a gente poderia ter uma vida completamente diferente [...] eu não quero mais continuar casada, tô casada com um homem que eu não sei quem é [...]

fiquei desesperada, tava faltando uma semana pra o bebê nascer: ‘Não é possível que é o segundo final de gestação que eu tô passando dessa maneira!’ [...] minha raiva era tanta que eu não queria que ele fosse me acompanhar na hora do nascimento [...]”.

Ele diz: “Fui empurrando com a barriga de novo, as dívidas se enrolando, crescendo.

[...] quando ouvi na CBN de devedores compulsivos [...] fui procurar [...] não aguentava mais viver daquele jeito [...] já tava no limite.”

O casal mantém relacionamento diferente do de seus pais no sentido de procurar ajustar as diferenças. A relação dos pais deles possui hierarquias de poder e não faz encaixes de posições. Sobre seu relacionamento conjugal, H4 diz:

[...] eu acho um relacionamento bastante equilibrado no sentido de a gente tem equilíbrio de papéis [...] que dentro de casa, apesar de haver desequilíbrios, um estressar com mais funções do que o outro, e ter mais responsabilidade que o outro [...] ajustar, aparar as arestas [...] a gente é muito parceiro [...] relação de respeito [...] não tem medo de se expor [...] empatia [...] fazer a relação que dê certo [...] eu não pego na fraqueza dela pra atacá-la ou pra diminuí-la”.

M4 concorda e diz: “[...] isso não existe na relação [...] aprender em cima disso e melhorar [...] é uma relação mesmo de parceria, de descoberta, de aprendizado.”

Apesar disso, ela tenta construir novo modelo conjugal, no qual procura compartilhar com o marido as decisões, apesar de modelos arraigados se manterem: “[...] sou uma pessoa que cobro muito pras coisas serem perfeitas [...] acho que essa cobrança que eu tenho, que é algo muito forte em mim, acho que vem dessa estrutura, desse padrão familiar [...].”

Resiliência: apesar de o casal ter recebido influência de padrões disfuncionais de

comunicação, eles se esforçam em não repetir o modelo de seus pais. Assim, as diferenças acabam por ser ajustadas fazendo o antimodelo de seus pais e trazendo funcionalidade à comunicação:

[...] eu acho que a gente poderia ir mais a fundo com algumas coisas [...] a gente tem dificuldade de dar esse segundo passo. Até essa questão, por exemplo, relacionada às compras, até hoje a gente não sentou os dois juntos pra fazer um planejamento efetivo e olhar os gastos [...].

Hoje tem o controle sobre o que entra, um controle mais ou mesmo do que sai, tem

uma planilha que eu faço [...] não alimento todo mês por inteiro [...] a cada três meses [...] a conclusão é o que a gente tem mais dificuldade de fazer [...] a hora de colocar no papel [...] dispersa um pouco.

A força de ambos está na valorização da relação, a ponto de dizerem que as compras acabaram por os unir mais. Ele diz: “[...] eu acho que elevou o grau de intimidade [...] eu resguardava um lado obscuro meu [...] eu não tinha coragem de abrir e eu abri essa porta, e ela entrou [...] pra caminhar comigo [...]”. Ela diz:

Eu acho que eu entrei muito [...] por um lado, eu acho que eu consigo entender muito, compreender que é uma dor dele. E se eu quero estar com ele, se é o homem que eu amo, eu tenho que ajudá-lo. Então não é mais um problema que é dele, é um problema nosso, como nós vamos encarar esse problema? [...] foi sofrido, mas a gente tá lidando melhor [...] se não fosse isso, seriam outras questões, eu acho que talvez prefira isso do que ter um marido que bebe, usa drogas.

13 ANÁLISE DO CASAL 5

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