Byggingen av marinefartøyet KNM Maud i Sør-Korea:
LÆRDOM FRA PROSJEKTET
No nível de relação interpessoal, no início do namoro e do casamento havia
aceitação, casaram em pouco tempo, e os valores comuns e a amizade foram importantes na
união. Ela diz que ambos faziam acordos para comprar as coisas e que não queriam fazer dívidas: “[...] a casa acabou tudo e a gente não ficou devendo nada [...] ela sempre manteve a casa em ordem [...] quando ela trabalhava, era os dois combinado, aí lutou, lutou, acabou a casa, acabou tudo [...]”. M6: “[...] nós não gostávamos de dívida [...] tudo foi com nosso salário, sem dever um centavo.” H6: “Aí, depois que acabou, começou esse negócio aí [...] a casa não devia, o carro não devia, nada, a casa da praia não devia nada [...] quando não devia nada, começou a gastar.”
[...] hoje eu penso que estou numa relação com ele de companheirismo, de amigo, de parceiro, de honestidade [...] eu poderia até mesmo dar um pouco mais [...] eu falhei nessa coisa de casamento [...] investi pouco no casamento [...] eles me viam como uma fortaleza [...] austera [...] controlava a casa [...] sempre fui mandona, dominadora, eu sempre fui a líder [...] eu controlava a minha casa [...] eu não domino nada [...] nem meus pensamentos [...].
Ele confirma:
[...] como dois irmãos [...] não dá atenção, não dá carinho [...] às vezes eu tendo dar carinho pra ela, ela não aceita [...] (sente-se) uma pessoa qualquer como se fosse um objeto, não tem finalidade nenhuma [...] tinha valor (antes) [...] hoje não dá atenção pra você, pra nada, é uma pessoa inútil [...] como se fosse uma criança que não tem pensamento nenhum [...] tanto faz tá bom como tá ruim [...]. (Grifo nosso).
O que pode ser visto como mudança da intimidade na relação conjugal.
Com o estresse vivido no trabalho e o desenvolvimento das compras compulsivas, a
rejeição da forma e do conteúdo da comunicação emergiu de ambos os lados. Ela diz: “[...] eu
tô me esforçando pra sair [...] eu brigo com ele, porque eu vejo que ele não entende, que não é porque quero que estou assim desorganizada [...] ele entender que é uma doença [...]”.
Ele diz:
[...] chama pra sair e não sai [...] na maior parte das vezes eu também fico calado [...] brigar a gente não briga, eu pego e fico calado, eu vou dormir, fico sem falar nada, e assim vai levando a vida, tudo por causa disso ai [...] se eu for falar. Ela vai ficar alterada, ela só enxerga o lado dela, ela não vê a pessoa que quer dar um conselho pra ela [...].
Assim ele repete o padrão de seu pai se fechando e tentando não se comunicar.
A desqualificação ocorre há muito tempo, principalmente por ela assumir uma
posição de controle na relação até surgir problemas com as compras. Esta se dá por meio do
estilo brusco, violência física e verbal com H6:
[...] falo o que eu quero, eu desrespeito às vezes como pessoa [...] fui de atirar as coisas quando ele falava, de não ouvir, de não respeitar, hoje eu tô mais silenciosa, quando ele fala eu deixo ele falar [...] eu vejo que tô errada [...] hoje eu consigo pensar e fazer aquilo (o serviço doméstico, lavar as coisas dele) pra compensar aquilo que eu não tô podendo fazer [...] vivo de compensações [...] eu me sinto mal porque não tô podendo contribuir, então assim às vezes a gente discute [...] eu mando ele calar a boca, porque só porque eu estou nessa situação [...]”. (Grifo
nosso). M6: “Cala, cada um vai dormir [...].” H6: “[...] eu procuro tá sempre bem, quando eu vejo coisa errada eu tô fora.” M6: “[...] não está tendo porque eu não estou em condições, mas o correto seria ter o diálogo, até mesmo pra fazer como as irmãs dele fazem com o pai, o pai não fala, mas as irmãs dele vão lá e cutuca o seu pai, até que ele fale.”
A desconfirmação está presente quando eles repetem os padrões intergeracionais de evitação de conflitos por meio do silêncio. Ele diz:
[...] no começo até chorava [...] quando tá ruim você acaba acostumado [...] eu não sei até quando vai ficar [...] eu não sei se é porque ela vê o lado da família dela, a mãe dela nessa situação (com AVC) [...] eu me sinto triste às vezes [...] ela fica isolada,se tiver dinheiro, gasta [...] não se organiza [...] hoje tanto faz tá organizado ou desorganizado (as coisas da casa) [...] se eu fosse incomodar com aquilo ali, eu vou ter queimação, então eu chego tomo meu banho e vou dormir [...] no começo eu ficava triste, mas agora eu já tô acostumado [...]. (Grifo nosso)
Assim, ele repete o padrão de seu pai e sua forma de reagir, se conformando com a situação.
O sintoma, como aspecto que influencia na relação interpessoal, muda aposição de
poder na relação. Ela diz:
[...] me vejo enfraquecida, perdida nesse casamento que eu falhei [...] às vezes me levanto [...] me sinto fraca [...] caio de novo [...] me esquivo bastante [...] o tempo todo eu me ausento, como eu tô me ausentando de tudo na vida social, não é só do casamento, é da minha relação familiar [...] não me sinto culpada, eu sinto que tenho só que me reerguer, arrumar solução para sustentar [...] uma pessoa desorganizada [...] descompensada [...] saio do eixo.
Nessa fase ela faz o antimodelo da mãe e não enfrenta a situação.
O sintoma justifica o distanciamento físico e emocional e a desorganização dela, assim como o silêncio:
[...] não está tendo porque eu não estou em condições, mas o correto seria ter o diálogo [...] nesse período de três anos eu estou dentro desse, eu não gosto de falar, doente [...] eu tive momentos de extrema explosão, de falar tudo e botar tudo pra fora [...] e agora eu estou num período de extrema retração [...] com uma tristeza muito grande.
Aponta para a dificuldade de controle por parte do parceiro, a impossibilidade de mudança e de lidar com as diferenças. Ele diz:
[...] eu percebi [...] comprava escondido, eu ia mexer lá e achava [...] escondia pra eu não ver, porque ela tava cansada deu reclamar [...] ia juntando [...] que eu cheguei até quebrar o cartão, mas não teve jeito [...] não é que é dó, é que eu quero ver a imagem dela, sempre foi uma pessoa boa, trabalhadora, não é isso que eu quero pra ela [...] fica na mesma [...] isso bate uma tristeza em você [...].
Para ele, o sintoma de M6 o coloca no cuidado da administração doméstica, que é algo que ele não gosta:“[...] eu vou e compro e ela não vai comigo [...] eu que faço sozinho [...] você sente feliz com uma coisa dessas? [...] pra ela tanto faz”. M6: “Eu não gosto de supermercado.” H6: [...] eu gosto de ter as coisas [...] preocupação de ter as coisas ali [...] tô segurando uma barra [...]”.
Circularidade: a necessidade de liberdade e fuga das cobranças familiares dela se
aliam à vontade de ter família, carência, solidão e conformação com as tristezas da parte dele. Impotência X Frustração.
Padrão de interação: o casal hoje desenvolve um padrão complementar rígido em
que ora um, ora o outro se submete.
M6: [...] ele ficou muito abatido com esse meu período [...] ele tem que compreender que estou passando por um processo [...] que chama isso de doença”. H6: [...] Ela falou pra eu ter paciência, pra ela melhorar, mas não tem resultado [...]. M6: [...] ele é muito imediatista [...]. M6 : (a maneira como se comunicam) Hoje tá péssima, tá horrível, tá errada [...] penso que é porque eu não estou financeiramente ativa [...] sempre tive participação no orçamento [...] nossa comunicação sempre foi de igual para igual, hoje não é mais [...] porque hoje ele tem o domínio das finanças [...] se eu quero trocar hoje a geladeira, eu não posso nem abrir a boca [...] ele tem mais cabeça e consciência do que eu [...] dinheiro tem um significado bem grande na nossa comunicação. H6: Eu acho que não é nada disso, não [...] se ela entendesse um pouco, ela dava mais atenção e tava do meu lado [...] eu queria atenção e não tem, aí eu fico chateado [...] eu espero ela melhorar, e não melhora [...]. M6: [...] eu sempre me apoiei nele, sempre achei ele forte [...] bem-humorado, sério,responsável [...]. Responsável pelas contas, isso é uma coisa que ele tem, eu não posso negar [...] isso fez com que eu de repente até pudesse deixar curtir a minha doença, só que hoje eu sinto que ele tá enfraquecido [...]. H6: Só se sair daqui e mudar, porque não tá mudando nada [...] tenho mulher pra quê? Vamos pra praia só nós dois [...] porque não vai?. M6: “Porque eu não tenho vontade de sair [...] eu estou em um estado que eu não tenho vontade, e eu amo praia [...] ele é responsável, é atencioso, é turrão [...] uma pessoa muito boa [...] mas é meio cabeçudo. H6: [...] ela tava disponível, hoje não tem mais disposição. (Grifo nosso).
Nível de percepção interpessoal, a pontuação da sequência ocorre na medida em
impermeabilidade se cristaliza. Ela diz: “[...] foi quando eu realmente fui pro Serasa [...] a
única maneira deu não comprar”. Ele diz:
[...] se eu for segurar, quem vai ficar doente sou eu [...] eu ficava nervoso, sabe aquela queimação? [...] ela se preocupa muito [...] quer carregar os outros nas costas [...] ela quer levar a família dela junto com ela. Eu acho que tem que separar as coisas [...] ela tem que se preocupar com ela, a filha dela, e terceiro lugar o marido dela, que tá do lado dela. Mas eu falo pra ela, é a mesma coisa que não falar [...] pode até deixar por terceiro, quarto, que eu sei me virar [...] esses remédios que ela toma é forte [...] ela tinha que ter mais sossego, mais natureza [...] eu falava ‘para com isso’, escondia o cartão [...] ela comprava com o RG [...] tem facilidade, ela tinha limite na praça [...] às vezes eu ficava nervoso, e o prazer dela era gastar, se eu fosse falar, ela ficava alterada, às vezes não falava nada [...] tá do mesmo jeito, não pagou nada [...] hoje ela tá menos assim, porque não tem como gastar.
Ela demonstra impermeabilidade em relação a ele, e seu ponto de vista é único, concluindo que ele não a compreende. Ela diz:
Mas é uma coisa que nem me preocupa,dever não me preocupa [...] não é uma coisa que eu não durmo [...] uma coisa que eu passo mal por estar devendo [...] talvez os problemas familiares me atinjam mais [...] me leva a comprar pra eu me sentir melhor.
Ele diz:
[...] é só prejuízo [...]. Gastou, gastou, que se gasta até hoje eu nem falo mais nada [...] tá sem controle [...] eu não posso controlar [...] ela pode até não gastar hoje,mas amanhã ela gasta, com certeza vai gastar [...] não acreditando nela [...] é como se fosse um drogado”.
Ela diz: “Para de me comparar com drogado!” Ele diz: “[...] se eu for falar, vai ter
discussão, vai começar da queimação.”
Eles sentem solidão a dois e concordam que há falta de diálogo entre si. Segundo ele, algo que seria bom se pudesse ocorrer. Ele diz
(o que contribuiria) “[...] no meu ponto de vista, se continuar como está sem nenhuma ajuda [...] sem ter conversa,não vai melhorar [...] eu nem sei o que fazer, eu faço de tudo,eu nem sei o que fazer [...] é muito ruim, é muito difícil, é muito difícil, por isso que eu fico quieto (choro) [...] é porque ela não conversa mais comigo, não me dá mais atenção [...] eu faço tudo sozinho, até quando? [...]”. Ela diz: “O tempo todo eu me ausento, com eu tô me ausentando de tudo na vida social, não é só do casamento, é da minha relação familiar. (Grifo nosso)
Assim o conteúdo da comunicação perde força e a natureza da relação emerge como foco principal. Para ela, se voltasse a ser como antes, poderiam melhorar as coisas:
[...] eu voltar a crescer, eu sair desse estado e entrar em um diálogo maior [...] talvez não seja sair de minha casa [...] problemas sempre vão existir [...] eu dimensionar melhor esses problemas, é eu racionalizar esses problemas [...] não dar tanto valor [...] seria melhor eu colocar meu lado forte [...] retomar a vida [...].
Para ele, se ela se voltasse para ele, as coisas poderiam melhorar. H6: “[...] ela tem certeza que eu faço por onde, eu sou trabalhador, só isso, não dá valor pra nada [...] eu acho que só trabalhador não é o suficiente, eu acho que tem que ter atenção [...]”.
A resiliência para ambos se dá por lutarem contra a solidão e as carências em suas
15 ANÁLISE DO CASAL 7