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1. INTRODUÇÃO
Durante o período escolar ou em outros momentos da vida, informações acerca da ação humana sobre o ambiente e seus rebatimentos são discutidas, dentre estas, a problemática do lixo e seu descarte inadequado. Muitas discussões são geradas nas instituições escolares com relação ao tema “lixo”; no entanto, este é abordado na medida em que se relaciona principalmente com a questão do lixo comum, tanto o orgânico quanto os materiais que podem ser reciclados, como sacolas plásticas, papel, metal e vidro, e as formas de descarte adequado destes. Outro tipo de resíduo tem despertado a atenção de pesquisadores é o eletrônico, pois ele é uma das principais causas de contaminação de solos, rios, córregos, lençol freático e atmosfera por metais pesados e outras substâncias que trazem prejuízos à saúde das pessoas envolvidas nos processos de produção dos aparelhos eletrônicos, de seleção e reciclagem (D’ RR IZ e ATANE, 2013).
Ao discutir os danos causados pelo resíduo eletrônico, Maciel (2011, p. 3) afirma que:
Os resíduos provenientes do avanço tecnológico, cujo anteriormente eram celulares, computadores, aparelhos de som e baterias entre outros, se tornam lixo contaminado que liberam substâncias tóxicas, altamente prejudiciais à saúde. Ao serem descartados junto ao lixo comum, este tipo de lixo libera as substâncias químicas contidas dentro dos componentes eletrônicos tais como mercúrio, Cadmo, chumbo, cobre, arsênio, lítio, entre outros, estas substâncias penetram o solo e contamina os lençóis freáticos, que consequentemente contaminará plantas e animais através da água. Além disso, essas substâncias pesadas causam inúmeras doenças ao ser humano.
Devido às inovações tecnológicas e à concorrência entre as indústrias eletrônicas, constantemente se inova e lança novos modelos com o tempo de vida útil cada vez mais reduzido. Outra implicação é que muitas fábricas que produzem esse tipo de material não disponibilizam locais adequados para o descarte do mesmo. Dessa maneira, os impactos socioambientais associados ao rápido crescimento desses resíduos, e a consequente incapacidade de metabolização dos mesmos, têm sido mundialmente reconhecidos como um risco emergente para o ambiente e para a saúde pública devido aos crescentes volumes de sucatas e as substâncias tóxicas presentes na decomposição desses materiais (ROCHA et al., 2012).
Contudo, percebe-se que não existem órgãos encarregados para realizar a fiscalização, tampouco, a elaboração de projetos que impeçam o descarte incorreto, devido à falta de verbas e apoio dos governantes. Além disso, a população, de modo geral, não possui conhecimento acerca dos resíduos eletrônicos e seus impactos negativos. Nesse contexto, a escola como espaço de produção do conhecimento sistematizado, tem a tarefa de ensinar os alunos a compartilharem o saber através de um espírito crítico, construindo conhecimentos, valores, habilidades e competências, importantes para o convívio social, cultural e científico (CAVALCANTE, 2016). Por esse prisma, o presente trabalho focou a modalidade da Educação de Jovens e Adultos (EJA).
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Segundo Pompeu (2010), a EJA é uma modalidade que contempla não somente a educação básica, mas também oferece a aprendizagem e qualificação ao longo da vida para aqueles alunos que não cursaram a escolaridade na idade certa. Dessa maneira, é constituída por alunos trabalhadores, os quais já são pais e mães, que fazem parte de uma classe social e econômica desfavorecida, e apresentam dificuldades no processo de alfabetização, pois abandonaram a escola antes de adquirir as habilidades de escrita e interpretação, sendo estes os grandes empecilhos encontrados pelos alunos quando retornam aos estudos (FONSECA, 2006 apud LEAL, 2012).
Considerando que na EJA são trabalhados temas geradores, os quais envolvem fatos e acontecimentos do cotidiano dos alunos, realizou-se neste trabalho uma proposta pedagógica que atendesse a esta problemática acerca do lixo eletrônico e sua relação com a realidade deles. Assim, o presente trabalho propôs uma reflexão acerca das atitudes e dos conhecimentos a respeito desse tema, a fim de que os alunos adotassem uma nova postura referente ao objeto em questão.
Diante do exposto, este trabalho teve objetivo investigar a percepção de alunos da Educação de Jovens e Adultos, do Município paraibano de João Pessoa, acerca do tema e as atitudes adotadas por eles ao realizar o descarte dos resíduos eletrônicos.
2. METODOLOGIA
A pesquisa foi orientada pela abordagem qualitativa, através da qual se buscou a compreensão de realidades, seus significados e situações-problemas. Nesta abordagem, o nível de realidade não é quantificado, pois se trabalha com o universo de motivos, demandas, aspirações, valores e atitudes (MINAYO, 2011). Em termos procedimentais, foi adotada a técnica de levantamento bibliográfico, mediante a leitura de conceitos e autores referentes ao tema em questão, dando subsídios para o estabelecimento de critérios de análise frente os dados coletados. Dessa forma, foram consultados artigos extraídos de endereços eletrônicos disponíveis na internet, revistas e livros de diversos autores, relacionados ao tema em estudo.
Foram selecionadas duas turmas do período noturno de ensino fundamental da Escola Municipal Prof. Durmeval Trigueiro Mendes, situada no Município de João Pessoa - PB, com as características desejadas, para abordar a temática proposta. Em seguida, houve a realização das palestras com duração de cerca de 1h e 30min, com a utilização de slides e vídeos com projeção em datashow, bem como a utilização de peças de lixos eletrônicos para verificação dos componentes destes pelos alunos. Como exemplos, foram utilizados objetos com tecnologias antigas e modernas de reprodução do som, como discos de vinil, fita, CD, DVD, MP3, iphone, para demonstração da evolução do resíduo eletrônico. Por fim, foi realizada a aplicação de 60 questionários com 10 questões, a serem aplicados nas turmas selecionadas, com o intuito de verificar a compreensão dos alunos sobre o tema "lixo eletrônico".