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1. INTRODUÇÃO
O crescimento populacional nos centros urbanos e, consequentemente, a geração de resíduos sólidos é um dos maiores desafios com que se defronta a sociedade moderna, sobretudo em países em desenvolvimento, onde são observadas significativas alterações nos seus espaços territoriais, e o surgimento de problemas socioambientais ligados à falta de planejamento e gestão dos resíduos sólidos. Essas mudanças decorrem especialmente dos modelos de desenvolvimento pautados pela mudança nos padrões de consumo da população, baseados no consumo excessivo e na descartabilidade. Dessa maneira, além do expressivo crescimento da geração dos resíduos, observam-se, ainda, ao longo dos últimos anos, mudanças significativas em sua composição e características e o aumento de sua periculosidade (OMS, 2015).
A gestão e a disposição inadequada dos resíduos sólidos causam impactos socioambientais, tais como: degradação do solo, comprometimento dos corpos d'água e mananciais, intensificação de enchentes, contribuição para a poluição do ar e proliferação de vetores de importância sanitária nos centros urbanos e catação em condições insalubres nas ruas e nas áreas de disposição final (BESEN, 2010). Nesse artigo, é dado o foco especial aos resíduos de equipamentos eletroeletrônicos (REEE), conhecido popularmente como lixo eletrônico e tecnológico, os quais afetam a natureza a sociedade em todas as escalas, dada a intensa extração de recursos naturais:
Estudos mostram que para fazer um computador novo e seu monitor, são necessárias cerca de duas toneladas de insumos (combustível, matéria-prima e, principalmente, água). Um simples chip eletrônico, menor que a unha de um dedo mínimo, exige 72 g de substâncias químicas e 32 L de água para ser produzido (OLIVEIRA; GOMES; AFONSO, 2010, p. 241).
É oportuno registrar que esses resíduos são frutos da atual revolução tecnológica que, nos últimos anos, vem produzindo inúmeros equipamentos em larga escala, com variadas utilidades, modificando os hábitos de consumo. Nesse contexto, sobressai-se o papel da educação ambiental enquanto possível solução de um problema ainda pouco explorado pelas práticas escolares (CAVALCANTE, 2015). Assim, iniciar a gestão de resíduos sólidos na escola compreende uma contribuição indispensável à formação de escolas sustentáveis e à inserção da dimensão ambiental no currículo escolar, favorecendo uma consciência crítica frente às necessidades de consumo.
O presente trabalho tem por objetivo apresentar os resultados iniciais de uma experiência de conscientização ambiental de alunos das escolas públicas urbanas do Município de Guarabira, no Estado da Paraíba, acerca dos problemas que o lixo eletrônico provoca ao meio ambiente e à saúde pública. Na mesma perspectiva, pretende-se ainda traçar um panorama geral da produção e descarte desses resíduos nas escolas da zona urbana do município em questão.
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2. METODOLOGIA
Para a realização do presente trabalho e a devida compreensão da dinâmica de consumo e destinação ambientalmente correta de e-lixo das escolas públicas de Guarabira, foram consideradas as seguintes etapas metodológicas:
a) Pesquisa bibliográfica: o levantamento e a análise das bibliografias pertinentes ao tema abordado foram importantes para a compreensão e encaminhamento do objeto investigado, bem como para a confecção do trabalho supracitado;
b) Trabalho empírico: foi pautada em três etapas, cada uma consistente em duas expedições geográficas, com trabalhos de campo ao longo de um ano de pesquisa. Em um dos trabalhos de campo foi realizado o reconhecimento do espaço da área de pesquisa, enquanto que os demais foram efetivamente de levantamento de dados;
c) Levantamento e análise de dados: foram consideradas várias fontes de evidência, como documentos, observação (direta e participante) e entrevistas diretas e indiretas por amostragens, sendo analisados por meio da abordagem qualitativa.
O trabalho foi planejado no intuito de possibilitar que todos os participantes (pesquisadores, professores, alunos e apoio escolar) pudessem observar e analisar os fatos e situações dos tipos de lixo eletrônico. Inicialmente, foram contactados professores, diretores e servidores responsáveis por setores das 27 escolas públicas da zona urbana, para a divulgação do projeto entre alunos. Os alunos disponíveis foram agrupados em equipes inseridas em atividades de sensibilização e formação.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Considerado que o presente trabalho está vinculado a um projeto em andamento, no primeiro momento foi possível observar o real panorama d das condições do espaço e o ambiente das escolas urbanas públicas de Guarabira. Pode-se constatar que o tema não é abordado nas unidades de ensino, da mesma forma que inexistem iniciativas ambientalmente corretas voltadas para a destinação do e-lixo. Foi ainda verificado que os alunos das escolas em destaque apresentavam uma visão incipiente dos conceitos de trazidos pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, inclusive sinalizando a novidade do conceito de lixo eletrônico.
Na percepção dos docentes, ficou evidente a compreensão da necessidade de iniciativas de conscientização em torno da coleta seletiva e das especificidades do “lixo eletrônico”. Nessa direção, tem se buscado promover, junto a escolas e professores, o incentivo e a motivação para o desenvolvimento de projetos e atividades ambientais com os alunos. Dentro desse projeto, o meio ambiente esteve contemplado através da prática correta de descarte do lixo eletrônico nas escolas e no entorno delas. É importante propor que se investigue não só os processos que envolvem os fenômenos pré-compra e compra, mas também os que envolvem a forma com que os envolvidos
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descartam os produtos e acabam gerando e-lixo. No contexto desse estudo, e levando-se em consideração o comportamento dos alunos, o descarte ganha relevância nas pesquisas sobre pós- consumo e compõem o foco dado pelas práticas desenvolvidas.
Os estudos sobre descarte de eletroeletrônico também encontram relevância no próprio escopo do comportamento dos alunos e professores, e na carência de uma conscientização coletiva e compartilhada. Nesse horizonte, a escola oferece as condições para a realização de um projeto educacional que possibilite aos membros da comunidade escolar a aquisição de valores que lhe permitam construir seu meio sem destruir o meio natural. Para Telles e Arruda (2011), a falta de estudos e discussões com a comunidade, em torno da estreita relação entre educação e ambiente, faz com que a população permaneça indiferente à problemática dos prejuízos ambientais ocasionados pelo descuido com os resíduos descartados.
4. CONCLUSÕES
Diante da realidade explorada, o presente trabalho foi iniciado com levantamentos do real cenário das escolas públicas urbanas do Município de Guarabira. O ambiente escolar está sendo um espaço propício ao desenvolvimento deste projeto, sobretudo em face da carência de conhecimentos e práticas voltadas ao descarte adequado dos REEE. Além de contribuir para o empreendimento de pesquisas acadêmicas, dentro e fora das escolas urbanas de Guarabira, pretende-se ampliar a discussão sobre o atual cenário consumista de eletroeletrônicos dentro das unidades de ensino investigadas, frente aos impactos ambientais decorrentes do manejo inadequado do lixo eletrônico e seus reflexos nocivos sobre a saúde humana.
REFERÊNCIAS
BESEN, G. R.Coleta seletiva com inclusão de catadores: construção participativa de indicadores e índices de
sustentabilidade. São Paulo, 2010. 275p. Tese (Doutorado em Saúde Pública) - Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010.
CAVALCANTE, M. B. A educação ambiental no gerenciamento dos resíduos sólidos na escola: uma experiência educativa. In: EL-DEIR, S. G.; GUIMARÃES, E. S. (Org.). Resíduos sólidos: tecnologias limpas e boas práticas. Recife: EDUFRPE, 2015. p. 174-179.
OLIVEIRA, R. S.; GOMES, E. S.; AFONSO, J. C. O lixo eletroeletrônico: uma abordagem para o Ensino Fundamental e Médio. Rio de Janeiro: Química Nova na Escola, 2010.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. The World Health Report 2015- A safer future: global public health security in the 21 century. Disponível em: <http://www.who.int/whr/2007/en/index.html>. Acesso em: 3 set. 2015.
TELLES, A.; ARRUDA, M. P. O saber ambiental de todos nós: a visão romântica e naturalista acerca da relação ser humano-natureza. São Paulo: Iglu, 2011.
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2.9 HORTA MEDICINAL ESCOLAR: APROVEITANDO PNEUS COMO
INSTRUMENTO PARA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO AGRESTE
PERNAMBUCANO
SOUZA, Gabrielly Laís de Andrade
Instituto Brasileiro de Tecnologia em Saúde gabriellylaí[email protected]
BRAINER, Sâmara Aline Brito
Escola de Saúde Pública de Pernambuco [email protected]
SOUTO, Cristiane Felix da Silva
Universidade Federal de Pernambuco [email protected]
VASCONCELOS, Andreza Cavalcanti
Centro Universitário do Vale do Ipojuca [email protected]
RESUMO
Este trabalho tem como objetivo analisar o potencial de aproveitamento de pneus como instrumento de educação ambiental, a partir de uma proposta de horta medicinal. A pesquisa consistiu em um estudo de caso realizado em uma escola estadual situada no Município de Caruaru, no Agreste de Pernambuco, sendo desenvolvida no período de fevereiro a dezembro de 2015. O público participante foi constituído de professores, equipe gestora e estudantes do 1º e 2º anos do Ensino Médio. Dos 35 pneus arrecadados, 28 foram utilizados, sendo inicialmente higienizados e, depois, pintados pelos alunos. Após essa etapa, foram separadas e identificadas as plantas que seriam cultivadas. Pode-se concluir que projeto transformou o ensino a escola, ao favorecer uma maior motivação por parte da comunidade escolar.