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Após a análise dos resultados do questionário, foi realizada uma campanha de educação ambiental, através da qual a comunidade foi sensibilizada a respeito dos impactos ambientais causados com o descarte incorreto do óleo de cozinha, sendo orientado e solicitado que todo o óleo utilizado pela residência fosse armazenado e enviado à Associação, para ser utilizado na fabricação de sabão caseiro. A campanha foi realizada através de visita na residência dos 41 associados que faziam parte do grupo amostral.

Nesta etapa, foi elaborado um panfleto informativo, sobre os impactos ambientais causados pelo óleo de cozinha, e a maneira correta de realizar o descarte, de acordo com informações encontradas na literatura (BORRALHO e SANTOS, 2013). Além da campanha, foram realizadas palestras de conscientização relativas ao tema. Ações de logística empresarial visando ao empoderamento da comunidade foram realizadas, tais como cursos de capacitação sobre brainstorming (CAVALCANTE et al. 2014; FERNANDES et al. 2013), cursos de armazenagem e

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produção do sabão caseiro (SANTOS; XAVIER; FARIAS, 2015; OLIVEIRA et al., 2013), incluindo aulas práticas de produção do sabão, a partir do óleo de cozinha, ministradas pela equipe executora.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A Figura 1 apresenta a quantidade de óleo consumido pelos associados durante um mês em suas residências. Observou-se que mais de 83% das famílias utilizam mais de dois litros de óleo por mês, sendo que 50% utilizam mais de 3 litros de óleo de cozinha, e apenas 7 famílias utilizam menos de 1 litro de óleo por mês, totalizando 17% da pesquisa.

Figura 1 - Quantidade de óleo consumido por mês pelos associados. Fonte: os autores (2017).

Além de ser alarmante a quantidade de óleo consumida, mais preocupante é a forma com que eles são descartados. De acordo com as respostas obtidas sobre o descarte (Figura 2), 50% das famílias descartam o óleo na pia de casa, 31% descartam no quintal, 7 % descartam no lixo, e apenas 10% colocam o óleo em garrafas pet para ter destino adequado.

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Conforme o destacado, além de gerar graves problemas de higiene e mau cheiro, a presença de óleos e gorduras provoca entupimento na rede de esgoto. Para retirar o óleo e desentupir são empregados produtos químicos altamente tóxicos, o que acaba criando uma cadeia perniciosa, além de causar danos irreparáveis ao meio ambiente, o que constitui uma prática ilegal punível por lei (ALBERICI e PONTES, 2004). Devido à provável falta de informação por parte dos associados, apenas 10% das famílias (Figura 3) detinham o conhecimento da existência de pontos de coleta seletiva, enquanto 90% sequer imaginavam que existia coleta para esse tipo de resíduo. Porém, ao se perguntar sobre a disponibilidade dos associados em guardar o óleo para ser descartado de forma correta, 98% afirmaram que tem interesse em gerenciar de forma correta o óleo usado (Figura 4).

Figura 3 - Conhecimento das famílias acerca da existência de pontos de coleta de óleo. Fonte: os autores (2017).

Figura 4 - Disponibilidade dos associados em armazenar o óleo para dar destino correto. Fonte: os autores (2017).

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De acordo com os resultados, foi possível constatar que os moradores das residências que participaram das atividades não tinham conhecimento dos impactos ambientais provocados pelo óleo de cozinha, bem como desconheciam que era possível reaproveitá-lo. Em números, 79% dos associados não possuem o entendimento sobre os danos causados ao meio ambiente advindos dessa prática. Por outro lado, 79% também concordam que é possível produzir sabão caseiro, tendo como insumo principal o óleo de cozinha usado e, destes, aproximadamente 83% estão dispostos a utilizar o sabão produzido a partir do óleo de cozinha usado (Figura 5).

Figura 5 - Disposição dos entrevistados em utilizar sabão caseiro proveniente de óleo de cozinha. Fonte: os autores (2017).

Para que fosse possível realizar as oficinas de produção de sabão caseiro, realizou-se uma campanha de arrecadação de óleo comestível na comunidade e regiões próximas. Arrecadou-se ao fim cerca de 50 L de óleos usados, dos quais resultaram 56 barras de sabão caseiro produzidas durante as oficinas (Figura 6A e B).

Figura 6 - (A) Óleo comestível arrecadado e (B) Sabão caseiro produzido durante as oficinas.

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Após a análise dos dados dos questionários e durante as campanhas de arrecadação, foi elaborado e entregue aos associados um panfleto informativo a fim de sensibilizá-los à realização permanente do descarte correto do óleo de cozinha. Com a realização das palestras de conscientização sobre o descarte adequado de óleo de cozinha usado, e de palestras sobre brainstorming e armazenagem de insumos e oficina de fabricação do sabão (Figura 8), verificou-se uma melhoria significativa no interesse e disponibilidade dos associados em participar do programa de produção e comercialização do sabão caseiro no Distrito de Mercês.

Figura 7 - Panfleto entregue durante as campanhas de sensibilização e arrecadação. Fonte: os autores (2017).

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Figura 8 - Oficinas de fabricação de sabão caseiro do Distrito de Mercês, Cabo de Santo Agostinho. Fonte: os autores (2017).

4. CONCLUSÕES

A partir dos resultados obtidos, foi evidenciado o alto consumo de óleo de cozinha por parte das famílias entrevistadas, assim como o mau hábito no momento de descartar o produto após o consumo, prejudicando o meio ambiente e a própria comunidade. O desconhecimento dos impactos ocasionados pelo descarte incorreto do óleo de cozinha e o das alternativas que pode se dar ao produto pós consumo reforça esse tipo de prática.

Através do desenvolvimento do projeto, a comunidade foi sendo informada dos danos que o descarte incorreto do óleo de cozinha usado provoca ao meio ambiente, e a maneira correta de realizar este descarte. Os associados demonstraram interesse em modificar os seus hábitos e de contribuir com o projeto, acumulando o óleo de cozinha usado para a produção de sabão. Durante o decorrer das palestras e das oficinas de produção de sabão caseiro, a comunidade reafirmava o apoio ao projeto, pois a quantidade de óleo de cozinha usado chegava de maneira cada vez mais significativa por parte da comunidade, sinalizando forte adesão. Os participantes demonstraram-se abertos a utilizar o sabão produzido na localidade, no intuito de apoiar o habito sustentável.

O acesso à educação, em qualquer nível, traz mudanças na vida de todo cidadão. E quando o aprendizado se torna ainda mais atrativo, pelo fato do projeto trazer temas do dia a dia da população e ter atividades práticas que envolva a todos, trazendo resultados rápidos e que vão impactar diretamente na vida da comunidade, os ganhos são enormes para a sociedade e para o meio ambiente. A educação tem o poder de transformar as pessoas e levá-las a adotar novos hábitos, respeitar o outro e ao meio ambiente. Essa transformação se dá pelo empoderamento do saber e, não simplesmente pelo cumprimento de regras ou lei, muitas vezes, impostas ao cidadão.

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REFERÊNCIAS

ALBERICI, R. M.; PONTES, F. F. F. Reciclagem de óleo comestível usado através da fabricação de sabão.

Engenharia Ambiental: Pesquisa e Tecnologia, v.1, n.1, p. 73-76, 2004.

BACKES, A. A. et al. Aproveitamento de resíduos sólidos orgânicos da alimentação humana e animal. Revista da

Fapese, v. 3, n. 2, p. 17-24, 2007.

BORRALHO, A. L. F.; SANTOS, M. N. B. A utilização da técnica de produção de sabão com óleo reciclado como proposta de uma prática sustentável em escolas de tempo integral. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO QUÍMICA, 11., 2013, Teresina. Anais... [S.l.: s.n.], 2013.

CAVALCANTE, F. C. S. et al. Educação ambiental: produção de sabão ecológico na Escola Nossa Senhora Aparecida em Campina Grande-PB. SCIRE Revista Acadêmico-Científica, v. 6, n. 2, p. 1-8, 2014. FERNANDES, A. F. et al. Reaproveitamento do óleo de cozinha para a fabricação de sabão: uma ação

sustentável e social. In: CONGRESSO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DO IFRN, 9., 2013, Currais Novos. Anais... [S.l.: s.n.], 2013.

GIANSANTI, R. O desafio do desenvolvimento sustentável. São Paulo: Atual, 1998.

OLIVEIRA, J. J. et al.Óleo de fritura usado sendo reaproveitado na fabricação de sabão ecológico: conscientizar e ensinar a sociedade a reutilizar de maneira adequada o óleo de cozinha In: CONGRESSO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DO IFRN, 9., 2013, Currais Novos. Anais... [S.l.: s.n.], 2013.

PRIM, M. B. S. Análise do desperdício de partes vegetais não consumíveis. 2003. 112 p. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2003.

SANTOS, A. V. et al. Experimentando a produção de sabão sustentável através de oficina realizada no IFBA campus Santo Amaro. In: CONGRESSO NORTE NORDESTE DE PESQUISA E INOVAÇÃO, 7., 2012, Palmas. Anais... [S.l.: s.n.], 2012.

SANTOS, F. C.; XAVIER, E. F.; FARIAS, V. L .C. Produção de sabão e detergente biodegradável através do óleo de cozinha usado. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE TECNOLOGIA NA EDUCAÇÃO, 13., 2015, Recife. Anais... Recife: Faculdade Senac, 2015.

SILVA, M. V. et al. Reciclagem de óleos residuais para a produção de sabão no município de Itapetinga-BA.

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